Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

Arquivo do blog

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Vinho orgânico PODE !!

Daqui a pouco os colegas da pós da Unama vão se reunir em casa. A nossa confraternização com direito a amigo invisível, muito papo (do bom !!), gargalhadas e fortalecimento da amizade que nasceu durante estes meses (mais de um ano!).
Tenho que prosseguir na dieta. Não posso me deslumbrar com o espírito festivo e ignorar as recomendaçõs médicas. Não parece, não sinto, mas estou doente. Não posso esquecer desse pequeno detalhe.
Como fui "premiada" pelo médico pela excelente conduta, recevi como um dos trouféus um vinho branco moderadamente. Desde o dia 24 de setembro não coloco uma gota de álcool na boca. Para muitos pode parecer pouco, mas para mim é muito, muito mesmo ! Sempre fui amante da cerveja e em seus braços dormi muitas vezes, amei, chorei, sorri e vomitei. Encontrei nela companhia quando estava só, companhias mais agradáveis quando estava acompanhada. Por isso é tão difícil ficar sem ela definitivamente. Por isso comemoro o vinho de quem nunca fui muito amiga.
Mas hoje PODE !! Não cerveja, mas um vinho que já começo a me deliciar. Saborear sozinho, sentir seu cheiro, seu gosto. Eu e ele.
Um vinho orgânico !! Nem sabia que existia.
Vinícola Garibaldi que nas informações contidas no enunciado afirma que suas uvas são cultivadas sem uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Um peso a menos na consciência, um prejuízo menor ao fígado. Será só uma taça. Um brinde ao momento, a descoberta de que se pode fazer amigos depois dos 50. Contrariando todos os ditados que afirmam o contrário.
Tim-tim aos orgânicos.
Tim-tim aos colegas da Unama !!
Tim-tim à oportunidade que estou tendo de vivenciar tudo isso.
Hoje a doença não existe !

Vinho orgânico PODE !!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Como administrar o amanhã ?

Há pessoas que não sentem a menor necessidade de se programar, de ter agenda, de controlar o tempo, de organizar-se. Conheço muitas. Acho mesmo que são a maioria. Não se importam com atrasos, com faltas em compromissos ou simplesmente em ignorar o que haviam prometido com tanta ênfase. Agem com naturalidade, não sentem nenhum incômodo em deixar os outros esperando ou cancelar encontros marcando antecipadamente.Sou exatamente o contrário. Embora considere-me extremamente desarrumada consigo ser extremamente (às vezes meio patológica) organizada. Confuso ? não... nem um pouco. As gavetas podem não ser a perfeição em arrumação,posso ter misturados em uma mesma pasta documentos da Embrapa, Faz e Unama, mas minha cabeça não pára. Sei o que tem no freezer, sei o que tenho que entregar amanhã, conheço todos os alunos pelo nome, raramente furo prazos e quase nunca chego atrasada.
Essa característica (nem virtude nem defeito !)tem me incomodado muito. Ela impede-me de me organizar para amanhã. Tem sido assim desde setembro, quando descobri o câncer. Têm me sido dados pequenos prazos pra fazer e acontecer. Cirurgia dia 10 de outubro, depois 7 de novembro, veredicto dia 29 de novembro e os dias se passando, transformando-se em meses e a minha vida seguindo sem nenhuma programação a médio prazo. Longo prazo ? nem pensar !
Sei que tenho até o dia 2, 3 de janeiro para agir naturalmente, para me programar. Mas e depois ? Tenho coordenação e participação em projetos de Comunicação que deveriam iniciar em 2008 e terminar só em 2011, propostas de trabalho para frilas em 2008, a diretoria da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, monografia para concluir...
Ahhh... horrível tudo isso.
Vou tentando viver com uma naturalidade que é real. Sei de hoje, um pouquinho de amanhã e só.
O Natal agora é presente, mas há alguns dias era uma icógnita e o carnaval ?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Um Natal diferente

