Os que me conhecem há anos e nunca estiveram em Belém, dizem que já a conhecem por mim. Meus filhos, minha cidade, minha profissão estão, plageando o Chico, feito tatuagens em meu corpo, na minha alma, no meu coração.
Reconheço todas as suas falhas, problemas, limitações, os (des)governantes e as abordagens cruéis que alguns coleguinhas teimam em passar para o restante do País.
Não.. por favor isso não quer dizer omitir, mentir e informar apenas o belo, o exótico, o que agrada aos sentidos. É preciso sim denunciar, expor essas feridas e buscar, de todas as formas, curá-las.
Mas além do abominável trabalho escravo, das aberrações contra o meio ambiente, dos intermináveis conflitos pela terra e agora mais recentemente a falência do sistema penal que levou ao País e ao mundo o que de mais horripilante pode aconteer a uma mulher, Belém também tem outros lados, mas que nem sempre viram notícia.
A minha Belém calorenta (temperatura sempre rondando os 30 graus, mas com uma sensação térmica de 40), tem muitos encantos que tanto me encantam.
Como não parar pra juntar a manga que cai no meio da rua ? Manga fresca, madura que ameaça os vidros dos carros e as cabeças dos pedestres. A marca do centro da cidade. Mangueiras frondosas, formando tunéis, que nessa época do ano parecem árvores de natal com bolas que variam da tonalidade verde-intenso a amarelo-ouro.
A minha problemática Belém tem chuva que neste momento começa a se formar no céu para cair por volta das 2 horas. Isso !! a famosa chuva das 2 que pode antecipar alguns minutos ou mesmo atrasar algumas horas. Chega, refresca e nós, obedientemente, esperamos que ela cesse e o toró se transforme em apenas um chuvisco. Saimos beirando pelas coberturas e úmidos vamos trabalhar, estudar, passear.
Tem açaí. Mas sem granola, guaraná ou banana. Açaí puro, grosso, batido nas rústicas casas que mantêm inalteradas a bandeira vermelha sem letreiros, mas que tudo dizem : aqui vende-se açaí. Açái com açúcar e farinha de tapioca ou farinha d'água acompanhado de um peixe salgado bem fritinho (pirarucu de preferência), carne seca ou camarão. Tem pupunha, bacuri, graviola, taperebá, muruci, castanha-do-brasil, jambo, jambu, tucupi, abricó, cajarana, muitas variedades de jaca, mangaba. Tem tapioquinhas que se faz em casa ou se vende na rua.
Ahhh tem ainda o tacacá, maniçoba, pato no tucupi, caranguejo (toc-toc ou na casquinha), siri, cariru, vatatá...
Queria que o mundo conhecesse também essa Belém. Que visse com outros olhos este lugar problemático - como a grande maioria das cidades que beira os dois milhões de habitantes- mas que mantém intactos os seus encantos e seduz os que se dispõem a olhá-la apaixonadamente, minimizando os defeitos e valorizando as qualidades. Exatamente como os apaixonados fazem....
Quem sou eu
- Ruth Rendeiro
- Belém/Ribeirão Preto, Brazil
- Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte
Aos que me visitam
Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.
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sexta-feira, 30 de novembro de 2007
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Parabéns ao fígado !!
Tenho evitado falar sobre a doença, exames, consultas, medicamentos e o futuro meio tenebroso que está por vir. Mas hoje é especial. Justificado ! Meu fígado renasceu. O órgão mais tímido e introvertido do corpo humano acaba de receber parabéns do médico. Voltou a funcionar normalmente, a apresentar o TGO, TGP, Gama GT, bilirrubina etc...etc... dentro das médias. Fígado regenerado, bons prognósticos à vista.
Uma constatação que fez muito bem ao médico e a mim. Fui (e terei que continuar sendo !!) muito disciplinada e venci mais essa. A dieta que tem quase nada entre os permitidos, prosseguirá, com algumas exceções que serão degustadas e brindadas como prêmios. Entre elas o açaí com farinha de tapioca (vez ou outra), uma farinha d!água torradinha, uma vez por semana, acompanhando uma bela e suculenta costela de tambaqui na brasa e (pasmem!) até mesmo um vinho branco em dose homeopática. O bolo da mamãe, aquele sem coberturaou bolo de vó como chamamos na família, também PODE (lembraram de algum personagem do Zorra Total ?) Chope, cerpinha ? Nem pensar ! Continuem firmes no cardápio, porém, o leite de cabra, o queijo branco, as verduras só no vapor, peixe em abundância e carne vermelha com restrições. Só frutas e nunca suco, açúcar mascavo e nada de pão ou biscoitos. Macarrão, pizzas, doces em geral (só os dietéticos)tudo continua vetado.
