Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Perder pra ganhar

A frase dita ontem pela minha cunhada Dóris tem que ser meu lema daqui pra frente. Sei que não posso adiar mais o tratamento, o meu tempo está se esgotando.
Comecei a sondar as possibilidades de deixar Belém.
Como já estive em Campinas e gostei da clínica do Taquaral, do médico e o fato dela ter convênio com a Embrapa são alguns dos motivos principais da escolha. Mas tem mais: sei que serei muito bem acolhida pelos colegas e amigos da Embrapa que moram naquela cidade (as mensagens já indicam isso) e a alguns poucos quilômetros mora o Ruy, meu irmão; a Dóris e a Ana Júlia . Campinas também é uma cidade movimentada culturalmente com opções de cursos, exposições e oportunidades de bons contatos principalmente na área do jornalismo científico como a Graça Caldas, professora da Unicamp que como eu participa da diretoria da Associação Brasileira de Jornalismo Científico. Estou me sentindo puxada pra lá.
Um primeiro contato já foi feito com a clínica e aí surge uma novidade para mexer de novo com a minha ansiedade (ahhh se não fosse o zoloft !). O especialista em radioterapia, depois de analisar meu prontuário que ficou em SP, disse que no meu caso o tratamento mais indicado não é a radioterapia tradicional, mas a braquiterapia. Mais uma palavra nova para o meu dicionário médico. Confessei minha ignorância e pedi pra falar com alguém que pudesse me explicar do que se trata.
Uma senhora, provavelmente uma médica, esclareceu-me que a braquiterapia usa também a radiação só que mais localizada, age diretamente na área onde estava o tumor, justamente onde podem estar, anônimas, as células cancerígenas. O procedimento, contudo, exige uma rápida cirurgia para colocação do cateter na mama que receberá a radiação. As aplicações, por serem mais concentradas e direcionadas, são bem mais reduzidas. Não faria 33 sessões, mas apenas cinco ininterruptas.
Novamente me senti vivendo de fato na floresta, distante da tecnologia, da modernidade, de tudo o que o homem cria em benefício de si próprio. Nunca, em nenhum momento, alguém falara para mim sobre essa opção. Telefonei para os médicos de Belém e nenhum soube me afirmar se de fato este é o procedimento mais indicado.
O argumento mais convincente veio do mastologista, que já confessara estar aprendendo muito com o meu caso e ontem me disse que se eu fizer a braquiterapia serei a sua primeira paciente a utilizá-lo. Para ele a técnica ainda é recente e por isso os estudos ainda não podem comprovar a sua eficácia. As pesquisas, na área oncológica, necessitam de 20, 30 anos para ser referendada, o que a braquiterapia ainda não tem.
Como precisarei ainda fazer exames pré-operatórios que incluem os cardiológicos e os hepáticos, tenho tempo para saber um pouco mais sobre essa opção que me afastaria de Belém por bem menos tempo.
Mas se for preciso ficar dois meses longe, irei assim mesmo. Deixarei Raul e Anterra com muito pesar, cheia de preocupações, de medos que a minha cabeça doente produz. Sei, contudo, que não ficarão sozinhos. O Manoel é um super pai, tem a mamãe, a dona Lúcia, o Rulton, a Socorro, a Ruthlene e os amigos que estão sempre ao meu lado como a Ieda, a Márcia Sodré, a Lilian. Amigos que eu sei que posso contar sempre, em qualquer momento.
Vou perder para ganhar, como bem disse a Doris. Perder dois meses, sentir muita saudade, deixar um monte de compromisso pendente (não gosto de agir assim), mas é pra ganhar mais adiante. Pra ganhar saúde, pra ter paz de espírito, pra me preservar de imagens e atitudes que só me agridem todas as vezes que preciso ir ao hospital Ophir Loyola;As manifestações de pessoas como a Sumara, Eliana. Giulia, Cecília, Vera que têm me dado força e colocado suas casas à minha disposição me dão a certeza que estou precisando agora