Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

O novo cotidiano

Felizmente as mudanças existem. Muitas abruptas que nem permitem racionalizá-las. Outras mais lentas que conduzem à reflexão, à reestruturação diária.
Estou passando por muitas...
Dias atípicos com atividades novas, ocupações até então inexistentes, horários alterados. Uma reorganização mental e física.
Começa pelo despertar sem pressa com permissão até para assistir os telejornais ainda na cama. Um café da manhã demorado, com ingestão de produtos que não eram habituais como queijo branco (preferia o cheda, o prato ou o do Marajó), leite de cabra (nunca gostei de leite), frutas in natura (tomava suco) e o mais difícil : sem pão (adoro pão !).
Não estou indo à Embrapa. Uma decisão dficíl, mas necessária. Pensei muito, avaliei demais e com a ajuda da terapeuta o veredicto : Embrapa só depois da establiziação das doenças. Da saúde plena.
São quase 24 anos de dedicação intensa, de mergulho em desafios e muitas vitórias, mujitas conquistas. Muita aprendizagem, muitas descobertas, muitos amigos, mas não sinto-me bem em voltar.
Como centro de pesquisa e que tem uma administração organizada, rígida e que busca cumprir metas, a Embrapa planeja-se demais e eu não estou em condições de me planejar para os próximos meses. Como vou fazer meu SAAD para 2008 (o sistema de avaliação e acompanhamento de desempenho ) se não sei como estarei em janeiro ? Como posso assumir compromissos de editar informativos, de pautar matérias, de propor eventos, de alinhavar parcerias, estimular relacionamentos com a Mídia se nem sei se estarei trabalhando em março ou abril ? Como assumir projetos se não tenho a mínima noção se estarei andando ou vomitando em maio ?
Minha vida é uma icógnita ...
É óbvio que ninguém sabe o seu amanhã, que nem mesmo os mais saudáveis podem garantir a vida dentro das próximas horas. Mas eu possa assegurar que existe grande probabilidade de eu não estar bem nos próximos meses.
Não sou mais a mesma e nunca mais serei !!
Por mais que algumas pessoas tentem banalizar o câncer, ele é eterno. Quando sabemos que temos a doença, ela já está instalada há muito tempo. Silenciosamente, como um inimigo mudo, traiçoeiro que ataca devagar.
Serão idas e voltas constantes. Um dia bem, outro cheio de dores. Uma manhã de sol outra nublada. Uma noite de gargalhadas outra de lágrimas. Um dia alegre, outro depressivo e assim vivendo até quem sabe uma bala perdida ou um acidente de trânsito (ou de avião, mais em moda utimamente) me leve definitivamente.
Não conseguirei estar na Embrapa pela metade. Sou intensa demais, quero tudo perfeito, completo, sem erros, o melhor que eu consigo. Minhas limitações psicológicas e em breve físicas me impedirão de continuar agindo assim.
Também não aceitarei ser preservada, realizar apenas trabalhos mais leves, menos estressante como uma iniciante, uma inválida. Vou ficar mal...
Estou oficialmente de licença e creio que permanecerei ainda por muito tempo.
À disposição sempre para opinar, realizar algo aqui e ali, mas sem compromissos empregatícios, sem SAADs, sem horário, relatórios, balanços, planejamentos.
Cobraria principalmente de mim por não estar sendo a empregada, a jornalista que sempre fui.
Necessito dessa parada estratégica.
Quem sabe um dia eu volto ...