Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

Arquivo do blog

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

A minha Belém

Os que me conhecem há anos e nunca estiveram em Belém, dizem que já a conhecem por mim. Meus filhos, minha cidade, minha profissão estão, plageando o Chico, feito tatuagens em meu corpo, na minha alma, no meu coração.
Reconheço todas as suas falhas, problemas, limitações, os (des)governantes e as abordagens cruéis que alguns coleguinhas teimam em passar para o restante do País.
Não.. por favor isso não quer dizer omitir, mentir e informar apenas o belo, o exótico, o que agrada aos sentidos. É preciso sim denunciar, expor essas feridas e buscar, de todas as formas, curá-las.
Mas além do abominável trabalho escravo, das aberrações contra o meio ambiente, dos intermináveis conflitos pela terra e agora mais recentemente a falência do sistema penal que levou ao País e ao mundo o que de mais horripilante pode aconteer a uma mulher, Belém também tem outros lados, mas que nem sempre viram notícia.
A minha Belém calorenta (temperatura sempre rondando os 30 graus, mas com uma sensação térmica de 40), tem muitos encantos que tanto me encantam.
Como não parar pra juntar a manga que cai no meio da rua ? Manga fresca, madura que ameaça os vidros dos carros e as cabeças dos pedestres. A marca do centro da cidade. Mangueiras frondosas, formando tunéis, que nessa época do ano parecem árvores de natal com bolas que variam da tonalidade verde-intenso a amarelo-ouro.
A minha problemática Belém tem chuva que neste momento começa a se formar no céu para cair por volta das 2 horas. Isso !! a famosa chuva das 2 que pode antecipar alguns minutos ou mesmo atrasar algumas horas. Chega, refresca e nós, obedientemente, esperamos que ela cesse e o toró se transforme em apenas um chuvisco. Saimos beirando pelas coberturas e úmidos vamos trabalhar, estudar, passear.
Tem açaí. Mas sem granola, guaraná ou banana. Açaí puro, grosso, batido nas rústicas casas que mantêm inalteradas a bandeira vermelha sem letreiros, mas que tudo dizem : aqui vende-se açaí. Açái com açúcar e farinha de tapioca ou farinha d'água acompanhado de um peixe salgado bem fritinho (pirarucu de preferência), carne seca ou camarão. Tem pupunha, bacuri, graviola, taperebá, muruci, castanha-do-brasil, jambo, jambu, tucupi, abricó, cajarana, muitas variedades de jaca, mangaba. Tem tapioquinhas que se faz em casa ou se vende na rua.
Ahhh tem ainda o tacacá, maniçoba, pato no tucupi, caranguejo (toc-toc ou na casquinha), siri, cariru, vatatá...
Queria que o mundo conhecesse também essa Belém. Que visse com outros olhos este lugar problemático - como a grande maioria das cidades que beira os dois milhões de habitantes- mas que mantém intactos os seus encantos e seduz os que se dispõem a olhá-la apaixonadamente, minimizando os defeitos e valorizando as qualidades. Exatamente como os apaixonados fazem....