<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682</id><updated>2012-02-03T04:45:09.241-08:00</updated><title type='text'>Reescrevendo minha HISTÓRIA</title><subtitle type='html'>RUTH RENDEIRO
Uma jornalista tentando escrever além do LIDE !</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>224</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7984254308959182511</id><published>2012-01-11T13:05:00.000-08:00</published><updated>2012-01-11T13:05:20.779-08:00</updated><title type='text'>Mãe Belém</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Mais um ano que não participarei de teu aniversário, minha caliente Belém. Justo eu que durante anos fiz questão de comparecer às mais diferentes comemorações que marcam os dias 12 de janeiro. Pode acreditar: cheguei mesmo a comer um pedaço do bolo - de sei lá quantos metros- no prato de plástico numa grande algazarra bem pertinho do mercado de ferro do Ver-o-Peso.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Como uma filha desgarr&lt;/span&gt;&lt;span class="text_exposed_show" style="background-color: white; display: inline; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;ada, que parte, mas nunca esquece da mãe, te busco um outro colo materno e aos poucos vou me sentindo confortável e acolhida. Ribeirão Preto tem o mesmo calor que já conhecia de ti. Se não usufruo mais das tuas mangas a caindo aos meus pés, com um pequeno esforço colho uma goiaba ou uma jabuticaba também das ruas. Se não tenho o tambaqui que muitas vezes foi a atração principal do almoço entre tantos amigos, sempre que posso asso um pacu e de novo me recordo de ti. Piqui não é piaquiá, mas eu gosto assim mesmo e se a farinha não é a baguda torrada abundante em tuas feiras, serve a d’água do Nordeste que passei a ser consumidora contumaz no mercado municipal onde ainda compro carne seca, queijos, camarão e até caranguejo.&lt;br /&gt;Não é tristeza o que sinto. Apenas lamento não estar aí no teu aniversário e como uma filha saudosa te cobrir de beijos, ignorando teus incontáveis problemas, teu abandono pelos que deveriam cuidar de ti ou o sofrimento de outros filhos que padecem da carestia que vai da saúde à educação; do transporte à segurança. Como filha, te vejo fragilizada ao te transformares em manchete nacional de sequestros, prostituição infantil ou falcatruas que empobrecem mais e mais teu povo. Mereces ser destaque por outros (e bons !)motivos.&lt;br /&gt;Sinta-se abraçada , porém, por essa filha que gosta de ver a chuva bordando a baía de Guajará com contas multicoloridas; de sentir o suor escorrendo pela testa enquanto saboreia um quentíssimo tacacá aos 35ºC ou que apenas conta os dias para outubro chegar e ir se banhar de fé.&lt;br /&gt;Distante, mas presente e que como qualquer filha perdoa teus deslizes, teus representantes, teus exploradores, eu tenho a certeza de que em meu último suspiro hei de dizer: - Ahh como eu te amo muito, Mãe Belém!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7984254308959182511?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7984254308959182511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7984254308959182511&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7984254308959182511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7984254308959182511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2012/01/mae-belem.html' title='Mãe Belém'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-215309373477783428</id><published>2012-01-11T13:03:00.001-08:00</published><updated>2012-01-11T13:03:21.225-08:00</updated><title type='text'>Pensando na terceira idade</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Em breve completarei 55 anos. Mais cinco e entro na "terceira idade". Os limites do meu corpo são inevitáveis, mas a minha juventude não está no meu joelho, mas no meu estado de espírito, na minha necessidade de ampliar meus horizontes e de aprender mais e mais. O meu limite são as estantes de livros, a internet. Meu enorme prazer é conhecer e desvendar culturas. Minha mocidade vai muito além dos&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="text_exposed_show" style="background-color: white; display: inline; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;anos que já vivi.&lt;br /&gt;Este ano concluo mais uma pós e outros cursos já estão sendo planejados; viagens agendadas e amigos ao monte pra abraçar, beijar e assim comprovar que a minha existência foi muito além deste plano.&lt;br /&gt;Um domingo de muitas atividades e de muitas gargalhadas a todos.&lt;br /&gt;O meu será regado a suco de uva, peixinho frito e um feijão preto fresquinho.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-215309373477783428?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/215309373477783428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=215309373477783428&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/215309373477783428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/215309373477783428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2012/01/pensando-na-terceira-idade.html' title='Pensando na terceira idade'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-5483930340121978327</id><published>2012-01-11T13:00:00.001-08:00</published><updated>2012-01-11T13:00:20.365-08:00</updated><title type='text'>Minha cartinha a Papai Noel</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;É um pedido tão simples e ao mesmo tempo tão complexo. Por isso estou te mandando com bem antecedência pra não dizeres depois que foi em cima da hora.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Sabe o que eu quero, Papai Noel? Um homem!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Não... não... não quero marido. Eu que na adolescência e naqueles primeiros anos de adulta acreditava que nunca casaria, 18 anos já foram bom demais! Estou mais do que satisfeita.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Não quero namorado que telefona em busca de informações típicas do primeiro amor: onde estás? Com quem estás? A que horas chegarás?&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Não quero um amante furtivo que só pode receber carinhos no motel ou naquele lugarzinho escuro na estrada para que a esposa não fique sabendo de mais essa pulada de cerca.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Não estou em busca de um pagador de contas. Felizmente trabalhei a vida inteira e hoje consigo bancar/rachar tudo o que necessito. Das despesas domésticas às minhas viagens.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Não sonho com o cara do carro esporte do ano ou que aos finais de semana saia em sua potente motocicleta cortando as rodovias, roncando alto o motor.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Não estou caçando aquele senhor sarado, barriga tanquinho, com tatuagens da moda, cabelos habilidosamente desarrumados, dentes perfeitos, cheirando a loção de barbear importado.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Eu quero tão pouco, Papai Noel...&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Pode ser careca ou grisalho, barrigudo, gordo, ter um sorriso que nunca ocuparia os comerciais de pasta dental, sem conta bancária obesa, que use perfume do Boticário ou Natura, mas que tenha sensibilidade, se emocione com uma música, ache normal tomar banho de chuva, não se incomode que eu fale sem parar sobre o último livro que li ou sobre o último texto que escrevi; que ache encantador receber um cartão virtual no meio da manhã apenas porque deu vontade ou um torpedo dizendo simples assim: és especial demais na minha vida!&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;O homem que busco talvez esteja em falta, né Papai Noel?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Queria tanto poder abraçar apertado sem sentir que as mãos foram usadas mais pra medir a minha circunferência abdominal do que de fato pra me trazer pra bem juntinho. Acordar dengosa e fingir um mal estar só pra ser cuidada na cama. Passar o domingo entre o fogão, a geladeira, o DVD e a cama. Viajar... viajar para a cidadezinha de 50 mil habitantes ou à metrópole de 4 milhões. Tanto faz praia, montanha ou arranha-céus ...&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Meu sonho de consumo tem que ser maduro pra ser responsável, mas jovem o suficiente pra usar o facebook ou o twitter e não achar que isso é “coisa de jovem”. Pode não ter mais a disposição sexual dos garotos de 30, mas tem que saber amar uma mulher sem se importar demais em exibir a sua performance. O antes e o depois, após os 50, é sempre mais importante que o durante.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Será que conseguirás. Papai Noel? ou eu vou passar 2012 de novo esperando pelo cara que iria me acompanhar ao show do Chico Buarque sem achar ridículo e ainda cantar junto comigo, entender a minha emoção e depois sair pra jantar, namorar, ver o sol nascer embalados ainda pela belíssima Sinhá, a música mais recente do Chico e João Bosco.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 16px; text-align: left;"&gt;Ahhh te esforça aí Papai Noel!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-5483930340121978327?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/5483930340121978327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=5483930340121978327&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5483930340121978327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5483930340121978327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2012/01/minha-cartinha-papai-noel.html' title='Minha cartinha a Papai Noel'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-1900815600484500979</id><published>2012-01-11T12:53:00.000-08:00</published><updated>2012-01-11T12:53:08.098-08:00</updated><title type='text'>Para os que querem dividir o meu Pará</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;(Agradecimento ao Raimundo Mário Sobral, que no seu dicionário Papachibé me ajudou a recordar muitas expressões e ao Mauro Magalhães que leu e incrementou mais o texto).&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Sou da terra onde a Lobrás se chamava 4 e 4 e se ia lá pra comprar fechoeclair e trocar aquele que escangalhou na velha calça que fica no redengue. No rumo da Presidente Vargas uma parada para... a merenda no Jangadeiro:garapa e pastel eram os meus preferidos, mesmo que eu me sentisse depois empanturrada, com vontade de bardear dentro do ônibus Aero Clube. Às vezes o piriri era inevitável. Mal dava tempo de chegar em casa.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Ahh a minha casa... Morei anos e anos na Baixa da Conselheiro e um dos meus divertimentos preferidos era pegar água na cacimba da Gentil. Sempre fui meio alesada e deixava boa parte da água pelo caminho. O balde chegava quase sem nada, motivo pra ouvir da minha avó: não te brigo nem te falo, só te olho.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Na minha terra não se empina pipa, mas papagaio, curica e cangula, sempre olhando pra ver se eles não estão no leso e nunca deixando a linha emboletar. Depois do laço, a comemoração, maior ainda se cortou e aparou. Se perdeu a frase inevitável: laufoiele. Era um segurando o brinquedo artesanal feito de qualquer papel, enquanto o outro gritava de longe: larga ! E o empinador sai correndo. Não gostava dessa função, sempre me abostava e os meninos eram implacáveis: cheira lambão, a velha caiu no chão e depois ainda me arremedavam...&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Peteca ou fura-fura eram mais compatíveis com a minha leseira. Um triângulo desenhado no chão e dentro dele as pequenas bolinhas de vidro. Tirou de lá, ganhou a que saiu ou quem conseguia o tel. No fura-fura era essencial amolar bem a ponta do arame e sair jogando, emendando um ponto a outro sem nunca deixar que o adversário nos cercasse.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Lá na minha terra peixe não fede, tem pitiú e quem não toma banho direito tem piché. Gostamos de ser chamados de papa-chibé, aquele que adora uma farinha e que faz miséria com ela. Manga com farinha, doce de cupuaçu com farinha, sopa com farinha, macarrão com farinha. Um caribé bem quente, ralinho serve pra dar sustança ao doente e um chibé é excelente com peixe fritinho. Farinha só é ruim quando dizem: ihhh ta mais aparpada que farinha de feira !&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;O pirão do açaí é quase um ritual... Pode-se usar farinha d’água baguda ou mesmo a fina amarela, mas nada melhor que uma farinha de tapioca bem torradinha. Depois de tomar uma cuia bem cheia (meio litro em diante), daquele um, tipo papa é inevitável deixar a mesa todo breado e empanturrado. A barriga por acolá de tão cheia. Hora de ir para rede reparadora. Uma hora de momó é suficiente pra curar aquele despombalecimento.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;A gastronomia na minha terra é tudo de bom. Se não tem pão comemos tapioquinha com manteiga ou pupunha no café, quem sabe até um bolo de milho recém-saído do forno com uma manteiga por cima da fatia, derretendo. O pão pequeno é careca e o curau, canjica e a canjica, mingau de milho. Tem gente que não gosta e ficava encarnando que esses pratos não são típicos. Preferem uma unha com bem pimenta ou um beijo de moça bem torradinho.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Na minha infância o doce que mais consumíamos, em frente ao Grupo era o quebra-queixo. De amendoim ou de gergelim. O risco era ele cair na panela que sempre havia na boca da molecada. A dor era insuportável! Muitas vezes voltei pra casa correndo, debaixo de chuva pra colocar álcool no dente, adormecer até a panela parar de doer. – Vai na chuva mesmo? – Claro não sou beiju !&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Nossa Senhora de Nazaré, pela intimidade que temos com Ela, pode ser chamada carinhosamente de Naza e a erisipela de izipla. Cabelos grossos e cortados curtos viram espeta caju e quem pede muito é pirangueiro, filho de pipira. É proibido malinar, andar fedorento, ser um pirento inconveniente, desses que arrancam o cascão.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Embora politicamente incorreto, adoro lembrar o “carro da phebo” passando e os lixeiros invocados tendo que ouvir esses gracejos.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Quantas vezes ouvi da minha avó, da minha mãe: - So te digo vai ! ou de uma amiga pedindo para que a gente se demorasse mais um pouco: - Espere o vinho de cupu. E o calendário paraense que além do ontem tem o dontonte e o tresontonte ?&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Nos orgulhamos de falar tu e conjugá-lo corretamente, mas quem nunca ouviu essa frase? – Passasse por mim me olhasse, fizesse que nem me visse, nem falasse.&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Esse é o meu Pará que querem dividir. Retalhar não só o território, mas as falas, as tradições, a cultura, a sua História. Minha terra correndo o risco de não ser esse colo materno único, ímpar, que acolhe, que abriga da chuva, que nos enche de orgulho de ser não apenas Belém, mas Alter do Chão, Bragança, Soure, Altamira, Conceição do Araguaia, Ourém, Alenquer, Curucá ...&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Talvez os que acreditam que a divisão é o melhor tenham batido na mãe, comido manga com febre e não entendido a metade do que está escrito aqui !&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-1900815600484500979?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/1900815600484500979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=1900815600484500979&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1900815600484500979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1900815600484500979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2012/01/para-os-que-querem-dividir-o-meu-para.html' title='Para os que querem dividir o meu Pará'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7173271560861956178</id><published>2012-01-11T12:40:00.000-08:00</published><updated>2012-01-11T12:40:02.332-08:00</updated><title type='text'>A morte já me visitou</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Eu já estive sentada ao lado da morte. Primeiro um tumor que me fez conhecer seu rosto, a vê-la me levando pra longe sem que eu pudesse lutar. Logo em seguida se materializou em meu marido. Foi transformando seu rosto, seu corpo, seu olhar, seu sorriso. Ela é feia, amedronta, leva ao desespero, mas também é uma excelente professora. O meu mundo já não é tão pequeno, os valores mudaram e consigo ve&lt;/span&gt;&lt;span class="text_exposed_show" style="background-color: white; display: inline; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;r acima do bem e do mal, priorizar o que de fato vale a pena e amar os que me fazem bem, me engrandecem, me acrescentam. A morte continua ali, à espreita, não tenho tempo a perder. Peço apenas a Deus que eu consiga terminar a minha missão por aqui. Não poderei consertar o mundo, mas posso enxergá-lo de uma outra forma.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7173271560861956178?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7173271560861956178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7173271560861956178&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7173271560861956178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7173271560861956178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2012/01/morte-ja-me-visitou.html' title='A morte já me visitou'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-3898771090414371979</id><published>2012-01-11T12:36:00.000-08:00</published><updated>2012-01-11T12:36:06.603-08:00</updated><title type='text'>Tim-tim Manoel !</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Courier New', Courier, monospace; font-size: large;"&gt;Durante muitos anos, dia 15 de novembro tinha um roteiro imutável: nossa casa em Mosqueiro. Caranguejo, feijão fresquinho, vinagrete e farinha eram o prato principal. Muitos comemoraram conosco os aniversários do Manoel. Inevitável não lembrar, não chorar, não sentir saudade. Tento me conformar por ter tido o privilégio de ter, ao mesmo tempo e por tanto tempo: um companheirão, dois filhos, mãe,tia, irmãos, cunhadas, sobrinhos, muitos amigos, mas a dor dessa partida definitiva é inevitável. Uma latinha pra ti, meu velho!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-3898771090414371979?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/3898771090414371979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=3898771090414371979&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3898771090414371979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3898771090414371979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2012/01/tim-tim-manoel.html' title='Tim-tim Manoel !'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-6768279943890919295</id><published>2012-01-11T12:34:00.000-08:00</published><updated>2012-01-11T12:34:01.476-08:00</updated><title type='text'>AOS QUE ME ACOMPANHAM SÓ AQUI</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;A net tem sido mais do que uma companheira. Ela é o meu elo com o mundo. O mundo que deixei lá atrás em Belém, o que não consigo mais participar na Embrapa e de amigos distantes e de novos amigos que ela me traz. Sejam de muito longe ou daqui de perto.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;Muitos deles só me acompanham aqui no blog e têm reclamado a minha ausência ou dedicação quase exclusiva ao Facebook.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;A vocês, em especial ao Célio Melo, um pouco do que tenho feito, por onde tenho andado, como tenho vivido.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;Não sei viver sem me compartilhar por inteira.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-6768279943890919295?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/6768279943890919295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=6768279943890919295&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6768279943890919295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6768279943890919295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2012/01/aos-que-me-acompanham-so-aqui.html' title='AOS QUE ME ACOMPANHAM SÓ AQUI'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-946253996396179253</id><published>2011-10-28T06:45:00.000-07:00</published><updated>2012-01-11T12:30:28.573-08:00</updated><title type='text'>Meu pé de Taperebá</title><content type='html'>Este texto foi publicado no jornal A Cidade, de Ribeirão Preto. O interessante é que a Divisão de Áreas Verdes, da Prefeitura, entrou em contato comigo em busca de mais detalhes.&lt;br /&gt;É o meu olhar amazônico...é tudo tão delciosamente diferente !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;"&gt;Meu pé de taperebá&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;Ruth Rendeiro *&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quem desce a rua Antonio Uchoa Filho em direção à Portugal, no Jardim São Luiz,certamente já notou que naquela pequena praça há três enormes árvores que destoam das demais. Tem troncos grossos, galhos frondosos e uma elegância de superstar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A mais próxima da rua cresceu muito - e desordenadamente- &amp;nbsp;também para baixo. Suas enormes raízes, talvez por falta de espaço subterrâneo, estavam quase expostas. Garras de um felino tentando se defender. O calçamento fora danificado pela sua força e a cada dia ficava mais difícil caminhar por ali.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A primeira vez que me deparei com elas achei que era pura ilusão de ótica ou saudades delirantes do meu Pará. Nem comentei com ninguém. Poderiam achar que havia enlouquecido de vez. Esperei a safra. No chão os frutinhos pequenos e amarelos indicavam que eu estava no caminho certo. Coloquei um na boca e se alguém estivesse me observando iria notar a careta que fiz. Era azedo mesmo ! Era taperebá!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não tinha mais dúvida: encontrara em Ribeirão Preto três taperebazeiros. Árvores que achei que tinha deixado pra trás quando saí de Belém há três anos. Cajá, como também é conhecido no Nordeste, é uma árvore que se destaca pelo tamanho e pela beleza de seu tronco. É madeira legítima. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na infância, adolescência e maturidade, sempre fui uma contumaz consumidora de sucos e sorvetes de taperebá. Um sabor ácido, marcante e inconfundível e de repente ele estava ali, aos meus pés. Nem pensei duas vezes. Corri em casa, apanhei uma sacolinha plástica e fui juntando um a um os frutinhos. Até os mais danificados seriam usados no suco que já produzia saliva em abundância em minha boca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas afinal quem teria plantado essas árvores típicas de regiões onde chove muito? Elas são exigentes demais em água. Como conseguiram se adaptar tão bem? Perguntei a alguns ribeirão-pretanos se conheciam o taperebá ou a fruta com outro nome. Nada. Era a única apreciadora e iria aproveitar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A safra foi embora e fiquei muitos meses sem passar pelo lugar. Até que fui surpreendida com uma cena chocante: o taperebazeiro, que levantara a calçada com suas raízes, fora reduzido a algumas toras de madeira. Como gigantescas bolachas, estavam arrumadas uma sob a outra e aguardavam o carro coletor. Pelo bem da praça ele fora abatido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entendi os motivos, a necessidade de preservar os que passam por ali e podem cair, mas não pude evitar umas teimosas lágrimas ou vê-lo ali morto. Não mais produzirá frutos e talvez não tenha como ser substituído. Uma outra árvore será plantada em seu lugar, mas sem a sua beleza e imponência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Felizmente ainda há outras duas outras árvores de taperebá na pracinha da Antonio Uchoa com a César Vergueiro. Agora é só esperar pela safra e novamente saborear um suco fresquinho e natural de cajá, taperebá...&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-946253996396179253?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/946253996396179253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=946253996396179253&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/946253996396179253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/946253996396179253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/10/meu-me-de-tapereba.html' title='Meu pé de Taperebá'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-2532775184295372682</id><published>2011-07-13T12:21:00.000-07:00</published><updated>2011-07-13T12:21:30.309-07:00</updated><title type='text'>Os artistas que não subiram ao palco</title><content type='html'>&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;"&gt;Obviamente que o foco da FLIP está na tenda dos autores, um grande espaço onde se pode acompanhar ao vivo e a cores, os grandes astros convidados para deleitar ou decepcionar o público exigente dessa Festa. Outros, contudo, também fazem a Flip. Muitos sonham em um dia subirem ao palco: posam de intelectuais, vestem-se meio à francesa (chapéu estilo boina, cachecol quadriculado e calças de cortes elegantes), discutem nas mesas (não as oficiais, as dos diversos bares espalhados pela cidade) o que cada celebridade falou, suas incoerências, absurdos ou se esbaldam e babam com uma simples frase do ídolo. Ação típica do fã imparcial e apaixonado.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro, porém, os bastidores. O clima extraoficialidade sempre me fascinou. Na Flip os termômetros também sobem além das tendas. Os anônimos, que ao final dos quatro dias já não são tão anônimos assim, procuram chamar a atenção do jeito que podem. Não têm seus nomes impressos em nenhuma programação (nem mesmo nas paralelas), mas são tão artistas quanto os que se aborrecem com o assédio ou se extasiam com os jornalistas, editores e leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci de perto alguns. Não conseguia resistir àqueles pedidos chorosos pra aumentar o peso das minhas sacolas com os seus livros, embora, via de regra, sejam bem fininhos. A 10 ou no máximo 20 reais era possível adquirir um livro de poesia (para mim de qualidade ultraduvidosa) ou outros de cordel (estes sempre engraçados e que muito me agradam). Um casal da Paraíba caricaturado como autênticos nordestinos do sertão devem ter sido os recordistas. Ela, lenço na cabeça, óculos escuros, batom vermelho intenso propositalmente borrado, indo muito além dos lábios, muitos colares multicoloridos e escrito à mão em um pedaço de papelão como um cordão: Autora. Ele, cabelos, barba e bigodes borrados com um produto não identificado que os deixaram grisalhos. Gravata colorida com um amarrado que tentava ser um nó e as obras nordestinas espalhadas em um grande tabuleiro pendurado no pescoço. Falavam alto, usam expressões típicas do Nordeste – Ô fia linda ! Eta muié ! – paravam pra tirar fotos com os transeuntes (eu fui um deles) e no domingo já nos cumprimentavam com intimidade. Devem ter faturado bem alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei “íntima” também de um poeta mineiro que sempre que eu passava ao seu lado lamentava que “o pessoal gasta um dinheirão na livraria, mas não quer ficar com os nossos livros que custam 10 reais. Depois dizem que são democratas, intelectuais”. Havia jovens, senhores, predominantemente homens, aproveitando a rara oportunidade de colocar à venda seus produtos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros artistas, não das letras, fizeram a Flip 2011 mais festiva ainda. Uma boneca manipulada por uma jovem fechou uma das principais ruas de Paraty. Dançando “Um dois três quatro. Dobre a perna e dou um salto... “ cativou a todos. Lembrou-me a primeira apresentação da Anaterra no balé do Colégio Gentil no Teatro da Paz. Lindo e particularmente emocionante pra mim. Algumas estátuas, dessas que a gente encontra no centro das grandes cidades também embelezaram as ruas antigas. Uma em especial agradava as crianças. Uma bela sereia, muda, apenas jogava beijinhos após receber uma moeda. Tinha ainda um estranho e solitário Capitão Gancho e muita música. Um casal cantando MPB, uma jovem com um acordeão diferente sentada na porta da igreja e muitos índios. Guaranis talvez ou seriam bolivianos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia que chegamos o primeiro ser estranho com quem cruzamos foi homem borboleta. Não... ele não voa, pelo menos literalmente. Vende broches de cabelo em desenhos de borboletas. Variadas forma, variadas cores, mas principalmente muito brilho. Douradas, prateadas, pequenas, maiores e como marketing enfeita sua barba, bigode e os longos cabelos com os acessórios. Fica algo inominável..Pergunta sempre a origem dos clientes (pra variar comprei uma pra ajudar!) e quando respondi Belém quis saber se de Belém mesmo ou de Ananindeua, Marituba ou Icoaraci. Conhece a terra. Falou do Museu Emílio Goeldi, daquele lindo mercado na beira do rio e durante os demais dias ganhei sempre um bom dia ou boa noite do homem que já esteve no Jô Soares e que tem blog para quem quiser conhecê-lo um pouco mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra atração das ruas de Paraty eram os enormes carros de mão carregados de guloseimas. Feitos artesanalmente reuniam vários tabuleiros,milimetricamente planejados e bem encaixados, com cocadas, quebra-queixo, tortas de limão, bolo de macaxeira (ou aipim como anunciavam), de tapioca (algo que para nós paraenses lembra uma tapioca de coco bem molhada), brigadeiros enormes com um morango gigante dentro... Uma festa gastronômica exageradamente calórica ! