Amanhã deixo Cuiabá. Hora de voltar pra casa, matar a saudade dos filhos, embora sinta, aqui de longe, que no fundo eles gostam dessas “férias da mãe. Reconheço e assumo que sou controladora, que pego muito no pé e em diversos sentidos - Onde vão ? Que horas voltam ? Jáá almoçaram ? Doce de novo !!! Precisam ler mais ! E essa ausência acaba sendo um período de anti-estresse pra todos.
Aqui o trabalho se mistura com lazer, com o prazer. Tenho aproveitado para saborear os peixes do Pantanal, conhecer lugares interessantes e aprender um pouco mais sobre o Brasil. Conviver com pessoas especiais e me conhecer mais. Outro enorme prazer !
Cada lugar que conheço, reconheço que conheço tão pouco do meu País.
São tantos Brasis que, mesmo aos 50 anos e mais de 30 viajando sempre que possível, me surpreendo a cada novo lugar.
Agora é a hora de Cuiabá me encher os olhos.
Ontem estivemos no povoado de São Gonçalo. Dia de festa na pequeníssima cidade. Dia de homenagear o padroeiro. Jogos de futebol, música e o que mais me impressionou: dois bois quase inteiros sendo assados há mais de doze horas. Fomos convidados pelos organizadores, mas não tive coragem de comer. Uma sensação ruim... Preferi a ventrecha de pacu com farofa de banana (não se serve outra farofa aqui).
Um rio ainda pouco poluído à frente da cidade. Já exibindo, contudo, as garrafas pets e sacos plásticos nas margens.
Porém, o que achei que deveria ser aplicado também em outras localidades: a evidente e bem sucedida preocupação com as matas ciliares preservadas ou graças a interferência do homem, outras plantas foram incorporadas e uma vegetação homogênea protege as margens, chegando, em alguns trechos a impedir, inclusive a visão da água.
Amanhã aeroportos, amanhã abraço aos filhos, amanhã volta ao lar.
Saudades ? muitas.... Mas o melhor é a certeza do dever cumprido. De ter feito o que era para ser feito, de ter apostado, acreditado, ousado e ter dado certo!
Os médicos me aguardame oxalá a esperada cirurgia também !
Quem sou eu
- Ruth Rendeiro
- Belém/Ribeirão Preto, Brazil
- Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte
Aos que me visitam
Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
sábado, 12 de janeiro de 2008
Direto de Cuiabá
Há quatro dias estou em Cuiabá. Uma das poucas capitais que ainda não conhecia e confesso a minha surpresa. Ela é tudo o que eu não imaginava. Arrumadinha, limpa e com um povo atencioso sempre disposto a informar, a ajudar.
A Mídia ajuda-nos a criar boas e péssimas imagens. A gostar daqui e a desgostar dali. “É como não sentir calor em Cuiabá”, diz a música a do Skank,já anunciando o mal estar. Não senti nada, até agora, que se pareça com o calor abafado da minha Belém. Aqui a temperatura é alta, mas o vento é farto. Uma cidade agradável e hospitaleira.
Sinto, por outro lado,a efervescência do El Dourado. Muitos carros do tipo “tenho fazenda ou trabalho em uma” circulam pela cidade. No hotel homens de chapéu de couro, botas e muita poeira. Ela parece que vai explodir de opções de trabalho, de negócios em cada esquina. Pulsa, lateja, mesmo em calma, quase em silêncio.
Os sotaques se misturam. Possível identificar goianos e paulistas, mas certamente muitos outros brasileiros (e estrangeiros!) estão chegando em busca de uma nova oportunidade, do sonhos de ser feliz e Cuiabá parece recebê-los de braços abertos.
Hoje visitei a Casa do Artesão. Um espaço sob a responsabilidade do Sesc que me impressionou pela organização, pelo atendimento e qualidade dos prodrutos expostos. Profissionalização presente em cada espaço.
Cheguei mesmo a solicitar o nome da coordenadora para repassar a alguém de Belém. Uma iniciativa que poderia ser copiada. Quem sabe o nosso Mercado de São Braz se transforme em algo similar. Mude aquele ar de abandono e renasça.
A variedade na Casa do artesão é enorme. Um belo casarão bem cuidado reúne artesanato indígena, biojóias, belas e criativas camisetas, redes bordadas à mão lindíssimas, livros, cds, bijouterias e muita cerâmica, além de doces, licores e outras guloseimas da terra.
Ao entrar uma pessoa nos acompanha com uma cesta e ali vai reunindo tudo o que pretendemos adquirir. Depois, na saída (passamos mais de uma hora visitando calmamente cada um dos ambientes), em um balcão faz-se o pagamento (cartão, dinheiro...) e logo após, em outro, alguém empacota (para presente ou não).
Tudo sistematizado, com simpatia. Impossível não comprar muito além do previsto !