Fiquei feliz com a felicidade estampada no rosto do médico. Não disse, mas parecia dizer: vencemos !!
A nova cirurgia acontecerá só no próximo ano, mas o afastamento de um mundo agitado demais, estressante demais prossegurá. Mas isso, pela relevância e amplitude, fica para um outro tópico.
Agora quero pensar só no Natal, reveion (acho que em Salinas) e mais dieta, mais caminhadas, mais conquistas.
É a redescoberta ....
Uma constatação que fez muito bem ao médico e a mim. Fui (e terei que continuar sendo !!) muito disciplinada e venci mais essa. A dieta que tem quase nada entre os permitidos, prosseguirá, com algumas exceções que serão degustadas e brindadas como prêmios. Entre elas o açaí com farinha de tapioca (vez ou outra), uma farinha d!água torradinha, uma vez por semana, acompanhando uma bela e suculenta costela de tambaqui na brasa e (pasmem!) até mesmo um vinho branco em dose homeopática. O bolo da mamãe, aquele sem coberturaou bolo de vó como chamamos na família, também PODE (lembraram de algum personagem do Zorra Total ?) Chope, cerpinha ? Nem pensar ! Continuem firmes no cardápio, porém, o leite de cabra, o queijo branco, as verduras só no vapor, peixe em abundância e carne vermelha com restrições. Só frutas e nunca suco, açúcar mascavo e nada de pão ou biscoitos. Macarrão, pizzas, doces em geral (só os dietéticos)tudo continua vetado.
Fiquei feliz com a felicidade estampada no rosto do médico. Não disse, mas parecia dizer: vencemos !!
A nova cirurgia acontecerá só no próximo ano, mas o afastamento de um mundo agitado demais, estressante demais prossegurá. Mas isso, pela relevância e amplitude, fica para um outro tópico.
Agora quero pensar só no Natal, reveion (acho que em Salinas) e mais dieta, mais caminhadas, mais conquistas.
É a redescoberta ....
terça-feira, 27 de novembro de 2007
A capela do Gentil
Obrigações maternas levaram-me hoje ao Colégio Gentil Bittencourt. Entrei na capela. Assim como a instituição de ensino, ela tem mais de 200 anos. Pequena, meio escura, vitrais antigos homenageiam (hoje reparei!) apenas santas. Não há nenhum santo entre os escolhidos.
Entro, sento, rezo e choro. Não consigo reprimir ou mesmo disfarçar a emoção que toma conta de mim quando me sinto invadir por aquele ambiente.
Estava sozinha. Eu e as imagens, eu e aqueles bancos de madeira de lei. Eu e muita energia.
Ali está uma das três imagens oficiais de Nossa Senhora de Nazaré. A única que tem um arco de luzes constantemente acesas a sua volta. Reinando na penumbra.
Conversei durante minutos com a pequena imagem. Simbolismo. Mãe das mães. Como se fóssemos velhas amigas e Ela pudesse entender minhas aflições, meus medos, minhas angústis, minhas preocupações. Mas também percebesse em minhas lágrimas a fé, a esperança, a alegria de estar viva, a crença de que tudo será mais leve do que imagino, do que a minha criativa e doente mente me faz fantasiar, antecipar.
Rezei com fé. Pedi com humildade por todas nós e principalmente pelas pessoas que tenho acompanhado na comunidade do Orkut que unem-se pela dor, pela similaridade, pelo caminho turtuoso que hoje são tão iguais. Uma vitória a cada dia. Uma nova batalha a cada hora. E a fé inabalável na cura, na vontade de viver.
Gosto de percorrer aqueles corredores centenários, observar cada detalhe da arquitetura, deter-me nas portas, janelas, grades, desenhos.
Sei que meu olhar agora é mais atento. Vejo o velho com um olhar novo. O velho-novo, o novo-velho repaginado.
Saí mais leve, mais aliviada, mais plena.
Mas pedi, acima de tudo, pelos filhos. Sempre eles os primeiros do topo, os que nos perturbam, preocupam, angustiam e nos fazem imensamente feliz.
Impulsionam à vida, leva-nos a crer no futuro e a ter saudade do passado.
