Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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sexta-feira, 18 de abril de 2008

Aprendendo com os amigos

Dizem que só conhecemos os amigos realmente quando passamos por uma crise. Seja uma separação, uma morte, um monte de dinheiro na loteria ou mesmo uma doença. Nunca tinha passado por algo assim que me levasse de fato a ter oportunidade de analisar os inúmeros amigos em ambientes que não fossem de festas, cervejas ou amenidades.
Quem são os amigos de verdade ? muito se escreve sobre eles. Há textos fantásticos, inclusive bem apresentados em power point. Poesias bem rimadas, prosas emocionantes. Nada a comentar, porém, sobre os amigos meio camaleões, aqueles que mudam diante da primeira adversidade, que não dão colo, mas sutis bofetões.
O silêncio também dói. Demonstra a falta de interesse, a ausência de preocupação. Eu talvez, não dê muito espaço para que cuidem de mim. Sempre fui metida a auto-suficiente, independente, embora não seja nada disso. Devo ser responsável pelo sumiço de alguns que talvez me acompanhem ao longe e quem sabe notando que piorei, que meu estado se agravou, retornem com a mesma periodicidade de antes.
Há o outro grupo dos que nada fazem, nada dizem para que você se sinta melhor. Sempre ponderando, sempre argumentando o contrário como se estivessem na torcida do time adversário. Não entendo as mudanças e os posicionamentos. Não... eu não quero concordância com tudo o que penso ou faço, decido, mas luz, ajuda para compreender esse meu momento e alguns amigos poderiam acender essa luz, me iluminar com sua sabedoria, carinho, amplo conhecimento sobre mim. Banalizaram a minha doença, parecem se sentir incomodados com a minha determinação, firmeza em encarar a doença e tentar vencê-la, meu humor em rir do que em muitos causaria lágrimas, minha disposição em ajudar, em me indignar, em lutar, me emocionar.
Felizmente são tão poucos que, mesmo me magoando e me deixando muitas vezes impactada com as mudanças, não guardo rancor, apenas algo como uma dor silenciosa e sutil de ter me enganado. Em compensação há tantos outros sempre juntos, que telefonam só pra dar um abraço, para oferecer uma palavra de incentivo, pra saber como anda a novela do tratamento. Outros que me escrevem todos os dias, que conversam pelo MSN, que estão sempre dispostos a me ouvir seja contando boas notícias ou apenas ouvir minhas recentes nóias. Ocupados ou não, assoberbados ou não, sempre encontrando um tempinho.
Tem ainda os que se revelaram com a doença, surgiram em minha vida como um presente ou outros que mudaram de posto. De colegas a amigos do peito, daqueles que a gente quer sempre por perto porque nos fazem bem, nos levam pra cima, são despojados de inveja, egoísmo e intolerância. Pessoas de grande coração que conseguem esquecer seu mundo e vivenciar o do outro com solidariedade e amizade.
Há também os que se mantêm à distância como se esperassem um aceno pra se aproximar...
Tantos amigos.. tantos tipos... tantas reações...
Que venham todos, que tragam suas energias positivas, que brindem comigo às descobertas, inclusive as que entristecem. Amadurecemos também com elas.