Que o pós-operatório, mesmo da mais simples cirurgia é sempre muito doloroso, todos nós sabemos. Mesmo quando ele transcorre dentro do previsível.
Até a última terça tinha certeza de que tudo estava indo dentro da normalidade. Dores normais, incômodo exagerados na hora de dormir (só durmo de bruços), ausência de bons banhos, medicamentos em exagero, dependência demasiada das pessoas para fazer a mais simples tarefa. Mas tudo dentro do esperado.
Um frebão de mais de 39º, por volta das 13horas bagunçou o script. Procurei imediatamente os médicos que apostaram de imediato em uma faringite decorrente ainda do entubamento que tanto irritou minha garganta. Estava com tosse. Tudo contribuindo. Troca de antibióticos, entrada de novos medicamentos, saída de outros. À tarde a drenagem demasiada de secreção na mama direita indicava que era mais além da faringite.
A constatação chegou ontem com a consulta à cirurgiã plástica: a mama direita, a sadia, a que apenas participou como coadjuvante e pegou carona para se embelezar, rejuvenescer, estava com problema. Hematomas tinham se formado internamente, provavelmente em função de medicações que tomei no tratamento do fígado e que “afinaram” o sangue. Essa inesperada e malfada novidade está exigindo de mim uma dose maior de coragem. Eles estão sendo retirados com seringas a partir da introdução, ultradolorosa, de uma agulha no local. O alívio é imediato, mas como dói ....Demais mesmo !!
Felizmente sinto otimismo na médica e espero que em breve tudo isso seja só um lembrança. Não muito doce, mas uma lembrança.
Enquanto os exames complementares não chegam, fico ainda na expectativa sobre quais os passos seguintes. Quantas quimios (elas acontecerão ?), quantas rádios ?
E os meus planos, quantos terei ainda que adiar ?
Interrogações... interrogações...
Quem sou eu
- Ruth Rendeiro
- Belém/Ribeirão Preto, Brazil
- Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte
Aos que me visitam
Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
A ENERGIA !!
Este é o quarto dia após a cirurgia. Talvez por ser segunda-feir sinto-me renovada, com uma nova semana iniciando de fato. Os três dias anteriores ainda foram confusos, de adaptação entre deixar o hospital e voltar à cama conhecida, ao cheiro meu, ao Lar Doce Lar. Se as dores persistem, embora em doses perfeitamente aceitáveis, se há o incômodo de não poder tomar um bom banho e por isso o “seu”João, o amigo e já antigo cabeleireiro é mais imprescindível do que nunca, se o soutien que lembra uma armadura quase não me dá direito aos movimentos básicos, por outro lado, só tenho a comemorar.
Estou no ápice da gangorra em que se transformou a minha vida. Ora lá encima sorridente como uma criança que aguarda a descida brusca e carregada de adrenalina; outras lá embaixo, cabisbaixa, temerosa, carregada de medo como se ninguém fosse aparecer para me colocar de volta ao topo. Tem ainda as centenas de vezes em que permaneço ali, estática, parada, o ponto intermediário. Nem alegre nem triste, apenas perdida, apática, inerte.
O medo da cirurgia, os temores com o fígado, a glicose ainda um pouco fora dos padrões (pré-diabética ? Era só o que faltava !!) fizeram-me chorar um pouquinho antes do encontro com a grande equipe que pontualmente, às 7:30h, já me aguardava. Oncologista/mastologista, cirurgiãs plásticas (duas!!), patologistas (dois!), anestesista, médica nuclear, assistentes e mais enfermeiros e auxiliares. Uma conversa rápida, uma máscara branca e amarela e de repente o sono profundo. Acordei depois de quase sete horas, já no quarto, sob os olhares apreensivos da Anaterra, Manoel e Rulton. Ainda não sabia das boas notícias, mas eles já: o lifonodo sentinela e o primeiro logo após ele, estavam negativados. Uma comemoração !! O câncer é menos agressivo e o que ainda virá deve ser mais suportável. O material retirado da mama esquerda seguiu para o laboratório e será o norte do tratamento ainda será discutido com os médicos. Cada passo é um passo nessa longa caminhada cercada de gangorras que sobem e descem e me trazem lágrimas e sorrisos.
Depois o sono, as visitas emocionantes (Ruthlene, Ieda Jucá, Érika Siqueira,Raul, mamãe...), flores, muitos telefonemas e no dia seguinte, ainda cedo, a alta.
No domingo finalmente não consigo resistir e mesmo com lentidão, acesso os e-mails e me emociono novamente. A energia que vem de tantos amigos, já manifesta de outras maneiras, é o grande diferencial. Sinto o quanto me fez bem saber-me amada, querida, protegida. Fluídos que me cercaram de uma carapaça contra tudo de ruim que o câncer poderia gerar em mim. Ele existe, é real, ainda me trará novas dores, muitos dissabores e não pode ser banalizado. Mas as conquistas, as vitórias também estão se sucedendo, uma atrás da outras.