Eles.... sempre eles ...
Entro, sento, rezo e choro. Não consigo reprimir ou mesmo disfarçar a emoção que toma conta de mim quando me sinto invadir por aquele ambiente.
Estava sozinha. Eu e as imagens, eu e aqueles bancos de madeira de lei. Eu e muita energia.
Ali está uma das três imagens oficiais de Nossa Senhora de Nazaré. A única que tem um arco de luzes constantemente acesas a sua volta. Reinando na penumbra.
Conversei durante minutos com a pequena imagem. Simbolismo. Mãe das mães. Como se fóssemos velhas amigas e Ela pudesse entender minhas aflições, meus medos, minhas angústis, minhas preocupações. Mas também percebesse em minhas lágrimas a fé, a esperança, a alegria de estar viva, a crença de que tudo será mais leve do que imagino, do que a minha criativa e doente mente me faz fantasiar, antecipar.
Rezei com fé. Pedi com humildade por todas nós e principalmente pelas pessoas que tenho acompanhado na comunidade do Orkut que unem-se pela dor, pela similaridade, pelo caminho turtuoso que hoje são tão iguais. Uma vitória a cada dia. Uma nova batalha a cada hora. E a fé inabalável na cura, na vontade de viver.
Gosto de percorrer aqueles corredores centenários, observar cada detalhe da arquitetura, deter-me nas portas, janelas, grades, desenhos.
Sei que meu olhar agora é mais atento. Vejo o velho com um olhar novo. O velho-novo, o novo-velho repaginado.
Saí mais leve, mais aliviada, mais plena.
Mas pedi, acima de tudo, pelos filhos. Sempre eles os primeiros do topo, os que nos perturbam, preocupam, angustiam e nos fazem imensamente feliz.
Impulsionam à vida, leva-nos a crer no futuro e a ter saudade do passado.
Eles.... sempre eles ...
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Repensando a vida
Por mais que eu tente (e até consiga) é quase improvável esquecer que tenho algo grave a resolver, que não sou a mesma, que mudei, o mundo ao meu lado mudou, minhas prioridades agora são outras, meu olhar tem outros focos, meu pulsar acelerou, minhas apreensões alteraram-se.
Hoje conversando com um amigo no msn, falei da partida para esse lugar que não sabemos muito bem qual é. Paraíso ou o inferno ? Início ou o fim ?
Disse-lhe que estou tendo o privilégio de transformar essa passagem em uma festa. Sim, com purpurina, fogos, luzes e muitas plumas e cores. Algo meio gay, transformista.
Partir, mas me despedindo. Dizendo que vou e sem muito choro, mas com a sensação do dever cumprido, de ter estado aqui e de ter vivido, sofrido, chorado, mas ter sido muito, muito feliz.
Não é agouro, como diriam os antigos. São viagens...
Sim... porque poderia ser diferente. Um aneurisma, um infarto, uma pancreatite aguda ou mesmo um acidente de carro,de avião, não me dariam essa chance de me organizar, de ver a vida sob o prisma do que já não tem porque temer a morte.
Tudo bem que posso demorar mais do que muitos que agora estão sem nenhuma patologia. Que "se acham" imortais.
Estou tendo a oportunidade de me rever, me reavaliar, de me organizar para viver o que nem imaginava um dia passaria. Justo eu que sempre fiz os exames todos direitinho. Nunca atrasei os periódicos ...Fui, contudo, uma premiada.
Minha vida agora esmerasse num futuro atemporal. Tem dias que nunca chegam ou se atropelam e chegam rapidamente.
Não sinto nada neste momento. Apenas fome vez ou outra ou um desejo incontido e inconformado de querer (e não poder !) sentar em um barzinho e tomar uma cerveja e comer uma picanha ouvindo um cantor entoando Chico ou Djavan. Fisicamente estou bem. Muito bem por sinal ! Mas sei que dentro de mim, naquele lugar invisível uma revolução celular pode estar em plena atividade. As sadias querendo expulsar as cancerosas. Umas vencendo, outras rendendo-se.
São batalhas silenciosas, traiçoeiras. Lutas sem pódio, mas com derrotas e vencedores que comemoram.
Eu sei que vou um dia. Todos iremos ...
Mas hoje prefiro assim : com possibilidades de pensar na partida, de imaginá-la e como a expectativa é que a data ainda está distante, com tempo suficiente para viver mais ainda, mais intesamente, pulsando mais, arrebentando mais, doando-me mais.
