Hoje tive mais uma consulta e a minha expectativa (ela, sempre ela !!!) era que eu já sairia de lá liberada para a nova cirurgia, aquela que aprofundará o tipo de câncer que tenho, o nível de comprometimento dos lifonodos e a definição, a partir dessas informações, do tratamento que farei. Mas nada !! Só no próximo ano repetirei os exames que nortearam os próximos passos.
Mais exames....mais consultas ...
A conversa foi boa, ele gostou da minha disposição, do meu astral e da minha determinação em prosseguir com a dieta. Falou-em com otimismo sobre o tipo de câncer que tive (?), mas não pôde esclarecer a maior de minhasdúvidas: as quimioterapias. Quantas farei ? Qual o tipo ? E os efeitos colaterais ? O que elas me impedirão de fazer ? Ficarei muito debilitada ?
Pediu-me calma e paciência. Cada caso é um caso e cada organismo reage de um jeito.
Vou tentar não pensar demais, a não fazer jus ao meu antigo diagnóstico psiquiátrico de ansiedade antecipatória.
Tenho trabalhos a concluir, relatórios a entregar, compras a fazer e malas para arrumar de novo.
Melhor me preparar para o reveion e deixar a cirurgia para o próximo ano.
Transferir as angústias da espera para 2008. Repassar para mais tarde os medos. Desconsiderar que janeiro será diferente.
Viver ainda é o melhor de todos os projetos !
Quem sou eu
- Ruth Rendeiro
- Belém/Ribeirão Preto, Brazil
- Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte
Aos que me visitam
Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Disfarce quase perfeito
Só os que me conhecem muito é que sabem o quanto tenho me esforçado para que a aparência seja de grande normalidade. Tenho buscado em prazeres até mesmo novos, estímulos para não ceder diante de pensamentos mais pessimistas. Talvez o clima de festas, a latente fraternidade e o espírito de proximidade estejam contribuindo para que a minha sensibilidade esteja mais extremada, mais pulsante e às vezes incontrolavelmente dolorosa.
Não dá pra evitar pensar em como será o meu Natal no próximo ano. Tudo bem que ninguém sabe como será o seu. Ninguém sabe como será a sua próxima meia hora. Inevitável, porém, que a certeza da doença altere os sonhos, os planos e nos conduza a pensamentos que lutamos para não ter, mas que nos invadem e nos consomem.
Ando emotiva demais, chorona demais, pensativa demais e querendo me isolar. Sei que nada disso é bom.
Vibro com o PapaiManoel e sua ajudante, com as conquistas do Raul, com a alegria emanada dos pequenos Leonardo e Thomaz, com os resultados profissionais e laboratoriais, com a doçura da Anaterra, com a saúde da mamãe, com as inúmeras demonstrações de carinho dos amigos, mas intimamente há uma incômoda dor silenciosa e só minha. Calada, doída, sentida, profunda.
Talvez o que mais me incomode seja a impossibilidade de administrar meu tempo, meus próximos dias, meus próximos meses. Não saber como posso agir a curto/médio prazo, como ficarei após a cirurgia, durante a quimioterapia.... Quais serão as minhas limitações ? Poderei trabalhar normalmente ? Quando poderei viajar ? Não há respostas para essas dúvidas e aí só me resta esperar e justo eu, que sempre corri atrás das respostas, que nunca tive muita habilidade para aguardar, que paciência nunca foi uma de minhas poucas virtudes.
Um sobe-e-desce que oprime e angustia, mas dizem os mais experientes no assunto : faz parrrrte !!!
Não dá pra evitar pensar em como será o meu Natal no próximo ano. Tudo bem que ninguém sabe como será o seu. Ninguém sabe como será a sua próxima meia hora. Inevitável, porém, que a certeza da doença altere os sonhos, os planos e nos conduza a pensamentos que lutamos para não ter, mas que nos invadem e nos consomem.
Ando emotiva demais, chorona demais, pensativa demais e querendo me isolar. Sei que nada disso é bom.
Vibro com o PapaiManoel e sua ajudante, com as conquistas do Raul, com a alegria emanada dos pequenos Leonardo e Thomaz, com os resultados profissionais e laboratoriais, com a doçura da Anaterra, com a saúde da mamãe, com as inúmeras demonstrações de carinho dos amigos, mas intimamente há uma incômoda dor silenciosa e só minha. Calada, doída, sentida, profunda.
