Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Os Pinto e os Bandeira

Duas famílias marcam a minha história desde muito cedo. Uma referência de vida em minha via.
Primeiro os Bandeira Gonçalves. Ainda criança, adolescente, fui aluna da professora Risoleta no Colégio Souza Franco. Gentil, meiga, doce. Mostrou-me os primeiros encantos da língua francesa. Voilá ! Boujour, merci e por aí afora. Anos se passaram e no curso de Letras da Universiade Federal do Pará outra doce Bandeira cruza meu caminho: a Lúcia. Andar lento, voz mansa escondiam a inteligência, a firmeza nas posições, a base intelectual forte vinda de berço. Cursamos algumas disciplinas e a roda-vida nos afastou. Optei pelo jornalismo e anos depois ela faleceu bruscamente. Quando pisei no velho prédio de A Província do Pará o chefe maior era outro Bandeira Goncalves. Ou simplesmente Chembra. Voz grossa, gestos fortes, cigarro rolando no dedo ... Características suficientes para apavorar a quase menina em seu primeiro emprego. Com o tempo, porém, percebi que aquela cara carrancuda era só um personagem. O mestre, o homem justo, atencioso se escondia naquela pele de bicho bravo.
As noites me trouxeram o Walter, o maior de todos os intérpretes (ninguém canta Geni, do Chico, como ele. Ninguém !!!)e mais recentemente a Simone Bandeira, também da família, surge entre as minha alunas na FAZ. No orkut acho a Nara, aquela que conheci bebê, filha da Lúcia.
Quantos esbarrões deliciosos...
Algo similar aconteceu à família Pinto. Primeiro o Lúcio Flávio. Ícone para todos os que se dedicam ao jornalismo sério, ético, amazônico. Aos 19 anos apenas um deus, inatingível, que para minha surpresa já me conhecia das escadas da Província. Quando fui demitida pelo Fernando Jares e achei que a curta carreira tinha acabado, foi dele o colo, o incentivo para ir em frente. Perguntou-me com a típica e marcante objetividade : quer continuar nessa vida ? Respondi segura que sim. Bastou um telefonema do mestre para que as portas do novíssimo Estado do Pará se abrissem. Gratidão eterna pela confiança na foca. Depois chega o Elias Pinto, para mim o eterno Eliaszinho. O jovem rebelde, intelectual incompreendido. 20 e poucos anos e muitos sonhos. Uma amizade que se fortaqlece até hoje. Cheguei a ser sua procuradora em uma de suas meteóricas "partidas definitivas" de Belém que não demoraram mais do que uma semana. Mais tarde surge o Raimundo José Pinto, para mim o RAIMUNDOZÉ. Anos e mais anos de convivência diária na Embrapa e a certeza de que tive outro professor. Mais do que jornalismo ele me ensinou a ser ética, a não vacilar, a não ceder e a me fazer respeitar. Como ele ! Tem ainda o Luiz Pinto, cartunista de mão cheia. Menos convivência, mas nem por isso menos carinho.
Como explicar esses encontrões, essa alquimia ?
Sei apenas que fiquei melhor, muito melhor, depois do que aprendi e convivi com essas famílias.
Sou um pouco de cada um deles.
Um privilégio !!