Cada lugar que entrava imaginava o Mercado de São Braz transformado em algo similar: artesanatos marajoara, tapajônico, biojóias, camisetas, livros, Cds do Vereguete, do Pinduca, da Fafá, do Nilson Chaves, do Pavulagem....Em outro canso nosso tacacá, açaí com peixe frito, tapioquinhas, caruru, vatapá e sucos e sorvetes de tantas e deliciosas frutas.
Vou sugerir (não sei se adiantará !) às pessoas do meu Estado para que conheçam essa experiência. Quem sabe ficará mais fácil comercializar e valorizar o que temos de bom, bonito, único.
Vou fazer a minha parte !!!
A Mídia ajuda-nos a criar boas e péssimas imagens. A gostar daqui e a desgostar dali. “É como não sentir calor em Cuiabá”, diz a música a do Skank,já anunciando o mal estar. Não senti nada, até agora, que se pareça com o calor abafado da minha Belém. Aqui a temperatura é alta, mas o vento é farto. Uma cidade agradável e hospitaleira.
Sinto, por outro lado,a efervescência do El Dourado. Muitos carros do tipo “tenho fazenda ou trabalho em uma” circulam pela cidade. No hotel homens de chapéu de couro, botas e muita poeira. Ela parece que vai explodir de opções de trabalho, de negócios em cada esquina. Pulsa, lateja, mesmo em calma, quase em silêncio.
Os sotaques se misturam. Possível identificar goianos e paulistas, mas certamente muitos outros brasileiros (e estrangeiros!) estão chegando em busca de uma nova oportunidade, do sonhos de ser feliz e Cuiabá parece recebê-los de braços abertos.
Hoje visitei a Casa do Artesão. Um espaço sob a responsabilidade do Sesc que me impressionou pela organização, pelo atendimento e qualidade dos prodrutos expostos. Profissionalização presente em cada espaço.
Cheguei mesmo a solicitar o nome da coordenadora para repassar a alguém de Belém. Uma iniciativa que poderia ser copiada. Quem sabe o nosso Mercado de São Braz se transforme em algo similar. Mude aquele ar de abandono e renasça.
A variedade na Casa do artesão é enorme. Um belo casarão bem cuidado reúne artesanato indígena, biojóias, belas e criativas camisetas, redes bordadas à mão lindíssimas, livros, cds, bijouterias e muita cerâmica, além de doces, licores e outras guloseimas da terra.
Ao entrar uma pessoa nos acompanha com uma cesta e ali vai reunindo tudo o que pretendemos adquirir. Depois, na saída (passamos mais de uma hora visitando calmamente cada um dos ambientes), em um balcão faz-se o pagamento (cartão, dinheiro...) e logo após, em outro, alguém empacota (para presente ou não).
Tudo sistematizado, com simpatia. Impossível não comprar muito além do previsto !
Cada lugar que entrava imaginava o Mercado de São Braz transformado em algo similar: artesanatos marajoara, tapajônico, biojóias, camisetas, livros, Cds do Vereguete, do Pinduca, da Fafá, do Nilson Chaves, do Pavulagem....Em outro canso nosso tacacá, açaí com peixe frito, tapioquinhas, caruru, vatapá e sucos e sorvetes de tantas e deliciosas frutas.
Vou sugerir (não sei se adiantará !) às pessoas do meu Estado para que conheçam essa experiência. Quem sabe ficará mais fácil comercializar e valorizar o que temos de bom, bonito, único.
Vou fazer a minha parte !!!
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Viajando de novo !!!
Viajar sempre foi para mim um enorme prazer. Conhecer (ou rever) lugares, descobrir pessoas, peculiaridades das cidades, comparar sotaques, hábitos, cultura e sempre voltar abarrota de souvenir representa, há muito tempo é uma grande alegria.
Renovo-me.
Durante muito anos deixei que o medo me dominasse e me impedisse de viajar. Pavor de andar de avião, medo de barcos, temores em demasia pelo carro ou ônibus e as oportunidades de viagem sendo adiadas, canceladas ou mentirosamente impedidas. Sim, sempre tinha uma boa desculpa para não ir.
Felizmente mudei. Hoje consigo enfrentar o medo (ele ainda existe e é enorme !!), mesmo que conte com a ajuda prestimosa do Lexotan. Não mais rejeito convites, não mais encontro desculpas evasivas para não ir.
No início da segunda quinzena de dezembro estive em Brasília e Pirinópolis; no final de dezembro e primeiros dias de janeiro em Ajuruteua e amanhã viajo para Cuiabá. Não conheço esta cidade (uma das poucas capitais brasileiras onde nunca estive). Vou conhecer um projeto ambiental diferente e como tudo será bancado pelos patrocinadores. Vou !!
