Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Os aniversários e a aniversariante

5.2 ! Uma idade que quando eu era jovem (l[a pelos 20, 25) achava que seria uma velha, que arrastaria os p[es e andaria de robe do Ceará durante o dia inteiro. Sentada em uma cadeira de balanço bordando ou fazendo crochê ou no máximo uma palavras cruzadas ou lendo um bom livro!
Preciso de um espelho pra contar as rugas, olhar com um olhar crítico as mãos já cheias de dobrinhas e machas senis ou, depois de trabalhar e ir ao supermercado, me sentir muito cansada para ter a certeza de que o tempo correu, de que de fato estou envelhecendo.
Envelhecendo, mas como ? estou cheias de planos, olhando para o futuro e isso é envelhecer ? Quero desafios para produzir adrenalina, como dirigir em São Carlos. A colega Mônica, da Embrapa, até comprou um livro tentando me ajudar (Vença o medo de dirigir). Estou confiante !! Quero produzir muitos textos ainda, dar palestras, realizar, fazer, vibra. Ficar velha é isso ?
Ontem revivi com muita intensidade diversas passagens da minha vida. Os aniversários são sempre meio deprê, principalmente esse. Há dois anos estava atarefadíssima organizando a deliciosa festa dos meus 50 anos com o Chico Buarque. Tudo perfeito: amigos chope à vontade e muita música do Chico com o Alexandre Souza. Não havia nenhuma indicação de câncer de mama ou leucemia. Só planos ...
No ano passado já não havia tanta alegria. Eu me refazia de duas cirurgias e o Manoel já estava no A C Camargo. Mas havia esperança, acreditávamos na cura.
E agora estou aqui. Não estou triste, mas apenas saudosa. Uma cidade diferente, ainda com tantos lugares desconhecidos e surpreendentes; colegas que tornaram meu dia ontem especial, se esmerando em carinhos e atenções. A Jaqueline trouxe uma cesta de lindas flores; a Mônica o livro, o Valentim e a esposa Socorro uma planta linda que não conhecia: a flor de maio que deverá ser plantada em um vaso grande e crescer... crescer... como me adiantaram.
A Anaterra também quis me homenagear de forma especial. Comprou (certamente com o meu dinheiro !) um belo buquê de rosas brancas e mandou entregá-lo na Embrapa com uma cartão carinhoso e cheio de amor.
Tem ainda os telefonemas (os irmãos, a Ieda, Consuelo, Célio Melo...), as mensagens (não correrei o risco de enumerá-las) e à noite, ao deitar tão cedo, a certeza de que estou viva e que mesmo com tantos atropelos, a vida é linda e tem que ser comemorada a cada minuto, a cada dia antes que se vá.
Não ter o Raul do meu lado também doeu. Ou talvez é o que tenha doído mais. Foi a primeira vez, desde que ele nasceu que não acordamos e dormimos juntos dia 21 de maio, embora eu soubesse que isso mais cedo ou mais aconteceria. Como disse meu analista: ele já está terceirizado. Falo com ele diariamente, é doce, meigo e todo final de semana está em casa. Poderia ser pior se fosse mais distante. Ao mesmo tempo em que sinto falta dele, do único homem hoje em minha vida, fico orgulhosa e tranqüila ao constatar que ele já sobreviverá, sem grandes problemas, na minha ausência. Queria que o tempo corresse e isso tudo se repetisse com a Anaterra.
Sim.. porque nesse emaranhado de emoções às vezes paradoxais, volta o medo da recidiva, da metástase. Tenho sentido, desde que cheguei de Belém, fortes dores na mama onde havia o nódulo. Arde, dá pontada e incomoda. Preciso ir ver o que é. Voltar a Campinas e antecipar os exames marcados para julho. Tenho que ser forte, não pensar demais, mas não pensar é impossível.
Mas isso é só na próxima semana. Agora estou me preparando mesmo para tomar um cerveja à noite com algumas pessoas especiais que encontrei aqui. Irão degustar (alguns pela primeira vez), cariru, pernil no tucupi, arroz de marisco com caranguejo de Belém e de sobremesa creme de bacuri. Quero ouvir música, rir, conversar com a Fabiana, Jaqueline, Mônica, Beth, Sandra, Valentim, Socorro, Clayton, Thaís e os colegas da Anaterra e quem sabe até do Raul que podem vir de Ribeirão esta noite. A probabilidade da colega de longa data, da Embrapa de Manaus, Sumara também vir de Campinas onde faz mestrado, especialmente para esse encontro, está me deixando mais ansiosa ainda...
Há de ser um momento bom, mesmo com tanta saudade do que já tive e não tenho mais e do que tenho, mas está tão distante.