Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Porque a gente muda

Em uma mensagem há poucos dias para o Marcelo Gabbay (publicitário que já foi meu colega na Embrapa, que hoje está no Rio e que mais do que quando estávamos pertos estamos hoje mais próximos) eu dizia que quase todas as pessoas, em algum momento de suas vidas, sofrem uma interrupção brusca que os leva a redirecionar a vida. É como se estivéssemos dirigindo em uma longa estrada reta, há muito tempo, sem tempestades à vista e de repente aparecesse uma encruzilhada mas com direções (todas !)que nos obrigasse a seguir uma direção completamente diferente daquela antiga, a calma, tranqüila, segura.
Alguns vivem esse turbilhão por motivos trágicos demais, como os que perdem os filhos tragicamente ou mesmo por doença. Quase todos buscam uma fuga aliando-se a outros pais, dividindo a dor dessa perda irreperável.
Outros mudam de religião e encontram um Deus até então desconhecido, que muda seus hábitos, conceitos, valores e a vida.
Há os que se envolvem com movimentos sociais e optam por um modelo de vida às vezes até antagônicos ao anterior (viram vegetarianos, ambientalistas, missionários etc).
Ou, como é o meu caso, "ganham" uma doença que nosleva a refletir sobre o mundo, sobre você, sobre tudo e todos. Que nos dá dimensões antes inexistentes e impensáveis e nos tiram o chão que antes parecia tão firme. Arrebentam a algema do tempo e não nos permitem mais olhar o horizonte, o máximo que nossa mente alcança é o amanhã.
Sinto-me assim, quase sem amanhã....
Não é infelicidade. Não, não é isso !! Em nenhum momento, mesmo quando sinto-me a mais triste das mulheres, encaro este câncer ou as hepatites acumulativas como um castigo, como conseqüência buscada na vida desregrada e abusiva que levava. São tão somente acidentes de percurso, conseqüência dos 50 anos que já chegaram e da vida vivida com muita vida.
Creio que apenas estou tendo outra oportunidade. Foi me dada uma nova opção de viver. Sem muitos dos meus antigos prazeres, mas intensa do mesmo jeito. Sim !! se é pra comer peixe que seja o melhor, o mais gostoso. Se é para comer queijo branco que seja o menos ruim. Se me é permitida uma salada que seja a mais deliciosa, a mais bonita.
Meu limão não é mais azedo do que o da maioria das pessoas. Basta aceitá-lo e ir chupando-o devagar.
A gente se acostuma...