Se tudo correr bem, na próxima semana viajarei de novo. Desta vez em companhia dos filhos, aproveitando o restinho de férias dos dois. Quando eu voltar de Cuiabá decidirei !!
Viajar me leva a não pensar na doença, no tratamento, nas consultas, nos exames. Apenas deixo-me levar pelo local, pelas pessoas à volta, pelo que aprendo, pelo que reaprendo. Sinto-me sem compromisso com dietas (emmbora continue seguindo-as rigorosamente), com conversar que tenham como tema central câncer, hepatites, esteatose, quimioterapias...Apenas vivo.
Ir a eventos profissionais, por outro lado, são oportunidades únicas de você se "mostrar". Para alguém como eu que pensa em parar de trabalhar só quando a mente não mais me obedecer (o corpo até pode. Ela não !!), estar em contato com diferentes segmentos profissionais é imprescindível. Tenho que me "vender", sempre !!
Hoje vejo-me atuando em muitas outras vertentes do jornalismo. Além da Comunicação Institucional e o magistério (minhas duas grandes paixões atuais), há muito ainda por desbravar : educação à distância, jornalismo ambiental, jornalismo científico e quem sabe projetos em parceria com pessoas que também estão em busca do novo, do desafio, do ousado. Por isso eu vou !!!
Espero não ficar muito tempo sem escrever aqui, até porque levarei meu inseparável laptop. Mas como tudo é sempre uma grande surpresa, talvez o tempo fique escasso. Sendo assim, paciência aos meus leitores assíduos. Nada demais aconteceu, apenas estou um pouco distante de Belém.
Até a volta !!
Renovo-me.
Durante muito anos deixei que o medo me dominasse e me impedisse de viajar. Pavor de andar de avião, medo de barcos, temores em demasia pelo carro ou ônibus e as oportunidades de viagem sendo adiadas, canceladas ou mentirosamente impedidas. Sim, sempre tinha uma boa desculpa para não ir.
Felizmente mudei. Hoje consigo enfrentar o medo (ele ainda existe e é enorme !!), mesmo que conte com a ajuda prestimosa do Lexotan. Não mais rejeito convites, não mais encontro desculpas evasivas para não ir.
No início da segunda quinzena de dezembro estive em Brasília e Pirinópolis; no final de dezembro e primeiros dias de janeiro em Ajuruteua e amanhã viajo para Cuiabá. Não conheço esta cidade (uma das poucas capitais brasileiras onde nunca estive). Vou conhecer um projeto ambiental diferente e como tudo será bancado pelos patrocinadores. Vou !!
Se tudo correr bem, na próxima semana viajarei de novo. Desta vez em companhia dos filhos, aproveitando o restinho de férias dos dois. Quando eu voltar de Cuiabá decidirei !!
Viajar me leva a não pensar na doença, no tratamento, nas consultas, nos exames. Apenas deixo-me levar pelo local, pelas pessoas à volta, pelo que aprendo, pelo que reaprendo. Sinto-me sem compromisso com dietas (emmbora continue seguindo-as rigorosamente), com conversar que tenham como tema central câncer, hepatites, esteatose, quimioterapias...Apenas vivo.
Ir a eventos profissionais, por outro lado, são oportunidades únicas de você se "mostrar". Para alguém como eu que pensa em parar de trabalhar só quando a mente não mais me obedecer (o corpo até pode. Ela não !!), estar em contato com diferentes segmentos profissionais é imprescindível. Tenho que me "vender", sempre !!
Hoje vejo-me atuando em muitas outras vertentes do jornalismo. Além da Comunicação Institucional e o magistério (minhas duas grandes paixões atuais), há muito ainda por desbravar : educação à distância, jornalismo ambiental, jornalismo científico e quem sabe projetos em parceria com pessoas que também estão em busca do novo, do desafio, do ousado. Por isso eu vou !!!
Espero não ficar muito tempo sem escrever aqui, até porque levarei meu inseparável laptop. Mas como tudo é sempre uma grande surpresa, talvez o tempo fique escasso. Sendo assim, paciência aos meus leitores assíduos. Nada demais aconteceu, apenas estou um pouco distante de Belém.
Até a volta !!
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Voltando à rotina
Agora que o período de comprar presentes, escolher a roupa branca, arrumar e desarrumar as malas passou, pouco a pouco a rotina se apossa de nós. Já não tão novo, 2008 começa para mim com novos exames médicos. Uma ultrassografia do fígado, um monte laboratorial e a antiga “chapa do pulmão”. Embora não tenha os laudos definitivos na mão, o que ouvi do radiologista foi prenúncio de um novo ano mais saudável: meu fígado está totalmente regenerado, novo em folha. Mereci até elogios por ter conseguido um auto-controle invejável mesmo com tantas viagens (Brasília, Pirinópolis, Ajuruteua) festas, confraternizações.
