Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

As lembranças que chegaram de caminhão

Quando voltei do Paraná encontrei a casa, até então espaçosa, entulhada de caixas, móveis e objetos familiares.
A mudança chegara de Belém !!
Não tudo... impossível colocar a casa de quatro quartos, duas enormes salas, cozinha de 60 metros quadrados dentro de uma casa moderna, funcional, mas pequena. Veio o que, com a impagável ajuda do Rulton e da minha cunhada Socorro, considerei mais importante, aquilo tudo o que tenho dificuldade de dar, vender, me desfazer.
Cada caixa aberta uma lembrança...
As dezenas (ou quem sabe até uma, duas centenas) de Cds fizeram com que eu voltasse ao passado instantaneamente. Chico Buarque (minha grande paixão!) cantado por ele mesmo ou por tantos outros, MPB-4, Rita Lee, Milton, Caetano, João Bosco, muitos regionais (Waldemar Henrique, Nilson Chaves, Lucinha Bastos ...) e os do Manoel. Boleros, chorinhos e muitos da década de 50 me levaram às tardes de domingo quando, depois de várias latinhas de cerveja, ele se isolava pra ouvir as suas músicas preferidas. Sempre tristes, chorosas, saudosas...
Em outras caixas fotos, muitas fotografias. Momentos inesquecíveis perenizados no papel. Nosso namoro, passeios sozinhos ou já com os filhos, o nascimento do Raul e da Anaterra, seus (e nossos) aniversários, as incontáveis reuniões com os amigos e a alegria estampada das idas aos igarapés, às praias, principalmente em Mosqueiro onde passamos muitas férias. Mas tem também em Marudá, Alter do Chão, Ajuruteua, Salinas...
Caixas e mais caixas contendo meus inseparáveis livros. Cada um com a sua história, cada um com a sua contribuição em mim. Poesias, crônicas, romances e os incontáveis sobre Comunicação. Tenho uma compulsão a comprar livros sobre Comunicação e jornalismo. Talvez explicável pela limitação de acesso em Belém. Quase nada disponível nas livrarias. Não consegui deixa-los pra trás. Não tenho ainda um lugar adequado para alojá-los, mas agora estão aqui, do meu lado. Disponíveis. Sinto-me mais segura e acompanhada. Loucura ? Não ! os livros sempre foram para mim uma excelente companhia.
Rever, tocar os artesanatos e enfeites foi outro momento doloroso. Meus sapos, minhas recordações de viagens (Santarém, Cuiabá, Pirinópolis, Brasília, Acre, Rondônia, Manaus, Rio de Janeiro e muitos outros de Belém) reavivaram em mim cenários que não lembrava mais e novas lágrimas foram inevitáveis.
Roupas pessoais (algumas camisetas do Manoel), de cama, mesa, banho deixadas em Belém na esperança de que lá estariam esperando a nossa volta .
Ahhh como tudo mudou em tão pouco espaço de tempo. São apenas três meses. Parecem três anos ... 30 anos ...O meu mundo em Belém parece-me tão distante...
Como a vida é frágil, como as lembranças machucam, como somos tão insignificantes...