Energias materializadas em palavras, orações, visitas em casa, telefonemas, mensagens. Não importa a forma, o importante é que eu sinto que tudo o que me foi passado por essas pessoas, a sincronicidade, a sinceridade, o carinho, o colo estão me curando.
Uma batalha vencida !
Um enorme alívio !
Obrigada por todas as demonstrações de afeto, sem elas acho que enlouqueceria !
Estou no ápice da gangorra em que se transformou a minha vida. Ora lá encima sorridente como uma criança que aguarda a descida brusca e carregada de adrenalina; outras lá embaixo, cabisbaixa, temerosa, carregada de medo como se ninguém fosse aparecer para me colocar de volta ao topo. Tem ainda as centenas de vezes em que permaneço ali, estática, parada, o ponto intermediário. Nem alegre nem triste, apenas perdida, apática, inerte.
O medo da cirurgia, os temores com o fígado, a glicose ainda um pouco fora dos padrões (pré-diabética ? Era só o que faltava !!) fizeram-me chorar um pouquinho antes do encontro com a grande equipe que pontualmente, às 7:30h, já me aguardava. Oncologista/mastologista, cirurgiãs plásticas (duas!!), patologistas (dois!), anestesista, médica nuclear, assistentes e mais enfermeiros e auxiliares. Uma conversa rápida, uma máscara branca e amarela e de repente o sono profundo. Acordei depois de quase sete horas, já no quarto, sob os olhares apreensivos da Anaterra, Manoel e Rulton. Ainda não sabia das boas notícias, mas eles já: o lifonodo sentinela e o primeiro logo após ele, estavam negativados. Uma comemoração !! O câncer é menos agressivo e o que ainda virá deve ser mais suportável. O material retirado da mama esquerda seguiu para o laboratório e será o norte do tratamento ainda será discutido com os médicos. Cada passo é um passo nessa longa caminhada cercada de gangorras que sobem e descem e me trazem lágrimas e sorrisos.
Depois o sono, as visitas emocionantes (Ruthlene, Ieda Jucá, Érika Siqueira,Raul, mamãe...), flores, muitos telefonemas e no dia seguinte, ainda cedo, a alta.
No domingo finalmente não consigo resistir e mesmo com lentidão, acesso os e-mails e me emociono novamente. A energia que vem de tantos amigos, já manifesta de outras maneiras, é o grande diferencial. Sinto o quanto me fez bem saber-me amada, querida, protegida. Fluídos que me cercaram de uma carapaça contra tudo de ruim que o câncer poderia gerar em mim. Ele existe, é real, ainda me trará novas dores, muitos dissabores e não pode ser banalizado. Mas as conquistas, as vitórias também estão se sucedendo, uma atrás da outras.
Energias materializadas em palavras, orações, visitas em casa, telefonemas, mensagens. Não importa a forma, o importante é que eu sinto que tudo o que me foi passado por essas pessoas, a sincronicidade, a sinceridade, o carinho, o colo estão me curando.
Uma batalha vencida !
Um enorme alívio !
Obrigada por todas as demonstrações de afeto, sem elas acho que enlouqueceria !
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
CHEGOU O DIA !!
Faltam poucas horas para o dia que espero há cerca de quatro meses. Ainda estou confusa, mas calma. A solidariedade e manifestações de amizade e carinho têm me alimentado e me levado a crer que tudo passará, que é só um momento. Como diz o amigo, “É SÓ UM TRATAMENTO!"
O dia hoje incluiu uma ida ao salão de beleza para cuidar das unhas (quanto tempo ficarei sem freqüentá-lo ?) e cortar um pouco mais o cabelo. Não quero ter trabalho durante a convalescença e nem ficar tão chocada quando ele começar a cair.
Logo após o almoço, supermercado. Ficarei inativa, mas os filhos, a mãe, o marido, os animais da casa continuarão suas vidas, continuarão almoçando, jantando... Como dona-de-casa era necessário deixar tudo organizado.
A roda-viva não pára...
Depois o contato mais direto com a realidade que amanhã vivenciarei mais de perto. Um dos exames preparatórios que permitirá a localização com exatidão e rapidez dos lifonodos me levou a salas de exames, aparelhos ultra sofisticados, sons desconhecidos e uma sensação de que agora é impossível voltar atrás.
A garantia anterior é que era um exame simples, quase indolor. Mas como ser indolor se uma grande agulha é introduzida no seio e o líquido (contraste) se espalha como fogo em todo a sua extensão? Muita dor e uma espera de 30/40 minutos enquanto massageava o local para que o produto se espalhasse. Até a volta aos equipamentos com aparência de laboratórios espaciais típicos da medicina nuclear, que localizaram os lifonodos. Primeiro passo exitoso para amanhã.