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi ainda uma procissão típica de cidades do interior em homenagem a Santa Rita. Que não deve ser a mesma cultuada na Igreja de Queluz, no bairro de Canudos, homenageada dia 22 de maio. Pra encerrar com muita emoção, beleza e som forte dos grandes tambores e taróis,uma apresentação de maracatu encheu as ruas estreitas de pedras da bela Paraty. Um som que me remeteu ao Arraial do Pavulagem às vésperas do Círio nas igualmente antigas ruas da Cidade Velha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-2532775184295372682?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/2532775184295372682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=2532775184295372682&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2532775184295372682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2532775184295372682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/07/os-artistas-que-nao-subiram-ao-palco.html' title='Os artistas que não subiram ao palco'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-80777448027922058</id><published>2011-07-12T16:34:00.000-07:00</published><updated>2011-07-12T16:34:03.574-07:00</updated><title type='text'>Minha Primeira FLIP</title><content type='html'>Nada muito programado.Um convite da Rebecca, colega do curso de Jornalismo Literário e a empolgação ficou latente. Pensei na Anaterra, na oportunidade rara de apresentá-la a esse mundo, já que anda ameaçando fazer jornalismo. Confesso que sabia pouco da Festa... Cheguei a confundir esse F com Feira. Uma bienal mais bucólica talvez. Fui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria das pessoas acha tão difícil se deslocar de ônibus, sair de uma cidade pra outra, eu apenas vou, chego e aproveito. Aconteceu de novo em Paraty. Viajamos de madrugada para economizar uma diária e percebi (ou melhor, senti) apenas que a estrada tinha muitas curvas e lombadas. Pela manhã a bela surpresa: a pousada, hotel/albergue ou Hostel como é moderno chamá-las agora, a Sereia do Mar, ficava em frente à praia. Bastava sair do pequeno quarto e lá estavam aquelas enormes montanhas como se molhassem seus bicos gigantes na água azul. Nem mesmo o tempo nublado e o frio tiraram a beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora de ir ao Centro Histórico. Ainda só eu e Anaterra. A Rebecca só chegaria no dia seguinte. Pegamos um ônibus e saímos meio sem direção. Não foi difícil encontrar as janelas e portas altas em tons fortes de azul ou amarelo. Estava agora de fato em Paraty! Mais uns metros equilibrando-me nas pedras que são ruas e calçadas, lá estavam as tendas que seriam disputadíssimas durante os próximos quatro dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como marinheira de primeira viagem fiz algumas burradas. Não comprei com antecedência os ingressos, queria poder decidir lá, sentir o clima e optar, ser antes apresentada à grande festa. Isso, porém, não combinava com a Tenda dos Autores. A platéia que ficava frente à frente com as celebridades comprara bem antes pela Internet. Tudo estava esgotado. Mas o telão oficial, o telão da Petrobras, da CPFL ou os bancos espalhados pelas redondezas estavam à disposição. Só não acompanhou o frenesi de celebridades das palavras quem não quis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calcula-se que cerca de 25 mil pessoas tenham pisado naquele solo secular. Os bastidores são sempre movimentadíssimos, o disse-me- disse ou as análises sobre fulano e beltrano melhores ainda. Obviamente não sabia, mas cada Flip tem uma musa. A deste ano foi a argentina Pola Oloixarac. Jovem (em torno dos 30), embora tenha só um livro – Teorias Selvagens – mexeu com todos e lotou a tenda dos autores, telões e principalmente foi responsável pela maior de todas as filas para os autógrafos. Ao se expressar, porém, deixou muito a desejar. O comentário de sua performance totalmente incompatível com o que foi repassado aos que foram a Paraty, causou outro tipo de frisson. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O neurocientista Miguel Nicolelis e o o filósofo e colunista da Folha Luiz Felipe Pondé, foram os primeiros que eu parei pra acompanhar concentrada. A conversa foi cordial demais para o meu gosto. Achei que iam debater bem mais pela visão antagônica que acreditava teriam. O neurocientista fez a festa particular dos jornalistas, titulando a matéria do dia seguinte ao afirmar que milagre é algo que fazem em seus laboratórios Uma palavra que deveria fazer parte do vocabulário da neurociência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;James Ellroy, que me lembrou uma Dercy Gonçalves de saia e erudit, falou palavrões, disse que se fosse um líder religioso seria Deus e encantou a platéia, entre os novos fãs do senhor de 64 anos, minha filha, de 15 que entrou na fila para ter em seus dois livros o autógrafo do autor. Teve muita gente mais : João Ubaldo Ribeiro, Edney Silvestre, Teixeira Coelho.... e uma programação específica para as crianças –Flipinha – e outra para os jovens – FlipZona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me redescobri e fiquei zonza com tanta coisa acontecendo simultaneamente. Queria conhecer cada um dos que não conhecia; saber mais dos que já conhecia e me enturmar com os que fazem (ou como eu) pretendem fazer algo mais seriamente com as palavras. Os anônimos, que têm seus livros publicados, mas que sabem que nunca subirão àquele palco. Deixei Ribeirão Preto com alguns contatos, com a programação paralela me entusiasmando tanto quando à oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dia, em uma das principais ruas de Paraty, identifiquei o Clube dos Autores. Parei, apanhei a programação e marquei o que mais me interessou. Um encontro promovido pela revista Imprensa, que teria entre os participantes o professor Sérgio Vilas-Boas, o primeiro a ministrar aulas para a nossa turma de Jornalismo Literário, era uma de minhas prioridades. Na quinta-feira à tarde, hora marcada, lá vou eu com a filha. Na sala da casa antiga, cadeiras espalhadas, um sofá de madeira bem alto que deixava as pessoas com os pés suspensos, poucas pessoas, lanche e finalmente chega, um pouco atrasado, o palestrante. A discussão começa. O assunto predominante é a poesia, o que ela representa, como as pessoas chegam até ela, até onde as redes sociais têm contribuído com a ampliação dos admiradores... Não consigo me perceber na discussão. Uma hora no local, tento me posicionar, apresento-me, ouço um jovem de no máximo 30 anos dizer que já compôs mais de 20 mil poesias e sinto-me uma incompetente. Pergunto pelo Sérgio que ninguém conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pequena porta surge a Rebecca. Esbaforida, ar de cansada. Acabara de chegar de São Paulo e não queria perder nada. Se o Sérgio Vilas-Boas estava ali certamente deveria ser do nosso interesse. Percorre com o olhar buscando pelo professor. Não o encontra. Levanto para ir ao banheiro e ela quase salta atrás de mim: - Acho que estou no lugar errado e ela sem pestanejar: - Eu tenho certeza !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim resolvo não abandonar o ambiente. Eles foram tão atenciosos comigo: tiraram fotos, deram-me uma camisa, colocaram o Clube a minha disposição... ficaria... Fiquei. Perdi o encontro que tinha me programado há pelo menos 15 dias, mas aprendi um pouco mais sobre poesia e conheci pessoas interessantes. Valeu a patetice ! Não fui ao Clube dos Escritores, mas aproveitei muito bem o Clube dos Autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã tem mais FLIP ! Um pouco sobre os Artistas fora do palco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-80777448027922058?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/80777448027922058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=80777448027922058&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/80777448027922058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/80777448027922058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/07/minha-primeira-flip.html' title='Minha Primeira FLIP'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-5008526678677044884</id><published>2011-05-02T14:20:00.000-07:00</published><updated>2011-05-02T14:20:57.000-07:00</updated><title type='text'>MERGULHANDO NAS PALAVRAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;As aulas aos finais de semana em Sp (a cada 15 dias) continuam intensas. O curso tem se mostrado compatível com o que busco. Cansativo, mas com aulas que nos levam a produções que fogem completamente das pautas, lides ou mesmo matérias mais rebuscadas.Estou recebendo estímulos externos que desconhecia completamente. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sempre escrevi. Na adolescência por pura intuição, imitando poetas, tentando rimar com pouco sucesso. Não sabia a diferença ente prosa, verso, conto, crônica, um romance e muito menos que havia uma área que se dedicava a escrever poeticamente, com a alma, o coração, tudo real.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Aos quase 54 anos estou me permitindo este novo mergulho. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ainda é cedo para qualquer avaliação mais profunda, Mas estou sendo bastante estimulada. Esses três exercícios que disponibilizo agora foram feitos em sala de aula em dez, 15 minutos e a partir de técnicas, exercitando a escrita total ou escrita rápida, conhecendo as relações que os textos têm com a literatura, psicologia humanista.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Mexendo e remexendo emoções que aparentemente estavam soterradas em algum lugar de nossa mente, muito bem guardadas e que devem vir à tona e serem registradas de imediato. Temos poucos minutos pra colocar no papel e sem computador. Tudo à mão em folhas que nem são brancas, mas de papel jornal.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O primeiro (Mãe interina) é resultado de um mergulho no álbum de família. Levamos para a sala de aula fotos consideradas importantes de fases de nossa história. Lá estavam mamãe, os irmãos, sobrinhos, Raul, Anaterra, Manoel e o Ivan Maciel Ribeiro, filho da Sula e que foi a minha experiência maternal verdadeira, real. A preocupação não é o literário, mas o registro, a emoção, o que pôde ser sugado desse álbum. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O segundo texto (“Paraíba”) foi resultado de um estímulo via um vídeo sobre a história do recomeço das águias. E o terceiro (O “mangueirão” particular) saiu, também em alguns pouquíssimos minutos, depois de um período de concentração que começou com uma música estilo cantiga infantil que mencionava os doces da vovó, as reuniões em família. Exercitamos o nosso jardim da criatividade a produzir textos luminosos. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Muito está sendo parido e quero dividir com os amigos que me acompanham aqui essa fase também. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Aguardo, ansiosamente, os comentários !&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Mãe interina&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Um filho interino que antes dos biológicos me permitiu exercitar a maternidade mesmo sem nunca amamentá-lo. Sua dor de barriga era também minha; seu machucado no rosto depois que o balanço da creche fora violentamente arremessado pelo coleguinha, também doeu em mim.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Mãe interina que aprendeu a amá-lo quando ainda estava na barriga da mãe; a ouvir sua primeira palavra (car) por volta de um ano. Noites acordadas embalando o filho quase meu. Praças, parques, feira livre, tudo era especial quando ele estava em minha companhia.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Os olhos claros, cabelos cacheados e uma saúde frágil tornavam-se coadjuvantes quando começava a falar, gesticular e didaticamente tentava convencer o ouvinte de que não seria jornalista apenas porque seu pai era, sua mãe também e até a mãe interina. Seria astrônomo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;- Não...astronauta não !, irritava-se aos cinco, seis anos quando confundiam profissões para ele tão distintas.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Os filhos biológicos chegaram e o aprendizado de mãe interina que dava banho, fazia papinha, limpava coco e se ajoelhava rogando a Nossa Senhora de Nazaré para que aquela febre tão alta não passasse de uma amigdalite, afastaram muitos dos fantasmas da mãe biológica de primeira viagem. O amor maternal já florescera antes da gravidez. Já conhecia o que era amar incondicionalmente.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;O bebê se fez homem. Nem jornalista, nem astrônomo ou astronauta. Hoje é um engenheiro formado pelo ITA.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Orgulho da mãe uterina.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Orgulho da mãe interina.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;, Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O”paraíba”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;Os abraços dos amigos no aeroporto eram de até breve. A pequena mala já indicava que a viagem seria curta. Mais do que visitar o pai no hospital, seria a oportunidade de conhecer a maior cidade da América Latina. Em um mês, no máximo, a rotina voltaria a predominar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;Já vira pela TV o trânsito infernal, os congestionamentos intermináveis, mas nunca se detera na rodoviária do Tietê. Que coisa mais louca ! Hora de pegar o metrô e ir até o Hospital A C Camargo. Reencontro difícil, mas necessário. Onde estava o brilho do olhar que há alguns meses o acompanhara na ambulância até o aeroporto ? E os cabelos prateados ? E o sorriso bonachão? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;A esperança substituída pela dor ...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;Poucos dias depois o fim do sofrimento e a hora da partida definitiva. O ser que um dia o carregara no colo agora inerte, precisava ser carregado por ele. E para o caixão !Era o único homem da família presente. Felizmente forte, saudável...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;A casa nova estava nua. Nem quadros nas paredes, nem tapetes no chão ou plantas nas janelas. Uma geladeira, um fogão e colchonetes para amenizar a rigidez do piso frio.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;Nova escola também, sem rostos familiares, sem as escadas de mármore, sem os vitrais centenários. O vestibular seria o mesmo...Talvez não. Um recomeço pela avaliação que só o confundia mais e mais. Estava entre os melhores da turma, mas o alijavam por ser um “paraíba”.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;Venceria !&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;Queria !&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;Por ele, pela mãe, pelo pai que agora estava ali num canto da sala dentro de uma pequena caixa de cobre transformado em pó. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;Aprovado na primeira faculdade, na segunda, na terceira, na quarta ...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;O desejo era comemorar entre os seus amigos de tantos anos. Mas sabia que agora voaria mais alto, iria mais longe. Já não era um “paraíba”, mas, mais um universitário da USP.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;O “mangueirão” particular&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ambiente da cozinha sempre foi marcante para nós. Após o jardim com grandes samambaias penduradas, flores nos vasos e enfeites com dizeres imitando placas que afirmavam enfaticamente: aqui vive uma família feliz ou aqui nois mora e nois veve, lá estava ela. 60 metros quadrados com predomínio de azul, uma grande mesa de sucupira bruta, oito cadeiras, fogão e um detalhe que a todos encantava: uma caixinha de som discreta e poderosa no canto direito reproduzia os CDs que eram colocados no som da sala. Cinco de cada vez. Música para pelo menos três horas ininterruptas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ali era o “Nosso Mangueirão”, alusão ao estádio de futebol de Belém. Os amigos e parentes nem se detinham mais na sala. Passavam direto para aquele cenário atraente que os recebia com algumas cervejas bem geladas e muito Chico Buarque, João Bosco ou Waldemar Henrique e que atingia seu ápice lá pelas 14 horas quando o almoço era servido. Ora um peixada de filhote, ora um tamuatá no tucupi ou o preferido de onze entre dez: a caranguejada que era antes de tudo um ritual que começava na semana anterior com as encomenda dos animais que, antes de serem sacrificados vivos em uma enorme panela com água fervendo temperada com cheiro verde, coentro e pimenta-de-cheiro-do-parám, passavam a noite se despedindo da vida em uma grande banheira velha com água corrente para que a lama desgrudasse de seus corpos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Detalhes esquecidos quando chegavam avermelhados ao centro da grande mesa ...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-5008526678677044884?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/5008526678677044884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=5008526678677044884&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5008526678677044884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5008526678677044884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/05/mergulhando-nas-palavras.html' title='MERGULHANDO NAS PALAVRAS'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-3590538537588095317</id><published>2011-04-06T13:04:00.000-07:00</published><updated>2011-04-06T13:04:24.913-07:00</updated><title type='text'>Jornalismo o quê mesmo ?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Nunca concordei com os rótulos, essas coisas carimbadas que parecem imutáveis, sem a menor probabilidade de crescer ou decrescer. Apenas permanecer estático.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;No jornalismo os rótulos também sempre me incomodaram. Jornalismo Econômico, Jornalismo Esportivo, Jornalismo Político. Muitos não conseguem fugir dessa embalagem que nos agrupa e eu obviamente também fiz parte de alguns deles. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Participei ativamente durante anos da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental e até hoje a acompanho por tudo o que representa em informações bem fundamentadas, críticas profundas e pessoas totalmente envolvidas com a causa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Depois de trabalhar 25 anos na Embrapa Amazônia Oriental não tive como fugir de outro rótulo: jornalista científica, embora, nas diversas oportunidades que tive, tenha ressaltado que era uma autodidata que o destino colocou atrás daqueles altos muros brancos em Belém. Fuçando laboratórios, viajando para o campo pra conhecer experimentos. Aos poucos fui entendendo dos processos básicos de quem faz ciência e como não poderia apenas ser um papagaio que abria e fechava aspas, lia atentamente o que os pesquisadores escreviam, os resultados que alcançavam e tentava, de alguma forma, facilitar para o leitor/ouvinte/telespectador que entendia daquilo menos do que eu, pudesse saborear as conquistas, visualizar que o investimento valera a pena, acreditar que o futuro seria melhor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Uma área apaixonante... Cada vez que conseguia entender uma pesquisa, principalmente aquelas bem complexas que exigem o mínimo conhecimento de química, física ou biologia, justamente tudo que eu não domino e depois de escrever, reescrever sei lá quantas vezes e saia como eu queria, como eu imagina o leitor lendo e compreendendo tanto investimento, tanta dedicação, ficava livre, feliz. Mas jornalista científica ? acho que nunca fui. Mesmo participando por duas gestões da diretoria da Associação Brasileira de Jornalismo Científico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Acredito que somos apenas jornalistas que por algum motivo- opção ou oportunidade –nos dedicamos mais a um tema do que a outros, mas seremos sempre aquele que com uma boa pauta na mão escreveremos até sobre prospecção de petróleo ou nanotecnologia ou sobre o incêndio no galpão na esquina de casa. Obviamente que conhecer bem o assunto, ter boas fontes só facilita essa “especialização” que às vezes torna-se até formal. Os cursos de pós-graduação estão aí e cada dia mais demandados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Eu estou começando outro (fiz o primeiro em Comunicação Institucional na Amazônia, na Unama, em Belém). De novo o nome pomposo, o rótulo que surge. Tudo bem que é preciso diferenciar um curso de jornalismo cultural de um em jornalismo investigativo, mas não da forma amarrada como muitos defendem, como muitos até precisam para justificar que “só sabem escrever sobre esse determinado tema”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;JORNALISMO LITERÁRIO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Há cerca de dois meses estou participando, em São Paulo (capital) de uma pós lato sensu em Jornalismo Literário, promoção da Academia Brasileira de Jornalismo Literário. A cada 15 dias viajo cinco horas pra ir e cinco pra voltar completamente exausta. Sexta-feira à noite e o sábado inteiro nos deleitamos em discutir, conhecer, trocar experiências e fortalecer a crença em um jornalismo diferenciado. Um aprimoramento no que me dá mais prazer na vida hoje: escrever.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Alguns amigos brincaram que iria só gastar dinheiro (“já escreves tão bem...”), outros que apenas estava buscando algo pra me ocupar depois da aposentadoria ou que queria mesmo era ir pra capital bater perna. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Fui...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A cada final de semana ratifico que tomei a decisão acertada. O jornalismo literário está nas veias de muitos jornalistas que conheço, é latente, apaixonante, o que nos falta é só rotulá-lo como tal. Bem difícil principalmente para os que vivem na Amazônia e mal conseguem fazer o jornalismo diário, o tradicional, com lide e sublide. Mas quantas vezes já lemos textos onde as histórias valem mais do que os acontecimentos ?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Há outros rótulos talvez menos pomposos: jornalismo narrativo, literatura da realidade, literatura de não-ficção... O que importa mesmo é o que é ressaltado pelos professores: JL é mergulhar, se colocar no lugar do outro (imersão), é o prazer em conversar, descobrir. É humanizar os textos. Valorizar o homem e não o fato, ser criativo, responsável, ter estilo... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Tenho me identificado muito com essa abordagem de fazer jornalismo. Um jornalismo com profundidade que nos permite adjetivar, sentir, se emocionar, mas nunca fugir da verdade. Ficção não entra ! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Descubro, por outro lado, uma farta bibliografia sobre o assunto. Alguns livros e filmes bem conhecidos, outros nem tanto, mas um grupo grande que faz (ou tenta fazer) um jornalismo mais humanizado, que exige mais do repórter, que vai além, muito além do que todos estão vendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Um exemplo bem recente e que coloquei em debate na sala de aula, aconteceu no velório do ex-presidente José de Alencar. Um militar que fazia parte da guarda de repente desmaia. Procurei insistentemente na internet, assisti os telejornais e não encontrei nada além de algumas poucas linhas ou o vídeo com a cena e com títulos como O Tombo. Como leitora/telespectadora gostaria de saber mais, de ir mais profundamente, saber de fato o que houve para que aquele homem alto, jovem, de repente sucumbisse na frente de todos, quase batendo no caixão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Os exercícios e a teoria que o curso de JL estão me fazendo aflorar desejos já sentidos, mas pouco exercitados, me levaram a idealizar uma ampla matéria que responderia algumas das perguntas que me perturbaram ao ver a cena. Quem seria aquele militar ? O que de fato ele teve ? Será que não gostava de enterro ou de repente teria perdido o pai há pouco tempo ? Fizera alguma refeição antes de ir para o salão nobre ? O que o emocionara tanto a ponto de desmaiar ? E o que aconteceu com ele no quartel ? Foi tratado ou punido, ridicularizado por seus superiores e colegas ? Ahhh a matéria não feita quase torna-se um texto de ficção ...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O curso tem propiciado remexer lembranças, expor emoções, liberar lágrimas e conseguir, ao mesmo tempo, arrumá-las em palavras. Não deixar escapar a criatividade, mas alicerçada na realidade, mesmo que seja uma lembrança que estava adormecida, quase enterrada, deixar vir à tona com os métodos empregados pelos que ministram o curso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Prometo (para os amigos que me seguem e têm me cobrado a atualização mais freqüente do blog) descrever com detalhes e aos poucos ir disponibilizando os poucos e ainda amadores textos de JL que escrevi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O importante é que estou gostando. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Preciso sempre estar apaixonada ou não consigo produzir...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-3590538537588095317?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/3590538537588095317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=3590538537588095317&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3590538537588095317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3590538537588095317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/04/jornalismo-o-que-mesmo.html' title='Jornalismo o quê mesmo ?'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-3168177301505255224</id><published>2011-02-19T01:27:00.000-08:00</published><updated>2011-02-19T01:27:12.021-08:00</updated><title type='text'>Atravessando o Canal da Mancha. Por baixo !</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A minha claustrofobia é antiga. Não faz muito tempo que todos conheciam meu pânico de avião; meu medo de elevador e as sensações horrorosas que tomavam conta de mim quando me sentia presa. Podia ser um quarto fechado com uma grade na janela ou simplesmente um banheiro que insinuava que não iria abrir. Terapia, remédios e uma boa dose de persistência reduziram drasticamente essas manifestações que ainda eram motivo de chacota, afinal, uma jornalista que não entra em um elevador ? ahh não acredito !&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Mas quando saímos de Londres para ir a Paris não percebi de que forma se daria essa locomoção e nem procurei saber. Estava entregue nas mãos dos guias, da agência que contratei. Avião, barco, trem, ônibus, van... qualquer coisa não faria diferença. Mas só chegando às proximidades do que é conhecido como Eurotunel soube exatamente como ia mudar de um país pra outro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Lembra, muito mal, é verdade, as travessias de nossos rios amazônicos. Grandes balsas, mas ao contrário de céu aberto, onde podemos ir apreciando o vôo dos pássaros, os peixes em volta da gente, a paisagem exuberante, os ribeirinhos passando em suas minúsculas canoas, o que fui sentindo foi o ar faltando e a escuridão dominando o ambiente. O ônibus estava entrando em uma espécie de container que parecia ter sido feito exatamente para as suas exatas medidas. Nem um metro a mais de um lado e nem do outro. Um leve balanço, que não lembra maresia, mas um grande amortecedor me deixou um pouco tonta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Vários avisos em forma de cartazes e outros pelo som em inglês e francês, deixavam mais evidente que aquilo era perigoso. Tinha até túnel de emergência!! Comecei a ler o panfleto explicativo e quase morro: durante 39km nós estaríamos a 40m abaixo do mar do canal da mancha. Nem liguei mais para o que estava ainda no papel. Primeiro amedrontam depois tentam nos convencer o quanto a obra é importante para a engenharia mundial. É o maior metrô marítimo do mundo ou a obra de engenharia mais ambiciosa e cara da sua época. Lia, mas não parava de pensar que acima da minha cabeça estava o mar. É claro que tentei disfarçar, fingir que tudo me parecia normal, que já fizera aquela travessia pelo menos uma dezena de vezes. Só o coração acelerado, felizmente imperceptível para os que estavam do meu lado, denunciavam o mal estar. Isso pra ser generosa comigo mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Bastava, porém, alguém um pouco mais observador pra perceber o meu grande alívio quando o container se abriu e saímos daquela lata de sardinha. Eu estava vendo o sol, tudo bem que ele estava encoberto pelas nuvens e neblina. O dia estava cinza, mas nunca me pareceu tão lindo ! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Depois de percorrermos alguns quilômetros um presente não anunciado: uma parada de cerca de três horas na belíssima cidade de Bruges, na Bélgica. Um cenário de filme... E pra comemorar a vida pós Eurotunel e experimentar o novo, resolvi encarar uma das centenas de cervejas que os belgas tanto apreciam. Pedi a mais forte, uma garrafa de apenas 330ml acompanhado de croquete madame (um sanduíche com um ovo frito encima. O croquete monsieur não tem ovo. Por que ? Não sei) . 8,5 % de álcool e como já passava do meio-dia, tinha comido pouco, no terceiro gole pensei que ia cair da cadeira. Felizmente o almoço chegou, degustei o restante da estranha cerveja e aproveitei pra dormir até Paris.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-3168177301505255224?