Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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sábado, 27 de outubro de 2007

Nada é por acaso

Tenho certeza de que estou tendo uma nova oportunidade de vida. Uma pausa necessária e providencial. Que chegou encoberta de medo, com informações tumultuadas e muita apreensão. É a hora de rever conceitos, mudar rotinas, alterar valores. Uma nova perspectiva de encarar os próximos anos.
Nada é por acaso... Agora preparo-me para ir ver minha filha, de 11 anos, dançar em Castanhal. Uma viagem de uma pouco mais de uma hora. Aparentemente nada tenho de diferente. Quinta e sextas-feiras dei aula durante quase quatro horas seguidas. Momentos de total levitação e de reflexões enquanto os alunos se envolvem nas atividades e fazem um silêncio raro. Fisicamente continuo quase a mesma e isso surpreende as pessoas que já se preparam para um encontro com alguém visivelmente doente. Nada mudou. Por fora !!
Fico me enchendo de perguntas para as quais não tenho resposta. Afirmo, contudo, com firmeza e certeza de que o susto terá um saldo positivo. Se por um lado estou sem programação para os próximos meses (como será o meu Natal ?), por outro sei que tenho que me cuidar seriamente para poder viver um pouco mais e com qualidade.
Nada é por acaso ... o câncer detectado na mama está me dando a oportunidade de pesquisar outros órgãos, de me virar do avesso e constatar que de fato beber e comer irresponsavelmente como eu vinha fazendo, era um suicídio homeopático. Principalmente aos 50 anos !
É claro que tenho vontade de me debruçar sobre alguns caranguejos com um pirão de feijão temperado pela Dona Lúcia ou de tomar duas, três, quatro, cinco cerpinhas ouvindo o Chico. Mas tenho que escolher : viver menos ou me limitar às sopas, carnes grelhadas, folhas e mais folhas, um sorvete vez ou outra e sucos variados. Felizmente vivo em Belém e aqui, além dos tradicionais laranja, maracujá e acerola temos ainda o bacuri, cupuaçu, taperebá, muruci que nos permite variar.
Hoje eu me testei. Na casa do meu irmão Rulton, vi o filho dele Rultinho e a enteada, Marcela, em companhia do meu marido Manoel, saboreando caranguejo com feijão. É claro que senti vontade de fazer parte daquela farra. Mas me contive. Um grande copo de suco de maracujá acalmou minha fome e minha ansiedade.
Bem, pelo menos já perdi alguns quilinhos.
Nada é por acaso ...Nem de todo ruim...