Talvez o que mais me incomode seja a impossibilidade de administrar meu tempo, meus próximos dias, meus próximos meses. Não saber como posso agir a curto/médio prazo, como ficarei após a cirurgia, durante a quimioterapia.... Quais serão as minhas limitações ? Poderei trabalhar normalmente ? Quando poderei viajar ? Não há respostas para essas dúvidas e aí só me resta esperar e justo eu, que sempre corri atrás das respostas, que nunca tive muita habilidade para aguardar, que paciência nunca foi uma de minhas poucas virtudes.
Um sobe-e-desce que oprime e angustia, mas dizem os mais experientes no assunto : faz parrrrte !!!
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
O Natal na periferia
Mesmo não sendo a Regina Casé, hoje deu pra sentir o gosto do Natal que reúne pessoas que querem mais do que presentes. Se satisfazem com atenção, demonstração de afeto e se tudo isso vier embalado em uma roupa vermelha, com um sorriso de velhinho estampado no rosto, melhor ainda. Os carrinhos, bonecas e bolas são simbólicos. O abraço daquele ser que encanta adultos e crianças é mais relevante, mais emocionante.
Um grupo pequeno de pessoas anônimas há alguns durante todo o ano compra brinquedos que são distribuídos entre os que vivem nas áreas mais pobres do bairro da Terra Firme. Este ano o Manoel foi convidado a ser o Papai Noel. Visível a sua emoção. Há alguns meses não tirava a barba para que de fato sentisse o gosto mais real da fantasia.
A Anaterra a ajudante fiel, participativa. Sempre disposta, prestativa, decidida, distribuia brinquedos : meninos aqui nesta fila... meninas ali, naquela.
No rosto de cada pequenino a certeza de que não fora esquecido.
Este Natal, como já imaginara, está sendo diferente. Emoções muito fortes. Passado e futuro que estão perturbando o presente.
Antes a família reunida. Almoço farto e barulhento. Troca de presentes simples, a emblemática lembrança.
As lágrimas têm caído escondidas. Tenho chorado demais. O motivo ? Ah.... são motivos... muitos motivos... Alguns bobos, outros futuristas. A sensibilidade está à flor da pele e não dá pra segurar que o coração se aperte e os sonhos e medos se misturem; que o ir-e-vir se alterne; que morrer esteja tão próximo do viver intensamente.
É Natal e a natureza aqui parece saber disso. Chove lá fora. O dia fica mais triste, mais preguiçoso como se recomendasse a reflexão, a introspecção, o silêncio absoluto para que os pensamentos voem mais longe e tragam boníssimas lembranças e aterrorizantes perspectivas.
É Natal, mas nem ouço o sino de Belém.
Um grupo pequeno de pessoas anônimas há alguns durante todo o ano compra brinquedos que são distribuídos entre os que vivem nas áreas mais pobres do bairro da Terra Firme. Este ano o Manoel foi convidado a ser o Papai Noel. Visível a sua emoção. Há alguns meses não tirava a barba para que de fato sentisse o gosto mais real da fantasia.
A Anaterra a ajudante fiel, participativa. Sempre disposta, prestativa, decidida, distribuia brinquedos : meninos aqui nesta fila... meninas ali, naquela.
No rosto de cada pequenino a certeza de que não fora esquecido.
Este Natal, como já imaginara, está sendo diferente. Emoções muito fortes. Passado e futuro que estão perturbando o presente.
Antes a família reunida. Almoço farto e barulhento. Troca de presentes simples, a emblemática lembrança.
As lágrimas têm caído escondidas. Tenho chorado demais. O motivo ? Ah.... são motivos... muitos motivos... Alguns bobos, outros futuristas. A sensibilidade está à flor da pele e não dá pra segurar que o coração se aperte e os sonhos e medos se misturem; que o ir-e-vir se alterne; que morrer esteja tão próximo do viver intensamente.
É Natal e a natureza aqui parece saber disso. Chove lá fora. O dia fica mais triste, mais preguiçoso como se recomendasse a reflexão, a introspecção, o silêncio absoluto para que os pensamentos voem mais longe e tragam boníssimas lembranças e aterrorizantes perspectivas.
É Natal, mas nem ouço o sino de Belém.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Noite Feliz
O cheiro na casa denuncia a data: o peru que assa junta-se às rabanadas que são fritas; o bolo ainda nem saiu da forma e exala pela casa o cheiro apetitoso peculiar que leva ao desejo e em breve a farofa com bacon se unirá ao odor marcante desse dia.
É Natal !!
Este para mim é muito, muito especial. Tem um gosto de vitória recheado de medo. Alegria untada de temor. Esperança polvilhada de incertezas. Sorrisos mesclados de lágrimas. Mas é Natal !!