Durante os 30 minutos de espera e angústia acabei pedindo socorro. Sozinha naquela sala me senti perdida e triste. Liguei para algumas pessoas em busca de consolo, de carinho, de força. O ambiente que me colocou frente à frente com o inevitável é mais assustador que a própria doença. Pessoas que denotam o quanto estão sendo devoradas pela doença ou outras pesarosas,sorumbáticas pela convivência tão próxima e constante com a morte.
Ainda fui à clínica de cirurgia plástica. Menos mal. Cinqüentonas, sessentonas com butox ou ainda caminhando com dificuldade denunciavam as plásticas. Eu também farei uma amanhã, Na verdade o que mais demorará: a reconstrução da mama esquerda, que já teve uma parte retirada e a plástica simples na direita para que haja uma simetria entre as duas. Depois da consulta com a cirurgiã, deixei o consultório com o Raul toda marcada de caneta. Parecia que iria a uma cerimônia indígena. Mesmo assim fomos ao Hiper Líder jantar. Alguém reparou ? nem notei.
Tenho dito com humor que tudo isso tem me trazido muitos ganhos. Nunca vi essa pedra no meu caminho como um castigo ou algo similar. Mas como algo que chegou para me renovar e entre tudo de bom que tenho exercitado, inclusive o medo que depois se transforma em um suave e relaxante alívio, estão os seios novos.
Ao contrário do olhar cabisbaixo, sempre voltado ao chão, eles em breve terão um olhar soberbo, austero. Olharão nos olhos...
Brincadeiras à parte, tentativas de afastar do pensamento que os riscos são grandes, que não farei apenas uma plástica estética, mas uma pesquisa dos lifonodos que definirão com precisão meu tipo de câncer, o nível de comprometimento dessas glândulas da axila, enfim, o que terei que viver depois, além, evidentemente, do que sempre significou um ato cirúrgico: risco de morte. Mas o risco está em todos os lugares, infelizmente: no acidente de trânsito, no assalto, na bala perdida, no aneurisma silencioso, no infarto fulminante, na pancreatite que não perdoa.
E nada (NADA !!!) é mais compensador do que se saber querida, amada, respeitada. Que a torcida é verdadeira, carinhosa e chegam de pessoas que nunca imaginei um dia poderia ter algum significado. Tenho recebido manifestações de pessoas que cultuam os mais diferentes deuses, que têm as mais diversas crenças (evangélicos, católicos, espíritas, umbandistas, judeus), todos emanados no que é fundamental para mim: a energia positiva, profunda, sincera.
Quero continuar bem amanhã como estou agora e que logo logo possa estar de volta aqui, conversando com os amigos reais ou virtuais; os que estão aqui em Belém ou mais distantes (têm alguns que distam mais de 3 mil km, mas que sinto tão próximos... bem aqui...).
Ahhh como espero que isso aconteça....
O dia hoje incluiu uma ida ao salão de beleza para cuidar das unhas (quanto tempo ficarei sem freqüentá-lo ?) e cortar um pouco mais o cabelo. Não quero ter trabalho durante a convalescença e nem ficar tão chocada quando ele começar a cair.
Logo após o almoço, supermercado. Ficarei inativa, mas os filhos, a mãe, o marido, os animais da casa continuarão suas vidas, continuarão almoçando, jantando... Como dona-de-casa era necessário deixar tudo organizado.
A roda-viva não pára...
Depois o contato mais direto com a realidade que amanhã vivenciarei mais de perto. Um dos exames preparatórios que permitirá a localização com exatidão e rapidez dos lifonodos me levou a salas de exames, aparelhos ultra sofisticados, sons desconhecidos e uma sensação de que agora é impossível voltar atrás.
A garantia anterior é que era um exame simples, quase indolor. Mas como ser indolor se uma grande agulha é introduzida no seio e o líquido (contraste) se espalha como fogo em todo a sua extensão? Muita dor e uma espera de 30/40 minutos enquanto massageava o local para que o produto se espalhasse. Até a volta aos equipamentos com aparência de laboratórios espaciais típicos da medicina nuclear, que localizaram os lifonodos. Primeiro passo exitoso para amanhã.
Durante os 30 minutos de espera e angústia acabei pedindo socorro. Sozinha naquela sala me senti perdida e triste. Liguei para algumas pessoas em busca de consolo, de carinho, de força. O ambiente que me colocou frente à frente com o inevitável é mais assustador que a própria doença. Pessoas que denotam o quanto estão sendo devoradas pela doença ou outras pesarosas,sorumbáticas pela convivência tão próxima e constante com a morte.