Vida !! Viva !!
Hoje conversando com um amigo no msn, falei da partida para esse lugar que não sabemos muito bem qual é. Paraíso ou o inferno ? Início ou o fim ?
Disse-lhe que estou tendo o privilégio de transformar essa passagem em uma festa. Sim, com purpurina, fogos, luzes e muitas plumas e cores. Algo meio gay, transformista.
Partir, mas me despedindo. Dizendo que vou e sem muito choro, mas com a sensação do dever cumprido, de ter estado aqui e de ter vivido, sofrido, chorado, mas ter sido muito, muito feliz.
Não é agouro, como diriam os antigos. São viagens...
Sim... porque poderia ser diferente. Um aneurisma, um infarto, uma pancreatite aguda ou mesmo um acidente de carro,de avião, não me dariam essa chance de me organizar, de ver a vida sob o prisma do que já não tem porque temer a morte.
Tudo bem que posso demorar mais do que muitos que agora estão sem nenhuma patologia. Que "se acham" imortais.
Estou tendo a oportunidade de me rever, me reavaliar, de me organizar para viver o que nem imaginava um dia passaria. Justo eu que sempre fiz os exames todos direitinho. Nunca atrasei os periódicos ...Fui, contudo, uma premiada.
Minha vida agora esmerasse num futuro atemporal. Tem dias que nunca chegam ou se atropelam e chegam rapidamente.
Não sinto nada neste momento. Apenas fome vez ou outra ou um desejo incontido e inconformado de querer (e não poder !) sentar em um barzinho e tomar uma cerveja e comer uma picanha ouvindo um cantor entoando Chico ou Djavan. Fisicamente estou bem. Muito bem por sinal ! Mas sei que dentro de mim, naquele lugar invisível uma revolução celular pode estar em plena atividade. As sadias querendo expulsar as cancerosas. Umas vencendo, outras rendendo-se.
São batalhas silenciosas, traiçoeiras. Lutas sem pódio, mas com derrotas e vencedores que comemoram.
Eu sei que vou um dia. Todos iremos ...
Mas hoje prefiro assim : com possibilidades de pensar na partida, de imaginá-la e como a expectativa é que a data ainda está distante, com tempo suficiente para viver mais ainda, mais intesamente, pulsando mais, arrebentando mais, doando-me mais.
Vida !! Viva !!
domingo, 25 de novembro de 2007
Redescobrindo-me
Sempre fui jornalista. Nunca tive outra profissão. Fiz vestibular para Letras na Universidade Federal do Pará e cursei quatro semestres. Mas foi no período do básico, em contato com os demais cursos da área, é que vi que de fato Gil Vicente e Camões (com todo respeito!) não seriam nunca minhas grandes paixões. Gostava de ler, mas muito mais sobre tudo o que fosse atual, emoções mais próximas, informações mais relacionadas ao meu mundo, ao hoje. Depois de alguns semestres abandonados, fui cursar jornalismo. A essa época já era "foca" em A Província do Pará e segui na Universidade apenas para oficializar a escolha.
Depois de A Província (a grande escola !!) fui para o jornal O Estado do Pará até dedicar-me integralmente às assessorias de imprensa (Prefeitura, Cesep, Ficom e finalmente Embrapa) e aos diversos frilas (Conselho Regional de Psiologia, Cikel, Conselho Regional de Química....)
Há muito perdi o temor, quase fobia, que me levava a fazer (e a dizer) besteiras impensáveis em plenas faculdades mentais. Mais de dez pessoas e eu à frente era suficiente para que eu surtasse. Assim foi quando prestei concurso para professora do Curso de Comunicação Social da UFPa, em 1983. Estava tão nervosa que fumei o giz e escrevi com o cigarro.
Hoje sou outra... Irreconhecível. Falo com facilidade à frente de até mil pessoas, não tremo e até gosto.
Auto-confiança que aliada à experiência profissional levaram-me a aceitar ao convite feito pela colega Heliana Martins (àquela época coordenadora do curso) para lecionar na Faculdade de Tecnologia da Amazônia (Faz) em um curso recém-criado, o de Comunicação Institucional.
Fui nervosa, é claro, mas cheia de boas intenções. Um só turma no início. A pioneira do curso. Uma deliciosa experiência dividida com eles. Devo ter agradado, afinal fui escolhida como paraninfa da turma.
