Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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quinta-feira, 17 de abril de 2008

Os preparativos

Como somos presunçosos...Tenho pensado muito nessa arrogância que nos faz acreditar que somos donos de nossos destinos, que podemos decidir sobre nossas vidas. Acreditamos que temos um poder que só em momentos em que a decisão não nos cabe é que percebemos o quanto somos pequenos diante dos desígnios de Deus, sobre o que Ele preparou para nós.
Temos certezas que não resistem à primeira prova e tornam-se incertezas rapidamente. Amigos que não resistem à primeira enfermidade maior. Planos que são levados como folhas de papel ao vento.
Imprescindíveis só porque cremos nessa relevância.
Queremos viver muito porque os filhos precisam de nós. Primeiro porque são bebês e só nós entendemos o que eles comunicam, só nós sabemos cuidar de suas dores, fazer suas papinhas. Quando crescem um pouco mais, somos únicas ao escolher suas escolas, acompanhar suas atividades esportivas, decidir sobre sua alimentação. Adolescentes, continuamos a crença da essencialidade. Decidimos onde irão, com quem, a que horas voltarão e quando acreditamos que estão adultos, já definidos profissionalmente, independentes, nos apegamos a fugaz necessidade de que precisamos ainda estar perto para vê-los casando, tendo filhos. Neste momento consideraremos nossa missão cumprida? Não... enquanto vivermos estaremos atrelados a eles nessa relação do insubstituível, do vital a suas vidas.
Preciso entender melhor essa presunção e renegá-la, para partir melhor. Meus dois amados filhos vão ficar um bom tempo sem a mãe e pela primeira vez ela viajará não a trabalho,como já fez inúmeras vezes, mas por doença. Sinto-os, porém, tranqüilos, confiantes e talvez numa autodefesa inconsciente, até distantes, como se a minha viagem que se aproxima seja mais uma, daquelas mais demoradas, mas que terá telefonemas duas, três, cinco vezes ao dia e na volta, independente da hora da chegada, abrir os presentes que eu os habituei a esperar a cada retorno.
Só eu sei que esta é diferente !
Já viajei demais. Conheço muitos Estados, dezenas e dezenas de cidade, mas nunca saí para um tratamento com expectativas que oscilam da cura ao passar mal, ter complicações e ter que ficar hospitalizada, por exemplo.Não quero fortalecer os pensamentos ruins, trabalhar com hipóteses mais negativas, mas sei que elas existem, sei que podem acontecer.
Ainda não tenho a data exata da viagem, mas estou às voltas com os preparativos para a distância um pouco demorada e eles incluem desde o supermercado e recomendações mais expressas à dona Lúcia que há 15 anos trabalha conosco até os relatórios de minhas atividades a serem entregues à FAZ para subsidiar os professores que me substituirão, passando pelas contas sob minha responsabilidade, à monografia ...
Ontem conversei com uma das turmas. A que vem acompanhando essa fase da minha vida desde quando descobri o câncer em setembro do ano passado. São mais do que alunos hoje, são torcedores. Sinto a energia positiva que eles emanam e expõem de diferentes formas. Uns apenas dão um abraço mais demorado, outros falam, entregam presentes de boa sorte. Alguns chegam mesmo a lagrimar. Eles se formarão no final do semestre e espero voltar a tempo de participar dessa festa !