Acredito que em breve, finalmente, será marcada a nova cirurgia. Aquela que fará a pesquisa nos lifonodos, a que avaliará o grau do meu câncer, a que definirá o tipo de tratamento que farei. É que existe uma grande diversidade de tratamentos: a quimio vermelha, a amarela, a branca; número de sessões; tipos de aplicação e o que mais me assusta: as mais diferentes reações. Efeitos colaterais antagônicos.
Há pessoas que ticam tão debilitadas que precisam ser hospitalizadas. Outras, contudo, tomam e saem caminhando e só não vão ao shopping porque são proibidas pelos médicos. Após uma quimio, com a baixa imunológica muito acentuada, contato com multidões só depois de alguns dias.
A espera pelos resultados me dá mais uma semana livre e que pretendo utilizar viajando. Espero conseguir sair de Belém, ir conhecer trabalhos interessantes de jornalismo ambiental e esperar o dia da hospitalização chegar. Estar em atividade me ajuda a não pensar na anestesia, no pós-operatório, na mutilação, na plástica e depois nas quimios, rádios etc...
Preciso ocupar a mente e o corpo. Cansá-los saudavelmente e dessa forma não me estressar, não me aborrecer e continuar acreditando que isso é só uma fas. Tenho repetido com muita freqüência a muitas pessoas que já me sinto outra pessoa. Na verdade, as pessoas mais próximas e observadoras já perceberam essa mudança. A minha cunhada )Dóris)que mora em Leme (SP) disse que estou mais... mais... mais ..
Pode ser.. Deve ser...
Sinto-me privilegiada por estar tendo uma outra oportunidade, talvez a mais importante da minha vida. Sinto-me mais apegada a ela, querendo desfrutar de tudo o que deixei passar, ser ainda mais intensa ao viver, não deixar que tão pouco ocupe espaço do tão importante, do essencial.
O trabalho, as viagens a trabalho, o novo calendário, as pessoas retornando a seus postos. O mundo volta à normalidade.
No quarto, a pequena sacola se mantém arrumada há três meses. Camisolas abertas na frente, desodorante, sandálias baixas, calcinhas novas e confortáveis, colônia. Tudo à espera do dia em que finalmente voltarei ao hospital.
Que não demore muito....
Acredito que em breve, finalmente, será marcada a nova cirurgia. Aquela que fará a pesquisa nos lifonodos, a que avaliará o grau do meu câncer, a que definirá o tipo de tratamento que farei. É que existe uma grande diversidade de tratamentos: a quimio vermelha, a amarela, a branca; número de sessões; tipos de aplicação e o que mais me assusta: as mais diferentes reações. Efeitos colaterais antagônicos.
Há pessoas que ticam tão debilitadas que precisam ser hospitalizadas. Outras, contudo, tomam e saem caminhando e só não vão ao shopping porque são proibidas pelos médicos. Após uma quimio, com a baixa imunológica muito acentuada, contato com multidões só depois de alguns dias.
A espera pelos resultados me dá mais uma semana livre e que pretendo utilizar viajando. Espero conseguir sair de Belém, ir conhecer trabalhos interessantes de jornalismo ambiental e esperar o dia da hospitalização chegar. Estar em atividade me ajuda a não pensar na anestesia, no pós-operatório, na mutilação, na plástica e depois nas quimios, rádios etc...
Preciso ocupar a mente e o corpo. Cansá-los saudavelmente e dessa forma não me estressar, não me aborrecer e continuar acreditando que isso é só uma fas. Tenho repetido com muita freqüência a muitas pessoas que já me sinto outra pessoa. Na verdade, as pessoas mais próximas e observadoras já perceberam essa mudança. A minha cunhada )Dóris)que mora em Leme (SP) disse que estou mais... mais... mais ..
Pode ser.. Deve ser...
Sinto-me privilegiada por estar tendo uma outra oportunidade, talvez a mais importante da minha vida. Sinto-me mais apegada a ela, querendo desfrutar de tudo o que deixei passar, ser ainda mais intensa ao viver, não deixar que tão pouco ocupe espaço do tão importante, do essencial.
O trabalho, as viagens a trabalho, o novo calendário, as pessoas retornando a seus postos. O mundo volta à normalidade.
No quarto, a pequena sacola se mantém arrumada há três meses. Camisolas abertas na frente, desodorante, sandálias baixas, calcinhas novas e confortáveis, colônia. Tudo à espera do dia em que finalmente voltarei ao hospital.
Que não demore muito....
domingo, 6 de janeiro de 2008
Mais Ajuruteua
O tema ainda não se esgotou. Foi bom demais e ainda está muito latente, presente para ter um ponto final. Mesmo com os rastros dos homens que marcaram sua estada com cocos, garrafas, sacos plásticos e latinhas em abundância na praia ou a poluição sonora em total desrespeito ao gosto musical de cada um ou à sensibilidade auditiva particular, Ajuruteua continua linda.
