Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Meu limão

Conhecer as pessoas, descobrir o que está em seu íntimo, analisar (re)ações, percepções; avaliar emoções sempre me encantou muito. O desvendar do que não está explícito é apaixonante. Por isso faço terapia, por isso busco nos conhecimentos dos psicólogos e psiquiatras uma melhor compreensão do meu eu. Esse encantamento tem mais de dez anos quando as fobias ficaram muito latentes e começaram a interferir na minha qualidade de vida. Medo de quase tudo, temores infundados, percepções doentias e que me maltratavam sempre. Era como se houvesse um diabinho e um anjinho dentro de mim sempre em eterno conflito.
Fui procurar ajuda. Racionalmente sabia que tinha algo errado. Mas não tinha controle sobre o que a minha mente doentia produzia.
Cresci demais ao me desnundar internamente. Permiti ir ao fundo do poço do meu eu e o terremoto de sentimentos que aflorou se por um lado trouxe muita dor, por outro permitiu que eu passasse a conviver melhor comigo, com as minhas fragilidades, meus temores e certamente melhor com os outros também. Passei a saber quem sou eu de fato.
Considero fundamental olhar com outros olhos tudo aquilo que eu não tenho competência para ver. Olhos de profissionais que enxergam além das emoções. Que teorizam encima do que fiz, do que penso, de como ajo e reajo diante de situações mais conflitantes. Como essa agora. Importante conhecer-me para administrar os medos, as superações, as recuadas e ainda sonhar.
Sei que há limões mais azedos do que outros, mas sei também que posso transformá-los em deliciosas limonadas e se duvidarem em saborosas caipirinhas. É o que estou tentando agora.
A doença está aí, as limitações que vão da alimentação ao trabalho, mas não parei um só minuto. Não quero ter piedade de mim.
Choro sim, principalmente no silêncio da noite ou quando as situações me fragilizam. Tenho medo dos tratamentos de quimioterapia, dos medicamentos fortes que ainda tomarei para que o câncer não atinja outros lugares do meu corpo. Sei que ainda vou sofrer muito diante da expectativa que me acompanhará durante toda a vida. Quem tem câncer nunca mais se livrará da ansiedade dos exames em busca de metástases ou recisivas. Ou da surpresa desagradável das células enlouquecidas se apossarem de outros órgãos.
Mas meu mundo não é só isso. Tenho lido demais. Livros que estavam mofando na estante por falta de tempo. Nos últimos anos minha dedicação era quase exclusiva ao Wilson Bueno, Paulo Nassar, Gaudêncio Torquato, Margarida Kunsch, Jorge Duarte ou outros fantásticos teóricos da Comunicação Institucional. Hoje estou lendo O Segredo e o livro mais recente da Lia Luft. Tem mais uns dez aguardando a vez.
Estou iniciando uma reforma no nosso quarto. Escolho tintas, reformo móveis e quero cores vivas, alegria estampada na parede.
Tenho este blog, as comunidades que a cada dia fortalecem mais os laços dos que estão passando por situações similares, os amigos presentes e os que se comunicam pela Net. Tanta coisa para fazer...
Ahhh... meu limão não é tão azedo assim. Por enquanto só posso tomar a limonada (com adoçante ou açúcar mascavo), mas sei que no futuro uma caipirinha me será solenemente servida.