quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mais e mais amigos se manifestando

Ruth
Lendo seu texto eu vejo voce até nas virgulas e pontos. Ninguem mais do que eu sabe o que é recomeçar..., mas é bom. Seja feliz, amiga e não nos esqueça.
Beijos
Célia Libardi


Ruth,
Desejo que vc realize tudo o que ainda não pôde realizar e,principalmente, seja muito feliz!Curta muiiito sua aposentadoria da forma que melhor forma pra vc!E o mais importante: VIVA SUA VIDA!!!
Beijosss
Flávia Bessa

Oi Ruth,
tô triste de perdê-la como companheira de dores e alegrias na jornada embrapiana. mas tô feliz porque sei da sua incrível capacidade de se reinventar e causar!!!!
beijocas,
soraya


Ih tava eu quieta , não querendo mexer ainda mais com as emoções e o Robinson me provocou.Então lá vai depoimento para Ruth ler e não me deixar aqui chorando sozinha.A Ruth é aquela pessoa de quem eu sempre vou lembrar como a "chaveira" das portas da Embrapa para mim. Tenho certeza de que a primeira vez que ouvi falar no nome Embrapa, foi numa roda de conversa em frente ao Pavilhão A da UFPa. , quando a Ruth, contemporânea do Curso de Comunicação de Social, enriquecia-nos (nós as calouras), com suas histórias, estórias e experiências como jornalista de redação do "A Província do Pará" e já como assessora da Embrapa ( Ruth , refaz estas contas , pois só o meu filho já tem 23 anos, e ele veio bem depois da nossa formatura naquele fevereiro de 1983) .Quando mudei pra Rondônia e saiu o concurso da Embrapa, recorri a Ruth para conseguir material para estudar p/ o concurso, e lá veio tudo "xerocado" e despachado pelos Correios. Te contei não Ruth? Fui o primeiro lugar na categoria "Difusor de Tecnologias" rsrsrs. Posso não ter te contado , mas agradecido em preces , isso com certeza.Ruth mana, como dizem os paraenses, e amapaenses como eu , cortar os laços com a Embrapa é mais uma dura prova , dentre as que tens te submetido nos últimos tempo, mas esta talvez nem seja tão dolorida, porque ao olhar prá trás verás que construistes um lindo caminho pleno de sabedoria e coisas boas , que sabias generosamente distribuir com os que te cercavam, por isso a cada oportunidade de retornar a Belém ( ainda que de férias ) , eu não deixava de dar aquela passadinha pelo CPATU, p/ beber dessa fonte.Como disse o Robinson , "... vamos nos esbarrar muitas vezes pelo mundo afora". Que tal começar já? Estou indo para o Foro Ibero americano de Comunicação Científica em Campinas. Como dizem os nossos sumanos: "vumbora lá?".
beijos
Vania Beatriz

As manifestações dos amigos da Embrapa

Tenho recebido, desde ontem, muitas manifestações dos amigos que marcaram a minha passagem pela Embrapa.
Selecionei alguns deles.

Ruth,
São benditas as rotinas, porque elas nos fazem valorizar o trabalho, nos deixam do tamanho exato dos nossos esforços. Mas, como tudo, elas também nos fazem algum mal, quando perdemos a força de mudar o rumo, não nos deixando pensar como seria navegar em outros mares. Mudar implica risco e isso sempre acende medos internos, assombra os dias e tira o sono das noites. Por isso, a maioria de nós tende a se acomodar. Você me fez lembrar que homens e mulhere livres são presos > aos seus ideais e por isso lutam e enfrentam, corajosos, os desafios de viver plenamente, quebram os paradigmas e se lançam aos desafios do imprevisível, assim como você Ruth. Por isso, segue o rumo do teu coração e com certeza vais realizar os teus sonhos, porque é essa a boa intuição e, querida amiga, nada neste mundo pode te impedir de SER FELIZ.
Heberlê