Ir para a sala de aula tem sido para mim mais do que uma nova opção profissional. É uma redescoberta. É descobrir que além do jornalismo tenho outros prazeres. Nunca sinto-me cansada. Raramente falto e conversar, estar com eles, vendo que posso repassar um pouco do que acumulei nesses mais de 30 como jornalista, sendo 25 como assessora de comunicação, alimenta minha alma e aumenta minha curiosidade pela área de comunicação nas instituições levando-me a estudar semppre, a compreender melhor esse novo mundo.
E ontem, a Lorena Matoso, uma ex-aluna que em breve receberá o título de tecnóloga em Comunicação Institucional, mais uma vez emocionou-me e me trouxe a certeza de que a doação é bem compreendida, que de fato eles percebem minhas intenções, minha honestidade em dividir.
Ao escrever a DEDICATÓRIA NÃO PUBLICÁVEL de seu TCC em seu perfil no Orkut dedicou um parágrafo inteiro para mim.
Emoção pura que divido com, muita honra e vaidade, com vocês.
"Eu sempre ouvi falar que TCC era uma desgraça e descobri que não é nada disso. É muito pior (...)
À amada ex-professora Ruth Rendeiro, carinhosamente chamada por mim de “co-orientadora”, por todo o lado prazeroso do TCC, por todas as dicas, as idéias, livros emprestados, por me mostrar o porquê das coisas serem tão difíceis assim, sendo que as minhas angústias são mínimas perto das suas. Obrigada é muito pouco pra lhe dizer, Deus está com você, lembre-se disso."
Próximo dos 50 anos, a nova profissão me invade e me apaixona.
Quero ter outras Lorenas ...
Mais um motivo pra prosseguir ...
Pra lutar ...
Pra viver ...
Depois de A Província (a grande escola !!) fui para o jornal O Estado do Pará até dedicar-me integralmente às assessorias de imprensa (Prefeitura, Cesep, Ficom e finalmente Embrapa) e aos diversos frilas (Conselho Regional de Psiologia, Cikel, Conselho Regional de Química....)
Há muito perdi o temor, quase fobia, que me levava a fazer (e a dizer) besteiras impensáveis em plenas faculdades mentais. Mais de dez pessoas e eu à frente era suficiente para que eu surtasse. Assim foi quando prestei concurso para professora do Curso de Comunicação Social da UFPa, em 1983. Estava tão nervosa que fumei o giz e escrevi com o cigarro.
Hoje sou outra... Irreconhecível. Falo com facilidade à frente de até mil pessoas, não tremo e até gosto.
Auto-confiança que aliada à experiência profissional levaram-me a aceitar ao convite feito pela colega Heliana Martins (àquela época coordenadora do curso) para lecionar na Faculdade de Tecnologia da Amazônia (Faz) em um curso recém-criado, o de Comunicação Institucional.
Fui nervosa, é claro, mas cheia de boas intenções. Um só turma no início. A pioneira do curso. Uma deliciosa experiência dividida com eles. Devo ter agradado, afinal fui escolhida como paraninfa da turma.
Ir para a sala de aula tem sido para mim mais do que uma nova opção profissional. É uma redescoberta. É descobrir que além do jornalismo tenho outros prazeres. Nunca sinto-me cansada. Raramente falto e conversar, estar com eles, vendo que posso repassar um pouco do que acumulei nesses mais de 30 como jornalista, sendo 25 como assessora de comunicação, alimenta minha alma e aumenta minha curiosidade pela área de comunicação nas instituições levando-me a estudar semppre, a compreender melhor esse novo mundo.
E ontem, a Lorena Matoso, uma ex-aluna que em breve receberá o título de tecnóloga em Comunicação Institucional, mais uma vez emocionou-me e me trouxe a certeza de que a doação é bem compreendida, que de fato eles percebem minhas intenções, minha honestidade em dividir.
Ao escrever a DEDICATÓRIA NÃO PUBLICÁVEL de seu TCC em seu perfil no Orkut dedicou um parágrafo inteiro para mim.
Emoção pura que divido com, muita honra e vaidade, com vocês.
"Eu sempre ouvi falar que TCC era uma desgraça e descobri que não é nada disso. É muito pior (...)
À amada ex-professora Ruth Rendeiro, carinhosamente chamada por mim de “co-orientadora”, por todo o lado prazeroso do TCC, por todas as dicas, as idéias, livros emprestados, por me mostrar o porquê das coisas serem tão difíceis assim, sendo que as minhas angústias são mínimas perto das suas. Obrigada é muito pouco pra lhe dizer, Deus está com você, lembre-se disso."
