Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Os (estranhos) novos seios

Eles estão aqui. Quase curados. Já sem drenos, sem expelir secreções e pouco doloridos. Mais bonitos, empinados. Quase jovens.
Mas estranhos. Não parecem meus. Ainda os desconheço.
Sempre tive seios fartos. Na adolescência, enquanto as colegas nem usam ainda soutien, eu já exibia o meu. E naquela época o primeiro soutien era marcante. A gente nunca esquecia. Tínhamos vergonha de mostrar que estávamos ficando mocinhas.
Como um ato preparatório para recebê-lo, primeiro usávamos combinação, confeccionada pela própria mãe ou avó. Uma espécie de camisetão, camisolão feito em casa, acho que de cetim, de alcinhas finas. Só depois ganhávamos o primeiro soutien. Quase sempre róseo e rendado. Bem menina-moça.
Os meus devem ter sido os maiores à venda para esta faixa-etária. No início me incomodava. Pareciam muito grandes para uma menina com tão pouca idade. Mas depois que os aceitei, passei a valorizá-los.
Os seios foram, daí pra frente, a minha marca registrada. Roupas decotadas e eles sempre querendo se mostrar. Às vezes explicitamente outras apenas sutilmente, mas sempre em evidência.
Os anos, a lei da gravidade, as amamentações tiraram parte de sua beleza. Mas os soutiens modernos, com vários recursos disfarçavam as imperfeições do tempo. Nem pareciam os mesmo quando estavam amparados pelos abençoados ferrinhos inteligentemente colocados abaixo deles.
Empinavam-se. Bonitos....
De tão charmosos foram muitas vezes fotografados. Tenho belas fotos em roupa de praia ou mesmo em um vestido mais ousado.
De repente não os tenho mais. Eles já não derramam mais. Nem balançam.
Estão menores, seguros e garbosos, impávidos como se soubessem jovens em um corpo já envelhecido.Sinto-os prepotentes como se quisessem se impor pela beleza.
Talvez eu não tenha me preparado para recebê-los. Sempre estive preocupada com a cirurgia que faz parte do tratamento do câncer. Os resultados que nortearão (tema do blog de amanhã) os próximos passos. Queria muito que tudo saísse bem, sem imprevistos que nem pensei que iria perder parte de mim. Que alguns gramas seriam jogados no lixo.
"Ó pedaço de mim... Ó metade arrancada de mim ", já compôs o Chico.
Uma amiga (a Renata Menezes) que já fez plástica nos seios, comentou que logo logo vou descobrir o prazer de andar de camiseta sem soutien.
Pode ser...
Mas enquanto isso não acontece, vou tentando me acostumar com essa comissão de frente menor, mais tímida, menos farta...