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/3168177301505255224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=3168177301505255224&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3168177301505255224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3168177301505255224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/02/atravessando-o-canal-da-mancha-por.html' title='Atravessando o Canal da Mancha. Por baixo !'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7447453694168983007</id><published>2011-02-17T01:39:00.000-08:00</published><updated>2011-02-17T01:39:12.935-08:00</updated><title type='text'>Um Superavião cheio de novidades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não sei se todos já entraram naqueles aviões enormes que percorrem longas distâncias como Guarulhos/Lisboa/Londres. Dez, doze horas sem uma paradinha. Eu nunca tinha entrado ! Tanto tempo a bordo é claro que eles tentam de tudo pra distrair os ansiosos passageiros presos nas poltronas apertadas (são um pouquinho mais folgadas do que a que estamos acostumados) e sem poder ver nada pela janelinha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu já viajei demais, mesmo quando tinha muito medo (fui até tema do Retrato Falado com a Denise Fraga no Fantástico por causa disso), mas sempre vôos domésticos ou teço-tecos amazônicos (de Belém à Altamira é uma tortura !) ou mais recentemente nos da Embraer de São Paulo ou Brasília para Ribeirão Preto, mas esta foi a primeira vez que entrei naquele monstro que começa assustando desde o lado de fora. Imenso ...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Meia dúzia ou mais de tripulantes nos aguardava na entrada direcionando para onde devemos seguir até chegarmos a nossa poltrona Sim, porque é perfeitamente possível se perder ali dentro. Três cadeiras próximas à janela à esquerda; outras três à janela da direita e mais quatro no meio. E tome gente entrando. Não tenho certeza, mas acho que éramos em torno de 300 pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Começo a olhar tudo. Como um matuto que chega na cidade grande. Percebo que há mais botões acima de nossas cabeças que o normal, que a mesinha à frente não é igual a que estou acostumada e sinto-me como uma criança que quer descobrir cada um desses segredinhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Lembro-me com saudade da época que frequentava motel. Quanto mais sofisticado melhor, quanto mais misterioso mais atraente. Não pela maciez da cama, mas pelas descobertas que fazia. Luzes que acendiam no chão, água que caia do céu na piscina parecendo chuva, banheiras, espelhos. Um mundo fantástico que me encantava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Certa vez estava com o Manoel em um desses e já tinha tomado algumas boas cervejas. Ao acabar de fazer xixi a descarga funcionou sozinha. Adorei a engenhoca e comentei com ele: a gente bem que podia instalar uma dessas em casa. Você e Raul nem precisariam se preocupar. Fariam o xixi e a água desceria logo em seguida. E ele com um ar meio sério meio debochado: bebeste demais mesmo ! desencosta do botão que a água para. Que mico ! Só restou rimos até não ter mais sentido continuar naquele ambiente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Não cheguei a tanto no avião, mas adorei ter uma telinha só pra mim, bem à minha frente com uma programação melhor que a TV fechada. Um montão de filmes (assisti o Bem Amado inteirinho), musicais, documentários (vi sobre John Lennon e a história do samba. Ótimos!), jogos infantis e adultos, notícias (essas antigas demais). Nem parecia que estávamos a sei lá quantas milhas, a não sei quantos graus abaixo de zero. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A comida servida foi outra grande diferença. Nada de barrinhas de cereais ou Pepsi com gelo Tínhamos até opção: risoto acompanhado de um bom vinho tinto ou uma massa com suco de laranja, cerveja ou uma grande variedade de refrigerantes e ainda com direito a sobremesa. O estranho mesmo eram as comissárias. Duas ou três com idades bem além dos 50. Inevitável não pensar que estavam mais para “aerovelhas”. Mas bem maquiadas e gentis e como camelôs de luxo passavam com seus carrinhos vendendo vários produtos, sobretudo franceses, e sem taxa (como nos freeshop). Perfumes, maquiagem e até um relógio,exclusivo. Ou compra lá encima ou não se compra. A máquina facilitava a aquisição pelo cartão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Acompanhar a viagem pela telinha foi de fato o que mais me encantou. Logo após a decolagem, que parece não terminar nunca com o estômago chegando à boca e mãos e pés suando, resolvo explorar o que havia naquela pequena TV à minha frente e o que vejo logo ao acessá- la: a distância a ser percorrida. Apenas 7.942km. Meu Deus isso até Lisboa, mas nós íamos para Londres. Sabe aquela sensação de não quero saber, mas vou saber? Passei a viagem inteira acompanhando a telinha. Ora via onde estávamos passando. A maior parte do tempo encima do Oceano Atlântico. Como não lembrar o acidente com a Air France há uns dois anos atrás ? Mas lá estava eu, meio masoquista voltando à telinha. Agora tinha a visão do piloto. Nada interessante, por sinal. E as milhas que nos separavam do chão, a temperatura lá fora, a velocidade..E o tempo não passava, se arrastava. Felizmente o lexotan fez efeito, as luzes se apagaram, o silêncio predominou e eu dormi. Talvez por duas horas, mas que parecera uma eternidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Faltando pouco mais de duas horas para chegarmos a Lisboa começa um movimento estranho em direção ao banheiro. Parece que todos estavam com diarréia. Perguntei à filha: estás com dor de barriga ? não ! Nem eu ! Filas pra entrar no minúsculo toalete , gente no corredor. Até que finalmente consigo entender a confusão: estava na hora de nos prepararmos para enfrentar o frio europeu e as pessoas iam ao banheiro pra colocar a calça térmica, a meia grossa, o blusão de lã, o cachecol, o sobretudo ou casaco supergrosso. As luvas e o gorro estavam nos bolsos. Achei um certo exagero, principalmente das mulheres que saiam uns dez kg mais gordas, mas quando a porta do avião se abriu em solo lusitano e eu desci a escada, entendi melhor a preocupação dos mais experientes. Eles tinham razão ! &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O vento parecia congelar, entrar pelo nariz e chegar ao pulmão, barriga, pernas. E tive uma só certeza: estava com pouca roupa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7447453694168983007?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7447453694168983007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7447453694168983007&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7447453694168983007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7447453694168983007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/02/um-superaviao-cheio-de-novidades.html' title='Um Superavião cheio de novidades'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-1377524643897539693</id><published>2011-02-14T12:03:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T12:03:19.373-08:00</updated><title type='text'>La dame charmante et belle jeune</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Os parisienses dizem que a Torre Eiffel tem duas personalidades bem distintas. De dia é uma senhora que não consegue ocultar sua idade. Basta olhar com mais atenção pra perceber suas rugas, ranhuras, pés de galinha e oxidações, mas que mesmo assim a todos encanta e seduz. Ela realmente é de tirar o fôlego Foi assim que fiquei: sem voz, pálida e com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Explodi, para a surpresa e preocupação dos companheiros de excursão e não conseguia conter nem mesmo os soluços. Pode parecer exagero, mas eu tinha certeza que seria assim. Se esse dia se materializasse, seria exatamente assim. E foi ! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A vi primeiro como uma nobre senhora, séria, imponente e não tão bela como imaginara. Mas nem por isso menos sedutora. La dame vieux, mais super élégant !,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Voltei à noite e lá estava la belle dame como se ostentasse todas as jóias do mundo, reluzente, brilhante, ofuscante. Se a luz do dia não consegue disfarçar seus mais de cem anos, à noite é apenas beleza, jovialidade, encantamento.Remoça quando o sol se vai. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O que tanto me atraia nessa torre de 300 metros de altura que mais a antena chega a 320,75 (estava escrito no folheto que entregaram na entrada!)?. Fomos só até a primeira plataforma, a mais baixinha. Muito frio (0 grau!), muito vento e por segurança ninguém podia ir mais além. Nem acredito que algum corajoso topasse ir mais adiante. Mal conseguíamos ficar na sacada onde é possível ver Paris lindamente iluminada aos nossos pés. Confesso que o medo tirou um pouco do brilho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;De fato a Torre Eiffel tem um significado todo especial para mim, Ainda muito jovem, aos 13, 14 anos eu me apaixonei pela língua francesa, pela França. Estudava no Colégio Estadual Visconde de Souza Franco e enquanto meu professor de inglês era um senhor idoso, ranzinza, em fim de carreira, que me levou a abominar o inglês até hoje, meu primeiro professor de francês era um jovem padre francês que acabara de chegar ao Brasil e que tinha o maior orgulho de sua pátria. Monsieur Paul falava arrastado, o R na garganta, o biquinho no u e me apresentou o merci, revoir, bonjour. Depois dele tive o privilégio de ter a doce e meiga professora Risoleta Bandeira (mãe do Chembra, do Walter, da Lúcia.). como a segunda professora de francês. Fiquei mais apaixonada ainda ao ouvir suas histórias e ambos sempre falando da Torre. Essa mesma que vi ao vivo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Durante três, quatro anos cursei, ora com bolsista ora com a vovó Alzira bancando, a Aliança Francesa. Uma casa de franceses que queriam nos fazer nos apaixonar pela França e nem precisaram se esforçar muito no meu caso, pelo menos. Lembro até hoje a primeira lição ainda naqueles eslaides gastos com um rolo com a gravação que às vezes não conversavam entre si. – Ahhh voilá um taxi ! Taxi !! taxi !! e o moço saia correndo para apanhá-lo. Cheguei à conversação, entendia bem. Mas lá se foram mais de 40 anos e o idioma francês se perdeu entre tantas coisas que ficaram pelo caminho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Consegui, mesmo com grande dificuldade, me comunicar com os nativos. Percebe-se seu orgulho quando usamos o francês. Não tentam nos consertar e se esforçar por nos entender.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;- À quel moment ferme ce restaurant ? (a que horas fecha este restaurante?) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;- Où puis-je trouver un public internet ? (Onde posso encontrar uma interne pública ?) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Mas voltando à Torre Eiffel. Eu a vi dezenas, centenas de vezes naquelas imagens quase apagadas pelo tempo no audiovisual da Aliança. A construção que há mais de cem anos foi considerada revolucionária para a época e até hoje é um dos mais importantes monumentos de Paris, da Europa, freqüentou meus sonhos adolescentes, mas mesmo com a maior criatividade que pudesse ter, nunca conseguiria de fato imaginá-la como ela é. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Sabia que iria me emocionar. Paris entrou no roteiro de nossa viagem por insistência minha. Minha filha queria apenas Londres, resultado que se assemelha à minha paixão pela França, afinal ela cursa há seis a Cultura Inglesa. Mas não imaginara que fosse perder o controle e sem nenhum motivo aparente para os que estavam a nossa volta. Todos descem do ônibus, superempacotados protegendo-se do frio, olham para cima e eu olho para baixo. Na verdade olho para a filha como que pedindo socorro. Estava pagando um mico, um king kong e não conseguia me controlar. Não lagrimava, soluçava. As lágrimas corriam livremente e na minha cabeça um filminho passava rapidamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Eu estava aos pés da belle jeune !! Eu já a conhecia tão bem, mas nunca a vira. Impossível não chorar, não recordar a dura infância e adolescência quase sem perspectiva e agora, ao lado da jovem filha, aquele gigante de ferro torna-se quase um bibelô frágil, intocável, mas real. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Eu vi, subi, toquei, fotografei e chorei aos pés da Torre Eiffel !! Emoção para poucos. Compreensão para menos ainda. Mas a vida me ensinou que a intensidade da emoção é algo só seu. Há os que se encantam com o desabrochar de uma flor e outros nem percebem que o botão abriu. Realizei um dos maiores sonhos de minha vida. A Torre Eiffel é ainda mais linda do que nos filmes, nos livros e nas minhas lições de francês de tantos anos atrás.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-1377524643897539693?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/1377524643897539693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=1377524643897539693&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1377524643897539693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1377524643897539693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/02/la-dame-charmante-et-belle-jeune.html' title='La dame charmante et belle jeune'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-3600607679332283981</id><published>2011-02-12T04:57:00.001-08:00</published><updated>2011-02-12T04:57:47.856-08:00</updated><title type='text'>Picanha com feijão em Londres</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Quantas vezes já passei semanas sem comer feijão e meses sem uma picanha? Perdi a conta. Mas foi só sair do Brasil pra saudade bater antes mesmo de completar uma semana. O provável estímulo deve ter sido o que comi nos quatro primeiro dias no País da Rainha: macarrão com um molho estranho e aguado de mostarda; hambúrguer com batata frita e pão e risoto de molho indecifrável. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Jantar ? nem pensar ! O preço impeditivo em libras nos conduzia a uma mistura de minimercado com cafeteria, padaria que oferecia sanduíches e um café duplo por cinco libras, ou seja, “apenas” 15 reais, bem em frente ao hotel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;No quarto dia perguntamos a um italiano que tentou nos empurrar todos os produtos que vendia em um quiosque no meio de uma galeria, talvez percebendo nossa origem sulamericana, para eles quase seres de outros planetas e certamente desprovidos de inteligência mínima, onde comer uma carne. Brasileira? Quis saber ? claro !! claro !! respondemos eufóricas eu e minha filha. É só andar duas quadras, dobrar a direita e verão a bandeira do Brasil pendurada na entrada. A nossa bandeira ? que emoção !! Deu uma vontade de beijá-la e explicar aos pedestres apressados que aquilo ali era um pedacinho do meu País.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;De fato lá estava ela. Linda, tremulando ao vento gelado londrino. O restaurante era simples, mas acolhedor. Dez mesas, não mais do que isso. No ar o cheiro de churrasco e no bufê feijão preto, feijão carioquinha, farofa, pimenta baiana, maionese de batata, arroz branco, batata frita e carnes à vontade no rodízio. Não podia acreditar! Alcatra, sobrecoxa de frango, calabresa, carneiro e a suculenta picanha com a gordura tostada ao ponto. Por alguns minutos achei que estava em Ribeirão Preto onde existem churrascarias fantásticas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O proprietário era um ex-guia que diante de tanta curiosidade de minha parte, contou que o lugar era freqüentado basicamente por turistas brasileiros ou ingleses que um dia conheceram o Brasil e se apaixonaram pelo nosso churrasco. “Os que vivem aqui não aparecem. Preferem se achar londrinos”, fez questão de comentar com certo ar de desprezo. A carne vem da Austrália e às vezes do Brasil. “O boi daqui não produz carne pra churrasco”, garantiu. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em uma mesa dois jovens brasileiros que começavam uma amizade com um terceiro bem mais jovem que falava para todos ouvirem que estava em Londres pra estudar. Orgulho explícito e latente. Na mesa em frente uma grande família que pela conversa e depois que me aproximei confirmei, morava em Rondônia. Falavam em JiParaná, Vilhena, Ouro Preto D!Oeste cidades que conheci quando trabalhei na Embrapa. Estavam passeando e fizeram o percurso inverso ao nosso. Primeiro foram a Portugal e Paris e estavam terminando por Londres.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Comemos tanto que mal podia respirar. O fôlego só veio mesmo quando chegou a conta. Cada refeição custava18 libras, ou seja, algo em torno de 55 Reais por pessoa e eu que achava que uma das melhores churrascarias de Ribeirão era cara. Lá o casal paga 50 com direito a sobremesa e uma variedade enorme de carne que vão do cupim ao coração de frango; da maminha à costela de porco ou da costela bovina à capivara. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Sabe qual a principal diferença? Estávamos a alguns passos da chiquérrrrima Oxford Street ! &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-3600607679332283981?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/3600607679332283981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=3600607679332283981&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3600607679332283981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3600607679332283981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/02/picanha-com-feijao-em-londres.html' title='Picanha com feijão em Londres'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-2004930412098724223</id><published>2011-02-11T17:09:00.000-08:00</published><updated>2011-02-11T17:09:57.011-08:00</updated><title type='text'>Ninguém fala Português ...</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Interessante como o Português, mesmo sendo considerado o quarto idioma mais falado no mundo ou, como chegam alguns a afirmar, o segundo se for considerado aquele falado por nativos, é quase ignorado na Europa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tudo bem que lá apenas Portugal e seus dez milhões e meio de habitantes fazem uso do nosso idioma, mas precisam nos humilhar perguntando em Londres ou Paris: se hablamos espanhol? Sim, porque quase todos falam inglês, italiano, francês e obviamente espanhol. Mas o pior mesmo é acharem que português e espanhol são exatamente a mesma coisa. Falou espanhol fala português e vice-versa! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Os guias falavam das “mais grandes ventanas” dos palácios como se todos os brasileiros que os ouvia soubessem exatamente o que estavam dizendo. Não entendiam e ainda pensavam, certamente, que ele acabara de cometer um erro gramatical terrível. E no dia de seu “feliz cumpleaños“ o imperador etc etc.. Como ? indagava com o olhar o brasileiro com traços tão nipônicos que todos juravam que ele nascera em Tóquio ou Kyoto. Feliz o quê? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Hora de visitar mais um museu, conhecer um pouco mais da história que só sabíamos pelos livros escolares e um aviso que novamente leva os brasileiros (grande maioria na excursão, por sinal !) a indagar com o olhar o que o guia deseja que fizéssemos:? tiene sencillo? E ele, sorridente aguardava a resposta, acreditando que trocado em português era exatamente a mesma coisa que em espanhol. Pagamos com sencillo ou não e ficamos sem entender de novo ! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Yo hablo un poquito, pero no muy bien. Uma feliz conseqüência de contatos com pessoas que vivem em países de língua espanhola, sobretudo um com quem me relacionei por muitos anos e que vive na Bolívia. Abençoada experiência. Graças a ele e a minha persistência em tentar entendê-lo conseguia saber que calle é rua; ou algo mais sofisticado como dónde puedo cambiar dinero? Ou decidir por um cerdo assado e jamón no lugar de uma mantequilla.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas, mesmo convivendo e lendo anos e anos, quase diariamente textos em espanhol, ainda apanhei muito, entendi muita coisa errada e devo ter feito os atendentes rirem às minhas costas. Comprei ou pedi raras vezes em Pirinópolis, Brasília, Manaus ou Cuiabá plátanos e quando me ofereceram em Paris, disse que não queria. Justo eu que adoro bananas !!! Não me arrisquei a optar pelos galletas e os amanteigados ou recheados franceses são ótimos ! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Somos cerca de 250 milhões de pessoas falando português, mas ao viajar pela primeira vez à Europa constatei que isso é pouco. Muito pouco ! Talvez na África onde o Português está em Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor Leste, Macau São Tomé e Príncipe, seja mais fácil a comunicação. E aí sim, hablar como nosotros que vivimos en Brasil!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-2004930412098724223?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/2004930412098724223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=2004930412098724223&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2004930412098724223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2004930412098724223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2011/02/ninguem-fala-portugues.html' title='Ninguém fala Português ...'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8669015932141245896</id><published>2010-12-18T11:02:00.001-08:00</published><updated>2010-12-18T11:02:24.323-08:00</updated><title type='text'>CADÊ A PRAIA ?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;As casas avarandadas, com largas janelas, cadeiras de vime ou de plástico no pátio e plantas bem cultivadas, já insinuam que o calor é o que predomina. Lá no alto é possível ver a chaminé das churrasqueiras. Vão das mais simples, quase um fogareiro, às mais sofisticadas com manivelas que assam as carnes no tempo preciso, com a brasa no calor exato. Quem entende de churrasco sempre garante: é a brasa e não a chama que faz a diferença.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;As grandes áreas verdes públicas cuidadosamente ajardinadas com cara de praça e bancos de praça ou apenas um espaço acolhedor com árvores frutíferas, ipês roxos que encantam no início do segundo atraem bem-te-vis, rolinhas, sabiás, beija-flores e as barulhentas maritacas que passam em bando ao amanhecer ou entardecer. Alguns desses pássaros longe de seu habitat chegam sem cerimônia nas casas e mesmo sem ser serem convidados entram nas casas em busca de comida ou da ração dos animais domésticos. Vale a pena parar pra ver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A cidade que tem uma temperatura média de 26ºC e que pode tranquilamente chegar aos 37,39º, quando percebida em seus detalhes nos causa dúvidas e perplexidades. Aquela rede na sacada é mesmo utilizada ? será a explícita origem nortista/nordestina de seus moradores ou apenas decoração ? Tanto faz... elas estão perfeitamente compatíveis com os projetos arquitetônicos que lembram as casas à beira mar tanto e se as paredes estiverem ornamentadas com peças artesanais de peixes, sereias, araras e tucanos a dúvida quase chega a desaparecer. A praia deve estar bem pertinho mesmo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;E se você encontrar tranquilamente caminhado pela rua jovens bronzeados de sunga ou shorts a exibir seus bíceps, barriga tanquinho ou uma bela jovem de seios siliconados e panturrilhas enrijecidas, certamente sentirá uma vontade quase incontrolável de perguntar: qual a praia mais próxima? Jovens ou nem tão jovens assim usam e abusam da roupa curta, sem mangas ou as de fitness bem marcantes. Shorts e calças coladas, tênis ou sandálias de dedo e um camiseta compõem o guarda-roupa da maioria dos que encontramos pelas ruas É de novo o clima se refletindo na população. O guarda-roupa tão tropical, quase praiano amenizando o sol escaldante que esturrica a pele e escancara o céu predominantemente azul que num devaneio nos conduz uma areia quente que em seguida nos dará o prazer de tocar a água morna, a molhar nossos pés. Ao olhar o horizonte quase podemos ouvir o barulho das ondas. As nuvens que parecem se encontrar, lá adiante com o mar...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Tem mais... muito mais a ser descoberto sem pressa. Reparem no nome de alguns bares e restaurantes, principalmente os localizados nas largas avenidas que se reinventam e acrescentam às cadeiras e mesas de madeira, ou as de plástico de cores fortes, cessão das marcas de cerveja, pequenos lagos com minitartarugas e peixes vivos que nadam solenemente como se estivessem em seus habitats. Os nomes, além de sugestivos, mais uma vez nos convidam para na volta do mergulho parar pra almoçar ou apenas tomar um chope gelado. Tem o Estrela do Mar, Bar Rio, Curva do Rio, Farol da Barra, Maré do Chopp, Peixe da 13, Na onda do Peixe e uma homenagem talvez aleatória aos amazônidas: o Pé de Açaí e o Porto Açaí.. Alguma dúvida que basta andar mais alguns metros para que o cheiro de maresia nos invada ? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Para os bem mais jovens ou que já não podem ou não apreciam um chope gelado, o calor também pode ser amenizado com os variados sabores de sorvete disponíveis em sorveterias que se espalham pelos shoppings, esquinas ou lanchonetes. Das delícias do Cerrado que oferecem aos curiosos degustadores o de umbu, cagaita, pequi ou araticum ou que dividem a fama com a Amazônia como os de mangaba, muruci (no Norte) e murici (no Cerrado e Nordeste) aos tradicionais de chocolate, flocos, ameixa,nozes ou creme. Quando a temperatura beira os 40&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 150%; mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;ºC é comum as filas irem além dos comércios. Tudo em nome de uma casquinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Embelezando as ruas, em meio aos carros populares, estão os que apaixonam os homens e despertam a curiosidade das mulheres. São Ferrari, BMW, Audi, Porche de todas as cores e modelos, mas em geral conversíveis, teto solar. De novo a praia a nos chamar... Será que os encontraremos estacionados na beira mar ao anoitecer ? Fazendo par com as potências de quatro rodas, estão as motocicletas potentes e barulhentas ou ainda as bicicletas tipo &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;mountain bike&lt;/i&gt; e seus condutores, quase sempre em grupos, com as indumentárias próprias, uma atração à parte..&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;O chope gelado na temperatura exata, irrepreensivelmente no ponto, é outra marca desta cidade. São muitas cervejarias e muitas marcas de cerveja para atender ao mais exigente consumidor. Que tal zoar um pouco e testar o garçon? – Cerpinha? –Temos!; &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Liber? –Temos!; &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Devassa? - Também temos – Caracu ? Temoooosss !!! O calor dá esse aval à cidade. Na tulipa ou na caneca, espumando, ela (ou um chope) vem nos colocar novamente frente à frente ao mar ou ao longe embriagados pela beleza do entardecer que carrega o sol para dentro d’água e o deixa mergulhado até amanhã de manhã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Mas e a praia ? Onde fica a praia ? Cadê a praia ? Em nome dela, ou de sua ausência tão presente, só mesmo tomando mais um chope. Pode ser o Claro, Niger, Pingado, Fantástico, Ferrugem, Sexual, Shortinho e o Direto Pingüim bem ali, em uma das mais famosas choperias do Brasil: o Pinguim, inaugurada em 1936 e que é só mais um delicioso detalhe no cenário praiano de Ribeirão Preto! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Com todo esse cenário praiano jurava que existia uma praia aqui, pertinho, mas a mais próxima fica a cerca de 400 km e embora ostente vários títulos, que vão da Califórnia brasileira à Capital do Chope, nenhum se refere á praia que é apenas uma miragem alimentada pelo calor intenso, céu azul e o chope deliciosamente gelado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Hoje sou mais uma entre os mais de 600 mil habitantes de Ribeirão Preto. Acabo de chegar à cidade que só passou a existir de fato depois da Independência do Brasil quando ainda se chamava Vila de São Sebastião do Ribeirão Preto. Sem praia, sem areia, sem mar, sem mesmo um rio que permitisse aos amazônidas amenizar a saudade da água, Ribeirão aos poucos vai se transformando em minha segunda casa. Uma relação que se estreita a partir de seus moradores e que se fortalece nas conquistas dos filhos, no vislumbrar de um futuro mais farto, mais seguro, mais feliz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Ahh mas se tivesse uma praia ...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;(Ruth Rendeiro, é jornalista) &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8669015932141245896?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8669015932141245896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8669015932141245896&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8669015932141245896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8669015932141245896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/12/cade-praia.html' title='CADÊ A PRAIA ?'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-16284759610438559</id><published>2010-10-17T11:31:00.000-07:00</published><updated>2010-10-17T11:31:39.775-07:00</updated><title type='text'>DR. ALMIR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #351c75; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Acabo de chegar de Belém. Foram dez dias intensos. Muitos encontros, algum trabalho, muitos abraços e a constatação de que pouco mudou desde que deixei a terrinha há mais de dois anos. Entre tudo o que mais me impressionou foi ver a cena que marcou o apoio do DR.ALMIR à candidata ao Governo do Pará, Ana Júlia Carepa.