Ruth,
Ainda emocionado com a sua mensagem e com as belas palavras do Heberlê, faço aqui também um registro pessoal.Conheci Ruth Rendeiro pessoalmente em 2000. Eu era moleque na Embrapa, mal tinha um mês de casa, e me espantei com aquela mulher exuberante, festiva, que exalava patchouli amazônico e roubava atenção por onde passava, pelos corredores do II Ciência para a Vida. Foi paixão à primeira vista.Aos poucos o que tinha tudo para ser mais uma boa relação entre dois colegas de trabalho, separados por milhares de quilômetros, acabou se tornando uma amizade firme e muito intensa. Foi ela quem me apresentou o por-do-Sol de Belém, as belezas escondidas nas ruelas daquela cidade, o amor pela cultura paraense. Hoje tenho jambu plantado no quintal de minha casa por causa dela. Quando mastigo aquelas folhas tento trazer de volta sensações que me fazem sentir mais vivo e o quanto vale a pena curtir um grande amigo. Sentir a boca dormente é trazer de volta, mesmo que por apenas alguns segundos, a presença de você, Ruth...Por isso é que ler e reler a sua despedida será sempre doloroso. Ruth foi uma das pessoas que me ensinaram a amar muito a Embrapa, a Amazônia e tantas outras coisas fundamentais. E presenciar essa despedida, da forma como está sendo feita, depois de tantos anos dedicados a essa Empresa, é muito triste.O que nos conforta é saber que essa mulher é tão grande e intensa que fatalmente vamos nos esbarrar nela muitas vezes pelo mundo afora e que ela jamais ficará distante das nossas vidas.Que Deus lamparine sempre os seus passos e que você continue a colecionar amigos na sua longa jornada.Conte sempre comigo.
Robinson


Olá, Ruth,
Seu texto é verdadeiro como você. Sem delongas. Há três ditados antigos, da época dos alquimistas, que me lembram você e sua vida recente. O primeiro está relacionado à superação de suas recentes provações pessoais: "para que os ramos de uma árvore atinja o céu, suas raízes precisam chegar ao inferno". O segundo diz respeito à sua transição a uma nova etapa de vida: "para alguma coisa nova nascer, algo velho tem que morrer". O terceiro ditado foi selecionado pensando em você daqui pra frente: "as coisas terrenas, para serem amadas, precisam ser conhecidas; as coisas divinas, para serem conhecidas, precisam ser amadas". Um abraço apertado e boa sorte pra você. mande notícias.
Wilson

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A despedida na lista de Comunicação da Embrapa