Ainda fui à clínica de cirurgia plástica. Menos mal. Cinqüentonas, sessentonas com butox ou ainda caminhando com dificuldade denunciavam as plásticas. Eu também farei uma amanhã, Na verdade o que mais demorará: a reconstrução da mama esquerda, que já teve uma parte retirada e a plástica simples na direita para que haja uma simetria entre as duas. Depois da consulta com a cirurgiã, deixei o consultório com o Raul toda marcada de caneta. Parecia que iria a uma cerimônia indígena. Mesmo assim fomos ao Hiper Líder jantar. Alguém reparou ? nem notei.
Tenho dito com humor que tudo isso tem me trazido muitos ganhos. Nunca vi essa pedra no meu caminho como um castigo ou algo similar. Mas como algo que chegou para me renovar e entre tudo de bom que tenho exercitado, inclusive o medo que depois se transforma em um suave e relaxante alívio, estão os seios novos.
Ao contrário do olhar cabisbaixo, sempre voltado ao chão, eles em breve terão um olhar soberbo, austero. Olharão nos olhos...
Brincadeiras à parte, tentativas de afastar do pensamento que os riscos são grandes, que não farei apenas uma plástica estética, mas uma pesquisa dos lifonodos que definirão com precisão meu tipo de câncer, o nível de comprometimento dessas glândulas da axila, enfim, o que terei que viver depois, além, evidentemente, do que sempre significou um ato cirúrgico: risco de morte. Mas o risco está em todos os lugares, infelizmente: no acidente de trânsito, no assalto, na bala perdida, no aneurisma silencioso, no infarto fulminante, na pancreatite que não perdoa.
E nada (NADA !!!) é mais compensador do que se saber querida, amada, respeitada. Que a torcida é verdadeira, carinhosa e chegam de pessoas que nunca imaginei um dia poderia ter algum significado. Tenho recebido manifestações de pessoas que cultuam os mais diferentes deuses, que têm as mais diversas crenças (evangélicos, católicos, espíritas, umbandistas, judeus), todos emanados no que é fundamental para mim: a energia positiva, profunda, sincera.
Quero continuar bem amanhã como estou agora e que logo logo possa estar de volta aqui, conversando com os amigos reais ou virtuais; os que estão aqui em Belém ou mais distantes (têm alguns que distam mais de 3 mil km, mas que sinto tão próximos... bem aqui...).
Ahhh como espero que isso aconteça....
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
É QUINTA !!
Finalmente agora posso afirmar categoricamente: vou fazer a segunda cirurgia na mama, na próxima quinta-feira, dia 24 !!
Hoje o dia começou cedo demais e só teve uma agenda: ambientes de saúde. Médicos e exames, exames e médicos. Das 6:30 às 17horas !
Primeiro o laudo de risco cirúrgico do cardiologista, depois a solicitação de um laudo complementar no laboratório que atestou o câncer. Nova mamografia, nova ultrassom da mama. Aqui muita apreensão com a possibilidade de novas descobertas, novos nódulos, pequenos tumores não detectados. Mas isso só saberei amanhã. Depois o oncologista, a especialista que marcará os lifonodos e finalmente a cirurgiã plástica. Ainda falta o anestesista.
A peregrinação trouxe enfim a definição há tanto aguardada: a cirurgia acontecerá dia 24 mesmo, no Hospital Porto Dias. Complicado demais conseguir conciliar a agenda apertada e disputadíssima de tantos especialistas. Mas finalmente obtivemos sucesso.
Sinto agora um misto de medo e alívio; a angústia mescla-se à alegria da decisão e a ansiedade agora dá lugar aos pensamentos macabros e assustadores do que estará ainda me esperando após a cirurgia.
Sei que há uma grande diferença entre o que as máquinas mostram e o que pode ser visualizado pelos médicos em uma cirurgia. Mas não vou esmorecer, tenho motivos de sobra para continuar vivendo, para ser mais feliz, mais realizada, mais amada, mais querida.
Dar-me mais e mais. Presentear-me ainda muito mais !!
Tenho filhos maravilhosos que desabrocham como homem e mulher. Quero acompanhar essa fase com a mesma intensidade que vivencie a gravidez, a primeira infância, os primeiros dias de aula e tudo o que foi marcante na vida de cada um. Momentos preocupantes e desesperadores (como a cirurgia do Raul em 2004), mas outros de felicidade plena que começaram desde o nascimento.
Quero ir mais além nas minhas descobertas como professora, como profissional de Comunicação nas instituições, como mulher, como amiga, como filha, como irmã. Saber que ainda há muito me esperando lá fora para me mostrar um novo mundo. Esse que comecei a descobrir com a notícia da doença que tanto atemoriza, mas que quero encarar como uma nova oportunidade de viver melhor e mais do que viveria se ela não tivesse se colocado no meu caminho.
A minha pedra drumoniana que vou passar por cima.
Porque assim quero, porque assim Deus quer e a minha Naza também !!
Amém !!