Como diz o cartão virtual que comecei a enviar aos amigos, este Natal terá um gosto diferente pra mim. Um Natal reciclado, repaginado. Obviamente comprarei as lembrancinhas de sempre, me emocionarei com alguns comerciais, chorarei em outros, mas vou tentar me reciclar, ver este momento de grandes aquisições materiais, como uma oportunidade de reutilizar-me, de reestruturar-me, de não me desperdiçar.
Olhar bem lá dentro de mim e ver opções, alternativas, sonhos e planos que durante anos camuflei ou sufoquei. Sentimentos que evitei aflorar, prazeres que nem me permiti sentir como ficar mais tempo na cama assistindo o Bom Dia Brasil. Os compromissos assumidos durante as 12 horas do dia não me permitiam tal preguiça.
Até meu Papai Noel é reciclado. Ao contrário dos importados que cantam e se requebram, este ano tenho um feito com tampinhas de pet vermelhas, algodão baratinho e de gosto duvidoso. Mas é um Papai Noel.
Do velho se fez o novo.
Sem preconceitos, sem medo de enfeiar e não enfeitar, sem preocupação com os que observam e analisam .
Papai Noel sem tecnologia, mas que encanta.
Que pulsa, vive e não está contando os dias que faltam para o Natal de 2007 chegar e nem fará as contas de quantos meses faltarão para voltar a enfeitar a árvore simples e tosca em 2008.
Como eu, sem muitas contas, sem pressa. Apenas vivendo cada minuto, cada dia e brindando a cada um deles como se fossem os últimos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Como eles crescem ...

Hoje estou nervosa. Não...não estou aguardando nenhum resultado de exame nem vou mais tarde ao médico.
O Raul está fazendo a segunda prova para ingresso na Universidade do Estado do Pará (Uepa). É o sistema moderno, mas já falido a desaparecer, de vestibular seriado. Sei que demorar muito pode ser um bom sinal. Fazendo tudo com calma como é recomendado, ver, rever, rerever, mas como as horas demoram a passar...
O Manoel está na porta do Colégio Augusto Meira aguardando-o junto com dezenas de outros pais aflitos.
Vê-lo ingressando nesse mundo de adultos me assusta e ao mesmo tempo me tranqüiliza. Ele é atento, inteligente, mas preguiçoso. Zen demais ! Ainda está indeciso. Fala em Biologia, Medicina Veterinária e mais recentemente em Nutrição para se especializar na área esportiva. Um bom mercado ...
O que eu quero, fundamentalmente, é que ele seja feliz. Um cidadão que procure fazer sempre justiça, íntegro, humilde e que respeite os que não tiveram a mesma oportunidade que estamos lhe dando de freqüentar bons colégios (estuda no Gentil Bittencourt desde os 7 anos). Faz inglês, está terminando espanhol e ainda reforço específico para vestibular no Equipe. O ideal seria que todos os jovens nessa faixa-etária pudessem uusufruir de tanto e não buscarem outras opções de vida que quase nunca incluem estudar, se apromirar, crescer como ser humano.
Tento passar a eles (Raul e Anaterra) que esta é a maior das heranças que pretendo legar aos dois. Ninguém, nunca, poderá roubar o conhecimento que estão acumulando. é deles !! Só deles !!
Aprendi, na prática, que existem várias opções para se obter ganhos. Optei pela mais difícil que inclui muito trabalho, muitas horas de estudo, leituras e compromissos pessoais e rígidos de comportamente profissional. Não ganhei muito financeiramente, mas estou feliz com o resultado final.
Esse pouco é que almejo que eles compreendam e vivenciem também.
Agora é continuar esperando ...
Ano que vem saberemos o resultado final do investimento, do sofrimento, da expectativa...
Vida de adulto tão precocentemente.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Periquitos do CAN