Olá !!
Na última sexta-feira, 13, recebi oficialmente o meu documento de aposentadoria. Termina assim a relação de 25 anos que mantinha com a Embrapa. Uma nova página que viro em minha vida.
O sentimento é de despedida e como toda despedida tem um gosto amargo, mesmo que o horizonte se mostre mais apaixonante. É como terminar um casamento. Sabíamos que não valia à pena prosseguir com a desgastada relação, mas é inevitável sentir uma grande dose de pesar. Chegara a hora de romper antes que os momentos de prazer e de realização se transformassem em dissabores, desavenças que poderiam manchar tudo o que fora construído no passado.
Uma decisão difícil para preservar o que ainda pode ser preservado, afinal qualquer relação de longo tempo nos transforma, deixa marcas que nos acompanharão para sempre. Nunca seria o que sou se não fosse o privilégio de ter vivido tanto tempo nos bastidores e á frente das câmeras da empresa mais conceituada em pesquisa agropecuária/florestal do Brasil.
Mas acabou e por isso optei pela aposentadoria. Mesmo que seja a por tempo de contribuição com perda financeira, mas tenho certeza com vários outros ganhos que não serão contabilizados na minha conta bancária, mas que se refletirão no meu humor, na minha saúde, no tesão que sempre marcou tudo o que eu faço.
Intensidade e verdade que não abro mão de exercitar diariamente.
Como no casamento, perco um sobrenome. Deixo de ser a Ruth Rendeiro da Embrapa para voltar a ser apenas a Ruth Rendeiro, mãe do Raul e da Anaterra, viúva do Manoel Dantas, filha da Janet, jornalista, apaixonada por Belém e principalmente pela vida.
É importante ressaltar, contudo, que vou me aposentar SÓ da Embrapa ! Não tenho vocação para ser coadjuvante, principalmente da minha história. Estou, mais do que nunca, cheia de planos que não incluem crochê ou tricô. Nada contra, mas por total incompatibilidade com quaisquer trabalhos manuais.
Quero viajar muito, (re) aprender a viver só, (re)apaixonar-me, rejuvenescer e trabalhar mais e mais . Não com controles de horas, dias, meses, anos, mas com resultados plenos e menos estresse, mais satisfação, mais envolvimento emocional.
Por isso, antes de dizer “até outro dia” quero deixar um recado profissional aos colegas embrapianos : se identificarem oportunidades que tenham o meu perfil estou à disposição, sobretudo as que fazem relação com a Amazônia, com comunicação institucional/comunicação interna, media training...
Tem outro segmento que devo voltar a me dedicar e talvez poucos conheçam, já que faz parte da minha vida profissional mais remota: a revisão gramatical. Durante muitos anos atuei lendo e relendo textos técnicos no então CPATU e que agora pode ser outro recomeço. Resquícios dos meus semestres no curso de Letras.
Estou indo ... Não sei exatamente pra onde. Ninguém sabe ! Meus planos incluem viagens constantes a Ribeirão Pretoonde devo me fixar a partir do próximo ano. Depois São José dos Campos, Santo André e vários dias em Belém, ilha de Mosqueiro.
Deixo aqui um abraço carinhoso e bem apertado e um agradecimento especial a cada um dos inúmeros amigos que fiz ao longo desses 25 anos e outro aos que infelizmente, por algum motivo que Nelson Rodrigues deve explicar, não consegui incluir no meu círculo de amizade.
Saio com saudade, mas feliz pela decisão que neste momento é amais coerente com o caminho profissional que trilhei por mais de 33 anos.
A vida continua e é bela. É só deixar o sol entrar ou a chuva molhar nosso rosto ...
Estarei sempre à disposição para conversar (assuntos sérios ou nem tanto!), afinal vou, mas deixo uma família pra trás.
Até por aí !!
Ruth Rendeiro
(A partir de agora, mais do que nunca, no ruth_rendeiro@yahoo.com.br ,Twitter, MSN, Skype, blog, Orkut....)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ESTÁGIO PARA APOSENTADA (III)