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #351c75; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #351c75;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #351c75; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Sempre simpatizei com o PT. Nada de carteirinha ou voto de cabresto. Votei no Lula todas as vezes em que foi candidato, no Edmilson Rodrigues, Paulo Rocha... Mas sempre tive um carinho além-política por aquele que alguns da minha geração aprendemos a chamar de DR.ALMIR.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #351c75;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #351c75; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;A primeira vez que ouvi falar dele deveria ter 12,13 anos. Foi o médico ousado que encarou uma cirurgia delicadíssima no esôfago de minha tia, quando ninguém queria realizá-la. São mais de 40 anos e ela está aí pra contar a história. Todos o elogiavam pela competência como cirurgião torácico no Hospital Barros Barreto. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #351c75; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Anos mais tarde ele ingressa na política como Secretário de Saúde Pública do Estado do Pará.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #351c75;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #351c75; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;No final da década de 70 fui levada pelas mãos do jornalista (e meu primeiro chefe) Rubens Silva para a então Assessoria Especial da Prefeitura Municipal de Belém. Época da histórica rixa entre Alacid Nunes e Jarbas Passarinho. Cheguei na gestão de Felipe Santana, um militar da Aeronáutica (Brigadeiro, eu creio) em seguida substituído por Loriwal Reis de Magalhães, da Cosanpa. Depois veio Said Xerfan. Emanoel Ó de Almeida, à época presidente da Câmara Municipal, ficou interinamente até a posse de Almir Gabriel. Trabalhei pouco tempo com ele. Recebi o convite para ser revisora gramatical da Embrapa Amazônia Oriental e ele me incentivou a ir. Disse-me que ali teria mais futuro e fui. Mas nunca o perdi de vista. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #351c75;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #351c75; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Inquestionável o que fez por Belém. Irrepreensível sua liderança mesmo que na equipe estivessem profissionais renomados e que potencialmente poderiam não segui-lo. Forte, enérgico, sério, dedicado e muito inteligente. Este é o DR. ALMIR que ainda habitava no meu imaginário. Obviamente acompanhei as mudanças, a morte dos sem-terra em Eldorado dos carajás, a eleição de Simão Jatene, a ruptura, A sua ida para o Estado de São Paulo etc etc...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #351c75;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #351c75; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;O que me surpreende e me choca neste momento é a mudança radical em nome do ódio ou da dificuldade em assimilar mudanças, recuar e abrir espaços para os que acabam de chegar. Nada justifica essa a aproximação de pessoas que até bem pouco tempo se tratavam de assassinos pra cima, que se ofenderam e que levaram muitos dos seus seguidores fiéis a se declararem inimigos mortais. Muitas relações, em nome dessa hoje aparente divergência política, foram rompidas. Como ficam os que sempre idolatraram o DR.ALMIR ? Do dia pra noite ele deixa de ser o líder, o comandante pra se tornar um “velho caduco” ? A coisa funciona assim ? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #351c75;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #351c75; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Mais do que o gesto dele me&amp;nbsp;agride as mudanças de sentimentos. As de palanques já estamos acostumados a ver. Ele era de fato apenas um político que defendia interesses de grupos e de determinadas pessoas ou um homem que os seus seguidores admiravam ? É difícil demais pra mim, talvez por não vivenciar a política em sua plenitude, entender que da noite pro dia o DR. ALMIR, referência de hombridade, honestidade, competência, liderança, gestor especialmente para seu seleto grupo de admiradores, se transforme em um ser abominável que agora todos chutam como um cachorro morto.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-16284759610438559?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/16284759610438559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=16284759610438559&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/16284759610438559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/16284759610438559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/10/dr-almir.html' title='DR. ALMIR'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-3822659290543400666</id><published>2010-10-02T13:40:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T13:40:48.062-07:00</updated><title type='text'>FONTE-PROBLEMA  EXISTE SIM !</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Quando usei esta semana o termo fonte-problema, alguns colegas me procuraram indagando o que eu quis dizer com essa terminologia que nunca tinham ouvido falar. Por isso optei em escrever aqui, resumidamente, o que, em minha opinião, representa uma fonte-problema para os que fazem assessoria de comunicação.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Os colegas que permanecem nas Redações ou os que se dedicam mais á academia, talvez tenham dificuldade em avaliar na prática o papel de uma fonte falante, prepotente, arrogante e que acredita não necessitar da colaboração de nenhum outro profissional e principalmente se este for da área de Comunicação. Ele por si só se basta ! &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Essa nomenclatura se adapta muito bem àquele assessorado que está sempre à disposição dos colegas da Imprensa, mesmo sem saber do foco da matéria e normalmente acredita ser dispensável um contato prévio com os que fazem a assessoria. Refiro-me à assessoria cujo papel principal é agir e pensar estrategicamente e não mais aquela que apenas media, produz relise em abundância e marca entrevistas. Acredito no assessor de comunicação perspicaz, antenado, bem informado, que de tudo duvida e a tudo questiona e que inspira respeito e admiração de seu assessorado e não apenas subservientemente concorda com suas decisões nem sempre as mais acertadas.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Não é fácil deixar de ser operacional e tornar-se estratégico, pensante, pró-ativo. Pré-avaliar, acompanhar, analisar e pós-avaliar ações e reações é bem mais complexo e trabalhoso do que apenas comemorar a inserção da sua empresa em uma grande mídia. Porém, escolher a fonte que comandará a cena (às vezes quase um espetáculo tamanho são as encenações, cenários e até figurinos) é imprescindível para que a comemoração de fato aconteça. Sim, toda empresa tem sua fonte-problema ! Ou terão várias ? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;A questão que se coloca em discussão neste momento é até onde o assessor de comunicação tem o poder de interferir na pré-avaliação sobre a pertinência institucional dessa ou daquela fonte ser exposta e falar em nome de um grupo tão grande. Naquele momento ela deixa de ser pessoal e passa a ser coletivo. Não usará mais o “eu”, mas o “nós”. Para alguns esse comportamento pode sugerir censura ou omissão. Mas sem hipocrisia, todos sabemos que os assessores de comunicação só existem porque as empresas preocupam-se com a sua imagem e certamente não os teriam se eles trabalhassem para denegri-la ou pelo menos não fortalecê-la.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;O que fazer com um fonte (essa fonte problema !) se seu perfil é totalmente incompatível com o programa para o qual foi convidado; se expressa mal; seus resultados ainda são parciais e questionáveis, embora ele acredite que poderão um dia concorrer ao Prêmio Nobel e o pior de tudo: nega-se a ouvir o que o assessor de comunicação tem a recomendar, ignora por completo as recomendações de seus superiores e permite-se tudo, até dizer um monte de besteira.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Há fonte-problema que nem o melhor dos treinamentos do tipo media training surtem algum resultado. Acha que não tem mais nada a aprender, se rebela diante das ponderações do assessor. Quem de fato atua em assessorias de comunicação certamente sabe do que estou falando. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Com uma fonte-problema em evidência e sendo de interesse da Imprensa, o resultado final, todos os que atuam no dia-a-dia de uma assessoria de comunicação e de fato conhecem visceralmente essa atividade, já podem presumir: a matéria que tinha tudo para ser positiva se transformará, após a sua veiculação, em um grande problema. Ao invés de aplausos pelo fortalecimento da imagem institucional, provocará uma grande crise interna (e às vezes externa) e aí chega a hora de gerenciar uma nova crise.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Bem... mas isso é um novo capítulo.Mais uma atividade da nova (?) assessoria de comunicação&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-3822659290543400666?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/3822659290543400666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=3822659290543400666&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3822659290543400666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3822659290543400666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/10/fonte-problema-existe-sim.html' title='FONTE-PROBLEMA  EXISTE SIM !'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7204431098809146769</id><published>2010-09-04T12:43:00.000-07:00</published><updated>2010-09-04T12:43:00.041-07:00</updated><title type='text'>REESCREVENDO MINHA HISTÓRIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: orange; font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;É&amp;nbsp;um novo livro com personagens antigos, novos cenários, novos capítulos...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: orange; font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Textos e trechos que me permitam ir além do desabafo que marcaram as primeiras postagens.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: orange; font-family: Verdana, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Viajar mais além entre frases, palavras, recordações e a imaginação solta, livre a me fazer companhia.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7204431098809146769?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7204431098809146769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7204431098809146769&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7204431098809146769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7204431098809146769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/09/reescrevendo-minha-historia.html' title='REESCREVENDO MINHA HISTÓRIA'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-1872593650305381085</id><published>2010-05-20T12:54:00.001-07:00</published><updated>2010-05-20T12:54:50.655-07:00</updated><title type='text'>Mais um aniversário ...</title><content type='html'>Amanhã completo 5.3. Cada aniversário sempre foi pra mim um momento pra refletir, repensar e comemorar. Adoro festas, reunir pessoas queridas e este ano, depois de um turbilhão de experiências que me levaram ao crescimento e ao sofrimento, sinto-me preparada para comemorar como antes. Estou me sentindo renovada, menos saudosa, mais inteira nas emoções, apostando de novo no amanhã.&lt;br /&gt;Os motivos ? ahh são vários ! Percebo-me novamente uma profissional que se estressa com o exíguo tempo, que quer entender mais e mais a nova ortografia da Língua Portuguesa para melhor revisar os livros, se debruçar nas propostas de projeto de Comunicação para analisar escrever e escrever e escrever,. Um prazer adormecido que chega e vai pela internet, sem patrão, sem chefe, com horários que eu mesmo estipulo. Corro entre ler, escrever, revisar, planejar o passa-a-passo do XI Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico em Belém no próximo ano e a cozinha, o arrumar as camas, o supermercado e as contas a pagar. Até uma oficina de jornalismo literário estou me permitindo participar, descobrir o fazer jornalismo com mais emoção, mais adjetivos e mais ternura. Uma sede de aprender, compartilhar, ensinar e adormecer cansada e feliz com a produção do dia.&lt;br /&gt;Tenho dois motivos bem especiais pra comemorar mais esse aniversário: a existência do Raul e da Anaterra. A presença, a proximidade, a relação com eles. Ambos na adolescência com suas incoerências, hormônios, descobertas e temores, mas esbanjando amores por mim, pela avó e até entre si. Como não brindar tamanho presente divino ? Nunca me dirigiram um grito, nunca me ofenderam. Mantemos uma relação saudável de discussão sem agressão; de limites e alguns gritos, mas prazerosa e com cumplicidade explicitada no amor verdadeiro e incondicional. Comemoro, além deles, a presença pequena da mulher gigante que é a minha mãe. Saudável e próxima de mim como nunca estivera antes.&lt;br /&gt;Sinto-me revivendo, permitindo emoções adormecidas, sonhos que castrei, planos que abortei. O coração que de novo acelera e já não teme, reencontra-se em frases nem sempre completamente compreensíveis, em situações nem sempre as mais favoráveis, mas a certeza de que já não posso fugir, me alegra e me desprotege. Um hola me ressuscita e me mostra de novo a vida com seus encantos, medos e desejos. Os dias já não passam lineares, são aguardados. O amanhecer tem novo sentido e os próximos meses se traduzem em planejar e se doar. Um encanto pautado nas palavras nem sempre ditas perpetuadas no interrompido destino que se reabre como uma janela e ao longe vislumbro um sol que a tudo ilumina e ressuscita a morte adiada.&lt;br /&gt;Preparo-me para as comemorações que se anteciparam com a chegada do Rulton, da cunhada Socorro e do sobrinho Leonardo que vieram de Leme e passaram esses dias comigo inaugurando o clima festivo, a casa cheia. Mais tarde chegará a amiga-irmã Renata Menezes de Brasília. Virá me dar um abraço pessoalmente e em nome de uma amizade de décadas, compartilhar esse momento especial de retomada de um caminho que parecia interrompido para sempre. Na sexta-feira, dia do meu aniversário, virão ainda a outra amiga-irmã, a Sula Maciel, de São José dos Campos e trará consigo a tia Jorgete que veio de Belém para nos visitar. O Ruy, a outra cunhada, a Dóris e a sobrinha-afilhada Ana Júlia também devem vir e no domingo, se unirão aos amigos mais recentes como a Regina, Roberta, Liana e Paulo, de Ribeirão Preto e a Beth, “Seu” João e Gabriel que virão de São Carlos.&lt;br /&gt;No ar o cheiro da maniva no fogo. Prenúncio de uma maniçoba adubada a caminho. Arroz paraense e pernil suíno no tucupi, uma suculenta salada e como sobremesa creme de cupuaçu com castanha-do-pará e bolo podre de farinha de tapioca. Um cardápio paraense para paraenses e paulistas que se aventurarem, mas, mais do que comer e beber, quero comemorar a vida, a esperança renovada, a crença no amanhã, a alegria de novamente me emocionar, o encantamento no que é tão antigo, mas ressurge novo, inteiro, intenso.&lt;br /&gt;Brindar a existência de que, independente de quantos anos ainda viverei, hoje estou viva e por mim e por todos os que amo e me amam ser novamente feliz.&lt;br /&gt;Tim-tim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-1872593650305381085?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/1872593650305381085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=1872593650305381085&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1872593650305381085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1872593650305381085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/05/mais-um-aniversario.html' title='Mais um aniversário ...'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8817423039600062726</id><published>2010-04-03T18:39:00.001-07:00</published><updated>2010-04-03T18:39:53.308-07:00</updated><title type='text'>Quero de volta a minha rotina !!</title><content type='html'>Há algum tempo, quando estava no olho do furacão, alguém me disse que o pior viria depois. A perda seria sentida mais intensamente bem mais tarde. Diante de tanta dor, tanto pesar, não acreditei. Tinha certeza que o velório, o enterro eram as piores fases. Hoje já não sei.&lt;br /&gt;Estou vivendo uma fase de turbilhão de sentimentos, de lamentos, de percepções de perdas que vão além da morte. Não perdi só o Manoel. Não sinto falta apenas dele, do cara brincalhão, pai que dividia comigo tudo o que se referia aos filhos, amigo que segurava a escada pra eu subir e que quando eu chegava lá encima já estava me esperando pra brindar.&lt;br /&gt;Perdi mais... muito mais... Perdi uma vida em toda a sua plenitude.&lt;br /&gt;Deixei pra trás os amigos, aqueles que eu podia telefonar a qualquer hora da noite e dizer que queria tomar uma cerveja e que estariam em poucos minutos na minha porta. O telefone está aqui ao lado, mas não é a mesma coisa.&lt;br /&gt;Abandonei meu trabalho que durante mais de 30 anos me deu prazer, realização, status, satisfação. Não só o trabalho na Embrapa, mas o que comecei construindo em A Província do Pará e que passou pelo O Estado do Pará, Prefeitura Municipal de Belém, Cesep,. Ficom, Conselho Regional de Química, Conselho Regional de Psicologia, Cikel Brasil Verde, Faz...&lt;br /&gt;Deixei pra trás a minha casa que durante dez anos foi nosso canto encantado (re) construído, planejado ou não e que tinha como maior patrimônio os vizinhos em seu entorno.&lt;br /&gt;Larguei pelo meio do caminho a D. Lúcia, que durante 12 anos me compreendeu e me ajudou, junto com a mamãe, a criar meus filhos sem reclamar pelo excesso de trabalho, pelo monte de coco dos cachorros e gatos que cada dia aumentava.&lt;br /&gt;Ficou no passado a chuva nossa de cada dia, a manga que cai e assusta, o tacacá fumegando na cuia, o caranguejo toc-toc aos domingos, o Ver-O-Peso aos sábados, os fins de tarde na Estação, os passeios nas praças, os sorvetes na Cairu, os encontros à porta do Colégio Gentil, as cerpinhas (até isso tive que deixar!).&lt;br /&gt;Parece que me arrancaram de mim...&lt;br /&gt;Eu sei porque parti. Não me rebelo, não maldigo, apenas lamento e como hoje, sinto-me perdida, confusa, sem prumo.&lt;br /&gt;Mais do que agir diante de tanta mudança, dói o que não é perceptível. Apunhala pensar, decidir ser exageradamente responsável e não ter com quem dividir os medos, as angústias, as tristezas, as dúvidas e até mesmo as pequenas alegrias.&lt;br /&gt;Não quero pensar na morte como se ela estivesse aqui, à sombra. Mas este talvez seja o maior de todos os legados. Já não tenho medo dela. Hoje me permito apenas tentar não enxergá-la tão próxima, mesmo sabendo que não tardará. Procuro, mesmo sem nenhuma paranóia, conviver com a sua presença. Não.. não é o câncer que me motiva. Ele desapareceu. É a proximidade das despedidas que são mortes fracionadas, mas nem por isso menos morte.&lt;br /&gt;Há dias, como hoje, que me pergunto por quê, como conviver com tantas mudanças e tão radicais. Os que nunca tiveram nunca saberão o que vivencio. Os que apenas sobrevivem desde que nasceram jamais compreenderão.&lt;br /&gt;Paralelamente às perdas, das mais aparentemente singelas como tomar um sorvete de tapioca numa tarde quente ou comprar pupunha na feira àquela que é irreversível como a morte do Manoel, tento me adaptar à visão distorcida que a maioria dos que estou convivendo tem da Amazônia, do Norte ou como preferem generalizar, dos nordestinos.&lt;br /&gt;Venho exercitando toda a minha compreensão, algumas vezes presunção em perdoá-los pela ignorância, pela soberba, mas nem sempre fico imune a pérolas como as que ouvi recentemente de um grupo de senhoras de classe A que argumentaram que a vitória do PT deve-se à preguiça dos nordestinos que ADORAM uma bolsa família, bolsa gás, bolsa cachaça. Ou quando confundem a sigla do Pará com o  do Paraná e na tentativa de acertar escrevem PB e ainda perguntam: mas PB não é perto do PA ? por isso a gente se confunde !&lt;br /&gt;Preciso me estabilizar, reencontrar o prumo perdido, fortalecer o que de bom tenho sido presenteada e de alguma forma aprender a viver com as perdas. Enquanto não consigo, mergulho na merda e retorno. Vivo, rio, comemoro até o próximo mergulho...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8817423039600062726?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8817423039600062726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8817423039600062726&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8817423039600062726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8817423039600062726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/04/quero-de-volta-minha-rotina.html' title='Quero de volta a minha rotina !!'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-9107215655696223689</id><published>2010-03-14T12:49:00.000-07:00</published><updated>2010-03-14T12:52:52.376-07:00</updated><title type='text'>Meus deuses tinham pés de barro</title><content type='html'>Descubro com irritação e enorme prazer que ainda tenho capacidade para me indignar, me frustrar, decepcionar e rever conceitos e valores. Ter deixado os rincões amazônicos e vir me aventurar nesta parte do País considerada de Primeiro Mundo, tem me permitido tudo isso: reavaliar, surpreender, experimentar, conhecer, saborear e também me decepcionar.&lt;br /&gt;Quando morava na “baixa da Conselheiro”, àquela época sem asfalto, meu mundo se resumia ao Grupo Escolar Professor Paulo Maranhão onde conheci, também menino, o Orly Bezerra e suas irmãs. Quando muito sonhava em ir “lá embaixo” com a minha avó, a elegante D. Alzira tomar caldo de cana no Jangadeiro e passar pra comprar bombons na 4-e-4.&lt;br /&gt;Aos poucos o universo se abriu e cheguei à Almirante Barroso, mais precisamente ao Colégio Souza Franco, depois ao sonho quase impossível: à UFPA, A Província do Pará e em 1983 à Embrapa onde vislumbrei um mundo além de Belém, do Pará, do Brasil.&lt;br /&gt;Paralelamente às viagens reais viajei muito através dos livros. Cada autor parecia um velho amigo, sonhava com os personagens dos romances ou imaginava serem pessoas superdotadas, muito especiais, quase superheróis, aqueles que me alfabetizavam em Comunicação, afinal jornalismo àquela época era romântico, intenso, visceral, mas nada tinha de acadêmico.&lt;br /&gt;Durante décadas me deliciei e aprendi com os que se aventuraram a escolher essa área, a se dedicar a ela e hoje tenho o privilégio de conviver com alguns. , porém, em alguns casos, uma mistura de emoção e decepção. Em alguns casos mal consigo identificar quaisquer semelhanças entre os meus ídolos que aprendi a admirar e respeitar e as pessoas impacientes, presunçosas, intolerantes que parecem ignorar os preceitos básicos do ato de “tornar comum” ignorando completamente aquilo que pregam teoricamente com tanta ênfase. Têm dificuldade de argumentar, de aceitar o diferente, de com conviver com as diversidades.&lt;br /&gt;Dói muito constatar que meus deuses tinham pés de barros e que a teoria, quando se distancia da prática, do real, tem muito pouco a acrescentar àqueles que de fato constroem a história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-9107215655696223689?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/9107215655696223689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=9107215655696223689&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/9107215655696223689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/9107215655696223689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/03/meus-deuses-tem-pes-de-barro.html' title='Meus deuses tinham pés de barro'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-5498558651846341191</id><published>2010-03-12T06:23:00.000-08:00</published><updated>2010-03-12T06:31:48.496-08:00</updated><title type='text'>Os eternos e amados amigos</title><content type='html'>Eu sempre soube que tenho grandes, fiéis e adoráveis amigos. E não saberia viver sem eles. Hoje já não os vejo com tanta frequencia, já não os abraços como gostaria, já não converso como antes. A vida quis assim ... mas não os amo menos por isso, nem me sinto menos amada também.&lt;br /&gt;Depois que escrevi o texto que está aí embaixo, muitos me escreveram. Alguns postaram aqui mesmo no blog. Outros mandaram para o meu e-mail. Alguns foram tão especiais que não consegui controlar a vontade de dividir com os que me acompanham por aqui. Obviamente não os identificarei. Três, muito especiais, resumem o que vários outros me mandaram em resposta ao texto meio amargo, agressivo, contestador que escrevi.&lt;br /&gt;Bom demais !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;Ruth, minha amiga&lt;br /&gt;Êta pau pereira! Essa é a Ruth velha (?) de guerra que eu conheço. Aquela que pode até ter papas em lugares insuspeitos; jamais na língua, ou na pena (leiam-se teclas). É isso aí minha amiga, vivemos presentemente as nossas circunstâncias. Os Nossos Momentos (Eu escrevi na fria areia. Um nome para amar. O mar chegou. Tudo apagou. Palavras levam o mar.)&lt;br /&gt;Sem quaisquer clichês, lhe digo: você, para mim, continua, como nos tempos idos de mil novecentos e pauladas, a mesma jovem que teimava ser criança e, no fundo do fundão (como dizia o Cléo Bernardo), estava repleta de receios infundados, parecia a Dona Mita, minha avó, quem, por sinal, era uma velha sábia.&lt;br /&gt;A vida sorri para quem sorrir para a vida. Se a vida é uma arte, melhor artista é o que melhor vive. Vamos viver intensamente cada fase, todas elas são ricas. Com ou sem rugas. As marcas e cicatrizes que trazemos conosco são as nossas medalhas. São prêmios que devemos ostentar com orgulho.&lt;br /&gt;Devemos ir ao encontro do amor, aquele que talvez nos esteja esperando na próxima esquina desse mundo de meu Deus. Mesmo atrasado, receba, pelo dia 08 pp, meus parabéns por tudo que você é e tem feito. E tudo executado com muito cuidado e responsabilidade.&lt;br /&gt;Um beijo fraterno no seu coração e um abraço afetuoso em nosso passado. (Meu castelo de carinhos. Eu nem pude terminar. Momentos meus, que foram teus. Agora é recordar.).&lt;br /&gt;Um abraço saudoso.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Você, como sempre, proseando como ninguém! Adorei o signicante, mas não o significado... Não sei se lhe interpretei mal, mas nem parece a Ruth, a original, que conheci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, quando penso num namorado imaginário ou em um amigo que está passando por Belém, sempre "falo" em meus pensamentos: "Se a Ruth estivesse aqui, essa pessoa teria de conhecê-la. Taí uma pessoa que ninguém deveria passar por este mundo sem conhecer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero ter-lhe interpretado mal. Também acho difícil ver a idade chegar, tentar imaginar quantos anos de vida temos pela frente, não é fácil. Entretanto, quando lhe acompanho pelo Orkut (aliás, só tenho entrado para "ver" os amigos, nunca mais atualizei) e lembro o que você passou, acabo me motivando para enfrentar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que você, assim como todas nós, tem suas fragilidades, suas dúvidas, seus medos. Mas nesse dia 8, seja a nossa Ruth. Não preciso dizer mais nada, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos, beijos, beijos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ruth!&lt;br /&gt;Delicioso o texto, como sempre!!!!!!&lt;br /&gt;Destaquei um trecho especial: "Jovem demais para desistir de um novo amor, mas velha demais pra se apaixonar e em nome da paixão fazer loucuras".E me lembrei da burca... e do quiabo...Clichê ou não, lindo Dia Internacional da Mulher para você! E que a Ruth comece, sacanamente, a levantar a burca um pouquinho e mostrar seu tornozelo, sua batata, sua coxa e suas pernas para os homens novamente. Você pode estar ainda na fase do quiabo, mas tem muito cara aqui fora esperando para babar por onde você pisa, mulher!&lt;br /&gt;Beijos mil,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-5498558651846341191?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/5498558651846341191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=5498558651846341191&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5498558651846341191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5498558651846341191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/03/os-eternos-e-amados-amigos.html' title='Os eternos e amados amigos'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8784438169011586837</id><published>2010-03-06T11:06:00.001-08:00</published><updated>2010-03-06T11:06:46.749-08:00</updated><title type='text'>SER MULHER (aos 52 anos!)</title><content type='html'>Começam a chegar as mensagens com os tradicionais amplexos pelo Dia Internacional da Mulher. Se todos lembrassem a sua origem não seria tão penoso agradecer pelos votos de guerreira, de rainha do lar ou de falso sexo frágil.&lt;br /&gt;Aos 52 anos (em maio 53!) ser mulher fica cada dia mais difícil.&lt;br /&gt;Já não temos o viço dos 20, a sedução dos 30, a beleza madura dos 40. Os anos se enrugam em nosso pescoço, engelham nossos joelhos, encriquilham nossas mãos e ficam ainda mais evidentes nos cabelos brancos que nos levam semanalmente ao cabeleireiro e que parece o amante: só nós acreditamos que ninguém percebe Sem falar naqueles que a gente não vê, mas que será visto por alguém que estiver numa posição mais favorável. A não ser que a depilação na virilha os leve juntos.