Próximo dos 50 anos, a nova profissão me invade e me apaixona.
Quero ter outras Lorenas ...
Mais um motivo pra prosseguir ...
Pra lutar ...
Pra viver ...
sábado, 24 de novembro de 2007
O Ver-o-Peso
Aquele espaço com cheiro característico, amontoado de gente de diferentes origens, suadas, restos de frutas e verduras que viram lixo. A diversidade amazônica exposta, explicitamente arreganhada e que sempre me apaixonou.
Gosto de ir ao Ver-o-Peso, a feira cantada em verso e prosa pelos paraenses que chegam a afirmar que ela é a maior a céu aberto da América Latina.
Nem me importo se não é...
Tudo bem que temos que estar sempre alertas, ser assaltado é um risco constante e escorregar caindo no meio da sujeira também. Tem ainda os desonestos disfarçados que roubam no peso e na qualidade do produto. Mas o lugar é único.
Quase todos os sábados passo por lá. Vou, principalmente, comprar peixe. Agora só filhote, pescada amarela, pirarucu ou tambaqui. Antes, extrapolava : tamuatá para ser degustado no tucupi; pratiqueira para ser bem fritinha e servida acompanhada de feijão grosso. Tem ainda a gó, mapará, pescada branca, dourada, sarda...
A cada sábado descubro um novo lugar, vejo com um novo olhar o que há anos meus olhos já conhecem. O pu-pu-pu que passa sem pressa pela baía de Guajará levando os ribeirinhos de volta pra casa. Amanheceram na capital trazendo seus frutos e verduras. Ou encontro uma nova peça de artesanato em exposição. Linda, diferente, encantadora.
Nas compras, além de muito peixe, as frutas. Algumas que só encontramos na confusão organizada do Ver-O-Peso. Banana inajá (lembra Fernando Jares ?), jambo rosa, fruta-pão, abricó, mangaba fresca, jaca manteiga, cajarana, sapotilha, ingá.
Jambu em abundância, pimenta-de-cheiro, tucupi, cariru, macaxeira, plantas e mandingas que curam, que atraem bos fluidos e afastam mal-olhado. Aumentam a libido, arranjam emprego e até marido.
No alto, a voar livremente os urubus, que inutilmente tentam dar vencimento à enorme quantidade de lixo. Comida em abundância.
Os mesmos da música do Antonio Carlos Maranhão : "e os urubus famintos anjos negros, cansam do céu e vêm a lama descansar. E a noite vem em lua nova ou lua cheia e lá nos galhos das mangueiras, voam pra se agasalhar".
Tantos sabores, tantas cheiros, tantas cores...
Volto suada, melada e revitalizada pelas delícias adquiridas e pelo prazer de me redesrobrir paraense.
Uma papa-chibé autêntica, cara redonda, nariz de batata e orgulhosa dessa terra com todos os seus dissabores, escândalos e injustiças.
A Belém do Ver-o-Peso !
Gosto de ir ao Ver-o-Peso, a feira cantada em verso e prosa pelos paraenses que chegam a afirmar que ela é a maior a céu aberto da América Latina.
Nem me importo se não é...
Tudo bem que temos que estar sempre alertas, ser assaltado é um risco constante e escorregar caindo no meio da sujeira também. Tem ainda os desonestos disfarçados que roubam no peso e na qualidade do produto. Mas o lugar é único.
Quase todos os sábados passo por lá. Vou, principalmente, comprar peixe. Agora só filhote, pescada amarela, pirarucu ou tambaqui. Antes, extrapolava : tamuatá para ser degustado no tucupi; pratiqueira para ser bem fritinha e servida acompanhada de feijão grosso. Tem ainda a gó, mapará, pescada branca, dourada, sarda...
A cada sábado descubro um novo lugar, vejo com um novo olhar o que há anos meus olhos já conhecem. O pu-pu-pu que passa sem pressa pela baía de Guajará levando os ribeirinhos de volta pra casa. Amanheceram na capital trazendo seus frutos e verduras. Ou encontro uma nova peça de artesanato em exposição. Linda, diferente, encantadora.