Cursos, treinamentos, dias de campo ou acompanhamento de jornalistas me levaram muitas vezes a passar dias e até semanas nos mais longínquos rincões amazônicos. Muitos se perderam na lembrança, mas outros permanecem nítidos desafiando as décadas que me separam dessas datas.
Lembro de um em especial em Rio Branco, Acre. Um treinamento intensivo em difusão e transferência de tecnologia. Pessoas de unidades distantes enclausuradas em um prédio distante da capital. O primeiro grande impasse deu-se com a minha presença. Uma mulher no grupo ? ninguém cogitara essa hipótese e os quartos já estavam todos ocupados por camas beliches e não tinha como eu ficar em um sozinha. Sem problema: dividi, durante uns 10 dias, o mesmo quarto com o Damásio Coutinho Filho (difusor dos mais antigos da Amazônia, boa praça, boêmio nato, falecido há cerca de três anos), Jonacir Corteletti (um capixaba que trocou a Emater-Pará pela Embrapa anos depois. Amigo querido que morreu após sofrer queimaduras graves em casa, quando morava emCastanhal), Wankes (extensionista da Emater) e um jovem pesquisador que não ficou muito tempo em Belém, o Aderson, que acredito está no Piauí. Uma farra, uma experiência maluca, de respeito, amizade, companheirismo, vontade de crescer, de fazer o melhor, de sermos os pioneiros na nova visão que a difusão começava a ter na Embrapa. Uma valorização há muito esperada, mas que caminhava lentamente. Passo à frente e outros de volta ao ponto de partida, mas que levaram ao amadurecimento do que hoje se pratica na Empresa. Ficamos todos juntos nesse mesmo quarto e ao final só boas recordações !
Como um filme que passa e repassa momentos vão e veem, situações relevantes outras nem tanto tornam essa despedida mais uma. Aposentadoria tem cheiro de morte. Um jeito sutil de dizer que já não servimos para continuar, que já cumprimos o tempo que tínhamos como profissionais ágeis, ativos, produtivos. Hora de deixar de ser... Ser tanta coisa, ser sob diferentes ângulos ...
A relação que muitos fazem com o crochê ou o pijama não encontra, porém, ressonância em minha vida. A decisão de deixar a Embrapa nada tem a ver com a idade ou com o fim de linha profissional. Encerro uma etapa, mas prossigo na vida, continuo como jornalista, revisora gramatical, profissional de comunicação. Só não terei mais a obrigação de estar durante oito horas em um local que já não me dava prazer.
Estou tendo uma oportunidade de me olhar como nunca fizera antes. Vejo-me com muitos anos ainda a serem vividos com permissão para sonhar, planejar, ousar, propor e ser ouvida e sem pressa !. Vislumbro dias que dormirei morta de cansada, mas feliz pelo resultado do que foi gerado por mim ou pela equipe a qual pertencerei, onde cumplicidade seja a tônica e a empresa (seja ela qual for!) seja respeitada.
Agora volto a Redenção. Década de 90, talvez. Uma grande equipe, um ônibus caquético cedido pelo Governo do Estado, calorento, cadeiras desconfortáveis e a participação da Embrapa em uma grande feira/exposição agropecuária. Lembro bem do Emeleocípio e Altevir. Programa cansativo demais e de pouca valorização dos que pesquisam e entendem (ou fazem tudo pra isso!) o que se passa na agricultura amazônica e suas repercussões na região como um todo.
Hospedagem, alimentação, transporte tudo por conta da Prefeitura e do Estado. Pouco prestígio se comparado aos ilustres políticos ou dirigentes de empresas públicas. Para mim um grande impacto ver o quanto respeitam pouco, o quanto minimizam aqueles que dedicam grande parte de suas vidas a estudar, que abrem mão do glamour, das mordomias e optam pelos laboratórios, pelos livros, pelas mudanças de cidade, de Estado ed País em nome do aproprimoramento.
Choquei !!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ESTÁGIO PARA APOSENTADA (II)