Brindes sem álcool, mas tim-tim à vida, à oportunidade de me reconhecer viva e esperançosa, de acreditar que é possível ser imensamente feliz mesmo que o estigma do câncer ronde corações e mentes.
Esquecer por alguns dias, horas e minutos que ter câncer não é sentença de morte, embora seja algo definitivo, improvável, eterno. Sim, o câncer é para sempre, mesmo que seja silecioso, mesmo que nunca mais surja, mas é latente, não nos deixa nunca mais. Uma sombra a minar os sonhos, que nos leva a rever planos e a não ousar demais.
Neste Natal, mais do que os presentes, pela primeira vez eu estou mais próxima do aniversariante. Incrédula diante dos novos fatos, mas crédula na fé.
Meus pensamentos estão voltados ao seu poder, ao que Ele pode me trazer como benção. Acima de tudo muita força, otimismo, resignação. Que eu e todos os outros que estão passando por situações similares não desanimem e que os que têm a missão de tratar de nossa saúde, também sejam iluminados e encontrem sempre o caminho mais curto, menos doloroso, mais eficiente.
Hoje à noite abraçarei cada um dos que amo e que estarão ao meu lado e mentalmente os que não estarão próximos. Amados do mesmo jeito, com a mesma intensidade !!
Brindarei com água, chá ou quem sabe um vinho branco orgânico, a oportunidade que estou tendo de me renovar na felicidade da incerteza.
Uma NOITE MUITO FELIZ a todos !!
É Natal !!
Este para mim é muito, muito especial. Tem um gosto de vitória recheado de medo. Alegria untada de temor. Esperança polvilhada de incertezas. Sorrisos mesclados de lágrimas. Mas é Natal !!
Brindes sem álcool, mas tim-tim à vida, à oportunidade de me reconhecer viva e esperançosa, de acreditar que é possível ser imensamente feliz mesmo que o estigma do câncer ronde corações e mentes.
Esquecer por alguns dias, horas e minutos que ter câncer não é sentença de morte, embora seja algo definitivo, improvável, eterno. Sim, o câncer é para sempre, mesmo que seja silecioso, mesmo que nunca mais surja, mas é latente, não nos deixa nunca mais. Uma sombra a minar os sonhos, que nos leva a rever planos e a não ousar demais.
Neste Natal, mais do que os presentes, pela primeira vez eu estou mais próxima do aniversariante. Incrédula diante dos novos fatos, mas crédula na fé.
Meus pensamentos estão voltados ao seu poder, ao que Ele pode me trazer como benção. Acima de tudo muita força, otimismo, resignação. Que eu e todos os outros que estão passando por situações similares não desanimem e que os que têm a missão de tratar de nossa saúde, também sejam iluminados e encontrem sempre o caminho mais curto, menos doloroso, mais eficiente.
Hoje à noite abraçarei cada um dos que amo e que estarão ao meu lado e mentalmente os que não estarão próximos. Amados do mesmo jeito, com a mesma intensidade !!
Brindarei com água, chá ou quem sabe um vinho branco orgânico, a oportunidade que estou tendo de me renovar na felicidade da incerteza.
Uma NOITE MUITO FELIZ a todos !!
domingo, 23 de dezembro de 2007
De volta...
Retornar depois de sete dias longe de casa nos dá a sensação de um enorme vazio, uma confusão que passa com o tempo, mas que incomoda. Um misto de que ainda não se chegou por inteiro que a metade está aqui, mas a outra ainda não veio. Compartilhamentos experimentados só para os que vivem intensamente esse ir-e-vir.
Acabo de chegar. Foram dias entre Brasília e Pirinópolis, em Goiás. Motivos diversos provocaram essa viagem que vão desde a participação em um evento à necessidade de desestressar, de viver, de dar um tempo à cabeça e rever emoções.
Deixar a rotina e sair em busca de sonhos, de planos com prazos de vencimento limitados pelos dias e pelas horas, mas nem por isso menos intensos. Abandonar um pouco o leme, deixar o barco à deriva e permitir-se nem olhar a bússola.
A consulta com a médica que utiliza cogumelos no tratamento do aumento imunológico me fez muito bem. Voltei com a crença maior de que a minha trajetória será mais amena, que nada impedirá de eu viver mais um tempo e da forma intensa que sempre vivi. Não me basta viver, é preciso que a vida pulse em mim. Vou seguir o tratamento e junto com o que os demais médicos prescreverem, cuidar de mim com a mesma atenção que tenho feito até hoje.
Conheci novos lugares, revi pessoas queridas e deixei-me levar pela alegria do momento. Esqueci, durante boa parte desses dias, que há três meses meu mundo sofreu um forte abalo. Um nódulo de tamanho quase insignificante atravessou meu caminho e como a Pedra do Drumond tumultuou, perturbou, atravancou.