Quem se dispuser, como eu, a caminhar um pouco dará de cara com cenários indescritíveis como o grande lago que ainda abriga um velho navio afundado, diz a lenda, no início do século passado com todos mortos. A água salobra, calma convidou-me a fazer o que raramente consigo: banhar-me .. Areia limpa, fina, voando ao bel prazer do vento.
Andando no sentido contrário, mais beleza. Ali a natureza é mais evidente. Já destruiu e continua destruindo as casas que estavam na praia. Implacável em sua fúria vai e quando volta deixa rastros de destruição que só mais tarde são contabilizados. Madeiras se misturam às ondas e um esqueleto surge no lugar da casa antes de pé.
Andando ... andando ... e se descobre mais belezas já distantes das aparelhagens de som instaladas no lugar dos bancos traseiros ou das malas dos carros.
No domingo, almoçamos em um bar exótico. Tudo é exótico no lugar, a começar pelo garçom. Um carioca de mais ou menos 40 anos, bronzeado e que aborda as pessoas na praia assim: - Quer almoçar comigo hoje ? É claro que é pago, mas acabamos caindo no marketing personalizado, inteligente e carinhoso. Ao final do filé de pescada amarela ensopada e deliciosa, marcamos de sair de madrugada para ver a revoada de garças e guarás, o mangal acordando e presenciar uma das mais belas cenas que já vi na vida: o sol nascendo de dentro das águas de Ajuruteua (isso faz muito tempo !!!). Às três horas da manhã estávamos apostos aguardando, mas uma chuva torrencial cancelou nossos planos. Inconformados, voltamos à cama. O sol não nasceu feliz, sorridente no último dia de 2007 e nós acordamos bem mais tarde.....
A chuva veio, lavou a praia (levando boa parte da sujeira deixada pelos visitantes) e também me deu a sensação de estar levando tudo de ruim que por ventura 2007 tenha trazido. Roupa branca, flores para Yemanjá, sete ondas, lentilha e 2008 chegou.
Fogos, abraços, espumante e muitas lágrimas.
Chorei demais ...
Chorei pelo que vivi e pelo que deixei de viver.
Por tudo que não tive coragem de experimentar, de dizer, de realizar
Pelos sustos que poderiam ser mais homeopáticos
Ou pelos que apenas criei
Chorei demais ... Incontrolavelmente
Pelo feito e desfeito, pela ansiedade e pela alegria de estar viva
Pela expectativa de continuar viva, de viver melhor
Chorei demais ...
Nos abraços e braços dos amigos, filhos, marido, mãe, tia
Nos braços dos que ali não estavam, mas que sei também pensavam em mim
Chorei demais ...
De saudade de 2007
De esperança em 2008
Quem se dispuser, como eu, a caminhar um pouco dará de cara com cenários indescritíveis como o grande lago que ainda abriga um velho navio afundado, diz a lenda, no início do século passado com todos mortos. A água salobra, calma convidou-me a fazer o que raramente consigo: banhar-me .. Areia limpa, fina, voando ao bel prazer do vento.
Andando no sentido contrário, mais beleza. Ali a natureza é mais evidente. Já destruiu e continua destruindo as casas que estavam na praia. Implacável em sua fúria vai e quando volta deixa rastros de destruição que só mais tarde são contabilizados. Madeiras se misturam às ondas e um esqueleto surge no lugar da casa antes de pé.
Andando ... andando ... e se descobre mais belezas já distantes das aparelhagens de som instaladas no lugar dos bancos traseiros ou das malas dos carros.
No domingo, almoçamos em um bar exótico. Tudo é exótico no lugar, a começar pelo garçom. Um carioca de mais ou menos 40 anos, bronzeado e que aborda as pessoas na praia assim: - Quer almoçar comigo hoje ? É claro que é pago, mas acabamos caindo no marketing personalizado, inteligente e carinhoso. Ao final do filé de pescada amarela ensopada e deliciosa, marcamos de sair de madrugada para ver a revoada de garças e guarás, o mangal acordando e presenciar uma das mais belas cenas que já vi na vida: o sol nascendo de dentro das águas de Ajuruteua (isso faz muito tempo !!!). Às três horas da manhã estávamos apostos aguardando, mas uma chuva torrencial cancelou nossos planos. Inconformados, voltamos à cama. O sol não nasceu feliz, sorridente no último dia de 2007 e nós acordamos bem mais tarde.....
A chuva veio, lavou a praia (levando boa parte da sujeira deixada pelos visitantes) e também me deu a sensação de estar levando tudo de ruim que por ventura 2007 tenha trazido. Roupa branca, flores para Yemanjá, sete ondas, lentilha e 2008 chegou.
Fogos, abraços, espumante e muitas lágrimas.
Chorei demais ...