Hoje o dia começou cedo demais e só teve uma agenda: ambientes de saúde. Médicos e exames, exames e médicos. Das 6:30 às 17horas !
Primeiro o laudo de risco cirúrgico do cardiologista, depois a solicitação de um laudo complementar no laboratório que atestou o câncer. Nova mamografia, nova ultrassom da mama. Aqui muita apreensão com a possibilidade de novas descobertas, novos nódulos, pequenos tumores não detectados. Mas isso só saberei amanhã. Depois o oncologista, a especialista que marcará os lifonodos e finalmente a cirurgiã plástica. Ainda falta o anestesista.
A peregrinação trouxe enfim a definição há tanto aguardada: a cirurgia acontecerá dia 24 mesmo, no Hospital Porto Dias. Complicado demais conseguir conciliar a agenda apertada e disputadíssima de tantos especialistas. Mas finalmente obtivemos sucesso.
Sinto agora um misto de medo e alívio; a angústia mescla-se à alegria da decisão e a ansiedade agora dá lugar aos pensamentos macabros e assustadores do que estará ainda me esperando após a cirurgia.
Sei que há uma grande diferença entre o que as máquinas mostram e o que pode ser visualizado pelos médicos em uma cirurgia. Mas não vou esmorecer, tenho motivos de sobra para continuar vivendo, para ser mais feliz, mais realizada, mais amada, mais querida.
Dar-me mais e mais. Presentear-me ainda muito mais !!
Tenho filhos maravilhosos que desabrocham como homem e mulher. Quero acompanhar essa fase com a mesma intensidade que vivencie a gravidez, a primeira infância, os primeiros dias de aula e tudo o que foi marcante na vida de cada um. Momentos preocupantes e desesperadores (como a cirurgia do Raul em 2004), mas outros de felicidade plena que começaram desde o nascimento.
Quero ir mais além nas minhas descobertas como professora, como profissional de Comunicação nas instituições, como mulher, como amiga, como filha, como irmã. Saber que ainda há muito me esperando lá fora para me mostrar um novo mundo. Esse que comecei a descobrir com a notícia da doença que tanto atemoriza, mas que quero encarar como uma nova oportunidade de viver melhor e mais do que viveria se ela não tivesse se colocado no meu caminho.
A minha pedra drumoniana que vou passar por cima.
Porque assim quero, porque assim Deus quer e a minha Naza também !!
Amém !!
domingo, 20 de janeiro de 2008
Este mundo que é só meu
Sei que sou uma privilegiada. Tenho uma família muito presente, amigos que sei que são sinceros, leais, verdadeiros presentes de Deus, pessoas queridas que mesmo a milhares de km estão próximas de mim. Médicos dos mais competentes e condições financeiras (pelo menos até aqui) para custear tudo de mais estranho que tem sido a minha dieta e os diversos medicamentos que me acompanham o dia inteiro.
Tenho plena consciência de que há casos mais graves, mais complicados. Acabo, inclusive, de conhecer um que me abalou bastante. A jovem mãe que descobriu no final da gravidez (agora em dezembro) o câncer na mama e fez a mastectomia logo após a cesariana. Não pôde amamentar, carregar seu bebê, sequer curtir o quarto que montou com tanto carinho para ele, já que teve que deixar sua cidade em busca de tratamento na capital. E para completar, o marido dele trabalha em outro País.
Constato, contudo, que mesmo com todo este apoio, carinho, atenção, preocupação companheirismo, amor e solidariedade, este mundo que vivo hoje é só meu. Ninguém, por mais próximo ou sentimento forte que tenha por mim, compreende a dimensão de meus pensamentos.
Tudo é genuinamente meu.
A vida prossegue e nem me nota. Não percebe que definho, que estou triste, que choro, me estresso por nada. Não cobro nada de ninguém. Não... não é isso, não tenho esse direito, apenas constato o quanto é comum estar doente, o quanto é banal morrer. Faz parte da vida.
As angústias que me atormentam, por mais que milhares de vezes repetidas, serão sempre só minhas. As incertezas que me corroem não têm como serem repartidas. Todas as dúvidas só eu posso dirimi-las. Feridas que latejam, pulsam e me incomodam num turbilhão de dor imensuravelmente controláveis.
Este é o meu mundo...
Nada impedirá que os passarinhos que embelezam minhas manhãs venham à janela pedir suas frutas de todos os dias. A lua crescente em breve será cheia. A chuva insiste em deixar o dia preguiçoso, úmido. As crianças gritam lá fora enquanto brincam. Os vizinhos mais idosos conversam na calçada.
Tudo igual... Tudo irremediavelmente como sempre foi.
Ontem não foi diferente. O filho foi à festa. Antes fizera, durante o dia, uma em casa em homenagem a uma amiga que aniversariava. Está vivendo a explosão da sexualidade, a descoberta do prazer de encantar. Divertiu-se até tarde.Nem reparou em meu olhos vermelhos.
