Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ESTÁGIO PARA APOSENTADA (II)

Nesse mundo novo que nos prepara para enfrentar as limitações impostas pela idade, há tempo até pra ficar mais tempo na internet, descobrir sites nunca visitados, conhecer pessoas, conversar mais, encher o saco daqueles que ainda estão no batente com a mesma ênfase que dediquei 33 anos da minha vida. Uma disponibilidade que ainda incomoda !
Reconhecer que a velhice está chegando não é tão poético quanto tentam nos vender. Envelhecer não é fácil e nem prazeroso como tentam nos ludibriar ...”A melhor idade começa aos 60 anos”. Melhor idade em que ? O corpo fica feio, flácido, sem brilho. Cansamos com facilidade, a memória já não grava tudo e nem tem a mesma eficiência, a discriminação começa em casa com os filhos, netos, sobrinhos que sempre tentam lembrar que estamos ficando velhos. Puro eufemismo ! Estamos velhos.
Sem falar nas limitações gastronômicas e etílicas. Essas talvez sejam as que mais me perturbam e me aborrecem. Não é mais permitido juntar de uma só vez meia dúzia de cerpinhas com belas fatias de picanha com muita pimenta fresca. O resultado é devastador e relembrado dolorosamente pelos três, cinco, sete dias seguintes.
E o sexo ? bom... pode até ser bom! mas já foi melhor !
Obviamente que não existe meio termo: ou envelhecemos ou morremos jovens e como ninguém quer morrer ....
É claro que envelhecer tem suas vantagens Como estar aqui relembrando, voltando no tempo. Só a experiência (sinônimo doce e elegante de quem já não é jovem) nos permite analisar com olhos mais nítidos uma juventude que já está lá atrás e boa parte da minha juventude profissional eu passei na Embrapa. Ali aprendi de fato o que é fazer assessoria de imprensa e fui uma privilegiada por ter acompanhado pari passu as mudanças que transformaram os fazedores de relises ou plantadores de notas nas colunas, em profissionais pensantes da Comunicação.
Entrei no Cpatu (era assim que o centro de pesquisa de Belém era conhecido) quando o chefe geral era o Cristo Nazaré Barbosa do Nascimento, morto em um acidente de trânsito, em um final de semana de julho, na esquina da travessa Nove de Janeiro com a avenida Conselheiro Furtado. Depois veio o Emeleocípio Botelho de Andrade que me tornou efetiva. Naquela época não havia concurso, mas um tempo de experiência. No meu caso um ano prorrogável por mais um.
Sabia que fazer assessoria de imprensa para um centro de pesquisa não era a mesma coisa que atuar em uma Prefeitura ou mesmo em faculdades, já que tivera a oportunidade de também trabalhar no Cesep (o antecessor da Unama) e nas Ficom, as Faculdades Integradas Colégio Moderno, que depois passaria ao conglomerado da Unama também. Mas não tinha percepção de como agir diferente, de como fazer uso de métodos que permitissem levar aos jornais, rádios e TV (não tinha internet naquela época) o que era gerado pela pesquisa. Mas minha intuição me guiava.
Por isso me aproximei da Difusão. Foi lá que conheci de fato o que a Embrapa no Pará produzia. Viajei demais, passei dias em companhia de pesquisadores, conheci de perto os campos experimentais embrenhados nas mais longínquas cidades como o do Marajó ou de Tomé-Açu e participei de incontáveis reuniões com produtores e extensionistas.
Aprendi na prática e com os reais atores, a fazer assessoria de imprensa. Sentia a necessidade de vivenciar, entender, participar para depois escrever.
Viagens inesquecíveis :Bragança, Paragominas, Tracuateua, Belterra, Santarém, Santa Izabel, Altamira, Castanhal, Moju, Redenção, Capanema,
Mais um capítulo à parte ...