Chorei pelo que vivi e pelo que deixei de viver.
Por tudo que não tive coragem de experimentar, de dizer, de realizar
Pelos sustos que poderiam ser mais homeopáticos
Ou pelos que apenas criei
Chorei demais ... Incontrolavelmente
Pelo feito e desfeito, pela ansiedade e pela alegria de estar viva
Pela expectativa de continuar viva, de viver melhor
Chorei demais ...
Nos abraços e braços dos amigos, filhos, marido, mãe, tia
Nos braços dos que ali não estavam, mas que sei também pensavam em mim
Chorei demais ...
De saudade de 2007
De esperança em 2008
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Ainda Ajuruteua
Agora sim... Vejo o mar. Lindo !! A perder de vista. Poucos carros ainda. É sábado, a maioria ainda trabalha. Os vendedores de caranguejo passam, sem pressa, oferecendo uma “cambada” – vários amarrados em um fio (barbante). São dez, doze, por apenas cinco reais. Gordos, fresquinhos, mas fora do meu cardápio.
A pousada simples é bem em frente à praia. Basta abrir a janela e se esbaldar com tanto azul. A poucos metros dali, a casa do Fernando e da Sandra, cunhado e irmãos da Sula, amiga de tantas décadas que faz parte da minha história, com quem dividi apartamento, participei como coadjuvante dos primeiros anos de seu filho, hoje um homem, o Ivan. Lá também estava a tia Jorgete, irmã da mamãe. Na verdade a única tia que tive de verdade.A enorme e avarandada casa também reunia muitos jovens. Um bom reduto para que o meu adolescente Raul se sentisse entre pares e me surpreendesse como um aborrecente agressivo, malcriado e cheio de vontades.
Confesso que ainda não estava pronta para lidar com um filho mais adulto, determinado e sentindo-se injustiçado e por isso injusto em suas avaliações e conclusões.
Nada do que venha dos jovens me surpreende. Fui intensamente jovem. Vivi tudo o que tinha direito, não deixei nada para depois. Mas ser mãe de um jovem é diferente.
O famoso e cantado em verso e prosa, conflito de gerações. Falamos em outro tom. O tom da sabedoria, do incontestável, do domínio. Não é conversa, é determinação. Pensamos que dialogamos, mas tudo não passa de um monólogo. Já decidimos o que é certo e o que é errado. Impossível não haver conflito.
Isso tudo se acrescente a minha sensibilidade à flor da pele. Por tudo o que tenho vivido recentemente. Pelo dito e não dito, as lágrimas parecem que estão à espreita, aguardando apenas que eu pressione os olhos para molharem meu rosto. Tudo é sempre demais. As doses são sempre cavalares. As banalidades tornam-se grandes verdades e as filigranas transformam-se em tonéis de tormentas, agigantadas pela ansiedade do desconhecido.
Não foi bom o que senti. Talvez esteja precisando mais de colo do que de explosões hormonais, mas o mundo (e as pessoas, os filhos, principalmente) não parou apenas porque estou vivendo uma etapa de minha vida complicada e querendo mais atenção, mais compreensão, mais colo.
Preciso entender que sou apenas mais uma neste imenso universo, independente da minha fragilidade atual. É o plágio a Oscar Niemeyer. Sou pequena demais diante desse céu estrelado ou dessa imensidão do mar. Quase insignificante. A minha dor é minha. Só minha. Só eu entendo a sua extensão, a sua amplitude. Só eu sei dos meus pensamentos, angústias, medos e também dos meus sonhos, planos, desejos....
Aprendi um pouco mais neste início/final de ano. Mesmo que tenha doído, mas certamente aprendi que o bebezão está ficando um homem e crescer quase sempre dói.
A pousada simples é bem em frente à praia. Basta abrir a janela e se esbaldar com tanto azul. A poucos metros dali, a casa do Fernando e da Sandra, cunhado e irmãos da Sula, amiga de tantas décadas que faz parte da minha história, com quem dividi apartamento, participei como coadjuvante dos primeiros anos de seu filho, hoje um homem, o Ivan. Lá também estava a tia Jorgete, irmã da mamãe. Na verdade a única tia que tive de verdade.A enorme e avarandada casa também reunia muitos jovens. Um bom reduto para que o meu adolescente Raul se sentisse entre pares e me surpreendesse como um aborrecente agressivo, malcriado e cheio de vontades.
Confesso que ainda não estava pronta para lidar com um filho mais adulto, determinado e sentindo-se injustiçado e por isso injusto em suas avaliações e conclusões.
Nada do que venha dos jovens me surpreende. Fui intensamente jovem. Vivi tudo o que tinha direito, não deixei nada para depois. Mas ser mãe de um jovem é diferente.