Nesse mundo novo que nos prepara para enfrentar as limitações impostas pela idade, há tempo até pra ficar mais tempo na internet, descobrir sites nunca visitados, conhecer pessoas, conversar mais, encher o saco daqueles que ainda estão no batente com a mesma ênfase que dediquei 33 anos da minha vida. Uma disponibilidade que ainda incomoda !
Reconhecer que a velhice está chegando não é tão poético quanto tentam nos vender. Envelhecer não é fácil e nem prazeroso como tentam nos ludibriar ...”A melhor idade começa aos 60 anos”. Melhor idade em que ? O corpo fica feio, flácido, sem brilho. Cansamos com facilidade, a memória já não grava tudo e nem tem a mesma eficiência, a discriminação começa em casa com os filhos, netos, sobrinhos que sempre tentam lembrar que estamos ficando velhos. Puro eufemismo ! Estamos velhos.
Sem falar nas limitações gastronômicas e etílicas. Essas talvez sejam as que mais me perturbam e me aborrecem. Não é mais permitido juntar de uma só vez meia dúzia de cerpinhas com belas fatias de picanha com muita pimenta fresca. O resultado é devastador e relembrado dolorosamente pelos três, cinco, sete dias seguintes.
E o sexo ? bom... pode até ser bom! mas já foi melhor !
Obviamente que não existe meio termo: ou envelhecemos ou morremos jovens e como ninguém quer morrer ....
É claro que envelhecer tem suas vantagens Como estar aqui relembrando, voltando no tempo. Só a experiência (sinônimo doce e elegante de quem já não é jovem) nos permite analisar com olhos mais nítidos uma juventude que já está lá atrás e boa parte da minha juventude profissional eu passei na Embrapa. Ali aprendi de fato o que é fazer assessoria de imprensa e fui uma privilegiada por ter acompanhado pari passu as mudanças que transformaram os fazedores de relises ou plantadores de notas nas colunas, em profissionais pensantes da Comunicação.
Entrei no Cpatu (era assim que o centro de pesquisa de Belém era conhecido) quando o chefe geral era o Cristo Nazaré Barbosa do Nascimento, morto em um acidente de trânsito, em um final de semana de julho, na esquina da travessa Nove de Janeiro com a avenida Conselheiro Furtado. Depois veio o Emeleocípio Botelho de Andrade que me tornou efetiva. Naquela época não havia concurso, mas um tempo de experiência. No meu caso um ano prorrogável por mais um.
Sabia que fazer assessoria de imprensa para um centro de pesquisa não era a mesma coisa que atuar em uma Prefeitura ou mesmo em faculdades, já que tivera a oportunidade de também trabalhar no Cesep (o antecessor da Unama) e nas Ficom, as Faculdades Integradas Colégio Moderno, que depois passaria ao conglomerado da Unama também. Mas não tinha percepção de como agir diferente, de como fazer uso de métodos que permitissem levar aos jornais, rádios e TV (não tinha internet naquela época) o que era gerado pela pesquisa. Mas minha intuição me guiava.
Por isso me aproximei da Difusão. Foi lá que conheci de fato o que a Embrapa no Pará produzia. Viajei demais, passei dias em companhia de pesquisadores, conheci de perto os campos experimentais embrenhados nas mais longínquas cidades como o do Marajó ou de Tomé-Açu e participei de incontáveis reuniões com produtores e extensionistas.
Aprendi na prática e com os reais atores, a fazer assessoria de imprensa. Sentia a necessidade de vivenciar, entender, participar para depois escrever.
Viagens inesquecíveis :Bragança, Paragominas, Tracuateua, Belterra, Santarém, Santa Izabel, Altamira, Castanhal, Moju, Redenção, Capanema,
Mais um capítulo à parte ...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ESTÁGIO PARA APOSENTADA

Pela primeira vez na vida estou assistindo quase diariamente o Bom Dia Brasil ainda na cama. À exceção dos momentos em que fiquei de cama por determinação médica, acordar antes das 6 sempre fez parte do meu ritual diário.
De repente vejo-me estagiando para aposentada.
Sem traumas, sem muita neura, mas tentando me adaptar ao dia mais longo, ao tempo mais elástico para andar de ônibus, cuidar do jardim e de uma pequena horta ou simplesmente arrumar a cama ou passar cremes no corpo com uma concentração científica que não sabia que existia. Um é protetor solar para o rosto; outro clareia os cotovelos; o seguinte evita as rugas em torno dos olhos tem ainda o hidratante que ajuda a manter a umidade da pele.
O estágio começou quando percebi que não conseguiria continuar insistindo em trabalhar na Embrapa Instrumentação Agropecuária. Mais da metade da minha vida eu estive envolvida com a Embrapa. Muitos momentos de êxtase, satisfação plena, prazer intenso, realização profissional incomparável. Alguns poucos de decepção, frustração, raiva, mas todos passageiros.
Uma Embrapa que me mostrou um mundo de produtores, de amazônidas ávidos por uma semente melhorada, uma poda mais eficiente, um controle mais eficaz de combate a suas pragas e doenças.
Ela entrou na minha vida por simples coincidência e puro interesse salarial. Estava na assessoria de imprensa da Prefeitura de Belém e o amigão Raimundo José Pinto me ofereceu a vaga de revisora gramatical. Meus quatro semestres no curso de Letras foram decisivos.
Um universo totalmente desconhecido me desafiava. Sou urbana nata. Nasci em Belém, na avenida Conselheiro Furtado ao lado da Igreja dos Capuchinhos, depois morei vários anos no Rio de Janeiro e ao retornar pra Belém, passei um tempinho na 14 de março e de novo voltei para Conselheiro até tomar um rumo de pular de apartamento pra apartamento com ou sem a Sula (a amiga com que dividia as despesas da independência).
Nada me era familiar naquele ambiente rural. Os nomes técnicos me assustavam e me deixavam insegura. Taxi-branco (tinha vontade de acentuar sempre e passar para táxi como aprendera), o científicos que universalmente denominam a castanha-do-brasil (Berthollethia excelsa) ou o búfalo (Bubalus bubalis). E detalhe: o primeiro sempre começando com maiúscula e o segundo em minúscula. Passei alguns anos lendo e relendo os textos que depois se transformariam em publicações como Pesquisa em Andamento, Circular Técnica, Boletim de Pesquisa. Alguns li dez,15 vezes. Era a época da máquina datilográfica. Errar uma linha significava datilografar tudo de novo e ler mais uma vez, mesmo com os milagres que a Bartira Franco Aires fazia de conseguir colar um a no lugar de um o e ninguém perceber.
Com a saída voluntária do Raimundo José, por volta de 1990, que optou por voltas às redações, assumi então a assessoria de imprensa.
Assessoria de imprensa em um centro de pesquisa em Belém do Pará !!! Aí merece parar pra começar amanhã (ou outro dia) a Parte II !!

