Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Disfarce quase perfeito

Só os que me conhecem muito é que sabem o quanto tenho me esforçado para que a aparência seja de grande normalidade. Tenho buscado em prazeres até mesmo novos, estímulos para não ceder diante de pensamentos mais pessimistas. Talvez o clima de festas, a latente fraternidade e o espírito de proximidade estejam contribuindo para que a minha sensibilidade esteja mais extremada, mais pulsante e às vezes incontrolavelmente dolorosa.
Não dá pra evitar pensar em como será o meu Natal no próximo ano. Tudo bem que ninguém sabe como será o seu. Ninguém sabe como será a sua próxima meia hora. Inevitável, porém, que a certeza da doença altere os sonhos, os planos e nos conduza a pensamentos que lutamos para não ter, mas que nos invadem e nos consomem.
Ando emotiva demais, chorona demais, pensativa demais e querendo me isolar. Sei que nada disso é bom.
Vibro com o PapaiManoel e sua ajudante, com as conquistas do Raul, com a alegria emanada dos pequenos Leonardo e Thomaz, com os resultados profissionais e laboratoriais, com a doçura da Anaterra, com a saúde da mamãe, com as inúmeras demonstrações de carinho dos amigos, mas intimamente há uma incômoda dor silenciosa e só minha. Calada, doída, sentida, profunda.
Talvez o que mais me incomode seja a impossibilidade de administrar meu tempo, meus próximos dias, meus próximos meses. Não saber como posso agir a curto/médio prazo, como ficarei após a cirurgia, durante a quimioterapia.... Quais serão as minhas limitações ? Poderei trabalhar normalmente ? Quando poderei viajar ? Não há respostas para essas dúvidas e aí só me resta esperar e justo eu, que sempre corri atrás das respostas, que nunca tive muita habilidade para aguardar, que paciência nunca foi uma de minhas poucas virtudes.
Um sobe-e-desce que oprime e angustia, mas dizem os mais experientes no assunto : faz parrrrte !!!