O famoso e cantado em verso e prosa, conflito de gerações. Falamos em outro tom. O tom da sabedoria, do incontestável, do domínio. Não é conversa, é determinação. Pensamos que dialogamos, mas tudo não passa de um monólogo. Já decidimos o que é certo e o que é errado. Impossível não haver conflito.
Isso tudo se acrescente a minha sensibilidade à flor da pele. Por tudo o que tenho vivido recentemente. Pelo dito e não dito, as lágrimas parecem que estão à espreita, aguardando apenas que eu pressione os olhos para molharem meu rosto. Tudo é sempre demais. As doses são sempre cavalares. As banalidades tornam-se grandes verdades e as filigranas transformam-se em tonéis de tormentas, agigantadas pela ansiedade do desconhecido.
Não foi bom o que senti. Talvez esteja precisando mais de colo do que de explosões hormonais, mas o mundo (e as pessoas, os filhos, principalmente) não parou apenas porque estou vivendo uma etapa de minha vida complicada e querendo mais atenção, mais compreensão, mais colo.
Preciso entender que sou apenas mais uma neste imenso universo, independente da minha fragilidade atual. É o plágio a Oscar Niemeyer. Sou pequena demais diante desse céu estrelado ou dessa imensidão do mar. Quase insignificante. A minha dor é minha. Só minha. Só eu entendo a sua extensão, a sua amplitude. Só eu sei dos meus pensamentos, angústias, medos e também dos meus sonhos, planos, desejos....
Aprendi um pouco mais neste início/final de ano. Mesmo que tenha doído, mas certamente aprendi que o bebezão está ficando um homem e crescer quase sempre dói.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
2007 ?? 2008 ???
Os cinco últimos dias (três de 2007 e os dois primeiros de 2008) ficaram tão entrelaçados que nem sei exatamente onde um começou e o outro terminou ou vice-versa. Primeiro, mal tinha chegado de viagem (Brasília e Pirinópolis) e já estava arrumando de novo as malas, dessa vez as que incluiam rede, repelente, mosqueteiro, muita roupa de praia (minha, dos filhos, marido...), toalhas e a expectativa de percorrer quase 250 km de carro com chuva-sol-sol-chuva. Eu e toda a família (Manoel, Raul, Anaterra, mamãe e até a Miúcha, a cachorrinha que morre de solidão se a deixarmos, mesmo que ela tenha outros quatro cachorros e três gatos como companhia).
Açúcar mascavo embalado, leite de cabra na sacola, uvas, maçãs, bananas e muitos sachês de chá agrupados entre incensos, banhos do Ver-o-Peso e garrafas de sucos, vinho, refrigerantes, biscoitos e chocolates, lá fomos nós para Ajuruteua (Ajuru, da fruta que nasce abundante nas dunas e teua, cidade na língua indígena).
Uma viagem gostosa que merecerá alguns tópicos no blog. Um só texto reduziria a pó os diferentes aspectos que marcaram esses dias. Quero registrá-los, porém.
Antes de nos banharmos em suas águas azuladas e salgadas, uma paradinha obrigatória na deliciosa cidade de Bragança. Adoro Brangança !! Tenho tantas boas lembranças daquele lugar que as lágrimas foram inevitáveis. Aliás, acho que vou desidratar !! Tenho chorado demais. O médico que me acompanha diz que é normal. Será ?
Durante muitos aos a Embrapa me permitiu viajar pelos mais diversificados rincões da Amazônia. Participei de uma experiência que tentou, mais uma vez, aproximar a pesquisa da extensão rural (Emater) e Brangança era um dos pólos desse trabalho. Lá encontrei (ou reencontrei) uma pessoa muito querida, o Fabiano Neves. Engenheiro agrônomo, alto, forte (ou será sensualmente gordo ?), olhos verdes que conheci na minha juventude e por quem alimentei um amor platônico durante anos. Ele nem olhava para mim. Era assediado demais, bonito demais. Uma amizade que foi retomada depois de mais de 15 anos sem nenhum contato e que cresceu, se fortaleceu, mas que foi interrompida bruscamente pela sua morte prematura vítima de uma pancreatite. Rever Bragança, o Rex Bar onde tomamos tantas cervejas e comemos tantos caranguejos chegou a doer. Ouvi seu riso, sua voz debochada, irônica e senti seu forte abraço a cada reencontro, a cada partida.
Revi ainda a pracinha da Matriz, a Rádio Educadora onde estive tantas vezes, a área urbanizada próxima ao rio Caeté, a estradinha que nos levou aos campos, ao Acarijó, comunidades que participavam da experiência.
Bragança está mais bonita, mais moderna.
Mas Ajuruteua era o nosso destino e outras paisagens nos aguardavam.
Umas lindas, outras deprimentes. O mangal, onde a vida pulsa, um dos ecossistemas mais completos, sofre e emite cheiros de defunto, de morte. O homem entrou, mudou seu curso e o transformou em árvores secas, raízes expostas como feridas sem cura e a vida se mudou dali. Os caranguejos foram embora, as garças passeiam cansadas em busca de alimentos e os guarás, com suas penas de um vermelho intenso lindo, nem comparecem.