Uma pedra nodular superável, transponível. Vi nesses dias que posso viver sem pensar nela, quase ignorando-a. A felicidade ofusca o gosto amargo do medo.
Voltei melhor do que era há oito dias.
Isso é o que importa !!
Acabo de chegar. Foram dias entre Brasília e Pirinópolis, em Goiás. Motivos diversos provocaram essa viagem que vão desde a participação em um evento à necessidade de desestressar, de viver, de dar um tempo à cabeça e rever emoções.
Deixar a rotina e sair em busca de sonhos, de planos com prazos de vencimento limitados pelos dias e pelas horas, mas nem por isso menos intensos. Abandonar um pouco o leme, deixar o barco à deriva e permitir-se nem olhar a bússola.
A consulta com a médica que utiliza cogumelos no tratamento do aumento imunológico me fez muito bem. Voltei com a crença maior de que a minha trajetória será mais amena, que nada impedirá de eu viver mais um tempo e da forma intensa que sempre vivi. Não me basta viver, é preciso que a vida pulse em mim. Vou seguir o tratamento e junto com o que os demais médicos prescreverem, cuidar de mim com a mesma atenção que tenho feito até hoje.
Conheci novos lugares, revi pessoas queridas e deixei-me levar pela alegria do momento. Esqueci, durante boa parte desses dias, que há três meses meu mundo sofreu um forte abalo. Um nódulo de tamanho quase insignificante atravessou meu caminho e como a Pedra do Drumond tumultuou, perturbou, atravancou.
Uma pedra nodular superável, transponível. Vi nesses dias que posso viver sem pensar nela, quase ignorando-a. A felicidade ofusca o gosto amargo do medo.
Voltei melhor do que era há oito dias.
Isso é o que importa !!
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Viajando
Os que diariamente procuram saber o que se passa comigo via este blog devem estar estranhando a ausência tão demorada. Desde a última segunda-feira (17) estou viajando. Brasília e agora Pirinópolis me afastaram de Belém. Os motivos são os mais diversos possíveis, mas o importante é que todos culminam para um só foco : melhorar meu astral, buscar explicações para a doença, aprender mais, aprimorar conhecimentos, rever pessoas queridas, relaxar, mesmo que a saudade de casa seja grande.
Na volta contarei detalhes, por enquanto quero apenas sentir que a vida lateja e que mesmo com os fantasminhas ela é linda e estar viva é um privilégio que deve ser comemorado a cada minuto, todos os dias.
Prometo belas fotos e muitas novidades.
Até a volta !!
Na volta contarei detalhes, por enquanto quero apenas sentir que a vida lateja e que mesmo com os fantasminhas ela é linda e estar viva é um privilégio que deve ser comemorado a cada minuto, todos os dias.
Prometo belas fotos e muitas novidades.
Até a volta !!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Os Pinto e os Bandeira
Duas famílias marcam a minha história desde muito cedo. Uma referência de vida em minha via.
Primeiro os Bandeira Gonçalves. Ainda criança, adolescente, fui aluna da professora Risoleta no Colégio Souza Franco. Gentil, meiga, doce. Mostrou-me os primeiros encantos da língua francesa. Voilá ! Boujour, merci e por aí afora. Anos se passaram e no curso de Letras da Universiade Federal do Pará outra doce Bandeira cruza meu caminho: a Lúcia. Andar lento, voz mansa escondiam a inteligência, a firmeza nas posições, a base intelectual forte vinda de berço. Cursamos algumas disciplinas e a roda-vida nos afastou. Optei pelo jornalismo e anos depois ela faleceu bruscamente. Quando pisei no velho prédio de A Província do Pará o chefe maior era outro Bandeira Goncalves. Ou simplesmente Chembra. Voz grossa, gestos fortes, cigarro rolando no dedo ... Características suficientes para apavorar a quase menina em seu primeiro emprego. Com o tempo, porém, percebi que aquela cara carrancuda era só um personagem. O mestre, o homem justo, atencioso se escondia naquela pele de bicho bravo.
As noites me trouxeram o Walter, o maior de todos os intérpretes (ninguém canta Geni, do Chico, como ele. Ninguém !!!)e mais recentemente a Simone Bandeira, também da família, surge entre as minha alunas na FAZ. No orkut acho a Nara, aquela que conheci bebê, filha da Lúcia.
Quantos esbarrões deliciosos...