&lt;br /&gt;E a barriguinha avental, a dorzinha na hora de descer a escada, os seios tombados pelo patrimônio histórico da lei natural, a flacidez entre as pernas, embaixo do braço ? ihhh são tantas as diferenças.&lt;br /&gt;Mas, muito mais do que as mudanças corporais, me perturbam as imperceptíveis a olho nu.&lt;br /&gt;Esse ar de senhora não combina com a minha cabeça. É sempre uma surpresa me olhar no espelho. Por mais que tente, nunca acho que sou eu esse ser de cabelos arrumadinhos, sobrancelhas bem aparadas, rugas em torno dos olhos e papada crescente abaixo do queixo.&lt;br /&gt;Adoro uma piada sacana, uma gargalhada bem alta, uma boa farra até o amanhecer, andar na chuva no meio da rua, uma blusinha mais decotada. Nada que se encaixe no semblante da comportada senhora de 52 anos !&lt;br /&gt;Brigo com os anos que teimam em correr. Não aplicando botox ou colecionando lipos. Nego-me apenas a ficar pra trás. Talvez por isso seja uma devoradora de tudo o que signifique moderno, novo, futuro. Uma senhora que chega na segunda idade e meia com blog, orkut, msn, twitter, skyppe, GPS...&lt;br /&gt;Percebo que há uma total incompatibilidade entre o meu corpo e a minha mente.&lt;br /&gt;O corpo começa a envelhecer, mesmo que eu lute contra e me esforce em mantê-lo pelo menos em condições de agüentar umas seis horas na 25 de março seja esticando-o no Pilates ou movimentando-o na hidroginástica. Também tenho procurado respeitar os anos do fígado, estômago, pâncreas evitando carne vermelha, frituras e principalmente o álcool. Bebi tanto que ainda tenho um saldo para as próximas décadas. O peritônio está limpo por muitos anos.&lt;br /&gt;52 anos é quase uma segunda adolescência. Não sou nova o suficiente pra cair na gandaia e chegar cambaleando em casa de manhã e nem tão velha pra não pagar a passagem de ônibus. Jovem demais para desistir de um novo amor, mas velha demais pra se apaixonar e em nome da paixão fazer loucuras.&lt;br /&gt;Ahh como dói ouvir aquelas frases que já dissemos aos filhos e que agora eles repetem: - Isso é pra gente jovem. Fica horrível em você ! ou – não vai sair ? ihh ta velha mesmo !&lt;br /&gt;Dia Internacional da Mulher ! Sinceramente não sei qual a mulher comemorará esse dia 8 de março !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8784438169011586837?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8784438169011586837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8784438169011586837&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8784438169011586837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8784438169011586837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/03/ser-mulher-aos-52-anos.html' title='SER MULHER (aos 52 anos!)'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-968536597094773724</id><published>2010-02-08T17:40:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T17:48:37.627-08:00</updated><title type='text'>Por que Ribeirão Preto ?</title><content type='html'>Tenho ouvido com repetida freqüência a pergunta por que troquei São Carlos por Ribeirão Preto.Para os que conhecem pouco o interior de São Paulo, são duas cidades bem próximas (cerca de 100 km),mas bastante diferentes e tenho motivos bem objetivos, lúcidos, práticos, racionais e outros que talvez estejam escondidos sob os primeiros que embasaram mais essa lúcida loucura extrema.&lt;br /&gt;Nem São Carlos... Nem Ribeirão... Nunca passara pela minha cabeça, mesmo no maior de todos os devaneios etílicos, que um dia eu iria morar no interior de SP. Nunca me senti atraída por esta parte do País. Nem sertanejo está entre meus estilos de música preferidos.  Mas eu vim. Primeiro para São Carlos. Pela Embrapa, pela oportunidade de tratamento (àquela altura para mim e para o Manoel).&lt;br /&gt;Mas nada mais me prendia a São Carlos depois da aposentadoria. O que me levara àquela cidade há um ano e sete meses já não faz mais sentido. Deixei a Embrapa, não me adaptei, não tinha tesão para ir trabalhar, não me “vi” fazendo parte daquele grupo. O Raul se antecipara e desde fevereiro do ano passado já estava morando em Ribeirão ao ingressar no curso de Educação Física na USP.&lt;br /&gt;Mais racional do que isso impossível !&lt;br /&gt;Há, entretanto, outros motivos que me levaram a enfrentar essa tarefa desgastante, cansativa, onerosa que é mudar de casa e principalmente de cidade. Ribeirão tem mais a cara de Belém. É quente (mesmo que eventualmente faça no inverno 16,18 graus), tem uma população bem maior (São Carlos tem cerca de 220 mil habitantes enquanto Ribeirão em torno de 600 mil), mais opções de lazer, de compras, de praças, de shoppings, de cursos, de viagens (aqui tem aeroporto,lá não) e mais bagunça, que embora não se iguale a de Belém, me aproxima do meu habitat natural.&lt;br /&gt;As pessoas usam menos roupa, tomam mais sorvetes e chopes, freqüentam mais os bares e restaurantes, curtem estar bronzeadas e andam a pé, caminham na rua, entopem os ônibus.&lt;br /&gt;São Carlos é perfeita demais para quem viveu a vida inteira no meio de um adorável caos. Até a perfeição incomoda. Quase tudo limpo, quase tudo no horário, quase tudo farto, quase tudo como sonhamos.&lt;br /&gt;Pretendo aqui me envolver em ações sociais que não consegui em São Carlos. Voluntariado com pacientes de câncer ou algo similar e oportunidades de me cuidar mais, de sair mais, de viver mais.&lt;br /&gt;A presença de jovens - alguns deles já vieram almoçar, comer o bolo da mamãe - promete encher de novo a casa de alegria. Motivo para eu voltar à cozinha, a ouvir mais música enquanto cozinho em companhia de uma cerveja. Não a cerpinha, mas qualquer uma sem álcool.&lt;br /&gt;Continuo a busca.Talvez de mim mesma e tanto faz estar em São Carlos ou Ribeirão.&lt;br /&gt;O que procuro talvez não exista mais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-968536597094773724?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/968536597094773724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=968536597094773724&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/968536597094773724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/968536597094773724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/02/por-que-ribeirao-preto.html' title='Por que Ribeirão Preto ?'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7154039797238413727</id><published>2010-01-08T17:18:00.001-08:00</published><updated>2010-01-08T17:18:52.225-08:00</updated><title type='text'>ADEUS A UM GRANDE AMOR</title><content type='html'>Eu adoro a minha cidade. É lá que está meu umbigo, lá perdi a virgindade, tive meu primeiro emprego, dei meu primeiro beijo, comprei meu primeiro imóvel, nasceram meus filhos, conheci meu marido, fiz dezenas de amigos, tenho centenas (ou alguns poucos milhares talvez) de conhecidos.&lt;br /&gt;É lá que me encontro e me reconheço quando cai uma manga tirando o fino da minha cabeça, na cuia de tacacá que aumenta a sensação térmica já tão abafada, mas que a todos encanta e que faço questão de tomar sem ajuda de palitos ou colheres elegantes de madeira.&lt;br /&gt;Naquela terra de chão úmido me vejo criança e adolescente na Conselheiro ou jovem entre diferentes apartamentos alugados ou já mãe na Pedreira, de volta à Conselheiro e depois em Canudos.&lt;br /&gt;Tudo me é familiar. O que hoje persiste como a Yamada, Armazéns Kawage ou as feiras dos sábados pela manhã no Ver-o-Peso para comprar peixe fresco (filhote, pescada amarela ou pratiqueira pra comer bem fritinha com feijão), jambu a R$0,50, bacuri (alguns abertos na feira e degustados ali mesmo), farinha torradinha, cupuaçu de lote, pupunha de cacho.&lt;br /&gt;Há o que já passou como a “Quatro e Quatro” e o Jangadeiro, no comércio (ou como dizia a minha avó: lá embaixo). Tem o Dedão, a Cairu, a irresistível praça da República aos domingos.&lt;br /&gt;Sempre amei minha terra. Esse amor não é latente agora porque fui obrigada a partir. Meu perfume há muitos anos é o cheiro-do-pará misturado com a Priprioca da Natura. Minha casa sempre teve artesanato marajoara, tapajônico. Sempre guardei minhas revistas em cestas indígenas. O amor não é recente, é antigo e existe desde quando estava perto. Não foi a distância que o fez surgir.&lt;br /&gt;Sempre acompanhei tudo de bom e de ruim que se referem a esse amor. As novidades, a política, as conquistas, as desgraças, os fracassos, as tragédias, as belezas sistematizadas à espera dos turistas.&lt;br /&gt;Falar de Belém sempre foi para mim um grande prazer. Muitos colegas da Embrapa foram conhecê-la de perto. Fazia questão de apresentá-la. Deixava todos encantados com o açaí “quase papa” com farinha de tapioca, uma paradinha no Bar do Parque para uma cerpinha gelada, um sorvete de bacuri ou uxi na Cairu, uma foto em frente ao Teatro da Paz ou um pôr-do-sol nas Onze Janelas ou Estação.&lt;br /&gt;Acabo de chegar de lá. Foram 20 dias entre Belém e Mosqueiro (outra velha paixão !) e volto triste. Tenho certeza agora que não mais voltarei a andar tranqüila pela avenida Nazaré ou sair sem rumo pela Presidente Vargas em busca talvez da brisa da Baía do Guajará na Escadinha.&lt;br /&gt;É a certeza do adeus a um grande amor.&lt;br /&gt;Brindei e me maravilhei com tudo o que faz de Belém uma cidade única. Comi tudo o que há tanto sentia saudade, senti o cheiro da terra molhada, fui ver a Catedral da Sé recuperada, juntei manga na rua, perambulei pelas areias do Chapéu Virado, Paraíso, Farol e Ariramba (saudades do Manoel !), reencontrei amigos queridos como a Ieda, Márcia, Consuelo, Mirtes, Afonso, Ana Laura, Célio, Graça,Lilian, Eloisa, Mano (Luiz) ... abracei minha irmã, minha sobrinha, meu sobrinho-neto, meus sobrinhos. Comprei mais artesanato, biojóias amazônicas, mais aquarelas, mais cheiro-do-pará, uma nova rede.&lt;br /&gt;Mas sinto uma dor profunda ao constatar, agora com uma nitidez nunca sentida, que Belém já não me faz bem. Um amor que maltrata, que magoa, que aniquila.&lt;br /&gt;O pânico que toma conta das pessoas é contagiante. Todos estão atrás das grades, com cercas elétricas, portões eletrônicos, vidros dos carros travados. No salão de beleza é preciso confirmar o agendamento antes de entrar; o táxi à noite só se já for cadastrado; no consultório médico fica-se antes enjaulado para então ter acesso à porta principal; no banco olhares desconfiados, na rua temor ao primeiro contato, nas feiras bolsas abraçadas, coladas ao corpo.&lt;br /&gt;Vi nas ruas do centro a polícia de choque com coletes e metralhadora. Presenciei assustada três carros com sirenes ligadas com policiais e suas armas apontadas para a população que andava calmamente pala avenida Generalíssimo. Acompanhei, de perto, o seqüestro de uma mulher e a morte de um policial e do ladrão próximo a um dos locais mais belos e emblemáticos de Belém, o Museu Emílio Goeldi.&lt;br /&gt;O grande amor persiste, mas eu preciso abrir mão dele definitivamente. O pior é sentir que a violência está banalizada. Olham-se as fotos no Diário do Pará ou em O Liberal com naturalidade. Cabeças esmagadas por balas, barrigas abertas por facadas sem disfarce, explícitas e que depois vão embrulhar o camarão salgado ou pirarucu na feira. Comentam-se “quantas” vezes foram assaltados, quantos celulares foram roubados, quantas agressões já presenciaram , tudo com enorme naturalidade. Essa sensação de impotência, de cotidiano violento foi o que mais me incomodou.&lt;br /&gt;Quando deixei Belém há um ano e sete meses em busca de um tratamento digno para mim (câncer de mama) e para o Manoel (leucemia) talvez intimamente alimentasse a esperança de um dia voltar. Aposentadoria, filhos formados e o reencontro com o passado, com o amor visceral. Mas hoje sei que não voltarei. O amor será eterno, indestrutível, mas assim como outros amores, terá que sobreviver à distância. Não nos veremos com tanta freqüência, não mais nos amaremos todas as manhãs ou nas tardes chuvosas. Preciso (e quero !) viver mais alguns bons anos e em Belém ou morro de câncer por falta de atendimento ou de uma bala qualquer em um assalto qualquer no ônibus, no banco, na rua, na loja, no cabeleireiro, no restaurante, na farmácia....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7154039797238413727?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7154039797238413727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7154039797238413727&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7154039797238413727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7154039797238413727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2010/01/adeus-um-grande-amor.html' title='ADEUS A UM GRANDE AMOR'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-1686324621076338791</id><published>2009-11-28T11:28:00.000-08:00</published><updated>2009-11-28T11:32:49.331-08:00</updated><title type='text'>DO FUNDO DO BAÚ -I</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há cerca de dez anos,participei de um evento com apresentação de diferentes experiências nas áreas da informação e comunicação. Saí de lá passando mal.Diagnóstico: o&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;verdose de ACADEMICÊS. Como desabado e protesto escrevi esse texto que segue e que alguns colegas da área já conhecem e que agora socializo com os demais.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;DIRETO DO FUNDO DO BAÚ.....&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;IDENTIFICAÇÃO DOS PARADIGMAS E PRESSUPOSTOS DO PROCESSO DE SINCRONIZAÇÃO CONVERGENTE E HEGEMÔNICA DA MÍDIA ENQUANTO MANIFESTAÇÃO DO IMAGINÁRIO PERSUASIVO DO SISTEMA INVENTIVO GLOBALIZANTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruth Rendeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I - INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abordagem anacrônica do processo mais globalizante do sistema inventivo e participativo, passa necessariamente por pressupostos e paradigmas que induzem a uma complementariedade mais enfática da dinâmica fundamentalista, enquanto variáveis mutáveis alicerçadas na convergência verticalizante.&lt;br /&gt;A contextualização, a nível do imaginário que permeia a questão e que norteia as diretrizes, alimentados em uma discussão teórica do status científico, remonta a especulação que trazem em seu bojo uma visão crítica mais dialética do que propriamente ortodoxa. O que se denota, quando se avança no método experimental em que se fundamenta o trabalho temático de alta sustentabilidade, é que a premissa dá prioridade ao novo marco referencial sem levar em consideração os enfoques mais elaborados das correntes da interdisciplinariedade e dos planejamentos táticos.&lt;br /&gt;Os resultados preliminares caminham “pari passu” à ideologia predominante, instrumental dos modelos mais pragmáticos e legitimados pela visão eclética do estruturalismo contido no arcabouço das variâncias, estas, decorrentes dos diagnósticos empíricos onde as demandas levantadas referendaram os desdobramentos inerentes à questão e aglutinam indicadores voltados ao compatilhamento dos recursos.&lt;br /&gt;É fundamental a manutenção das tendências, enquanto manifestação cultural apregoada pela mídia não apenas a impressa, mas percepção virtual e que visa, tão somente a popularização dos setores comunicacionais, enfaticamente vanguardeiros, em confronto direto com o status quo que nada mais é do que a espinha dorsal do ambiente quântico, referendado pela exarcebação do consumismo.&lt;br /&gt;A hipótese defendida pelo modelo induz a uma revisão do estado d´arte em que se encontra a questão monodisciplinar preconizada pelas discrepâncias que denotam toda a criticidade capitaneadas por nefelibatas em transição e que causam impactos irreversíveis nas diversas áreas do conhecimento aleatoriamente envolvidas. Uma leitura implícita da eficiência e eficácia do agronegócio predominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;II - OBJETIVOS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Geral:&lt;br /&gt;Identificar, a nível de ONG´s e de grupos de atores, na sociedades globalizada, o suporte teórico e os impactos ambientais contidos na resiliência apregoada pela mídia, enquanto veículo da sinergia predominante em toda a praxis contida no corpus teórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Específico:&lt;br /&gt;a)   Levantar junto às unidades espaciais e que atuam com solução de conflito, inseridas no contexto em questão, as convergências anacrônicas e antrópicas da transição neoliberalizante, enquanto elemento analíticos cujos desdobramentos envolvem os multiplicadores.&lt;br /&gt;b)   Promover, num curto espaço de tempo, o intercâmbio dos pressupostos que estabelecem limites do espectro internalizado pela progressiva diluição da complementariedade.&lt;br /&gt;c)   Avaliar as prioridades inerentes às flutuações de mercado vivenciadas no modelo circular disseminadas através dos conteúdos programáticos da globalização centrada na verticalização do processo, enquanto padrões de desempenho assentados na capacitação contínua da lista de discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III - JUSTIFICATIVA:&lt;br /&gt;Os paradigmas e pressupostos que pautam todo o trabalho de cunho empírico-analítico, têm provocado interfaces e discrepâncias à nova verticalização do fenômeno, limitantes como determinantes aleatoriamenete pré-diagnosticadas e que se ajustam às causas e efeitos contidos intrinsecamente no arcabouço do processo, a nível instrumental, necessariamente fundamental para a análise do percepção do externo. As dificuldades inerentes deixam uma transição endossada pelo antagonismo capitaneadas nas ondas maior relacionamento interorganizacional abordadas na realidade virtual e do que pode ser identificado via home page ou e-mail e acessadas pela Internet ou Intranet, conforme o caso. Todos esses aspectos conduzem, numa linguagem metafórica, a aprimoramentos que necessitam melhor definições devido aos recentes avanços na práxis, objeto temático de discussões que vão além das diretrizes contidas na vivência da realidade e esbarram em redes internas cuja complexidade é bem definida de forma sinérgica na formação do mix, sempre com sinergias com diferentes abordagens. .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV - METODOLOGIA&lt;br /&gt;Os levantamentos serão pautados em instrumentos renovadores, abrangentes e capitaneados, capazes de elencar todas as relações mais intrínsecas do processo, enquanto centro de referência metodológica e tecnológica e que, por si só, permitam desdobramentos de modelos e premissas mais recentes, sendo que todas devem estar, necessariamente, embutidas nos ensaios analógicos e discursos exóticos e grotescos que a literatura aponta como mais eficientes para validação e aferição do estudo.&lt;br /&gt;Serão agrupados todos os componentes do sistema, enquanto inovações tecnológicas que de uma forma ou de outra estejam contingenciadas no âmbito da homogeneidade e permitam delinear e redirecionarr a abordagem mais anacrônica e que se contrapõe à popularização pelo método experimental ou integrem os cursos lato sensu e até stricto sensu.&lt;br /&gt;Os questionários vão permitir um diagnóstico descentralizado que alimentarão um embate de articulação mais perceptiva. permitindo uma institucionalização e interrelacionamento a nível de comunidade, com reflexo imediato nos centros geradores, como forma de fomentar a concentração de esforços à medida que se abstraem toda a estruturalidade inserida no contexto.&lt;br /&gt;Após a tabulação será criado um banco de dados cujo enfoque sistêmico  permitirá o usuário digitalizar ou deletar a diferenciação social de potencialidades estabelecidas pela globalização. Todo o arcabouço culminará em um ajuste que se insere no organograma normativo informal factualmente inserido nos organogramas em construção, resultantes do conhecimento, o que permitirá a obtenção de um denominador comum que remeta, ao mesmo tempo, ao didatismo imprescindível ao programa de capacitação do modelo circular.&lt;br /&gt;A metodologia prevê uma aderência e uso sistemático das dicotomias tipificadas e que transcendem a valoração teórica e espacial. Só assim será possível produzir com maximização “papers” que reflitam a conjugação de esforços dos parceiros envolvidos no processo. Um dos elementos de referência prioritários tornarão pró-ativos os sistemas de disseminação dos confrontos de noção inércia e com impacto experimentais. É imprescindível a percepção dos multimeios preconizados e levantados no acervo de conhecimento disponível.&lt;br /&gt;Como ponto de referência ter-se-á todo o segmento da macrorregião que margeia a rodovia mais proeminente da área, sem fugir ao dilantetismo dos marcos concentuais que traduzem muito bem o modelo mais pragmático do axioma de debate. Os técnicos, enquanto catalizadores da problemática matricial e intrínsecas da validação em uso pelos grupos catalizadores, devem ter uma visão mais holística dos avanços e que reflita a  realidade concreta vigente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V - CONSIDERAÇÕES FINAIS.&lt;br /&gt;À experimentação, que deve estar fundamentada nos software disponíveis e marcos conceituais da reengenharia, enfatizados nos recentes workshops,  é necessário acoplar as interfaces da mídia, enquanto veículo catalizador e responsável pelo fluxograma vulnerável. Avalizar o estruturalismo do aprimoramento básico referencial dos aspectos dircursivos, muito mais pragmáticos do que sincronizados, traduzem com efeito a resiliência que permeia todo os subsistemas que fazem parte do processo.&lt;br /&gt;Resgatar o inventivo e remover assim a manifestação de aderência que marcam as rupturas mais reacionárias de um passado recente, podem levar a uma elevada rentabilidade, cujo encaminhamento passa, necessariamente pelo espectro da cientificidade cujo reflexo conceitual se dá com exatidão como ferramenta estratégica de gestão.&lt;br /&gt;Espera-se, ao final do estudo, que haja uma progressiva e acentuada diluição dos referenciais cujo enfoque reducionista contribuam enfaticamente com a verticalização e assimilação do que até então era preconizada pela clientela em potencial. São efeitos catalizadores de uma visão de mercado que talvez possam auferir novos marcos desenvolvimentistas à sociedade organizada, enquanto reflexo direto da experimentação, compartimentada através da capacitação contínua de seu capital humano e alicerçada no arcabouço do domínio ético abalizada em um processo acima de tudo mediático.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-1686324621076338791?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/1686324621076338791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=1686324621076338791&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1686324621076338791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1686324621076338791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/11/do-fundo-do-bau-i.html' title='DO FUNDO DO BAÚ -I'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-1627467279618770670</id><published>2009-11-23T10:17:00.000-08:00</published><updated>2009-11-23T10:25:42.471-08:00</updated><title type='text'>Mais mensagens e o Gabbay</title><content type='html'>Não serei hipócrita: estou adorando receber tanto carinho, afagos, votos de sucesso, de um futuro melhor. Colei mais duas mensagens que estão aí abaixo (da Elis e da Marita). Apenas as que foram enviadas à lista de comunicação e que, obviamente, são públicas é que tomei a liberdade de disponibilizar àqueles que não participam desse fórum, mas que me acompanham de longe e que me fazem tão bem. Como é o caso do Marcelo Gabbay.&lt;br /&gt;Uma relação estranha essa nossa... Quando era presencial, na Embrapa de Belém, sempre foi educada, afetuosa, mas distante. Mas desde que ele resolveu chutar o pau da barraca, largar o emprego e a estabilidade e correr atrás de seu sonho, passei a gostar mais dele. Admiro muito as pessoas autênticas, ousadas, corajosas, que não temem ir à busca da felicidade, mesmo que paguem um alto preço. Hoje sinto-o mais perto do que quando dividíamos o mesmo prédio em Belém. Vejam aí do lado o que ele me mandou de presente. Divino !!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;Oi Ruth!&lt;br /&gt;Pra mim você sempre foi sinônimo de Embrapa Amazônia Oriental - quase um&lt;br /&gt;sobrenome. Nunca me acostumei com toda essa reviravolta que a vida lhe&lt;br /&gt;pregou, fazendo você migrar para SP e culminando agora com a sua despedida.&lt;br /&gt;Pra mim esse é o último capítulo de uma saga que começou anos atrás desde&lt;br /&gt;que vc saiu de sua terra natal. Não poderia ter dado um final diferente.&lt;br /&gt;Afinal, desde quando pirarucu nada em água paulista? Sem chance...&lt;br /&gt;Desconheço os reais motivos que lhe fizeram querer se aposentar&lt;br /&gt;antecipadamente, mas se isso lhe trouxer a promessa de paz de espírito,&lt;br /&gt;saúde e felicidade, vá em frente! É isso aí, garota! Isso é mais um sinal da&lt;br /&gt;sua coragem que muitos não têm. A maioria prefere reclamar de cabeça baixa e&lt;br /&gt;acompanhando a manada, a tirar os antolhos dos olhos e procurar caminhos&lt;br /&gt;diferentes que lhe tragam a felicidade.&lt;br /&gt;Vc é guerreira, mulher! Sempre foi, sempre será e por irradiar tanto brilho&lt;br /&gt;que você deixará na Embrapa uma legião de "órfãos" da "mãe" Ruth. E apesar&lt;br /&gt;de divergirmos profissionalmente (eu continuo achando que uma matéria no&lt;br /&gt;Jornal Nacional é mais importante do que no Liberal... :-) ) acho você, como&lt;br /&gt;pessoa, irretocável. E por esse motivo que eu também me incluo como "órfã"&lt;br /&gt;da Ruth da Embrapa... A Ruth guerreira e cometa, que por onde passa deixa&lt;br /&gt;uma marca iluminada.&lt;br /&gt;Que Deus lhe reserve muitas alegrias nessa sua nova vida que começa.&lt;br /&gt;Um abração e mantenha contato (afinal, estou no seu orkut)!&lt;br /&gt;Elis&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ruth, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;vamos sentir sua falta.Mas, pelo que vejo, os planos e as possibilidades de realizações são imensos e muito mais amplos.Você brilhará, é certo. Revisando, comunicando, e, sim, escrevendo. Afinal, quem pode esquecer um texto lindo, feito por uma mãe escritora, sobre um menino que engoliu um balão?Seja muito, mas muito mesmo, feliz! &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Beijos, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Marita&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-1627467279618770670?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/1627467279618770670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=1627467279618770670&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1627467279618770670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1627467279618770670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/11/mais-mensagens-e-o-gabbay.html' title='Mais mensagens e o Gabbay'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7185099336839171766</id><published>2009-11-18T13:07:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T13:15:25.610-08:00</updated><title type='text'>Mais e mais amigos se manifestando</title><content type='html'>Ruth&lt;br /&gt;Lendo seu texto eu vejo voce até nas virgulas e pontos. Ninguem mais do que eu sabe o que é recomeçar..., mas é bom. Seja feliz, amiga e não nos esqueça.&lt;br /&gt;Beijos&lt;br /&gt;Célia Libardi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Ruth,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Desejo que vc realize tudo o que ainda não pôde realizar e,principalmente, seja muito feliz!Curta muiiito sua aposentadoria da forma que melhor forma pra vc!E o mais importante: VIVA SUA VIDA!!!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Beijosss&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;Flávia Bessa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;strong&gt;Oi Ruth,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;strong&gt;tô triste de perdê-la como companheira  de dores e alegrias na jornada  embrapiana. mas tô feliz porque sei da sua incrível capacidade de se reinventar e causar!!!!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;strong&gt;beijocas,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;strong&gt;soraya&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ih tava eu quieta , não querendo mexer ainda mais com as emoções e o Robinson me provocou.Então lá vai depoimento para Ruth ler e não me deixar aqui chorando sozinha.A Ruth é aquela pessoa de quem eu sempre vou lembrar como a "chaveira" das portas da Embrapa  para mim. Tenho certeza de que a primeira vez que ouvi falar no nome Embrapa, foi numa roda de conversa  em frente ao Pavilhão A  da UFPa. , quando a Ruth, contemporânea do Curso de Comunicação de Social, enriquecia-nos (nós as calouras), com suas histórias, estórias e experiências como jornalista de redação do  "A Província do Pará"   e já como assessora da Embrapa ( Ruth , refaz estas contas , pois só o meu filho já tem 23 anos, e ele veio bem depois da nossa formatura naquele fevereiro de 1983) .Quando mudei pra Rondônia e saiu o concurso da Embrapa, recorri a Ruth para conseguir material para estudar p/ o concurso, e lá veio tudo "xerocado"  e despachado pelos Correios. Te contei não Ruth? Fui o primeiro lugar  na categoria "Difusor de Tecnologias"  rsrsrs.   Posso não ter te contado , mas agradecido em preces , isso com certeza.Ruth mana, como dizem os paraenses, e amapaenses como eu , cortar os laços com a Embrapa é mais uma dura prova , dentre as que tens te submetido nos últimos tempo, mas esta talvez nem seja tão dolorida, porque ao olhar prá trás verás que construistes um lindo caminho pleno de sabedoria e coisas boas , que sabias generosamente distribuir com os que te cercavam, por isso a cada oportunidade de retornar  a Belém ( ainda que de férias ) , eu não deixava de dar aquela passadinha pelo CPATU, p/ beber dessa fonte.Como disse o Robinson , "... vamos nos esbarrar muitas vezes pelo mundo afora". Que tal começar já? Estou indo para o Foro Ibero americano de Comunicação  Científica em Campinas. Como dizem os nossos sumanos:  "vumbora lá?".