Marido e filha foram ao teatro. Preferi ficar em casa. Precisava concluir um trabalho e com sorte conversar na Internet com pessoas especiais. Mas elas estavam ocupadas demais para me ouvir, para me dar o que mais precisava: carinho.
A solidão não foi boa companhia. Fiquei triste, carente, sensível demais e meus fantasminhas viraram monstros que me torturaram e me deixaram frágil. Dormi cedo, molhei o travesseiro, revivi emoções e senti muito medo.
Felizmente, como em um pesadelo infantil, eles voltaram para o mundo encantado dos contos de fada.
Acordei sem fantasmas, sem monstros, só com uma chuva intermitente.
Só meu mundo ainda é real ...
Tenho plena consciência de que há casos mais graves, mais complicados. Acabo, inclusive, de conhecer um que me abalou bastante. A jovem mãe que descobriu no final da gravidez (agora em dezembro) o câncer na mama e fez a mastectomia logo após a cesariana. Não pôde amamentar, carregar seu bebê, sequer curtir o quarto que montou com tanto carinho para ele, já que teve que deixar sua cidade em busca de tratamento na capital. E para completar, o marido dele trabalha em outro País.
Constato, contudo, que mesmo com todo este apoio, carinho, atenção, preocupação companheirismo, amor e solidariedade, este mundo que vivo hoje é só meu. Ninguém, por mais próximo ou sentimento forte que tenha por mim, compreende a dimensão de meus pensamentos.
Tudo é genuinamente meu.
A vida prossegue e nem me nota. Não percebe que definho, que estou triste, que choro, me estresso por nada. Não cobro nada de ninguém. Não... não é isso, não tenho esse direito, apenas constato o quanto é comum estar doente, o quanto é banal morrer. Faz parte da vida.
As angústias que me atormentam, por mais que milhares de vezes repetidas, serão sempre só minhas. As incertezas que me corroem não têm como serem repartidas. Todas as dúvidas só eu posso dirimi-las. Feridas que latejam, pulsam e me incomodam num turbilhão de dor imensuravelmente controláveis.
Este é o meu mundo...
Nada impedirá que os passarinhos que embelezam minhas manhãs venham à janela pedir suas frutas de todos os dias. A lua crescente em breve será cheia. A chuva insiste em deixar o dia preguiçoso, úmido. As crianças gritam lá fora enquanto brincam. Os vizinhos mais idosos conversam na calçada.
Tudo igual... Tudo irremediavelmente como sempre foi.
Ontem não foi diferente. O filho foi à festa. Antes fizera, durante o dia, uma em casa em homenagem a uma amiga que aniversariava. Está vivendo a explosão da sexualidade, a descoberta do prazer de encantar. Divertiu-se até tarde.Nem reparou em meu olhos vermelhos.
Marido e filha foram ao teatro. Preferi ficar em casa. Precisava concluir um trabalho e com sorte conversar na Internet com pessoas especiais. Mas elas estavam ocupadas demais para me ouvir, para me dar o que mais precisava: carinho.
A solidão não foi boa companhia. Fiquei triste, carente, sensível demais e meus fantasminhas viraram monstros que me torturaram e me deixaram frágil. Dormi cedo, molhei o travesseiro, revivi emoções e senti muito medo.
Felizmente, como em um pesadelo infantil, eles voltaram para o mundo encantado dos contos de fada.
Acordei sem fantasmas, sem monstros, só com uma chuva intermitente.
Só meu mundo ainda é real ...
sábado, 19 de janeiro de 2008
A reinstalação do medo
O ultimo mês (parte de dezembro e o início de janeiro) estive envolvida em tantas coisas ao mesmo tempo que parecia ser outra pessoa olhando-me à distância. Vivi tudo muito intensamente, viajei demais, trabalhei, aprendi muitas coisas novas. De 17 de dezembro a 15 de janeiro passei exatos 19 dias fora de Belém : Brasília, Pirinópolis, Ajuruteua e Cuiabá levaram-me para longe da cidade e também para bem distante deste mundo real que me assusta e agora faz com que o medo se reinstale.
Deve ter sido uma fuga inconsciente. Fui atrás de uma outra Ruth. A feliz, a que ri facilmente, a que sonha, a que ajuda, a que estuda, a que conversa e faz amizades facilmente. A que se encanta com as descobertas e se realiza nos outros. Precisava me sentir viva para não temer demais o que sabia, previamente, estava me aguardando. Agora não posso mais me iludir : a cirurgia em breve acontecerá, o pós-operatório terá dores, incômodos, limitações; se os lifonodos estiverem comprometidos terei que esvaziá-los e deixar de usar o braço esquerdo; se outros nódulos tiverem surgidos significará uma grande tendência a recisivas; o material a ser retirado ainda dará mais informações (boas ou muito más) que subsidiarão os demais médicos que ainda serão incluídos neste já grande time de profissionais.