A expressão foi usada em sala de aula, na Unama, pela Élida (se não estou enganada) e achei o máximo. Mas é preciso morar em Belém, conhecer Belém para entender o que ela significa.
Periquitos do CAN acima de tudo representa muita gente reunida e fazendo barulho, mas não é um barulho qualquer. É um barulho de periquitos !!! Centenas (quiçá milhares) gritando (?) ao mesmo tempo, voando em bando (e em brando!) em direção às samaumeiras da praça santuário de Nazaré ou Complexo Arquitetônico de Nazaré, o CAN.
Ao final da tarde, exaustos de peregrinar pela cidade, saborear açaís nos pés ou beliscar as mangas, eles chegam em Nazaré. Nunca andam só. Odeiam a solidão. Parecem conversar sobre o dia movimentado e ainda farto de frutas da cidade.
Uma mancha verde corta o azul do céu. São eles. Impossível não olhar pra cima, mesmo correndo o risco de ser presenteado com secreções nada agradáveis. Por sinal, muito freqüentes em torno das árvores centenárias.
Quando o dia amanhece, revigorados e ao som do sino da Basílica Santuário, lá se vão eles. Mais barulho, mais festa.
Belém tem muitas expressões típicas: égua é a mais conhecida. Tem variados significados conforme a entonoção. Pode ser coisa muito boa ou muito ruim, dependendo do interlocutor. Pai d'égua, axi, pitiú, arreda e tantas outras que às vezes causam estranheza entre os que nos visitam.
Mas o linguajar mais observado, inclusive pelo Pasquale, é o uso que fazemos do pronome tu. Usa-se a segunda pessoal do singular com relativa correção .
- Queres água ? Algo meio português de Portugal.
Os que têm dificuldade em conjugar os verbos usam o isse e tudo se transforma em visse, quisesse, comesse, andasse...
Há uma frase hilária que traduz bem essa forma única (e errada !!) de conjugar os verbos na segunda pessoa do singular : passasse por mim me olhasse fizesse que nem me visse. Nem falasse !!

sábado, 1 de dezembro de 2007

A Pós quase pós

Ontem um ciclo se fechou. Depois de um ano e alguns meses chegou ao final a etapa de cumprimento de créditos da pós em Comunicação Institucional na Amazônia que me levou de volta aos bancos escolares como aluna.
Já bateu saudade.
Um grupo inicialmente heterogêneo e que ao final estava homogêneo demais, unido demais marcará sua passagem em minha história. Acompanharam pari passu minha saga recente: cada ida e vinda aos médicos, exames. Dividi aflições e alegrias com eles e sobretudo aprendi muito. Uma oportunidade rara de me avaliar profissionalmente, de ter uma noção mais exata do nível em que me encontro neste concorrido mercado.
O curso, o primeiro oferecido pela Unama, como todos os pioneiros, padeceu das típicas mazelas que os desbravadores enfrentam. Seremos os que abrirão oficialmente essa formação, que terão o primeiro certificado comprovando que durante meses nos detivemos a tentar entender os complexos processos que fazem a comunicação acontecer (ou não!) em uma organização. Falhas tiraram o brilho do pioneirismo. Poderia ter sido melhor, sobretudo se houvesse a percepção de que naquela sala estava um núcleo crítico e respaldado para opinar, sugerir, contribuir. Infelizmente não permitiram essa interferência, a troca não vingou e o curso não cresceu ao seu longo como poderia.
Que pena ...
Independente das limitações houve, contudo, momentos ímpares, oportunidades únicas para questionarmos, entendermos, aumentarmos nossas angústias e dissipar algumas com a ajuda de professores que vieram de fato somar.
A experiência de revivenciar a ansiedade das notas, a correria dos trabalhos, o reencontro com os colegas a cada ausência mais demorada, o nervosismo nas apresentações ou os aplausos após uma boa performance, trouxeram de volta a juventude perdida nos pavilhões ou na beira do rio Guamá na Universidade Federal do Pará.
Brincamos, rimos, nos divertimos e até aprendemos.
Esqueci, por vários dias, que já sou adulta demais, tenho anos demais, estou descrente demais para reestruturar conceitos, mudar radicalmente valores.
E no final de tudo, junto com o título que em breve receberemos, fica só essa enorme saudade. O vazio das noites que já se esgotaram no calendário. Não mais nos reencontraremos no início da noite, não dividiremos as guloseimas nos intervalos, não mais reclamaremos do café ou da sala com cheiro do mofo ou apenas nos abraçaremos, em silêncio, bem apertado no reencontro.
Saudade misturada com o gosto do dever cumprido.
Chegamos ao final de mais uma etapa !!
Vencemos !!
Tim- tim !!