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;beijos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vania Beatriz&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7185099336839171766?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7185099336839171766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7185099336839171766&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7185099336839171766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7185099336839171766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/11/mais-e-mais-amigos-se-manifestando.html' title='Mais e mais amigos se manifestando'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7018538303998137801</id><published>2009-11-18T10:22:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T10:27:58.891-08:00</updated><title type='text'>As manifestações dos amigos da Embrapa</title><content type='html'>Tenho recebido, desde ontem, muitas manifestações dos amigos que marcaram a minha passagem pela Embrapa.&lt;br /&gt;Selecionei alguns deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Ruth,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; São benditas as rotinas, porque elas nos fazem valorizar o trabalho,  nos deixam do tamanho exato dos nossos esforços. Mas, como tudo, elas  também nos fazem algum mal, quando perdemos a força de mudar o rumo,  não nos deixando pensar como seria navegar em outros mares. Mudar  implica risco e isso sempre acende medos internos, assombra os dias e  tira o sono das noites. Por isso, a maioria de nós tende a se  acomodar. Você me fez lembrar que homens e mulhere livres são presos &gt; aos seus ideais e por isso lutam e enfrentam, corajosos, os desafios  de viver plenamente, quebram os paradigmas e se lançam aos desafios do imprevisível, assim como você Ruth. Por isso, segue o rumo do teu  coração e com certeza vais realizar os teus sonhos, porque é essa a  boa intuição e, querida amiga, nada neste mundo pode te impedir de SER FELIZ.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Heberlê&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Ruth,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Ainda emocionado com a sua mensagem e com as belas palavras do Heberlê, faço aqui também um registro pessoal.Conheci Ruth Rendeiro pessoalmente em 2000. Eu era moleque na Embrapa, mal tinha um mês de casa, e me espantei com aquela mulher exuberante, festiva, que exalava patchouli amazônico e roubava atenção por onde passava, pelos corredores do II Ciência para a Vida. Foi paixão à primeira vista.Aos poucos o que tinha tudo para ser mais uma boa relação entre dois colegas de trabalho, separados por milhares de quilômetros, acabou se tornando uma amizade firme e muito intensa. Foi ela quem me apresentou o por-do-Sol de Belém, as belezas escondidas nas ruelas daquela cidade, o amor pela cultura paraense. Hoje tenho jambu plantado no quintal de minha casa por causa dela. Quando mastigo aquelas folhas tento trazer de volta sensações que me fazem sentir mais vivo e o quanto vale a pena curtir um grande amigo. Sentir a boca dormente é trazer de volta, mesmo que por apenas alguns segundos, a presença de você, Ruth...Por isso é que ler e reler a sua despedida será sempre doloroso. Ruth foi uma das pessoas que me ensinaram a amar muito a Embrapa, a Amazônia e tantas outras coisas fundamentais. E presenciar essa despedida, da forma como está sendo feita, depois de tantos anos dedicados a essa Empresa, é muito triste.O que nos conforta é saber que essa mulher é tão grande e intensa que fatalmente vamos nos esbarrar nela muitas vezes pelo mundo afora e que ela jamais ficará distante das nossas vidas.Que Deus lamparine sempre os seus passos e que você continue a colecionar amigos na sua longa jornada.Conte sempre comigo.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Robinson&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Olá, Ruth,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Seu texto é verdadeiro como você. Sem delongas. Há três ditados antigos, da época dos alquimistas, que me lembram você e sua vida recente. O primeiro está relacionado à superação de suas recentes provações pessoais: "para que os ramos de uma árvore atinja o céu, suas raízes precisam chegar ao inferno". O segundo diz respeito à sua transição a uma nova etapa de vida: "para alguma coisa nova nascer, algo velho tem que morrer". O terceiro ditado foi selecionado pensando em você daqui pra frente: "as coisas terrenas, para serem amadas, precisam ser conhecidas; as coisas divinas, para serem conhecidas, precisam ser amadas". Um abraço apertado e boa sorte pra você. mande notícias.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Wilson&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7018538303998137801?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7018538303998137801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7018538303998137801&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7018538303998137801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7018538303998137801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/11/as-manifestacoes-dos-amigos-da-embrapa.html' title='As manifestações dos amigos da Embrapa'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7864252439067891056</id><published>2009-11-17T11:40:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T11:41:15.374-08:00</updated><title type='text'>A despedida na lista de Comunicação da Embrapa</title><content type='html'>Olá !!&lt;br /&gt;Na última sexta-feira, 13, recebi oficialmente o meu documento de aposentadoria. Termina assim a relação de 25 anos que mantinha com a Embrapa. Uma nova página que viro em minha vida.&lt;br /&gt;O sentimento é de despedida e como toda despedida tem um gosto amargo, mesmo que o horizonte se mostre mais apaixonante. É como terminar um casamento. Sabíamos que não valia à pena prosseguir com a desgastada relação, mas é inevitável sentir uma grande dose de pesar. Chegara a hora de romper antes que os momentos de prazer e de realização se transformassem em dissabores, desavenças que poderiam manchar tudo o que fora construído no passado.&lt;br /&gt;Uma decisão difícil para preservar o que ainda pode ser preservado, afinal qualquer relação de longo tempo nos transforma, deixa marcas que nos acompanharão para sempre. Nunca seria o que sou se não fosse o privilégio de ter vivido tanto tempo nos bastidores e á frente das câmeras da empresa mais conceituada em pesquisa agropecuária/florestal do Brasil.&lt;br /&gt;Mas acabou e por isso optei pela aposentadoria. Mesmo que seja a por tempo de contribuição com perda financeira, mas tenho certeza com vários outros ganhos que não serão contabilizados na minha conta bancária, mas que se refletirão no meu humor, na minha saúde, no tesão que sempre marcou tudo o que eu faço.&lt;br /&gt;Intensidade e verdade que não abro mão de exercitar diariamente.&lt;br /&gt;Como no casamento, perco um sobrenome. Deixo de ser a Ruth Rendeiro da Embrapa para voltar a ser apenas a Ruth Rendeiro, mãe do Raul e da Anaterra, viúva do Manoel Dantas, filha da Janet, jornalista, apaixonada por Belém e principalmente pela vida.&lt;br /&gt;É importante ressaltar, contudo, que vou me aposentar SÓ da Embrapa ! Não tenho vocação para ser coadjuvante, principalmente da minha história. Estou, mais do que nunca, cheia de planos que não incluem crochê ou tricô. Nada contra, mas por total incompatibilidade com quaisquer trabalhos manuais.&lt;br /&gt;Quero viajar muito, (re) aprender a viver só, (re)apaixonar-me, rejuvenescer e trabalhar mais e mais . Não com controles de horas, dias, meses, anos, mas com resultados plenos e menos estresse, mais satisfação, mais envolvimento emocional.&lt;br /&gt;Por isso, antes de dizer “até outro dia” quero deixar um recado profissional aos colegas embrapianos : se identificarem oportunidades que tenham o meu perfil estou à disposição, sobretudo as que fazem relação com a Amazônia, com comunicação institucional/comunicação interna, media training...&lt;br /&gt;Tem outro segmento que devo voltar a me dedicar e talvez poucos conheçam, já que faz parte da minha vida profissional mais remota: a revisão gramatical. Durante muitos anos atuei lendo e relendo textos técnicos no então CPATU e que agora pode ser outro recomeço. Resquícios dos meus semestres no curso de Letras.&lt;br /&gt;Estou indo ... Não sei exatamente pra onde. Ninguém sabe ! Meus planos incluem viagens constantes a Ribeirão Pretoonde devo me fixar a partir do próximo ano. Depois São José dos Campos, Santo André e vários dias em Belém, ilha de Mosqueiro.&lt;br /&gt;Deixo aqui um abraço carinhoso e bem apertado e um agradecimento especial a cada um dos inúmeros amigos que fiz ao longo desses 25 anos e outro aos que infelizmente, por algum motivo que Nelson Rodrigues deve explicar, não consegui incluir no meu círculo de amizade.&lt;br /&gt;Saio com saudade, mas feliz pela decisão que neste momento é amais coerente com o caminho profissional que trilhei por mais de 33 anos.&lt;br /&gt;A vida continua e é bela. É só deixar o sol entrar ou a chuva molhar nosso rosto ...&lt;br /&gt;Estarei sempre à disposição para conversar (assuntos sérios ou nem tanto!), afinal vou, mas deixo uma família pra trás.&lt;br /&gt;Até por aí !!&lt;br /&gt;Ruth Rendeiro&lt;br /&gt;(A partir de agora, mais do que nunca, no &lt;a href="mailto:ruth_rendeiro@yahoo.com.br"&gt;ruth_rendeiro@yahoo.com.br&lt;/a&gt; ,Twitter, MSN, Skype, blog, Orkut....)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7864252439067891056?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7864252439067891056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7864252439067891056&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7864252439067891056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7864252439067891056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/11/despedida-na-lista-de-comunicacao-da.html' title='A despedida na lista de Comunicação da Embrapa'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-1463067597799309857</id><published>2009-11-09T11:26:00.000-08:00</published><updated>2009-11-09T11:31:42.572-08:00</updated><title type='text'>ESTÁGIO PARA APOSENTADA (III)</title><content type='html'>Cursos, treinamentos, dias de campo ou acompanhamento de jornalistas me levaram muitas vezes a passar dias e até semanas nos mais longínquos rincões amazônicos. Muitos se perderam na lembrança, mas outros permanecem nítidos desafiando as décadas que me separam dessas datas.&lt;br /&gt;Lembro de um em especial em Rio Branco, Acre. Um treinamento intensivo em difusão e transferência de tecnologia. Pessoas de unidades distantes enclausuradas em um prédio distante da capital. O primeiro grande impasse deu-se com a minha presença. Uma mulher no grupo ? ninguém cogitara essa hipótese e os quartos já estavam todos ocupados por camas beliches e não tinha como eu ficar em um sozinha. Sem problema: dividi, durante uns 10 dias, o mesmo quarto com o Damásio Coutinho Filho (difusor dos mais antigos da Amazônia, boa praça, boêmio nato, falecido há cerca de três anos), Jonacir Corteletti (um capixaba que trocou a Emater-Pará pela Embrapa anos depois. Amigo querido que morreu após sofrer queimaduras graves em casa, quando morava emCastanhal), Wankes (extensionista da Emater) e um jovem pesquisador que não ficou muito tempo em Belém, o Aderson, que acredito está no Piauí. Uma farra, uma experiência maluca, de respeito, amizade, companheirismo, vontade de crescer, de fazer o melhor, de sermos os pioneiros na nova visão que a difusão começava a ter na Embrapa. Uma valorização há muito esperada, mas que caminhava lentamente. Passo à frente e outros de volta ao ponto de partida, mas que levaram ao amadurecimento do que hoje se pratica na Empresa. Ficamos todos juntos nesse mesmo quarto e ao final só boas recordações !&lt;br /&gt;Como um filme que passa e repassa momentos vão e veem, situações relevantes outras nem tanto tornam essa despedida mais uma. Aposentadoria tem cheiro de morte. Um jeito sutil de dizer que já não servimos para continuar, que já cumprimos o tempo que tínhamos como profissionais ágeis, ativos, produtivos. Hora de deixar de ser... Ser tanta coisa, ser sob diferentes ângulos ...&lt;br /&gt;A relação que muitos fazem com o crochê ou o pijama não encontra, porém, ressonância em minha vida. A decisão de deixar a Embrapa nada tem a ver com a idade ou com o fim de linha profissional. Encerro uma etapa, mas prossigo na vida, continuo como jornalista, revisora gramatical, profissional de comunicação. Só não terei mais a obrigação de estar durante oito horas em um local que já não me dava prazer.&lt;br /&gt;Estou tendo uma oportunidade de me olhar como nunca fizera antes. Vejo-me com muitos anos ainda a serem vividos com permissão para sonhar, planejar, ousar, propor e ser ouvida e sem pressa !. Vislumbro dias que dormirei morta de cansada, mas feliz pelo resultado do que foi gerado por mim ou pela equipe a qual pertencerei, onde cumplicidade seja a tônica e a empresa (seja ela qual for!) seja respeitada.&lt;br /&gt;Agora volto a Redenção. Década de 90, talvez. Uma grande equipe, um ônibus caquético cedido pelo Governo do Estado, calorento, cadeiras desconfortáveis e a participação da Embrapa em uma grande feira/exposição agropecuária. Lembro bem do Emeleocípio e Altevir. Programa cansativo demais e de pouca valorização dos que pesquisam e entendem (ou fazem tudo pra isso!) o que se passa na agricultura amazônica e suas repercussões na região como um todo.&lt;br /&gt;Hospedagem, alimentação, transporte tudo por conta da Prefeitura e do Estado. Pouco prestígio se comparado aos ilustres políticos ou dirigentes de empresas públicas. Para mim um grande impacto ver o quanto respeitam pouco, o quanto minimizam aqueles que dedicam grande parte de suas vidas a estudar, que abrem mão do glamour, das mordomias e optam pelos laboratórios, pelos livros, pelas mudanças de cidade, de Estado ed País em nome do aproprimoramento.&lt;br /&gt;Choquei !!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-1463067597799309857?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/1463067597799309857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=1463067597799309857&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1463067597799309857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1463067597799309857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/11/estagio-para-aposentada-iii.html' title='ESTÁGIO PARA APOSENTADA (III)'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-4762418644521709018</id><published>2009-11-06T16:25:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T16:26:31.715-08:00</updated><title type='text'>ESTÁGIO PARA APOSENTADA (II)</title><content type='html'>Nesse mundo novo que nos prepara para enfrentar as limitações impostas pela idade, há tempo até pra ficar mais tempo na internet, descobrir sites nunca visitados, conhecer pessoas, conversar mais, encher o saco daqueles que ainda estão no batente com a mesma ênfase que dediquei 33 anos da minha vida. Uma disponibilidade que ainda incomoda !&lt;br /&gt;Reconhecer que a velhice está chegando não é tão poético quanto tentam nos vender. Envelhecer não é fácil e nem prazeroso como tentam nos ludibriar ...”A melhor idade começa aos 60 anos”. Melhor idade em que ? O corpo fica feio, flácido, sem brilho. Cansamos com facilidade, a memória já não grava tudo e nem tem a mesma eficiência, a discriminação começa em casa com os filhos, netos, sobrinhos que sempre tentam lembrar que estamos ficando velhos. Puro eufemismo ! Estamos velhos.&lt;br /&gt;Sem falar nas limitações gastronômicas e etílicas. Essas talvez sejam as que mais me perturbam e me aborrecem. Não é mais permitido juntar de uma só vez meia dúzia de cerpinhas com belas fatias de picanha com muita pimenta fresca. O resultado é devastador e relembrado dolorosamente pelos três, cinco, sete dias seguintes.&lt;br /&gt;E o sexo ? bom... pode até ser bom! mas já foi melhor !&lt;br /&gt;Obviamente que não existe meio termo: ou envelhecemos ou morremos jovens e como ninguém quer morrer ....&lt;br /&gt;É claro que envelhecer tem suas vantagens  Como estar aqui relembrando, voltando no tempo. Só a experiência (sinônimo doce e elegante de quem já não é jovem) nos permite analisar com olhos mais nítidos uma juventude que já está lá atrás e boa parte da minha juventude profissional eu passei na Embrapa. Ali aprendi de fato o que é fazer assessoria de imprensa e fui uma privilegiada por ter acompanhado pari passu as mudanças que transformaram os fazedores de relises ou plantadores de notas nas colunas, em profissionais pensantes da Comunicação.&lt;br /&gt;Entrei no Cpatu (era assim que o centro de pesquisa de Belém era conhecido) quando o chefe geral era o Cristo Nazaré Barbosa do Nascimento, morto em um acidente de trânsito, em um final de semana de julho, na esquina da travessa Nove de Janeiro com a avenida Conselheiro Furtado. Depois veio o Emeleocípio Botelho de Andrade que me tornou efetiva. Naquela época não havia concurso, mas um tempo de experiência. No meu caso um ano prorrogável por mais um.&lt;br /&gt;Sabia que fazer assessoria de imprensa para um centro de pesquisa não era a mesma coisa que atuar em uma Prefeitura ou mesmo em faculdades, já que tivera a oportunidade de também trabalhar no Cesep (o antecessor da Unama) e nas Ficom, as Faculdades Integradas Colégio Moderno, que depois passaria ao conglomerado da Unama também. Mas não tinha percepção de como agir diferente, de como fazer uso de métodos que permitissem levar aos jornais, rádios e TV (não tinha internet naquela época) o que era gerado pela pesquisa. Mas minha intuição me guiava.&lt;br /&gt;Por isso me aproximei da Difusão. Foi lá que conheci de fato o que a Embrapa no Pará produzia. Viajei demais, passei dias em companhia de pesquisadores, conheci de perto os campos experimentais embrenhados nas mais longínquas cidades como o do Marajó ou de Tomé-Açu e participei de incontáveis reuniões com produtores e extensionistas.&lt;br /&gt;Aprendi na prática e com os reais atores, a fazer assessoria de imprensa. Sentia a necessidade de vivenciar, entender, participar para depois escrever.&lt;br /&gt;Viagens inesquecíveis :Bragança, Paragominas, Tracuateua, Belterra, Santarém, Santa Izabel, Altamira, Castanhal, Moju, Redenção, Capanema,&lt;br /&gt;Mais um capítulo à parte ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-4762418644521709018?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/4762418644521709018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=4762418644521709018&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/4762418644521709018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/4762418644521709018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/11/estagio-para-aposentada-ii.html' title='ESTÁGIO PARA APOSENTADA (II)'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-6680900623305625658</id><published>2009-11-05T12:30:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T12:37:15.583-08:00</updated><title type='text'>ESTÁGIO PARA APOSENTADA</title><content type='html'>Pela primeira vez na vida estou assistindo quase diariamente o Bom Dia Brasil ainda na cama. À exceção dos momentos em que fiquei de cama por determinação médica, acordar antes das 6 sempre fez parte do meu ritual diário.&lt;br /&gt;De repente vejo-me estagiando para aposentada.&lt;br /&gt;Sem traumas, sem muita neura, mas tentando me adaptar ao dia mais longo, ao tempo mais elástico para andar de ônibus, cuidar do jardim e de uma pequena horta ou simplesmente arrumar a cama ou passar cremes no corpo com uma concentração científica que não sabia que existia. Um é protetor solar para o rosto; outro clareia os cotovelos; o seguinte evita as rugas em torno dos olhos tem ainda o hidratante que ajuda a manter a umidade da pele.&lt;br /&gt;O estágio começou quando percebi que não conseguiria continuar insistindo em trabalhar na Embrapa Instrumentação Agropecuária. Mais da metade da minha vida eu estive envolvida com a Embrapa. Muitos momentos de êxtase, satisfação plena, prazer intenso, realização profissional incomparável. Alguns poucos de decepção, frustração, raiva, mas todos passageiros.&lt;br /&gt;Uma Embrapa que me mostrou um mundo de produtores, de amazônidas ávidos por uma semente melhorada, uma poda mais eficiente, um controle mais eficaz de combate a suas pragas e doenças.&lt;br /&gt;Ela entrou na minha vida por simples coincidência e puro interesse salarial. Estava na assessoria de imprensa da Prefeitura de Belém e o amigão Raimundo José Pinto me ofereceu a vaga de revisora gramatical. Meus quatro semestres no curso de Letras foram decisivos.&lt;br /&gt;Um universo totalmente desconhecido me desafiava. Sou urbana nata. Nasci em Belém, na avenida Conselheiro Furtado ao lado da Igreja dos Capuchinhos, depois morei vários anos no Rio de Janeiro e ao retornar pra Belém, passei um tempinho na 14 de março e de novo voltei  para Conselheiro até tomar um rumo de pular de apartamento pra apartamento com ou sem a Sula (a amiga com que dividia as despesas da independência).&lt;br /&gt;Nada me era familiar naquele ambiente rural. Os nomes técnicos me assustavam e me deixavam insegura. Taxi-branco (tinha vontade de acentuar sempre e passar para táxi como aprendera), o científicos que universalmente denominam a castanha-do-brasil (Berthollethia excelsa) ou o búfalo (Bubalus bubalis). E detalhe: o primeiro sempre começando com maiúscula e o segundo em minúscula. Passei alguns anos lendo e relendo os textos que depois se transformariam em publicações como Pesquisa em Andamento, Circular Técnica, Boletim de Pesquisa. Alguns li dez,15 vezes. Era a época da máquina datilográfica. Errar uma linha significava datilografar tudo de novo e ler mais uma vez, mesmo com os milagres que a Bartira Franco Aires fazia de conseguir colar um a no lugar de um o e ninguém perceber.&lt;br /&gt;Com a saída voluntária do Raimundo José, por volta de 1990, que optou por voltas às redações, assumi então a assessoria de imprensa.&lt;br /&gt;Assessoria de imprensa em um centro de pesquisa em Belém do Pará !!!  Aí merece parar pra começar amanhã (ou outro dia) a Parte II !!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-6680900623305625658?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/6680900623305625658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=6680900623305625658&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6680900623305625658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6680900623305625658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/11/estagio-para-aposentada.html' title='ESTÁGIO PARA APOSENTADA'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-1449207209761366189</id><published>2009-09-27T06:28:00.000-07:00</published><updated>2009-09-27T06:29:10.419-07:00</updated><title type='text'>A maioridade e suas múltiplas facetas</title><content type='html'>De repente aquele garotinho manhoso, chorão, medroso chega à maioridade. Poderia ser só mais um aniversário, mas para mim, neste momento de nossas vidas, é emblemático e cheio de nuanças.&lt;br /&gt;Ratifico, mais uma vez, como somos prepotentes, arrogantes e altivos ao acreditarmos que podemos dirigir nossas próprias vidas, rumar nossos destinos. Quando o Raul nasceu ele era o “meu” bebê, depois se transformou no “meu” menino que tentei direcionar para a pesquisa, mostrando ludicamente desde cedo a ciência e tecnologia.&lt;br /&gt;Hoje tenho um rapaz que sabe o que quer e que não é absolutamente nada do que eu queria. Determinado, cabeçudo, teimoso e que transformou suas aulas doloridas na academia no que de mais importante existe para ser vivido.&lt;br /&gt;Aos 18 anos passa a ser civilmente responsável pelos seus atos. Já não responderei por qualquer atitude ilegal que cometa, mas não consigo ainda vê-lo como um homem capaz de cuidar integralmente de si. Mesmo que more distante e sozinho.&lt;br /&gt;Seu emocional parece não ter acompanhado o desenvolvimento dos músculos que só tendem a ir mais e mais além. Tenta ser um ser independente, mas basta eu ir passar alguns dias em sua casa pra sentir o quanto ainda é carente de atenção, de organização, de carinho maternal, da presença de uma mulher.&lt;br /&gt;Relembramos com saudade alguns aniversários. Os 15 anos quando o Manoel transformou nossa casa em uma boate alegre e moderna. Os 16 marcados por um almoço que teve como um dos convidados especiais o seu professor de karatê, o Paulo, e a apreensão disfarçada pelo resultado, no dia seguinte , da biópsia do nódulo retirado da minha mama e os 17, já sem o Manoel, no Habib’s de São Carlos.&lt;br /&gt;Agora foi em Ribeirão. Eu, mamãe, Anaterra e três de seus colegas de USP mais próximos: o sempre presente e paciente Lucas; o risonho Rafael e o mais maduro André. Um brinde, sem álcool, e muito churrasco celebrou a chegada à maioridade do “meu” bebê. Sei que ali estava seu mundo onde predominam as brincadeiras, o tom sarcástico e inteligente de jovens privilegiados que riem do nada e celebram a vida.&lt;br /&gt;No final de semana anterior, brindamos com parte da família em Leme. Na casa do Ruy, sob o entusiasmo da Dóris, um delicioso bolo, muito barulho, peixada com pimenta e farinha da terra e lasanha antecipou a data. Rimos, lembramos e de novo celebramos a continuidade da vida.&lt;br /&gt;Nem eu nem ninguém saberá quantos aniversários ainda passaremos juntos, mas o importante é que o amor a tudo resista. &lt;br /&gt;Neste ou em outro plano qualquer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-1449207209761366189?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/1449207209761366189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=1449207209761366189&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1449207209761366189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1449207209761366189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/09/maioridade-e-suas-multiplas-facetas.html' title='A maioridade e suas múltiplas facetas'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-19979906680263543</id><published>2009-09-05T04:25:00.001-07:00</published><updated>2009-09-05T04:25:57.994-07:00</updated><title type='text'>Meu amigo e espelho RAIMUNDUNZÉ</title><content type='html'>Pintão, Raimundo José ou como ele dizia que só eu e a mãe o chamávamos: RAIMUNDUZÉ.&lt;br /&gt;Talvez ninguém tenha sido tão importante na minha formação como profissional, como pessoa na relação com os seus colegas de trabalho, como ele.&lt;br /&gt;Tivemos muitas oportunidades de reviver hilários momentos que começaram no jornal O Estado do Pará, ainda no final da década de 70. Papos molhados ou movidos a peixe assado, na casa da Roso Danin, em Canudos,. Mas hoje, depois desse adeus definitivo, é inevitável não sentir tudo rebrotando e como uma tempestade remexer lembranças, emoções e atiçar a saudade que dói demais.&lt;br /&gt;Dezembro de 1983, ele, mais amigo da Sula (a amiga comum com quem eu dividia apartamento), ele fala da vaga disponível na Embrapa. Não para jornalista, mas para revisor gramatical. Tinha mais a minha cara, segundo eles,e sai em busca do desafio. Um teste rápido e fui a selecionada. Aí passei de fato a conhecer aquele homem grandão, desengonçado, óculos fundo de garrafa, gago, de poucas palavras, mas infinitamente bom, justo, ético, profissional, amigo, competente, sagaz, inteligente, sério que agora nos deeixa órfãos.&lt;br /&gt;Foram anos na mesma sala, dividindo sonhos e frustrações de quem inicia um trabalho em uma instituição de pesquisa que não compreendia nossa atividade, que não percebia o nosso papel no emaranhado de projetos.&lt;br /&gt;Foi também meu mestre no pouco que sei de sindicalismo. Aprendi com ele a conviver com as diferenças, a respeitar os antagonismos e beijar e abraçar mesmo os que a gente possa discordar política ou ideologicamente.&lt;br /&gt;Uma amizade que se fortaleceu com os anos e que nos tornou irmãos. Sim, eu o considerava um irmão, assim como tinha certeza que era esse o sentimento que ele nutria por mim.&lt;br /&gt;O RAIMUNDUZÉ me ensinou o que é ética sem discursos, sem citações bibliográficas, sem metodologias ou revisões literárias. Estava no sangue e as aulas práticas tenho sempre como referência e procurado usá-las em qualquer momento da minha vida.&lt;br /&gt;Foi ele o meu maior estímulo dentro da Embrapa, mesmo não acreditando integralmente nos documentos institucionais. Na prática me mostrou um horizonte onde a amizade pode sobreviver mesmo quanto há uma aparente competição profissional. Ele era seguro e generoso e me estendeu a mão, me ensinou, me doou pérolas que me acompanharão até a morte.&lt;br /&gt;É.. e hoje escrevo sobre a morte dele. Uma morte anunciada que sabia que chegaria a qualquer momento, mas que eu não queria que fosse confirmada.&lt;br /&gt;Egoísmo talvez ...&lt;br /&gt;Sabia do irreversível quando o encontrei em São Paulo ano passado. Debilitado, mais magro, sem apetite e profundamente zangado. Passeamos pelo shopping (ele na cadeira de roda), fizemos compras, nos enganando com o cenário de alegria a nossa volta. Aos nos despedir o fizemos com muita emoção. Acreditávamos, mesmo sem nada dizer, ser este o nosso último encontro.&lt;br /&gt;Mas não foi ...