Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Planos

Comecei escrevendo um outro texto, sobre os receios do câncer. Uma doença ingrata, traiçoeira que sorrateiramente se estrutura, se fortalece e só então mostra a cara. Às vezes tarde demais.
Mas mudei de tema... Não que eu não pense sobre o assunto, mas é que quero viver intensamente tudo o que tenho pra viver. Descobrir a doença me fez ter um outro olhar sobre quase tudo. É interessante como o medo de morrer nos leva a valorizar mais a vida, a vê-la como mais preciosa, como querer não ir.
Hoje não penso mais a daqui a 10,20 anos, mas daqui a 10, 20 dias. Busco prazeres onde antes não conseguia enxergar, elimino os obstáculos e me presenteio com alegrias antes insignificantes.
O dia-a-dia tem outro sabor e o futuro também. Meu futuro está marcado no calendário, depende dos médicos, da nova cirurgia, do tratamento. Enquanto ele não chega brindo à felicidade que me sirvo em doses que já não são homeopáticas. Não tenho tempo nem paciência para viver homeopaticamente. Preciso de doses cavalares de felicidade, de doses mortais de alegria.
Cavo onde posso encontrar-me e sem muitos senões vou à luta, vou ao meu encontro.
Não sabia que o temor da morte me apresentaria uma nova vida. Ficar diante da escuridão me aproximou da luz. Estou sendo conduzida aos braços do que posso planejar e ainda me presentear.
A vida deverá ser mais curta, mas provavelmente bem mais intensa.
Uma historinha antiga me resume hoje.
Um homem foi ao médico e disse que queria viver até os 100 anos.
- Você fuma? perguntou o médico
- Nunca ! Odeio cigarros !, respondeu o homem de 20, 30 anos.
- Bebe ?
- Só água, Não tomo nem refrigerante !
- Pratica algum esporte ?, quis saber o médico.
- Gosto de caminhar. Faço sozinho. Não surporto a companhia das pessoas.
- Mas certamente gosta de ler...
- Não tenho paciência.
- Filmes ?
- Acho uma bobagem.
- Sair com amigos ?, insistiu o médico.
- Não tenho amigos !
- Namorada, esposa ?
- Elas só querem o nosso dinheiro.
Aí o médico não se conteve ; - Para que então o senhor quer viver até os 100 anos ?
Que eu viva só 50, 53,55, mas com direito a tudo o que o homem não tinha ou não queria.