Algo similar aconteceu à família Pinto. Primeiro o Lúcio Flávio. Ícone para todos os que se dedicam ao jornalismo sério, ético, amazônico. Aos 19 anos apenas um deus, inatingível, que para minha surpresa já me conhecia das escadas da Província. Quando fui demitida pelo Fernando Jares e achei que a curta carreira tinha acabado, foi dele o colo, o incentivo para ir em frente. Perguntou-me com a típica e marcante objetividade : quer continuar nessa vida ? Respondi segura que sim. Bastou um telefonema do mestre para que as portas do novíssimo Estado do Pará se abrissem. Gratidão eterna pela confiança na foca. Depois chega o Elias Pinto, para mim o eterno Eliaszinho. O jovem rebelde, intelectual incompreendido. 20 e poucos anos e muitos sonhos. Uma amizade que se fortaqlece até hoje. Cheguei a ser sua procuradora em uma de suas meteóricas "partidas definitivas" de Belém que não demoraram mais do que uma semana. Mais tarde surge o Raimundo José Pinto, para mim o RAIMUNDOZÉ. Anos e mais anos de convivência diária na Embrapa e a certeza de que tive outro professor. Mais do que jornalismo ele me ensinou a ser ética, a não vacilar, a não ceder e a me fazer respeitar. Como ele ! Tem ainda o Luiz Pinto, cartunista de mão cheia. Menos convivência, mas nem por isso menos carinho.
Como explicar esses encontrões, essa alquimia ?
Sei apenas que fiquei melhor, muito melhor, depois do que aprendi e convivi com essas famílias.
Sou um pouco de cada um deles.
Um privilégio !!
Primeiro os Bandeira Gonçalves. Ainda criança, adolescente, fui aluna da professora Risoleta no Colégio Souza Franco. Gentil, meiga, doce. Mostrou-me os primeiros encantos da língua francesa. Voilá ! Boujour, merci e por aí afora. Anos se passaram e no curso de Letras da Universiade Federal do Pará outra doce Bandeira cruza meu caminho: a Lúcia. Andar lento, voz mansa escondiam a inteligência, a firmeza nas posições, a base intelectual forte vinda de berço. Cursamos algumas disciplinas e a roda-vida nos afastou. Optei pelo jornalismo e anos depois ela faleceu bruscamente. Quando pisei no velho prédio de A Província do Pará o chefe maior era outro Bandeira Goncalves. Ou simplesmente Chembra. Voz grossa, gestos fortes, cigarro rolando no dedo ... Características suficientes para apavorar a quase menina em seu primeiro emprego. Com o tempo, porém, percebi que aquela cara carrancuda era só um personagem. O mestre, o homem justo, atencioso se escondia naquela pele de bicho bravo.
As noites me trouxeram o Walter, o maior de todos os intérpretes (ninguém canta Geni, do Chico, como ele. Ninguém !!!)e mais recentemente a Simone Bandeira, também da família, surge entre as minha alunas na FAZ. No orkut acho a Nara, aquela que conheci bebê, filha da Lúcia.
Quantos esbarrões deliciosos...
Algo similar aconteceu à família Pinto. Primeiro o Lúcio Flávio. Ícone para todos os que se dedicam ao jornalismo sério, ético, amazônico. Aos 19 anos apenas um deus, inatingível, que para minha surpresa já me conhecia das escadas da Província. Quando fui demitida pelo Fernando Jares e achei que a curta carreira tinha acabado, foi dele o colo, o incentivo para ir em frente. Perguntou-me com a típica e marcante objetividade : quer continuar nessa vida ? Respondi segura que sim. Bastou um telefonema do mestre para que as portas do novíssimo Estado do Pará se abrissem. Gratidão eterna pela confiança na foca. Depois chega o Elias Pinto, para mim o eterno Eliaszinho. O jovem rebelde, intelectual incompreendido. 20 e poucos anos e muitos sonhos. Uma amizade que se fortaqlece até hoje. Cheguei a ser sua procuradora em uma de suas meteóricas "partidas definitivas" de Belém que não demoraram mais do que uma semana. Mais tarde surge o Raimundo José Pinto, para mim o RAIMUNDOZÉ. Anos e mais anos de convivência diária na Embrapa e a certeza de que tive outro professor. Mais do que jornalismo ele me ensinou a ser ética, a não vacilar, a não ceder e a me fazer respeitar. Como ele ! Tem ainda o Luiz Pinto, cartunista de mão cheia. Menos convivência, mas nem por isso menos carinho.
Como explicar esses encontrões, essa alquimia ?
Sei apenas que fiquei melhor, muito melhor, depois do que aprendi e convivi com essas famílias.
Sou um pouco de cada um deles.
Um privilégio !!
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