Nas compras, além de muito peixe, as frutas. Algumas que só encontramos na confusão organizada do Ver-O-Peso. Banana inajá (lembra Fernando Jares ?), jambo rosa, fruta-pão, abricó, mangaba fresca, jaca manteiga, cajarana, sapotilha, ingá.
Jambu em abundância, pimenta-de-cheiro, tucupi, cariru, macaxeira, plantas e mandingas que curam, que atraem bos fluidos e afastam mal-olhado. Aumentam a libido, arranjam emprego e até marido.
No alto, a voar livremente os urubus, que inutilmente tentam dar vencimento à enorme quantidade de lixo. Comida em abundância.
Os mesmos da música do Antonio Carlos Maranhão : "e os urubus famintos anjos negros, cansam do céu e vêm a lama descansar. E a noite vem em lua nova ou lua cheia e lá nos galhos das mangueiras, voam pra se agasalhar".
Tantos sabores, tantas cheiros, tantas cores...
Volto suada, melada e revitalizada pelas delícias adquiridas e pelo prazer de me redesrobrir paraense.
Uma papa-chibé autêntica, cara redonda, nariz de batata e orgulhosa dessa terra com todos os seus dissabores, escândalos e injustiças.
A Belém do Ver-o-Peso !
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Diversificando os assuntos
Hoje recebi um telefonema da amiga Gladys Martinez que fez um comentário interessante : como me procurar para saber como eu estou se basta vir a este blog e ter idéia a quanto anda o tratamento, a minha cabeça, a minha vida etc...etc... ?
Como adoro ser paparicada, carregada no colo (não literalmente por causa dos vários quilos), vou tentar diversificar os assuntos, assim darei motivos para que os amigos me procurem mais. Será ?
Bem... pelo menos nesse período de diea rigorosa, exames esporádicos e apenas uma leve lembrança da doença.
Que tal falarmos de chuva ? Pode parecer banal para muita gente, mas para mim é um tema fascinante. Adoro chuva e a que é marca registrada de Belém, mais ainda
E como o tempo dela está se aproximando ...
Cheguei mesmo a sugerir uma pauta ao mago do jornalismo rural, o José Hamilton, sobre essa relação única que temos com a chuva.
Chuva que refresca
Que traz manga fresquinha descendo ameaçadora da mangueira
Que ajuda a lavar o carro, a calçada
Que forma time de futebol no meio da rua
Que marca e desmarca compromissos
A que dá preguiça, a que desmancha o penteado
Molha roupa, caderno, pés
Mas que é sempre bem-vinda
A pauta não rolou (ou ainda, mas a minha paixão pela chuva continua.
Quando as nuvens no céu escurecem e o vento aumenta, hora de fechar as janelas e tirar a roupa do sol.
Menos calor, mais umidade, mais verde...
Estamos nos aproximando do nosso inverno. O período em que chove o dia todo.
O verão, que se despede, é o período em que chove todo dia, as nossas duas únicas estações.
Que venha senhora poderosa !
Que venha banhar meu rosto e lavar minha alma.
Como adoro ser paparicada, carregada no colo (não literalmente por causa dos vários quilos), vou tentar diversificar os assuntos, assim darei motivos para que os amigos me procurem mais. Será ?
Bem... pelo menos nesse período de diea rigorosa, exames esporádicos e apenas uma leve lembrança da doença.
Que tal falarmos de chuva ? Pode parecer banal para muita gente, mas para mim é um tema fascinante. Adoro chuva e a que é marca registrada de Belém, mais ainda
E como o tempo dela está se aproximando ...
Cheguei mesmo a sugerir uma pauta ao mago do jornalismo rural, o José Hamilton, sobre essa relação única que temos com a chuva.
Chuva que refresca
Que traz manga fresquinha descendo ameaçadora da mangueira
Que ajuda a lavar o carro, a calçada
Que forma time de futebol no meio da rua
Que marca e desmarca compromissos
A que dá preguiça, a que desmancha o penteado
Molha roupa, caderno, pés
Mas que é sempre bem-vinda
A pauta não rolou (ou ainda, mas a minha paixão pela chuva continua.
Quando as nuvens no céu escurecem e o vento aumenta, hora de fechar as janelas e tirar a roupa do sol.
Menos calor, mais umidade, mais verde...
Estamos nos aproximando do nosso inverno. O período em que chove o dia todo.
O verão, que se despede, é o período em que chove todo dia, as nossas duas únicas estações.
Que venha senhora poderosa !
Que venha banhar meu rosto e lavar minha alma.
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