Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Os que vão, os que voltam e os que chegam

Sempre fiz de tudo para cultivar amigos. Desde muito cedo. Amigos da Conselheiro Furtado, onde morei muitos anos : Roberto, Augusto, Adilson, Leleka, Bebeto... Da época de Souza Franco: Glória, Fátima, Vanda, Nete, Zanda... Da Universidade, de A Província do Pará, jornal O Estado do Pará, Prefeitura, Embrapa e mais recente do meio pedagógico como professora e como aluna e os virtuais, presentes da Internet.
A descoberta do câncer na mama esquerda trouxe junto com o pavor do sofrimento, um cenário até então novo para mim: os amigos que não resistem a situações diferentes, pessoas que tendem a mudar diante do novo, do assustador e se mudam da gente. Há, felizmente, os que, ao contrário, diante da tempestade se aproximam, dão guarida, protegem.
A maioria permanece à distância acompanhando o desenrolar dos acontecimentos. A vida continua inalterada e sobra pouco tempo para uma proximidade maior. Pefeitamente compreensível ! Natural ...A fila anda...
O grupo dos que se afastaram me entritesce e me decepciona. Tinha amigos tão agarrados, tão próximos, desses que a gente conversa quase diariamente, que eu acompanhava "pari passu" suas vidas e eles a minha; onde reinava a confinaça plena, a confiança irrestrita . Amigos que já eram considerados irmãos. Irmãos que escolhi.
Mas eles optaram pelo silêncio, pelo sumiço. Já não sabem de mim. O fato curioso é que isso se deu depois da descoberta do câncer. Tão logo ele foi confirmado, recebi telefonemas, apoio e até lágrimas de angústia. Demonstraram explicitamente a preocupação com a minha saúde e o quanto estavam abalados. Alguns cheguei mesmo a confortar, consolar. Os dias foram se passando e os contatos diários ou semanais escassearam e muitos, três meses depois do diagnóstico, simplesmente emudeceram. Não existem mais.
Devem ter seus motivos. Racionalizo alguns: fragilidade para conviver com situações adversas, medo de me ver definhar aos poucos e deixar de ser a Ruth que conheceram ou o mais simples e comum de tudo: a amizade era frágil demais e latente apenas nos momentos felizes. Não resistiu a tempestade da doença !!
Outros, contudo, voltaram. Pessoas especiais que estavam caladas em seus cantos, mas que tão logo souberam do dignósticos retornaram, voltaram mais intensos. Uma leitura inversa: se eu estava tão bem não precisava deles. Agora não !! Quero afagos, energia, companhia, carinho e eles dizem, às vezes sem palavras: estou aqui, de braços abertos te oferecendo meu colo. Retornaram alguns que nem pensei pudesse um dia reatar os laços. Meus amigos diários e muito mais prsentes. De presente !!
E tem ainda os que chegaram junto com o câncer, principalmente os virtuais. Uma grata coincidência mora no Rio de Janeiro. Uma paraense que me conheceu na Net a partir das fotos do Círio Fluvial que disponibilizei na minha página do Orkut. Saudosa da terrinha calorenta, da nossa deliciosa cozinha, hoje é uma das presenças constantes em meu dia-a-dia. Conversamos, fofocamos, relembramos nossa infância e adolescência e isso tudo ajuda o tempo a passar, a tornar os dias menos tensos.
Como tudo na vida, a gente está sempre ganhando e perdendo. Felizmente neste escore, os que se foram são proporcionalmente quase insignificante diante dos que retornaram e dos que acabam de chegar.
Preferia, porém, que nenhum tivesse ido.