Olho meu seio, toco, acaricio e imagino as mudanças que estão se processando nele. Não externamente (essas devem ser para melhor a partir da plástica), mas internamente. O que essas células malucas podem estar fazendo com ele ? Até onde podem estar decidindo meus próximos anos de vida ? Seios que sempre gostei de deixar meio à mostra, que sempre valorizei como ponto feminino, que amamentou meus filhos, que já me deu tanto prazer.
Ahhh sei que preciso manter a calma e quando a tristeza se apossa de mim, tenho uma fuga: fecho os olhos e revivencio o que de bom aconteceu nesses dias mais recentes: as pessoas, os lugares novos, a chuva que sempre me acompanhou em todos os lugares e que deixei me molhar como se fosse possível levar de mim o que de ruim se instalou, os peixes deliciosos, o artesanato, as discussões profissionais, a perspectivas de novos horizontes de trabalho, a esperança renovada da cura, o otimismo e apoio de pessoas que acreditam que tudo passará, os planos (que preciso acreditar !) estão apenas sendo adiados.
Fico sensível demais, estressada demais, chorona demais. Difícil esconder o quanto estou frágil, o quanto me assusta encarar de frente que minha vida, muito em breve, vai mudar tanto.
Preciso enxergar tudo de outro jeito. Sei disso !! Mas nem sempre eu consigo....
Deve ter sido uma fuga inconsciente. Fui atrás de uma outra Ruth. A feliz, a que ri facilmente, a que sonha, a que ajuda, a que estuda, a que conversa e faz amizades facilmente. A que se encanta com as descobertas e se realiza nos outros. Precisava me sentir viva para não temer demais o que sabia, previamente, estava me aguardando. Agora não posso mais me iludir : a cirurgia em breve acontecerá, o pós-operatório terá dores, incômodos, limitações; se os lifonodos estiverem comprometidos terei que esvaziá-los e deixar de usar o braço esquerdo; se outros nódulos tiverem surgidos significará uma grande tendência a recisivas; o material a ser retirado ainda dará mais informações (boas ou muito más) que subsidiarão os demais médicos que ainda serão incluídos neste já grande time de profissionais.
Olho meu seio, toco, acaricio e imagino as mudanças que estão se processando nele. Não externamente (essas devem ser para melhor a partir da plástica), mas internamente. O que essas células malucas podem estar fazendo com ele ? Até onde podem estar decidindo meus próximos anos de vida ? Seios que sempre gostei de deixar meio à mostra, que sempre valorizei como ponto feminino, que amamentou meus filhos, que já me deu tanto prazer.
Ahhh sei que preciso manter a calma e quando a tristeza se apossa de mim, tenho uma fuga: fecho os olhos e revivencio o que de bom aconteceu nesses dias mais recentes: as pessoas, os lugares novos, a chuva que sempre me acompanhou em todos os lugares e que deixei me molhar como se fosse possível levar de mim o que de ruim se instalou, os peixes deliciosos, o artesanato, as discussões profissionais, a perspectivas de novos horizontes de trabalho, a esperança renovada da cura, o otimismo e apoio de pessoas que acreditam que tudo passará, os planos (que preciso acreditar !) estão apenas sendo adiados.
Fico sensível demais, estressada demais, chorona demais. Difícil esconder o quanto estou frágil, o quanto me assusta encarar de frente que minha vida, muito em breve, vai mudar tanto.
Preciso enxergar tudo de outro jeito. Sei disso !! Mas nem sempre eu consigo....
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
"É só um tratamento"
Desde que cheguei de Cuiabá tenho duas grandes preocupações que têm ocupado quase integralmente meus dias: concluir o trabalho que assumi com a FAZ de elaborar um Plano de Comunicação para a instituição e de acelerar os contatos com os médicos que cuidam de mim para que a cirurgia finalmente aconteça.
Comecei pela psicoterapeuta. A cabeça é tudo, todos afirmam, e o que a médica tem feito por mim é fundamental neste processo. Só recebi elogios. Disse que estou bem, produzindo muita endorfina, serotonina e tudo mais que meu corpo necessita neste momento e que estão me fortalecendo fisicamente. Deixei o consultório feliz.
Depois estive com o “médico-maestro”, o que me cuida mais por inteira, que me vê como um todo, que consegui com medicamentos, uma dieta rigorosa e muita paciência ao conversar e muita atenção em cada consulta, me reinventar. Fui parabenizada pela força de vontade, pelo cumprimento à risca de tudo o que ele me passou. Riu quando eu disse que eu fui tão obediente que, para evitar quaisquer tipos de medicamentos que pudessem interferir no fígado, fizera uma restauração em um dente, para ser mais precisa no colo do dente, sem anestesia. Nem o dentista acreditou no início: aquela maquininha e seu irritante barulho furando meu dente, abrindo mais a pequena cárie e eu agüentando firme. Consegui !!
