Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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sábado, 24 de maio de 2008

E a radio parou

Aos poucos a vida estava voltando à normalidade. As responsabilidades do Manoel foram divididas entre todos ou alteradas. Difícil ? bastante, mas íamos caminhando.Desde ontem, porém,sinto de novo aquela revolta por ser tão pequena diante da gigantesca incompetência, irresponsabilidade e falta de respeito que as autoridades, dirigentes e os demais que podem mudar a realidade têm com a saúde dos brasileiros. Talvez em cidades como Belém reine um pouco mais de descaso. O cenário seja ainda mais aterrorizante.
Depois de quatro aplicações de radio no Ophir Loyola, o único aparelho de acelerador linear que ainda atendia os pacientes pifou ontem. A primeira explicação foi sutil. Um lacônico e discreto aviso anunciava aos que ele entraria em manutenção das 7 às 10horas. Embora tenha ido ao hospital na véspera não recebi nenhum comunicado, o que os empregados asseguram ter sido feito. Os operadores da máquina, um casal simpático, também desconheciam a interrupção. Saí de lá chateada, mas acreditando que a paralisação seria só ontem.
Pior estava reservado para hoje pela manhã: o que seria uma manutenção se transformou (?) em pane generalizada. Já estava chegando ao hospital quando fui informada pelo celular que estava dispensada da sessão e sem previsão de retorno.
Não sei o que fazer, o que pensar. Sinto-me impotente, desanimada, desestruturada, sem saída. Estou cheia de dúvidas. O que significam cinco aplicações de radio seguidas de uma longa interrupção ? até onde isso inibirá a reprodução de possíveis células cancerígenas que possam ainda ter ficado em minha mama ? Posso interromper e continuar depois ? Posso prosseguir assim mesmo, com inúmeras e indefinidas interrupções, e depois fazer novas sessões ou o meu corpo não suportará tanta radiação ?
Sei que os riscos são pequenos, afinal tive um câncer que tem tudo para não ter recidiva, mas se ele voltar, a mama que agora está bonita, inteira, terá que ser amputada. E as metástases ? Nem quero pensar !!!
Queria ir embora daqui, lutar pela minha cura com outras armas, mas não posso.
Nem comentei essa situação com o Manoel. Ele está fragilizado, longe de tudo e de todos, enclausurado em um quarto de hospital e não quero que se sinta culpado por eu ter interrompido o tratamento em Campinas. Voltei por ele, é mais grave, necessita de mais cuidados; pelos filhos que não poderiam ficar sem os dois. Não os preparamos pra isso. Ainda são imaturos, dependentes e não ficaríamos tranqüilos deixando-os apenas com a mamãe.
Não sabemos ainda quanto tempo ele ficará internado, como será o tratamento daqui pra frente, quais as limitações que terá. Felizmente está reagindo bem, sem nenhuma reação, mas não tem perspectivas de voltar, não sabemos muito do que acontecerá a partir das quimios que tem feito, exames dolorosos que retiram material do osso, da coluna.
Tem recebido visitas que amenizam a saudade como a Sula, tia Jorgete, o colega Afonso, da Embrapa, a minha cunhada Doris e até uma amiga virtual, a Maria Célia, também portadora de câncer de mama que foi lá e tirou a foto que está aí ao lado. Além da visita, seu marido ainda doou sangue para o Manoel.
As duas comunidades que participo e que tratam do câncer de mama, no Orkut, têm se mostrado um excelente ambiente para tratar de questões inerentes à doença, emoções, esclarecimentos e apoio dos que sabem exatamente o que passamos. Lá abrimos o coração e todos entendem o que de fato significam os medos, as nóias, a esperança, a alegria por uma aparente bobagem. Ninguém é vítima, mas apenas um ser fragilizado.
Ali encontrei pessoas solidárias que têm se revelado amigas de verdade como a Renata, que mora em Suzano (SP) e a Rosanne que veio de Parauapebas, no Pará para retirar uma mama no mesmo dia em que teve o primeiro filho. Cito apenas duas, mas são dezenas de colos sempre dispostos a nos acalantar, nos ouvir, nos afagar a alma.
Amanhã a Rosanne e o lindo do Miguel, que agora está com cinco meses, virão conhecer a minha peixada de filhote.
Um domingo entre amigos e familiares para esquecer um pouco a frustração de hoje e a incerteza da segunda-feira. Continuarei ou não a radio ?

3 comentários:

rachelanon disse...

Ruth,
Vc é a verdadeira mãe/mulher coragem. Nunca vi uma pessoa com tanta força e coragem de enfrentar tantos obstáculos como posso ler aqui no seu blog.
Vc é uma benção abençoada por Deus e maior a benção de poder ter você como amiga, ensinando o que relamente vale nesta vida.
Puxa, eu não sei se vc está em São Paulo ou já voltou pro Pará. e nem pude te ajudar. Gostaria de pelo menos fazer algo que esteja a meu alcance aqui em São Paulo.
Um abraçãozãozãzão no coração!!!!
pra vc e seu companheiro, e os filhotes!

Anônimo disse...

É claro que vai continuar! Se não pode ser em Belém, será em outro lugar. Creio que ir pra São Paulo (COM TODOS) é a decisão correta.
beijos enormes.
Ana Laura.

freefun0616 disse...

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