Mas de repente, mais adiante, ele renasce. Teimoso, persistente. Lá estão de novo os caranguejos que desaparecem na lama ao som do motor do carro; os guarás que buscam seu alimento na microfauna e as garças abundantes que mancham de branco o verde das árvores.
Cortando os mangais, além das estradas que o homem separou e os empobreceu, estão os rios e as pontes de madeira (apenas a maior é de concreto). Velocidade quase zero, muito cuidado e o barulho da madeira que se move em nossos pés. Lá embaixo mais beleza, mais natureza. Aqui e ali um barco, um pescador que descansa enquanto a maré não sobe.
Isso ainda é só o percurso dos 20,30 km que separam Bragança de Ajuruteua...
Escrevei mais, bem mais. Um só texto é pouco...
Foi tudo de bom, de mal, de bom-ruim-ruim-bom, de intenso, de gostoso, de surpreendente....
Ainda estamos em 2007 !!
Açúcar mascavo embalado, leite de cabra na sacola, uvas, maçãs, bananas e muitos sachês de chá agrupados entre incensos, banhos do Ver-o-Peso e garrafas de sucos, vinho, refrigerantes, biscoitos e chocolates, lá fomos nós para Ajuruteua (Ajuru, da fruta que nasce abundante nas dunas e teua, cidade na língua indígena).
Uma viagem gostosa que merecerá alguns tópicos no blog. Um só texto reduziria a pó os diferentes aspectos que marcaram esses dias. Quero registrá-los, porém.
Antes de nos banharmos em suas águas azuladas e salgadas, uma paradinha obrigatória na deliciosa cidade de Bragança. Adoro Brangança !! Tenho tantas boas lembranças daquele lugar que as lágrimas foram inevitáveis. Aliás, acho que vou desidratar !! Tenho chorado demais. O médico que me acompanha diz que é normal. Será ?
Durante muitos aos a Embrapa me permitiu viajar pelos mais diversificados rincões da Amazônia. Participei de uma experiência que tentou, mais uma vez, aproximar a pesquisa da extensão rural (Emater) e Brangança era um dos pólos desse trabalho. Lá encontrei (ou reencontrei) uma pessoa muito querida, o Fabiano Neves. Engenheiro agrônomo, alto, forte (ou será sensualmente gordo ?), olhos verdes que conheci na minha juventude e por quem alimentei um amor platônico durante anos. Ele nem olhava para mim. Era assediado demais, bonito demais. Uma amizade que foi retomada depois de mais de 15 anos sem nenhum contato e que cresceu, se fortaleceu, mas que foi interrompida bruscamente pela sua morte prematura vítima de uma pancreatite. Rever Bragança, o Rex Bar onde tomamos tantas cervejas e comemos tantos caranguejos chegou a doer. Ouvi seu riso, sua voz debochada, irônica e senti seu forte abraço a cada reencontro, a cada partida.
Revi ainda a pracinha da Matriz, a Rádio Educadora onde estive tantas vezes, a área urbanizada próxima ao rio Caeté, a estradinha que nos levou aos campos, ao Acarijó, comunidades que participavam da experiência.
Bragança está mais bonita, mais moderna.
Mas Ajuruteua era o nosso destino e outras paisagens nos aguardavam.
Umas lindas, outras deprimentes. O mangal, onde a vida pulsa, um dos ecossistemas mais completos, sofre e emite cheiros de defunto, de morte. O homem entrou, mudou seu curso e o transformou em árvores secas, raízes expostas como feridas sem cura e a vida se mudou dali. Os caranguejos foram embora, as garças passeiam cansadas em busca de alimentos e os guarás, com suas penas de um vermelho intenso lindo, nem comparecem.
Mas de repente, mais adiante, ele renasce. Teimoso, persistente. Lá estão de novo os caranguejos que desaparecem na lama ao som do motor do carro; os guarás que buscam seu alimento na microfauna e as garças abundantes que mancham de branco o verde das árvores.
Cortando os mangais, além das estradas que o homem separou e os empobreceu, estão os rios e as pontes de madeira (apenas a maior é de concreto). Velocidade quase zero, muito cuidado e o barulho da madeira que se move em nossos pés. Lá embaixo mais beleza, mais natureza. Aqui e ali um barco, um pescador que descansa enquanto a maré não sobe.
Isso ainda é só o percurso dos 20,30 km que separam Bragança de Ajuruteua...
Escrevei mais, bem mais. Um só texto é pouco...
Foi tudo de bom, de mal, de bom-ruim-ruim-bom, de intenso, de gostoso, de surpreendente....
Ainda estamos em 2007 !!
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