Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

2007 ?? 2008 ???

Os cinco últimos dias (três de 2007 e os dois primeiros de 2008) ficaram tão entrelaçados que nem sei exatamente onde um começou e o outro terminou ou vice-versa. Primeiro, mal tinha chegado de viagem (Brasília e Pirinópolis) e já estava arrumando de novo as malas, dessa vez as que incluiam rede, repelente, mosqueteiro, muita roupa de praia (minha, dos filhos, marido...), toalhas e a expectativa de percorrer quase 250 km de carro com chuva-sol-sol-chuva. Eu e toda a família (Manoel, Raul, Anaterra, mamãe e até a Miúcha, a cachorrinha que morre de solidão se a deixarmos, mesmo que ela tenha outros quatro cachorros e três gatos como companhia).
Açúcar mascavo embalado, leite de cabra na sacola, uvas, maçãs, bananas e muitos sachês de chá agrupados entre incensos, banhos do Ver-o-Peso e garrafas de sucos, vinho, refrigerantes, biscoitos e chocolates, lá fomos nós para Ajuruteua (Ajuru, da fruta que nasce abundante nas dunas e teua, cidade na língua indígena).
Uma viagem gostosa que merecerá alguns tópicos no blog. Um só texto reduziria a pó os diferentes aspectos que marcaram esses dias. Quero registrá-los, porém.
Antes de nos banharmos em suas águas azuladas e salgadas, uma paradinha obrigatória na deliciosa cidade de Bragança. Adoro Brangança !! Tenho tantas boas lembranças daquele lugar que as lágrimas foram inevitáveis. Aliás, acho que vou desidratar !! Tenho chorado demais. O médico que me acompanha diz que é normal. Será ?
Durante muitos aos a Embrapa me permitiu viajar pelos mais diversificados rincões da Amazônia. Participei de uma experiência que tentou, mais uma vez, aproximar a pesquisa da extensão rural (Emater) e Brangança era um dos pólos desse trabalho. Lá encontrei (ou reencontrei) uma pessoa muito querida, o Fabiano Neves. Engenheiro agrônomo, alto, forte (ou será sensualmente gordo ?), olhos verdes que conheci na minha juventude e por quem alimentei um amor platônico durante anos. Ele nem olhava para mim. Era assediado demais, bonito demais. Uma amizade que foi retomada depois de mais de 15 anos sem nenhum contato e que cresceu, se fortaleceu, mas que foi interrompida bruscamente pela sua morte prematura vítima de uma pancreatite. Rever Bragança, o Rex Bar onde tomamos tantas cervejas e comemos tantos caranguejos chegou a doer. Ouvi seu riso, sua voz debochada, irônica e senti seu forte abraço a cada reencontro, a cada partida.
Revi ainda a pracinha da Matriz, a Rádio Educadora onde estive tantas vezes, a área urbanizada próxima ao rio Caeté, a estradinha que nos levou aos campos, ao Acarijó, comunidades que participavam da experiência.
Bragança está mais bonita, mais moderna.
Mas Ajuruteua era o nosso destino e outras paisagens nos aguardavam.
Umas lindas, outras deprimentes. O mangal, onde a vida pulsa, um dos ecossistemas mais completos, sofre e emite cheiros de defunto, de morte. O homem entrou, mudou seu curso e o transformou em árvores secas, raízes expostas como feridas sem cura e a vida se mudou dali. Os caranguejos foram embora, as garças passeiam cansadas em busca de alimentos e os guarás, com suas penas de um vermelho intenso lindo, nem comparecem.
Mas de repente, mais adiante, ele renasce. Teimoso, persistente. Lá estão de novo os caranguejos que desaparecem na lama ao som do motor do carro; os guarás que buscam seu alimento na microfauna e as garças abundantes que mancham de branco o verde das árvores.
Cortando os mangais, além das estradas que o homem separou e os empobreceu, estão os rios e as pontes de madeira (apenas a maior é de concreto). Velocidade quase zero, muito cuidado e o barulho da madeira que se move em nossos pés. Lá embaixo mais beleza, mais natureza. Aqui e ali um barco, um pescador que descansa enquanto a maré não sobe.
Isso ainda é só o percurso dos 20,30 km que separam Bragança de Ajuruteua...
Escrevei mais, bem mais. Um só texto é pouco...
Foi tudo de bom, de mal, de bom-ruim-ruim-bom, de intenso, de gostoso, de surpreendente....
Ainda estamos em 2007 !!