&lt;br /&gt;Início de maio estive em Belém e entre as poucas pessoas que tive tempo de me encontrar, estava ele. Ai como doeu vê-lo naquele estado. Esquálido, perna esquerda quase sem movimento e um humor mais negro do que o que era uma de suas características :&lt;br /&gt;- Já viste isso, Ruth ? Tenho quatro pernas agora, mas só uma funciona de verdade !! A bengala !!! kkkk&lt;br /&gt;A última imagem foi ele pagando a mensalidade dão curso de natação do Caio (outro motivo para eu admirá-lo mais ainda) e o enorme esforço que fez só para deixar o táxi e andar uns poucos metros. Meu amigo era só dor e num esforço imensurável tentava se manter em pé, participar da vida familiar que reconstruiu com a dedicada e incansável  Sílvia Regina.&lt;br /&gt;De volta ao táxi chorei... Deixava pra trás um querido amigo, um ser humano especial e um profissional que o câncer aos poucos nos roubava.&lt;br /&gt;Há cerca de 15 dias falei com ele pelo telefone. Voz\ baixa, arrastada, entrecortada pela dor.&lt;br /&gt;-Como você está amigão ?&lt;br /&gt;- Horrível, Ruth !! Horrível! Nem ando mais.&lt;br /&gt;Agora a dor passou, o amigo se foi e só nos resta preservar a sua lembrança, agradecer ao privilégio de ter estado tão perto dele por anos. Não só nas comemorações abarrotas de uísque ou cervejas, mas como paradigma de discernimento, competência, respeito pelo outro, seriedade, ética e inteligência.&lt;br /&gt;Até qualquer dia, RAIMUNDUZÉ !&lt;br /&gt;O reencontro com os nossos amigos comuns que já se foram combina mais com você do que a dor que te fez sofrer por tanto tempo.&lt;br /&gt;Um beijo querido !!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-19979906680263543?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/19979906680263543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=19979906680263543&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/19979906680263543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/19979906680263543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/09/meu-amigo-e-espelho-raimundunze.html' title='Meu amigo e espelho RAIMUNDUNZÉ'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8703838973044244265</id><published>2009-07-01T11:19:00.000-07:00</published><updated>2009-07-01T11:20:35.795-07:00</updated><title type='text'>MINHA BIOGRAFIA</title><content type='html'>Ontem eu descobri, no divã do psiquiatra, que não são apenas as celebridades que tem biografia. Nós, pobres mortais, também temos a nossa. A diferença básica é que a Mídia não anda atrás das informações mais íntimas de nossa apática vida e nem existe ninguém querendo escrevê-la e torná-la um bestseller.&lt;br /&gt;Tudo a ver com esse momento em que a Imprensa parece só ter um tema: a morte de Michael Jackson. O colegas teóricos de comunicação tem a Agenda Seeting pra explicar tudo isso muito bem ! Sumiram, como por encanto, as pautas sobre o escândalo dos atos secretos do Senado, o golpe em Honduras, a morte dos que estavam no vôo para Paris, o caos na saúde, tudo passou a ser secundário. Bom para quem está alinhavando a biografia do astro do pop, principalmente porque ela tem nuances e tantas entrelinhas que a publicação já é garantia de recorde nas vendas.&lt;br /&gt;Mas eu também tenho a minha e o mais chocante foi saber que a maioria dela eu mesmo construí a partir de escolhas, valores, decisões, ousadia ou apatia.&lt;br /&gt;Quando crianças ou muito jovens evidentemente ela está mais entregue ao acaso. Mesmo assim, o que recebemos dos pais, de como eles nos fazem ver o mundo, já interferem e vejo isso hoje com muita clareza. Por isso considero sempre tão importante a ajuda dos especialistas na nossa mente. Eles conseguem elaborar cientificamente o que apenas sentimos, fazemos quase sempre intuitivamente. Arrumam o quebra-cabeça das emoções, reações, atos com conhecimentos adquiridos na academia e simplificam e parecem mesmo desvendar o que parecia antes tão incompreensível. Sei, contudo, que é preciso estar acessível para receber e acatar o que nem sempre nos é favorável.&lt;br /&gt;Quando, aos 28 anos resolvi sair de casa e dividir apartamento com a Sula (uma jornalista iniciante como eu) fiz com consciência de que não teria volta, de que este era o momento de eu ir viver sozinha, mesmo contrariando minha mãe, decepcionando minha avó, surpreendendo meus irmãos. Tinha conquistado esse privilégio tão ambicionado pelos jovens da minha época. Podia me sustentar e ainda ajudar em casa. E assim eu fui. Depois fiquei anos dividindo com a companheira de apartamento a responsabilidade de ser mão interina. Quando decidi ir morar totalmente só o fiz de novo com segurança. Era o que eu queria e não me arrependi.&lt;br /&gt;Vivi muito e intensamente cada momento da minha solteirice. Namorei muito, viajei demais da Bahia ao Acre, bebi bastante (peguei porres homéricos. Nem é bom lembrar !), dancei freneticamente e aos 30 comecei a ser perseguida pela idéia de que tinha que ser mãe. Mas e o pai ? Não tinha muita importância esse “pequeno” detalhe. Insisti, embora sem o consentimento dos companheiros, mas aí, sem minha interferência direta, o “escolhido” foi o Manoel. O melhor pai que poderia ter encontrado para o Raul e Anaterra. Vivemos 18 anos juntos. Problemas ? Hummm muitos... muitos... Mas nada que me leve ao arrependimento. Cresci como pessoa, amadureci como profissional, fiquei melhor como ser humano.&lt;br /&gt;Agora estou de novo só, mesmo que a presença dele ainda seja muito forte, mesmo que vez ou outra me pegue falando com ele, tentando ouvir o que acha da atitude deste ou daquele filho, mas de novo vejo minha biografia com várias linhas a serem escritas ainda. Páginas e mais páginas em branco, que com mais experiência, mais acertos do que erros pretendo escrever e não ter que apagar muitas vezes.&lt;br /&gt;Uma compreensão que adveio do divã que me fez bem perceber. Sei agora porque sou tão exigente comigo, porque primo por comportamentos que embora liberais e às vezes até surpreendentes para que os enxergam os cinquentões como idosos que já não tem planos ou sonhos : preciso ser coerente com a minha biografia. Continuar gostando de mim e tentando ir adiante, seguir mesmo que de seis em seis meses precise de novos exames e passe por momentos de intensa ansiedade só de imaginar um novo tumor. Mesmo que as lágrimas sejam mais constantes do que antes ou que situações que aparentemente seriam facilmente administradas em outras circunstâncias sejam motivos para explosões.&lt;br /&gt;Nem percebia que a minha biografia era tão importante pra mim e como, mesmo sem notar, luto para manter a coerência com tudo o que acredito e espero ainda viver que inclui muito do já vivido e o muito ainda a experimentar como esse novo desafio que ainda me parece impossível, mas que vou perseguir: dirigir meu próprio carro, mesmo que seja apenas nas calmas ruas de São Carlos.&lt;br /&gt;Um novo amor ? quem sabe ! Cedo ainda pra ocupar o que ainda está ocupado. Nem sei se ele chegará, mas se vier terá que ser compatível com a minha biografia. Isso eu descobri e adorei a descoberta !! Que me respeite, me ame, que seja inteligente, humano, profissionalmente realizado, generoso e não me inspire apenas paixão. Uma relação adulta de cumplicidade, de querer bem e de torcida mútua.&lt;br /&gt;As aventuras inconseqüentes eu vivi intensamente aos 20,30 anos. Sem medo de errar, hoje tenho pouco tempo pra consertar e talvez por isso esteja tão mais comedida, tão mais equilibrada e buscando acertar .&lt;br /&gt;Minha biografia não deverá nunca ser publicada, mas constatar que ela existe foi bom demais ! Tentarei prosseguir preenchendo as páginas que ainda faltam com seriedade, respeito e acima de tudo por amor a mim !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8703838973044244265?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8703838973044244265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8703838973044244265&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8703838973044244265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8703838973044244265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/07/minha-biografia.html' title='MINHA BIOGRAFIA'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8609225391386393496</id><published>2009-06-26T10:29:00.001-07:00</published><updated>2009-06-26T10:29:57.085-07:00</updated><title type='text'>O CHICO EM MINHA VIDA</title><content type='html'>Todos os que me conhecem um pouquinho sabem da minha paixão, admiração e sei lá mais o que pelo FRANCISCO BUARQUE DE HOLANDA. Quando ele nasceu ? eu sei !! quantas filhas teve ? eu sei? Onde buscou exílio ? eu sei ? onde morou... que cursos fez.. e principalmente sei muito de suas músicas, seus livros, suas peças de teatro.&lt;br /&gt;Só não sei exatamente quando essa relação unilateral começou, mas tenho uma cena bem nítida em minha memória. Anos 70, talvez 1971, eu com 13, 14 anos e encontro entre tantos discos na casa da minha tia Jorgete um do Chico. Não sabia quem ele era, apenas fiquei maravilhada com os seus belos olhos verdes e todas as vezes que ia na casa dela dava um jeitinho de ouvir Construção, Cotidiano ou sei mais o quê. Mas ainda mais encantada com o homem, com aquele rapaz de rosto doce e ar de bom moço.&lt;br /&gt;Aos 18 anos, já freqüentando a redação de A Província do Pará o sentimento deu um salto. Além do homem lindo descobri o poeta, aquele que melhor conseguia traduzir o que nós, jovens dessa geração, vivíamos: medo, rebeldia, insatisfação, impotência e uma vontade louca de provocar mudanças.&lt;br /&gt;Nunca mais parei de acompanhá-lo e ele nunca mais me deixou e à medida que fui amadurecendo ele foi também mudando. Saí da Construção e passei por Cálice que sabia censurada, mas não conhecia; Tatuagem, que até hoje me arrepia; Olhos nos Olhos, Feijoada Completa, Geni e o Zeppelin até hoje rejeitada pelos falsos moralistas; O Meu Amor que queria ter escrito pra alguém.&lt;br /&gt;Momentos e muitas pessoas me são trazidas de volta à memória através do Chico. Como a Sula, amiga com quem dividi apartamento e acompanhei de perto a gravidez e primeiros anos do seu filho e que não suporta ouvir Vai Passar. Estava grávida do Ivan, período de enjôo que eu tornei mais difícil de tanto ouvir a fita cassete que me fora presenteada por outro amigão, o Marcos Magalhães, trazida especialmente pra mim do Rio de Janeiro. Naquela época não se falava em pirataria...&lt;br /&gt;Meu casamento informal com o Manoel depois de 11 anos de casamento de verdade, na capela da praia do Chapéu Virado em Mosqueiro teve como fundo musical apenas músicas do Chico e na entrada, ao contrário da marcha nupcial, eu e meu tio Jaime percorremos aquele interminável corredor ao som de Eu te Amo : “ahh se já perdemos a noção da hora, se juntos já jogamos fora, me conta agora como hei de partir...”.&lt;br /&gt;Tem ainda Iolanda cantada em parceria com o Pablo Milanez. Parte em Português e parte em Espanhol. Lembranças... doces lembranças ...Ou as que a Anaterra já dançou tantas vezes quando ainda era tão pequena como “Os Saltimbancos”.&lt;br /&gt;Gosto de tudo o que ele faz, mesmo tentando ser imparcial. Li os livros (Estorvo, Budapeste, agora o Leite Derramado...) e me delicio quando me proponho a ouvir aquelas músicas que não são as mais conhecidas, mas que me embalam em doces sentimentos, me levam a refletir sobre a vida, sobre as emoções que ele ou alguém de seu imaginário vivenciou.&lt;br /&gt;Sozinha, no mais absoluto silêncio me perco no jogo de palavras e confusos encontros e desencontros da vida em canções tão fortes, tão profundas e tão maravilhosamente belas como Não Sonho Mais (dele e de Francis Hime), Você vai me seguir, com Ruy Guerra; Funeral de um Lavrador com João Cabral; Mar e Lua; A Mulher de Cada Porto e Beatriz, ambos com Edu Lobo. Ahh.. são tantas... tantas...&lt;br /&gt;Os que foram à festinha dos meus 50 anos sabem muito bem o quanto essa pessoa que não me conhece (e talvez nunca venha a me conhecer) é tão importante para mim. Tudo lembrava o Chico: o bolo com a belíssima caricatura, presente do Sérgio Bastos; a música na voz do Alexandre Souza e a platéia de grandes amigos, todos admirados dele, entoando solenemente suas canções.&lt;br /&gt;Meus filhos foram embalados por suas músicas. Substitui as canções de ninar pela obra do Chico mesmo que elas tivessem refrões como “joga bosta na Geni” ou “saudade é o revés do parto. Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu”. Hoje conhecem e até gostam dele como poucos adolescentes.&lt;br /&gt;Quando estivemos no Rio de Janeiro em abril passado, além da programação típica de turista, eu, Anaterra e a minha sobrinha Ana Júlia fomos ver a peça “Meu Caro Amigo” com a atriz Kelzi Ecard. Vi a programação pela Net do que estava em cartaz e a mais próxima do Chico era essa. Um domingo de decisão entre Botafogo e Flamengo, mas assim mesmo o Teatro Leblon estava repleto.&lt;br /&gt;Vi, chorei, me encantei com o monólogo musical que conta a história de uma professora de História do Brasil, cinquentona, que tem a sua vida ciceroneada pelo Chico. Kelzi dá um show. Parece ser ela a Norma e não um personagem. Depois que ela deixou o teatro me aproximei meio tiete e contei que era uma Norma também. Simpática conversou, comentou sobre a peça, autores e quando eu disse que morava em São Carlos falou que havia previsão de apresentação na cidade. Trocamos e-mail e no último domingo de novo fui ver, através da impecável interpretação da Kelzi, o Chico personificado em um ser único, que transforma, que acrescenta, que faz pensar e nos deixa estarrecidos ou revoltados. Nos faz acreditar mais e mais no amor ou a odiar qualquer paixão e acima de tudo desnuda nossa alma feminina com tanta naturalidade que mesmo expostas no mais íntimo de nosso ser, o perdoamos.  É assim que me sinto quando sem pudor, diz :&lt;br /&gt;O meu amor&lt;br /&gt;Tem um jeito manso que é só seu&lt;br /&gt;De me fazer rodeios&lt;br /&gt;De me beijar os seios&lt;br /&gt;Me beijar o ventre (sexo)&lt;br /&gt;E me deixar em brasa&lt;br /&gt;Desfrutar do meu corpo&lt;br /&gt;Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8609225391386393496?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8609225391386393496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8609225391386393496&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8609225391386393496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8609225391386393496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/06/o-chico-em-minha-vida.html' title='O CHICO EM MINHA VIDA'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-3302452888780117529</id><published>2009-06-12T06:32:00.000-07:00</published><updated>2009-06-12T06:33:16.780-07:00</updated><title type='text'>Dia dos Namorados inusitado</title><content type='html'>Datas são sempre datas. Mesmo que sejam quase sempre comerciais, acabam permitindo que a gente grave com mais fidelidade o que vivenciamos nesse mesmo dia no ano anterior, no outro, no outro...e o Dia dos Namorados não é diferente. Uma data muito simbólica pra mim.&lt;br /&gt;Gosto desse clima de surpresa, de presentear, de ficar na expectativa pelo presente que vai chegar. Mesmo casada durante anos, eu e o Manoel mantivemos por longos anos esse clima e nunca nem um ou outro ficou sem uma lembrancinha. Lembro da última, no ano passado, no Hospital AC Camargo. O Pedro, irmão dele, foi o encarregado de comprar o meu presente. Como o hospital fica no bairro da Liberdade, ganhei dois bonequinhos da sorte japoneses. Pequeninos, frágeis e bonitos. Estão na sala agora. Eu antecipei o meu. Dei a ele uma nécessaire com tesourinha, barbeador e outros apetrechos masculinos. Não pensara, ao comprar, que ele usaria no hospital, mas que seria muito útil nas viagens que estavam programadas dentro de sua nova função na Embrapa. Pela primeira vez iria exercer a profissão de engenheiro civil em sua plenitude. Não deu tempo...&lt;br /&gt;Este tem sido o mês das grandes lembranças. Talvez dia 2 de agosto elas se reduzam. Há um ano eu e a Anaterra deixamos Belém em busca não sei exatamente do que. O que nos movia era apenas a necessidade de ficar ao lado do Manoel e de partir em busca de um tratamento mais digno e eficiente pra mim. Relembro cada situação. Da mais feliz (como a certeza de que a Déa, irmã dele, era doadora compatível) com as mais tristes, mais difíceis, mais dolorosas. O que mais me perturba é que sinto tudo isso como se estivesse tão longe, como se eu não fosse também a protagonista dessa história.&lt;br /&gt;Hoje não há namorado, nem amante, nem marido. Só lembranças. Não apenas do Manoel, mas de todos os que foram importante em minha vida e que deixaram marcas profundas em um dia dos namorados qualquer há tantos anos.&lt;br /&gt;Talvez um dia queira de novo me enamorar. Não é casar !! Não... isso não. A experiência foi boa, mas não quero repeti-la. O que me encanta é o apaixonar-se de fato. O frio na barriga no telefonema surpresa, o prazer de estar ao lado, passear, fazer planos com alguém que de fato te queira, o perder o olhar no vazio e ficar com aquela cara de bobo como se fosse o único ser do planeta a sentir esse aperto no peito e o suor nas mãos.&lt;br /&gt;Não darei nem ganharei presentes (algo inusitado há mais de duas décadas). Mas talvez compre um belo casaco pra mim e me presenteie. Afinal, o frio aqui em São Carlos não para nunca e eu mereço !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-3302452888780117529?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/3302452888780117529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=3302452888780117529&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3302452888780117529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3302452888780117529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/06/dia-dos-namorados-inusitado.html' title='Dia dos Namorados inusitado'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8566851478068300263</id><published>2009-05-22T09:32:00.000-07:00</published><updated>2009-05-22T09:33:22.221-07:00</updated><title type='text'>Os aniversários e a aniversariante</title><content type='html'>5.2 ! Uma idade que quando eu era jovem (l[a pelos 20, 25) achava que seria uma velha, que arrastaria os p[es e andaria de robe do Ceará durante o dia inteiro. Sentada em uma cadeira de balanço bordando ou fazendo crochê ou no máximo uma palavras cruzadas ou lendo um bom livro!&lt;br /&gt;Preciso de um espelho pra contar as rugas, olhar com um olhar crítico as mãos já cheias de dobrinhas e machas senis ou, depois de trabalhar e ir ao supermercado, me sentir muito cansada para ter a certeza de que o tempo correu, de que de fato estou envelhecendo.&lt;br /&gt;Envelhecendo, mas como ? estou cheias de planos, olhando para o futuro e isso é envelhecer ? Quero desafios para produzir adrenalina, como dirigir em São Carlos. A colega Mônica, da Embrapa, até comprou um livro tentando me ajudar (Vença o medo de dirigir). Estou confiante !! Quero produzir muitos textos ainda, dar palestras, realizar, fazer, vibra. Ficar velha é isso ?&lt;br /&gt;Ontem revivi com muita intensidade diversas passagens da minha vida. Os  aniversários são sempre meio deprê, principalmente esse. Há dois anos estava atarefadíssima organizando a deliciosa festa dos meus 50 anos com o Chico Buarque. Tudo perfeito: amigos chope à vontade e muita música do Chico com o Alexandre Souza. Não havia nenhuma indicação de câncer de mama ou leucemia. Só planos ...&lt;br /&gt;No ano passado já não havia tanta alegria. Eu me refazia de duas cirurgias e o Manoel já estava no A C Camargo. Mas havia esperança, acreditávamos na cura.&lt;br /&gt;E agora estou aqui. Não estou triste, mas apenas saudosa. Uma cidade diferente, ainda com tantos lugares desconhecidos e surpreendentes; colegas que tornaram meu dia ontem especial, se esmerando em carinhos e atenções. A Jaqueline trouxe uma cesta de lindas flores; a Mônica o livro, o Valentim e a esposa Socorro uma planta linda que não conhecia: a flor de maio que deverá ser plantada em um vaso grande e crescer... crescer... como me adiantaram.&lt;br /&gt;A Anaterra também quis me homenagear de forma especial. Comprou (certamente com o meu dinheiro !) um belo buquê de rosas brancas e mandou entregá-lo na Embrapa com uma cartão carinhoso e cheio de amor.&lt;br /&gt;Tem ainda os telefonemas (os irmãos, a Ieda, Consuelo, Célio Melo...), as mensagens (não correrei o risco de enumerá-las) e à noite, ao deitar tão cedo, a certeza de que estou viva e que mesmo com tantos atropelos, a vida é linda e tem que ser comemorada a cada minuto, a cada dia antes que se vá.&lt;br /&gt;Não ter o Raul do meu lado também doeu. Ou talvez é o que tenha doído mais. Foi a primeira vez, desde que ele nasceu que não acordamos e dormimos juntos dia 21 de maio, embora eu soubesse que isso mais cedo ou mais aconteceria. Como disse meu analista: ele já está terceirizado. Falo com ele diariamente, é doce, meigo e todo final de semana está em casa. Poderia ser pior se fosse mais distante. Ao mesmo tempo em que sinto falta dele, do único homem hoje em minha vida, fico orgulhosa e tranqüila ao constatar que ele já sobreviverá, sem grandes problemas, na minha ausência. Queria que o tempo corresse e isso tudo se repetisse com a Anaterra.&lt;br /&gt;Sim.. porque nesse emaranhado de emoções às vezes paradoxais, volta o medo da recidiva, da metástase. Tenho sentido, desde que cheguei de Belém, fortes dores na mama onde havia o nódulo. Arde, dá pontada e incomoda. Preciso ir ver o que é. Voltar a Campinas e antecipar os exames marcados para julho. Tenho que ser forte, não pensar demais, mas não pensar é impossível.&lt;br /&gt;Mas isso é só na próxima semana. Agora estou me preparando mesmo para tomar um cerveja à noite com algumas pessoas especiais que encontrei aqui. Irão degustar (alguns pela primeira vez), cariru, pernil no tucupi, arroz de marisco com caranguejo de Belém e de sobremesa creme de bacuri. Quero ouvir música, rir, conversar com a Fabiana, Jaqueline, Mônica, Beth, Sandra, Valentim, Socorro, Clayton, Thaís e os colegas da Anaterra e quem sabe até do Raul que podem vir de Ribeirão esta noite. A probabilidade da colega de longa data, da Embrapa de Manaus, Sumara também vir de Campinas onde faz mestrado, especialmente para esse encontro, está me deixando mais ansiosa ainda...&lt;br /&gt;Há de ser um momento bom, mesmo com tanta saudade do que já tive e não tenho mais e do que tenho, mas está tão distante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8566851478068300263?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8566851478068300263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8566851478068300263&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8566851478068300263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8566851478068300263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/05/os-aniversarios-e-aniversariante.html' title='Os aniversários e a aniversariante'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8337341733535182004</id><published>2009-05-15T10:35:00.001-07:00</published><updated>2009-05-15T10:35:58.862-07:00</updated><title type='text'>Rio... Belém..Brasília ... São Carlos ...</title><content type='html'>Tanto tempo sem vir aqui escrever, sem registrar esse novo mundo que se mostra novo a cada dia novo. Muitos amigos, principalmente os que mantenho contato apenas pela Net, sempre cobram as novidades, as notícias, mas não está sendo fácil parar. O que para mim é um bom sinal.&lt;br /&gt;Os últimos 20 dias foram muito intensos. Exatamente do jeito que eu gosto, do jeito que eu sou, mesmo que me sinta muito cansada ao anoitecer. Deve ser a idade, a saúde, a disposição que aos poucos vai se esvaindo.&lt;br /&gt;No feriado de 21 de abril fomos ao Rio de Janeiro. Há muito tempo queria “apresentar” aquela cidade linda aos meus filhos. Sinto uma energia diferente quando chego lá. É como se lá fosse meu chão também. O jeito de ser do carioca me apaixona. Pessoas que desfilam pelos calçadões sem preconceitos, sem tentar esconder o corpo obeso, repleto de celulite, envelhecidos ou com a barriga de chope tão pronunciada. Todos parecem se sentir belos, felizes, bem resolvidos.&lt;br /&gt;É claro que estou me referindo aos cariocas da zona Sul, classe média, que vivem entre a Barra e o Flamengo, já que paralelamente à beleza incomparável do Pão de Açúcar, da Urca ou do Arpoador, tem as favelas, os crimes, os assaltos, as balas perdidas.&lt;br /&gt;Raul, Anaterra e a sobrinha-afilhada Ana Júlia com todo o entusiasmo da juventude me proporcionaram a oportunidade de ver o Rio de uma maneira que há muito não conseguia: a beleza aliada à modernidade; a natureza esbanjando charme e os homens sarados ou não e as mulheres nem tão lindas lhe homenageando com o belo bronzeado, com as poucas roupas.&lt;br /&gt;A mamãe foi um capítulo à parte. Levá-la ao Rio de Janeiro era um desejo pessoal antigo. Quase uma obrigação. Queria que ela voltasse àquele ambiente que um dia foi obrigada a abandonar quase como retirante há mais de 40 anos e com três filhos pequenos. Um dos desastres mais marcantes do fim de seu casamento. O retorno foi de fato triunfal. Mesmo com suas poucas palavras, era perceptível a alegria de ali estar em uma outra situação. Dignamente em um hotelzinho no Flamengo, passeando como turista no bondinho do Pão de Açúcar ou no calçadão de Copacabana. Sua noção de localização a deixou superior a todos nós e teve a oportunidade de falar para os netos sobre algo que ela sabe bem mais do que eles.&lt;br /&gt;Passeamos, rimos, descobrimos uma casa que vendia um tacacá maravilhoso e um açaí puro e fresco e matamos ainda a saudade de nossa terra. Fui ainda me emocionar, junto com a Anaterra e Ana Júlia, no teatro Leblon vendo “Caro Amigos”, uma homenagem ao Chico Buarque de Holanda. Uma peça que poderia ter sido escrita por mim, se tivesse esse dom: uma cinquentona que teve grande parte da sua vida dividida com o Chico mesmo que ele nunca tenha tomado conhecimento. Uma apaixonada pela sua obra, mas também pelos seus olhos. Uma desvairada pelo gênio da MPB.&lt;br /&gt;Voltei renovada para São Carlos e com aquela certeza deliciosa de que agora estou bem mais perto do Rio de Janeiro, de Curitiba, de Belo Horizonte e de tantas outras belas cidades. Algumas (ou mesmo muitas) horas me separam desses lugares em ônibus confortáveis, seguros, em estradas sem buracos e com poucas possibilidades de assalto. Inevitavelmente comparo com Belém, o Pará e a Amazônia em geral. Ao mesmo tempo em que sinto saudade do meu povo de pele morena e sotaque carregado nos sss, fico indignada com tanta diferença, com tanto descaso com aquela região. É preciso abandoná-la pra entendê-la.&lt;br /&gt;BELÉM&lt;br /&gt;Uma semana em São Carlos e de novo arrumar malas. Agora para bem longe, me olhar no espelho das recordações, reencontrar o meu mais íntimo ser, sorrir, chorar, me emocionar.&lt;br /&gt;São Carlos – Belém representa um grande e cansativo deslocamento. Primeiro é preciso chegar a Campinas (duas horas de ônibus), depois mais 1h 20 min de avião de Campinas a Brasília. Em seguida mais 2h 20min de Brasília a Belém e finalmente o aeroporto de Val-de-Cans e amiga Ieda Jucá em companhia do queridíssimo Neiro me aguardando. Optei por ficar lá com ela. Gosto de conversar com a Ieda. É objetiva, amiga, clara, doce quando tem que ser, rígida quando necessário e o filho André, com seu ar de lord herdado do pai me parecia o ambiente ideal para ficar frente à frente com tanta coisa que sabia apenas adormecida.&lt;br /&gt;Vários motivos me levaram a essa viagem: finalização da monografia do curso de pós em Comunicação na Unama que nunca chegava ao fim; obtenção do documento que comprove o período que trabalhei na assessoria de imprensa do Prefeito de Belém e dessa forma agilizar a minha aposentadoria; participar da cerimônia em comemoração aos 70 anos da presença da pesquisa agropecuária na Amazônia e acima de tudo me abastecer de amigos, de carinho, de abraços apertados, de bons papos.&lt;br /&gt;Consegui fazer tudo, inclusive comer piquiá com farinha torradinha na casa da Ieda; almoçar caranguejo toc-toc com a minha irmã Ruthlene, minha tia Jorgete, a sobrinha Thaís, o sobrinho Filipe, o sobrinho-neto Thomas e o sobrinho-torto Rafael. Caranguejo com molho de tucupi, pimenta de cheiro e farinha... Tudo de bom...&lt;br /&gt;Rever esses parentes que deixamos lá atrás sempre nos faz relembrar momentos, repensar nas mudanças radicais que a vida nos impôs, avaliar sentimentos e acreditar que nada acontece por acaso. Em algum lugar estava escrito que teria que ser assim. A Ruthlene é a mais fragilizada. Sentiu mais a ausência de todos nós, mas tem os filhos, o neto e a vida anda, prossegue, se reestrutura mesmo contra a nossa vontade.&lt;br /&gt;Ir à Embrapa Amazônia Oriental e lá permanecer por dois dias consecutivos foi uma prova de fogo. Ao mesmo tempo que revi pessoas queridas e que foram tão importantes na minha vida, afinal fiquei ali por mais de 24 anos, remontei cenários, momentos que variaram da juventude inconseqüente ao namoro, casamento, nascimento e infância dos filhos. Percebi/senti o Manoel em diversos momentos, mas sobretudo no auditório intimamente chamado de “Ferradura” onde ele circulava muito, sempre atento às necessidades dos chefes. Inevitável as lágrimas, incontrolável a saudade. Ainda é muito complicado pra mim aceitar que tudo permanece aparentemente igual, mas ele não está mais entre nós, não ocupará mais a sua sala, não atenderá com aquela voz raivosa de quem não suporta ser interrompido.&lt;br /&gt;Estive rapidamente em Canudos. “Nossa” casa está lá, suja, com ar de abandono, mas com o mesmo pinheiro na frente. Que sensações absurdas ...&lt;br /&gt;Um encontro organizado pela querida e sempre fiel Consuelo, reuniu um grande número de amigos na Estação da Doca. Não vou nominá-los com receio de esquecer algum, o que seria imperdoável, afinal me permitiram rir, relembrar, esquecer algumas situações que prefiro não lembrar.&lt;br /&gt;Os abraços apertados continuaram se multiplicando nos encontros com a Márcia, Sérgio e Brena no Pátio Shopping Belém – que para todos na cidade continua sendo o Iguatemi ; na casa do Célio Melo e Lúcia, sempre tão amáveis e amigos; no encontro inusitado no meio da rua com a Bia e a filha Thaís que depois me mandou um belíssimo e exclusivo presente: uma blusa de seda com um desenho delicado do Ver-O-Peso. Linda !! Linda !! Linda !!