domingo, 27 de setembro de 2009

A maioridade e suas múltiplas facetas

De repente aquele garotinho manhoso, chorão, medroso chega à maioridade. Poderia ser só mais um aniversário, mas para mim, neste momento de nossas vidas, é emblemático e cheio de nuanças.
Ratifico, mais uma vez, como somos prepotentes, arrogantes e altivos ao acreditarmos que podemos dirigir nossas próprias vidas, rumar nossos destinos. Quando o Raul nasceu ele era o “meu” bebê, depois se transformou no “meu” menino que tentei direcionar para a pesquisa, mostrando ludicamente desde cedo a ciência e tecnologia.
Hoje tenho um rapaz que sabe o que quer e que não é absolutamente nada do que eu queria. Determinado, cabeçudo, teimoso e que transformou suas aulas doloridas na academia no que de mais importante existe para ser vivido.
Aos 18 anos passa a ser civilmente responsável pelos seus atos. Já não responderei por qualquer atitude ilegal que cometa, mas não consigo ainda vê-lo como um homem capaz de cuidar integralmente de si. Mesmo que more distante e sozinho.
Seu emocional parece não ter acompanhado o desenvolvimento dos músculos que só tendem a ir mais e mais além. Tenta ser um ser independente, mas basta eu ir passar alguns dias em sua casa pra sentir o quanto ainda é carente de atenção, de organização, de carinho maternal, da presença de uma mulher.
Relembramos com saudade alguns aniversários. Os 15 anos quando o Manoel transformou nossa casa em uma boate alegre e moderna. Os 16 marcados por um almoço que teve como um dos convidados especiais o seu professor de karatê, o Paulo, e a apreensão disfarçada pelo resultado, no dia seguinte , da biópsia do nódulo retirado da minha mama e os 17, já sem o Manoel, no Habib’s de São Carlos.
Agora foi em Ribeirão. Eu, mamãe, Anaterra e três de seus colegas de USP mais próximos: o sempre presente e paciente Lucas; o risonho Rafael e o mais maduro André. Um brinde, sem álcool, e muito churrasco celebrou a chegada à maioridade do “meu” bebê. Sei que ali estava seu mundo onde predominam as brincadeiras, o tom sarcástico e inteligente de jovens privilegiados que riem do nada e celebram a vida.
No final de semana anterior, brindamos com parte da família em Leme. Na casa do Ruy, sob o entusiasmo da Dóris, um delicioso bolo, muito barulho, peixada com pimenta e farinha da terra e lasanha antecipou a data. Rimos, lembramos e de novo celebramos a continuidade da vida.
Nem eu nem ninguém saberá quantos aniversários ainda passaremos juntos, mas o importante é que o amor a tudo resista.
Neste ou em outro plano qualquer...