Hoje foi a vez do cirurgião. O mastologista-oncologista que vai me operar junto com o cirurgião plástico e um monte de gente (os que farão os exames patológicos por congelamento, anestesista, mais uma que marca os lifonodos, assistente... Nem sei quantos ao final estarão lá na sala comigo). Sempre achei que os cirurgiões, pela sua própria especialidade, são pessoas mais frias, menos sensíveis que outros médicos de outras áreas e hoje confirmei o que há muito detectara. A forma natural de me dizer que serão retirados dois lifonodos (glândulas que ficam nas axilas e braços) como precaução se não houver comprometimento, mas se houver serão retirados todos, o que significa, explicou-me naturalmente, nunca mais tirar cutícula das unhas, tomar um injeção ou mesmo receber uma picada de um inseto.Sem falar que não poderei carregar mais peso com esse braço. Ou seja, terei um braço aparente, de brinquedo, fantasia. Continuando, falou das quimios, que só serão decididas depois que o material for retirado. Mais naturalidade ao assegurar todas fazem o cabelo cair. E para finalizar a notícia mais apavorante: tenho que fazer outra mamografia e outra ultrassom para ele ter certeza de que durante esses três meses não surgiram outros nódulos. “Se apareceram outros, retiraremos logo”. Simples, né ?
Aiii meu Deus !! sei que são procedimentos normais, corriqueiros, que meu caso não é tão preocupante como grande parte o são. Sei que as minhas chances de cura são muito grandes, mas assim mesmo não consigo relaxar, não parar de pensar, de não sentir medo.
Tento tirar da cabeça o pessimismo, não pensar no pior usando a frase de um grande amigo que quando me vê abatida ou muito triste repete: É SÓ UM TRATAMENTO.
Vou rezar mais ainda para que seja mesmo.
Comecei pela psicoterapeuta. A cabeça é tudo, todos afirmam, e o que a médica tem feito por mim é fundamental neste processo. Só recebi elogios. Disse que estou bem, produzindo muita endorfina, serotonina e tudo mais que meu corpo necessita neste momento e que estão me fortalecendo fisicamente. Deixei o consultório feliz.
Depois estive com o “médico-maestro”, o que me cuida mais por inteira, que me vê como um todo, que consegui com medicamentos, uma dieta rigorosa e muita paciência ao conversar e muita atenção em cada consulta, me reinventar. Fui parabenizada pela força de vontade, pelo cumprimento à risca de tudo o que ele me passou. Riu quando eu disse que eu fui tão obediente que, para evitar quaisquer tipos de medicamentos que pudessem interferir no fígado, fizera uma restauração em um dente, para ser mais precisa no colo do dente, sem anestesia. Nem o dentista acreditou no início: aquela maquininha e seu irritante barulho furando meu dente, abrindo mais a pequena cárie e eu agüentando firme. Consegui !!
Hoje foi a vez do cirurgião. O mastologista-oncologista que vai me operar junto com o cirurgião plástico e um monte de gente (os que farão os exames patológicos por congelamento, anestesista, mais uma que marca os lifonodos, assistente... Nem sei quantos ao final estarão lá na sala comigo). Sempre achei que os cirurgiões, pela sua própria especialidade, são pessoas mais frias, menos sensíveis que outros médicos de outras áreas e hoje confirmei o que há muito detectara. A forma natural de me dizer que serão retirados dois lifonodos (glândulas que ficam nas axilas e braços) como precaução se não houver comprometimento, mas se houver serão retirados todos, o que significa, explicou-me naturalmente, nunca mais tirar cutícula das unhas, tomar um injeção ou mesmo receber uma picada de um inseto.Sem falar que não poderei carregar mais peso com esse braço. Ou seja, terei um braço aparente, de brinquedo, fantasia. Continuando, falou das quimios, que só serão decididas depois que o material for retirado. Mais naturalidade ao assegurar todas fazem o cabelo cair. E para finalizar a notícia mais apavorante: tenho que fazer outra mamografia e outra ultrassom para ele ter certeza de que durante esses três meses não surgiram outros nódulos. “Se apareceram outros, retiraremos logo”. Simples, né ?
Aiii meu Deus !! sei que são procedimentos normais, corriqueiros, que meu caso não é tão preocupante como grande parte o são. Sei que as minhas chances de cura são muito grandes, mas assim mesmo não consigo relaxar, não parar de pensar, de não sentir medo.
Tento tirar da cabeça o pessimismo, não pensar no pior usando a frase de um grande amigo que quando me vê abatida ou muito triste repete: É SÓ UM TRATAMENTO.
Vou rezar mais ainda para que seja mesmo.
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