Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

Arquivo do blog

domingo, 14 de outubro de 2007

O Círio na TV

Ontem chegamos da Trasladação (que é o percurso do Círio ao contrário) à meia-noite. Eu, Manoel, Raul, Anaterra, Rulton, Marcela, Leonardo e Socorro assistimos a queima de fogos e rezamos com fervor. Eu, Manoel e os filhos fomos até à Igreja da Sé (que continua em obras) entregar simbolicamente meu seio doente. Deixei lá, nas mãos de missionárias, o meu câncer. Entreguei-me nas mãos de Nossa Senhora de Nazaré, a intercessora para que cheguemos mais próximos de Jesus. Foram cerca de 5 km de caminhada (fizemos uma vez e meia o percurso). Os pés doloridos, a costa também, mas só hoje o cansaço chegou e junto com ele um resfriado (a mamãe também). Optei por não piorar meu quadro respiratório. Tenho que estar bem para entrar na sala de cirurgia em breve. Apenas o Manoel foi vê-la novamente.
Acompanhei tudo pela TV . Naturalmente emocionada ao ver aquele rio de gente, de cores, escolaridades, naturalidades e idades tão diferentes que se mistura numa só multidão. Ali está a solidariedade viva, presente no copo de água que banha os rostos suados ou ameniza a sede; que carrega nas macas os que não resistem ou que apenas estendem a mão em busca da bênção.
Não é a mesma coisa, mesmo que os colegas jornalistas se esforcem. Eles, inclusive, reconhecem essa limitação. A emoção é diferente. A energia quando estamos presentes, que flui de cada um que está naquele sufoco, adentra as nossas entranhas. É como se estivéssemos levitando.
Hoje vi pela TV, mas no próximo ano irei acompanhar a procissão inteira. Já assumi esse compromisso com a NAZA. Vou agradecer a minha saúde e a de tantas pessoas que estão vivendo a mesma situação. Vou fazer uma paradinha no apartamento da família Bibas. No momento em que a berlinda passava na av. Nazarté, a Lilian telefonou-me e de novo me emocionou profundamente. Disse que ela, o Marcos e a Laís (minha afilhada de crisma) estavam emanados em rogar pela minha saúde à Santa, naquele momento em frente a eles. Quanta amizade, quanto conforto, quanto carinho.
Ano que vem estarei aí... estarei lá, entre os mais de dois milhões de fiéis que tomam contam de Belém a cada ano.
Uma festa que me acompanha desde a mais tenra idade e que agora passa a ter um sabor diferente...