&lt;br /&gt;Uma parada de algumas horas no aeroporto de Brasília e sou de novo presenteada: agora com papos gostosos, alegres e muito íntimos com a Renata Menezes. No carrinho a mala e os 40 kg de excesso: açaí (muitos litros!), jambu, camarão, tucupi, polpa de cupuaçu, de bacuri, sorvete de uxi (pedido da Anaterra), 100 bombons de castanha e cupuaçu, pupunha, farinha (muitos litros!) e mais um monte de outras coisas tipicamente belemenses...&lt;br /&gt;A volta foi demorada e cansativa e confesso, com uma certa dose de estar traindo a mim mesma, que já estava sentindo falta da calma de São Carlos, das ruas limpas, da ausência de nossa “gente humilde” que pede, caminha cabisbaixa com a cara sofrida ou rouba. Em Belém a “sensação de insegurança” é enorme. Todos abraçam suas bolsas, evitam andar com as janelas dos carros abertos, nas entradas dos edifícios segurança dobrada e temem a aproximação de alguém quando caminham pelas ruas. Bem diferente do que presenciamos em São Carlos...&lt;br /&gt;Sinto muita saudade, mas muita revolta também que ficou mais aguda quando, da sacada do apartamento da amiga Ieda, via todas as manhãs as enormes filas de doentes ou seus parentes, na chuva ou no sol, buscando uma consulta no Hospital Ophir Loyola...&lt;br /&gt;Bem... mas isso merece uma inserção específica, um relato maior que já enviei ao Lúcio Flávio Pinto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8337341733535182004?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8337341733535182004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8337341733535182004&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8337341733535182004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8337341733535182004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/05/rio-belembrasilia-sao-carlos.html' title='Rio... Belém..Brasília ... São Carlos ...'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7724239601078078518</id><published>2009-04-15T06:26:00.000-07:00</published><updated>2009-04-15T06:27:34.319-07:00</updated><title type='text'>As visitas ...Presenciais e virtuais</title><content type='html'>Sempre gostei de receber pessoas em casa. Desde solteira quando morava na Conselheiro Furtado em Belém já reunia pessoas que normalmente iam saborear algum prato regional. Lembro de um aniversário meu onde, totalmente inexperiente em pelo menos compatibilizar pessoas x espaço x louças x comida x bebidas, convidei um montão de gente sem noção de como atendê-las. Até a Vera Castro, colunista querida do então O Estado do Pará compareceu e vivenciei um dos maiores vexames da minha vida: a Vera ao sentar no sofá ele simplesmente desabou. Justo a Vera tão chique, acostumada a freqüentar lugares tão sofisticados quase caiu no chão em minha casa !&lt;br /&gt;Muitas outras vezes fizemos reuniões em casa. O cozidão, prato pesado feito com carne de segunda gorda como peito, rabo, com muitos legumes e verduras que vão do jerimum à macaxeira passando pela batata doce, quiabo e maxixe e que se tiver uma banana comprida fica mais gostoso ainda, ficou famoso entre os colegas jornalistas como o Ronaldo Brasiliense, Carlos Honorato e Orly Bezerra.&lt;br /&gt;Depois, morando sozinha, mesmo no pequeno kitnet da avenida Governador José Malcher – o El Dourado- sempre tinha alguém (ou bem mais) em casa tomando uma cerveja, ouvindo música, papeando.&lt;br /&gt;Quando passei para a casa maior na Roso Danin, em Canudos, encontrei o habitat perfeito para receber muita gente. Motivos não faltavam. Agora já vivendo com o Manoel, que também gostava dessas festas improvisadas à base de muita cerveja, peixe ou caranguejo, as reuniões eram quase semanais.&lt;br /&gt;Há cerca de um ano esse clima mudou. Aconteceram até pequenas reuniões como o meu aniversário dia 21 de maio e a visita surpresa das velhas e queridas amigas do Colégio Visconde de Souza Franco ou o miniCírio em São Carlos, no segundo domingo de outubro, mas nada que lembrasse as anteriores. Já havia descoberto o câncer na mama e o Manoel estava hospitalizado e em outubro infelizmente morto.&lt;br /&gt;Hoje, quando começo a perceber que o tempo de fato é o melhor remédio e que tudo na vida passa, mesmo contra a nossa vontade, ainda não me vejo internamente feliz, mas já sinto falta de momentos alegres. O prazer da música alta quando cantava junto com o Chico, João Bosco, Nara Leão, Maria Betânia, Milton ou os nossos cantores do Pará e as cervejas em quantidade maior a ponto de ser inevitável uma boa e demorada sesta após o almoço, ainda não aconteceu. A festa interior não foi externalizada e qualquer insistência seria forçada.&lt;br /&gt;Mas este final de semana chegou perto.&lt;br /&gt;Meu irmão Rulton, a cunhada Socorro, a sobrinha por afinidade Marcela e o queridíssimo e especialíssimo Leonardo, nos permitiram uma quase volta aos dias que ficaram pra trás. Morando em Leme, a convite do outro irmão Ruy, a proximidade nos permite ter mais contatos e amenizar a saudade que ainda maltrata.&lt;br /&gt;A gastronomia baseada na culinária paraense incluiu pirarucu frito com feijão e vinagrete, pirarucu no leite de coco e batata, risoto de camarão salgado do Maranhão com legumes, farinha torrada de Belém, pimenta no molho de tucupi e creme de bacuri como sobremesa, teve agregado ainda as delícias dessa parte do País, principalmente as frutas como caqui, kiwi, ameixa fresca, figos. Na sala um DVD novo da Leila Pinheiro foi repetido inúmeras vezes.&lt;br /&gt;As lembranças e muitos sorrisos surgiram naturalmente.&lt;br /&gt;O Leonardo foi um capítulo à parte. Como sempre cativante, inteligente e carinhoso. Nem lembrava mais o quanto ele era doce e com um raciocínio tão rápido. Eu e a Anaterra (sempre a mais animada de todos) montamos uma agenda específica para ele. Uma ida à loja de brinquedos e a aquisição da nova motocicleta, um passeio à praça no centro de São Carlos, visita ao shopping onde percorreu a exposição da Vila Sésamo, sorvetes e muita, muita conversa.&lt;br /&gt;Tudo muito espontâneo, natural e diferente. O frio das manhãs de São Carlos nos lembrava que Belém estava bem longe, mas rimos das nossas histórias de infância, deitamos na rede armada no pátio e resgatamos muito do que tínhamos deixado para trás. Muito do que ainda está obscurecido pela saudade, pela dor, pelas perdas, pelas mudanças.&lt;br /&gt;Mas não são só as visitas presenciais que me encantam e me fazem companhia, que me permitem dividir uma solidão que ainda incomoda e deixa os dias mais longos. Felizmente tenho recebido diariamente a visita de pessoas amadas via a grande rede mundial de computadores. Não sei como sobreviveria hoje, neste meu mundo atual, sem a Net.&lt;br /&gt;Renata Amoras (a amiga de décadas), Thaís (a sobrinha mais velha), Ana Laura (a amiga de Belém que agora está em Brasília), Ieda (amiga de Universidade e sempre muito presente), Dóris (a cunhada de Leme), Dulcivânia (a colega da Embrapa de Macapá), Kátia (da Embrapa Florestas), Carlos Honorato (amigo de anos que reencontrei há pouco tempo), Érika (a mamãe do ano), Levy (jornalista que a Internet me trouxe de volta), Marcelo Gabbay (que a distância me presentou como amigo), Chico Carlos, Sumara, Andrea, Toni, Carlos, Renata Caetano, Fernando Jares...e tantos e tantos que quando aparecem na tela transformam meu dia. Seja aqui, deixando seus recadinhos, seja no msn para me ouvir e me acarinhar, me dar colo, me fazer companhia.&lt;br /&gt;Tem ainda os que me acompanham à distância, sem se identificar. Vejo pelo número de visitas ou pelas mensagens anônimas que lá estiveram, mas nem sempre é possível saber quem são, o que pensam sobre o que escrevo aqui. Um visitante bem emblemático, lacônico tem deixado mensagens que indicam ser uma pessoa que tem como língua mater o espanhol, manifestados pelas palavras e frases como sentí, reviví, optimista ou y me asusté.&lt;br /&gt;Pela proximidade que tenho com o jornalista Osman, pessoa querida e que neste momento está silencioso como tantas outras vezes já se manteve, deduzo que essas visitas venham de lá, de outro País. Não tenho certeza, mas gostaria muito que fosse...&lt;br /&gt;Ele, assim como todos os que me visitam (em casa ou na internet), deixam minha vida mais leve, mais alegre, com possibilidade de novos sonhos, de retomar caminhos interrompidos e de novo me permitir ser a Ruth que adora passear, caminhar pelas ruas cheias ou silenciosas, visitar lojas de artesanatos, comer peixe e viajar... viajar... viajar... seja  para Leme ou para Belém, para Cuiabá ou Brasília, Pirinópolis ou Mosqueiro, São Paulo ou Santa Cruz !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7724239601078078518?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7724239601078078518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7724239601078078518&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7724239601078078518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7724239601078078518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/04/as-visitas-presenciais-e-virtuais.html' title='As visitas ...Presenciais e virtuais'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-3621515262786733253</id><published>2009-03-31T09:28:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T09:37:17.950-07:00</updated><title type='text'>Meu mundo interior</title><content type='html'>Já consigo visualizar com relativa facilidade meu mundo exterior. Andei muito, corri demais, me perdi em muitas estradas vicinais, mas aos poucos percebo que externamente arrumei o que estava embaralhado pelos recentes acontecimentos. Muita coisa come;a a fazer sentido de novo.&lt;br /&gt;A casa que há alguns meses se limitava a dois colchonetes gentilmente cedidos pela cunhada Doris e umas poucas louças descartáveis, agora tem tudo o que considero essencial para uma vida sem luxo, mas agradável, confortável, com aminha cara. Meu cantinho, de meus filhos e de minha mãe está novamente aconchegante. Apenas algumas caixas que vieram de Belém ainda impedem a arrumação completa. Material que veio da Embrapa, caixas e mais caixas de recordações minhas e do Manoel. Agendas de cinco, dez anos atrás; crachás que demonstram o quanto mudamos; meus inseparáveis caderninhos de anotações; fotografias, textos, documentos e muitas, muitas lembranças.&lt;br /&gt;A alguns quilômetros também consegui arrumar o cantinho do filho. Simples, mas suficiente para abrigá-lo de segunda à sexta-feira. Está se sentindo homem, adulto, embora em uma doce e profunda conversa neste último final de semana tenha ressaltado que liberdade a gente não ganha, não compra, não rouba, conquista-se e, mesmo morando só, a sua liberdade ainda não foi conquistada. Por isso telefono tanto, por isso quero saber onde e com quem anda, o que faz. Se comeu, se dormiu bem. Se não está doente... Aos poucos sei que essas preocupações serão reduzidas. Na verdade já estão sendo ... Nas primeiras noites mal conseguia dormir só de saber que ele estava tão longe, sozinho em um quarto. Agora durmo, sonho e acordo bem. Apenas rezo mais. Peço a Deus, à Nossa Senhora de Nazaré que o proteja sempre, que nunca tire os olhos dele, que não permita que pessoas que possam fazer mal a ele se aproxime e que lhe dê sempre o discernimento para optar pelo bem.&lt;br /&gt;No trabalho também começo a ter uma rotina, afazeres mais prazerosos, descoberta de pessoas interessantes, embora a comparação com a Unidade de Belém seja inevitável. O ritmo é diferente, as atribuições, responsabilidades e reconhecimentos bem menores, mas que tem seu lado bom: estou cuidando mais de mim, incluindo nesse cotidiano a academia e caminhadas pela manhã aproveitando a temperatura agradável de São Carlos que nem nos deixar suar. Ando cada dia por uma rua diferente, explorando casas, pessoas, cachorros, gatos. Uma cidade que ainda é tão nova e que me dá de presente um desconhecido roteiro matinal de agasalho nunca antes usado.&lt;br /&gt;Preciso, porém, agora parar de fugir, reduzir a velocidade externa e olhar de frente meu mundo interior. Esse sim desarrumado, precisando ser colocado de novo de pé.&lt;br /&gt;Muitas vezes paro e tento ver como era a minha vida um ano atrás, dois anos atrás exatamente naquela mesma data. Certamente muito mais intensa, muito mais cansativa, mas muito mais feliz. Tinha planos, tinha sonhos e pessoas no meu dia-a-dia que me completavam de uma forma que talvez só eu entenda.&lt;br /&gt;Viajar, mesmo a trabalho, representava oportunidades de crescimento profissional e pessoal. Reencontrar pessoas amadas, rir, brincar, passear e ir além de mim mesma. Não estava tão frágil, tão carente e facilmente impactável. Não tinha tanto medo de sofrer, de perder, de me dar.&lt;br /&gt;Meus sentimentos ainda me assustam e me enfraquecem. Rio pouco, sonho quase nada e apenas vivo o dia sem muito entusiasmo, tentando encontrar a esperança perdida. Nem mesmo tomar uma cerveja, cozinhas, ouvir o Chico ou sair pra bater um papo me encanta mais.&lt;br /&gt;Não sei onde estão as pessoas que amo. Perdi o referencial de amar, de querer ter perto, de sentir prazer.&lt;br /&gt;Estou árida de emoções.&lt;br /&gt;Às vezes sinto que posso me reestruturar integralmente, que um dia talvez volte ver a vida com os olhos do otimismo, que viver não me pareça apenas ver os dias se arrastarem um atrás do outro.&lt;br /&gt;Sorrio, me arrumo, me perfumo, me maquio, beijo e abraço abraço pessoas, mas por dentro já não me vejo tão acessível simples.&lt;br /&gt;Quando olho pra trás sinto saudade de mim. Da leveza de meus pensamentos, da ternura de meus sentimentos, da exequidade de meus planos.&lt;br /&gt;Queria muito acreditar ser possível retomar de onde parei, recarregar as baterias, rearrumar meu mundo interior e acreditar que estou viva, latente, sedenta de emoções e de novo de braços abertos à felicidade.&lt;br /&gt;Enquanto isso não acontece mudo os móveis de lugar, pinto uma nova parede, cuido das plantas e organizo o que está mais visível aos olhos.&lt;br /&gt;Vou à academia, ao analista, ao cabeleireiro, ao shopping, ao supermercado&lt;br /&gt;E os dias vão passando... anoitecendo.. amanhecendo... anoitecendo de novo... amanhecendo de novo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-3621515262786733253?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/3621515262786733253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=3621515262786733253&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3621515262786733253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3621515262786733253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/03/meu-mundo-interior.html' title='Meu mundo interior'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7888605515919026630</id><published>2009-03-24T07:45:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T07:46:44.654-07:00</updated><title type='text'>Preciso escrever .. me encontrar.. renascer</title><content type='html'>Estou sentindo um grande vazio e uma necessidade imensurável de escrever, de arrumar sentimentos, de entender emoções, de aliviar a ansiedade, de buscar no mais íntimo de mim o que me parece nem existir.&lt;br /&gt;Talvez achar a Ruth que se perdeu no caminho.&lt;br /&gt;As tarefas que inicialmente pareciam ser bem menores em uma cidade mais tranqüila, o dia-a-dia que tinha tudo pra ser mais prazeroso, menos estressante de repente se mostra tão ou mais efervescente e inadministrável. Deve ser o peso da responsabilidade ou a constatação irrefutável de que nada é mais como antes.&lt;br /&gt;Tenho estado extremamente perturbada com a vida “nova” que se abriu diante de mim. Algumas vezes brindo a oportunidade de estar em outra cidade, conhecendo novas pessoas, experimentando e comparando o novo com minhas raízes e quase sempre constatando que Belém, definitivamente, está há muito abandonada. É uma junção de governos individualistas e irresponsáveis que deixam agora à mostra para o Brasil inteiro a podridão das feridas da segurança (?) pública, da saúde, da educação, do transporte...&lt;br /&gt;Sinto saudade, mas não quero voltar !&lt;br /&gt;Difícil mesmo é me aceitar. Vejo-me mais fria, mais egoísta, menos generosa, menos humana. Talvez esteja me vendo como nunca me vi. Um espelho que mostra que sou também frágil e que se controlo os que amo não o faço por mal, mas que não faz bem a ninguém. Tenho medos, inseguranças, desamores, decepções e muitas, muitas frustrações.&lt;br /&gt;Estou petrificada diante de um ser que se pergunta insistentemente a ponto de doer a cabeça ou não dormir e que caminha a passos lerdos em busca de não sei o quê e nem para onde. Meio sem rumo, meio perdida.&lt;br /&gt;Enxergando a mim e às pessoas provavelmente como elas sempre foram, mas que meu mundo colorido não me permitia ter essa visão grotesca e assustadora.&lt;br /&gt;Afinal que respostas busco ? Sei de antemão que o Manoel não voltará, mesmo que o veja em breves alucinações na multidão dos shoppings ou mesmo chegando em casa; os amigos de Belém já não me telefonam pra sair, pra participar de eventos e os poucos que ainda me procuram cada dia mais os contatos ficam espaçados; o trabalho já não é prazeroso, perdi minhas referências, mudei e encontrei pessoas diferentes, uma diversidade que passa pelo cultural e me choca, me surpreende, me assusta e me entristece.&lt;br /&gt;Sinto-me desanimada e cansada. Exigente demais comigo e com as pessoas, não tolerando tanto, não aceitando pacificamente, não sendo a compreensiva de sempre. Me desconheço ao final do dia. Exausta de não sei o que, infeliz não sei porque e descrente de que ?&lt;br /&gt;O analista que começo a frequentar acredita que há muitos motivos para eu me sentir assim. Voltei à psiquiatria para, através da ciência, talvez encontrar algumas explicações. Perda do marido-companheiro-paizão, retirada brusca de meu chão, minhas raízes, falta de adaptação no trabalho, mudança do filho para outra cidade, afastamento dos amigos. Ele acha muito ! Eu também, mas sei que preciso viver cada dia de uma vez e entender que nada mudará. Este é meu “novo” mundo.&lt;br /&gt;Tento me habituar a este novo cenário. A casa que parece uma réplica de Belém está bonita, mas não tenho o mesmo entusiasmo de antes; os colegas de trabalho são pessoas interessantes, mas dificilmente serão amigos; o Raul já não dorme e acorda na mesma casa que nós e já não produzo como antes profissionalmente.&lt;br /&gt;Tenho ainda me defrontado com pessoas que há muito estão na minha vida e que só agora pareço de fato conhece-las. Eu era cega ou estou vendo o que não existe ?&lt;br /&gt;Estou sensível demais e intolerante para palavras, atos, gestos.&lt;br /&gt;Relevava mais...&lt;br /&gt;Percebo-me impaciente, intolerante e buscando incessantemente uma paz que parece cada dia mais distante.&lt;br /&gt;Nem mesmo as aulas que estou ministrando, o convite para continuar na diretoria da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, os passeios que estou tendo oportunidade de fazer, os lugares novos que tenho o privilégio de conhecer tem me encantado ou as conquistas dos filhos que me enchem de orgulho, mas parecem também difíceis de serem digeridas, já que significam uma nova partida, um novo corte de cordão umbilical.&lt;br /&gt;Uma noite qualquer, onde o tempo sobrava e o gato preto que nos acompanha desde Belém veio se deitar ao meu lado na cama, pensei alto (ou talvez tenha conversado com ele): o Manoel já não deita mais aqui, o Raul está longe, a mamãe já dormiu e a Anaterra está lá, no outro quarto, envolvida com a amiguinha. É Nhau .. só sobrou você !&lt;br /&gt;Fiquei com raiva de sentir piedade de mim, de não entender que esta é uma fase, que é preciso eu insistir e superá-la. Viver esse presente que não é tão ruim assim, priorizar o que há de bom, esquecer dos que me incomodam, deletar os que me fazem mal e brindar aos que ainda existem, ao que ainda restou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7888605515919026630?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7888605515919026630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7888605515919026630&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7888605515919026630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7888605515919026630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/03/preciso-me-escrever-me-encontrar.html' title='Preciso escrever .. me encontrar.. renascer'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-6046842677849377137</id><published>2009-02-05T09:18:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T09:21:26.546-08:00</updated><title type='text'>Meu bebezão chega à Universidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ND84Lo6jXyE/SYsf9dodeBI/AAAAAAAAAQ8/d6lIEzYlkt0/s1600-h/000_0013.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299364527318333458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ND84Lo6jXyE/SYsf9dodeBI/AAAAAAAAAQ8/d6lIEzYlkt0/s200/000_0013.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ND84Lo6jXyE/SYsfx3BjE2I/AAAAAAAAAQ0/_2IWvirYOxc/s1600-h/000_0012.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299364327976014690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ND84Lo6jXyE/SYsfx3BjE2I/AAAAAAAAAQ0/_2IWvirYOxc/s200/000_0012.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje estou experimentando a sensação de que passei na primeira fase para o difícil exame de ser mãe. É uma alegria plena que quero dividir com todos. Sentimentos até então inusitados da mãe que olha a cria e percebe que suas asas já estão maduras e que poderá voar sem muito risco, sem cair de muito alto, com grande probabilidade de se machucar pouco.&lt;br /&gt;Como um filme as cenas começam a ser editadas na memória. A mais longínqua, que há tanto tempo não era acessada no meu arquivo pessoal, é o momento em que recebi a informação inesperada de uma gravidez inesperada. Eu e o Manoel ficamos felizes, mas ao mesmo tempo apavorados ou quando contei ao Ivan (àquela época meu filho interino com seis anos) que seria mãe.&lt;br /&gt;Agora aquele embrião é um homem careca que embora tenha só 17 anos é determinado, disciplinado. Às vezes exageradamente seguro de si e que acaba de ser classificado na Unesp e USP e ficar na lista de espera da UFSCAR.&lt;br /&gt;Há seis meses o Manoel nos deixou, mas estou lhe sentindo tão próximo como nunca acontecera antes. Está orgulhoso do filho, vendo-o trilhar por caminhos que nós dois sempre desejamos, mas que a vida dura em Belém não nos permitiu. Somos de uma geração que a graduação era tudo e ao mesmo tempo muito para o padrão de nossas famílias. Mas tivemos o privilégio de trabalhar em uma instituição que valoriza e prioriza o conhecimento, a escolaridade. Onde ter mestrado ou doutorado não é a exceção, mas regra e no fundo sempre fomos meio frustrados por não termos chegado a mestres ou doutores.&lt;br /&gt;Agora estamos (eu aqui e ele em outro plano) inchados de orgulho por acreditar que o Raul encara esse caminho como nós. Não estou me realizando através dele. Até porque em meus sonhos mais sonhados nunca imaginei um filho prestando vestibular para Educação Física e por opção, por acreditar que será nesta área que se realizará, por puro deleite e prazer.&lt;br /&gt;A determinação dele também se manifesta nessa escolha. Até dois, três anos atrás parecia caminhar para Biologia. O que, confesso, me dava mais alegria. Talvez porque o visse no futuro como um grande pesquisador, cientista. Mas foi só conhecer em detalhes o mundo do fisioculturismo ou do Bodybuilding (para ser mais moderna !) e mudar de rumo.&lt;br /&gt;Talvez tudo o que vivemos no semestre passado comece a fazer sentido, a ser explicado. As mudanças não são por acaso e se o Raul e a Anaterra sempre foram para nós o nosso objetivo maior, se para nós a felicidade e realização deles sempre estiveram acima das nossas, deixar Belém, mudar a minha história ou mesmo morrer, como aconteceu com o Manoel se justifica, faz sentido.&lt;br /&gt;Foi com esse sentimento e quase certeza que o abracei e chorei quando soubemos dos resultados.&lt;br /&gt;O menino que veio de Belém (Belém ? Fica no Amazonas né ? alguns perguntam por aqui !), que perdeu o pai de forma tão repentina, que interrompeu o curso no Equipe, deixou os amigos do Gentil e sem reclamar tentou se adaptar ao novo colégio. Que presenciou o pai no hospital e a mãe cheia de fios na mama enquanto fazia braquiterapia. Que ficou sem casa por uns meses...&lt;br /&gt;Ufa !! agora vence a primeira grande batalha. É um universitário da USP, da Unesp e quem sabe da UFSCAR.&lt;br /&gt;Meu bebezão cresceu e não apenas nos músculos...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-6046842677849377137?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/6046842677849377137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=6046842677849377137&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6046842677849377137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6046842677849377137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/02/meu-bebezao-chega-universidade_05.html' title='Meu bebezão chega à Universidade'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ND84Lo6jXyE/SYsf9dodeBI/AAAAAAAAAQ8/d6lIEzYlkt0/s72-c/000_0013.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-2729823458113688529</id><published>2009-01-27T08:03:00.000-08:00</published><updated>2009-01-27T08:07:15.242-08:00</updated><title type='text'>O Fórum... a casa... os exames ...os vestibulares ...</title><content type='html'>O Fórum... a casa... os exames ...os vestibulares ...&lt;br /&gt;Hoje eu queria estar em Belém. Além do desejo de matar a saudade da minha terra, queria poder abraçar o meu irmão Rulton que pela primeira vez não está ao meu lado em seu aniversário e ainda participar do Fórum Social Mundial que transformou a cidade, que está mexendo com meio mundo e levando muitos a refletir sobre o seu papel como amazônida.&lt;br /&gt;Nascer naquela região só se tem consciência da enorme responsabilidade quase sempre quando, por algum motivo, somos obrigados a nos afastar de tudo o que já nos é tão familiar que nem conseguimos mais ter um olhar diferenciado.&lt;br /&gt;Sinto-me assim agora que estou distante, longe da cultura que está entranhada em mim, dos costumes que nos fazem perceptíveis por onde andamos. Do sotaque carregado de sssss e o tu conjugado corretamente, aos hábitos alimentares, o jeito de ser extrovertido, tão natural como se conhecêssemos todos os estranhos há muito tempo.&lt;br /&gt;O Raul, mesmo um homem tão grande, ainda mantém o : - Oi tia ! Quanto é tio ? surpresa ou revolta para muitos. No mínimo muita estranheza. A Anaterra sempre sorridente e educada, encanta com o seu típico físico quase singular nesta região mais abaixo da linha do Equador.&lt;br /&gt;Mas ser amazônida não é só isso. É acompanhar diariamente o noticiário pela Tv ou internet e continuar se sentindo impotente. É constatar que para a maioria não fazemos parte do Brasil. Somos exóticos, diferentes, muito estranhos. Quando digo que sou de Belém o espanto me parece maior do que alguém que acaba de chegar do Japão ou da Índia para ser global. Um outro mundo, um outro planeta que está sendo devastado. As manchetes de ontem denunciam mais uma fraude na comercialização de madeira no Pará. Documentos esquentados para justificar um fogo maior, aquele que não tem fim e que estão dizimando uma floresta inteira sem lei, sem punição. Uma doença crônica e sem cura como tantas que matam a (e na) região. Fazem companhia à malária, câncer, leishmaniose, tuberculose sem que ninguém consiga freá-las. O mundo hoje está conhecendo o que nós, que nascemos e vivemos na região, sabemos há tanto tempo mesmo que apenas estejamos assistir tudo se agravar, os problemas se agigantarem e a região ser pauta só de tragédias, corrupção, devastação ou de índios ameaçando brancos.&lt;br /&gt;Ser também pode ser um romântico, crédulo que acredita no amanhã, que consegue olhar a chuva com carinho como se a bênção viesse do céu. Sinal de uma temperatura mais amena, menos suor no rosto. Tão diferente da recepção dos que vivem no Sul e Sudeste, principalmente. Explicitamente eles manifestam quase pânico diante das nuvens mais escuras e maldizem as gotas, os trovões, o vento. Quanta diferença ...&lt;br /&gt;Queria estar em Belém, mas estou em São Carlos. Agora é aqui a minha casa. E há poucos dias uma que é minha de fato e de direito. Já não estou mais de aluguel. A que deixarei para o Raul e Anaterra e que aos poucos vai tendo a minha cara, com as fotos pretas e brancas na parede com tijolos expostos; tapetes e mais tapetinhos; Chico Buarque em todos os cantos, lembrancinhas de Fortaleza, Belém, Pirinópolis, Brasília, Outo Preto, Cuiabá, Manaus, ... Muitas lembranças. Meu cantinho que está me transmitindo uma tranquilidade que estava buscando há muito tempo.&lt;br /&gt;Os desgastantes exames de controle do câncer também já passaram. Mais tranqüilidade. A semana passada foi de inferno. O medo descontrolado que me impede de dormir, me faz comer mais, me angustia e me enche de fantasmas estiveram comigo na maca onde fiz a citilografia óssea, na cama onde fiz a ultrassom vaginal e abdominal, na sala do raio x do tórax ou nos consultórios do oncologista e do mastologista em Campinas. Pânico de imaginar uma nova cirurgia ou a necessidade de uma quimio. Descobrir que produzi mais um tumor. E se assim fosse como os meninos ficariam ? E a mamãe ? Não tenho mais o Manoel pra dividir. Sinto-me quase sempre muito só. Mas felizmente tudo (ou quase) tudo estava dentro da normalidade. A novidade ficou por conta da pressão arterial altíssima. O estresse, a falta de exercício físico, ansiedade, a dificuldade de adaptação no novo ambiente de trabalho, a péssima alimentação uniram-se todos e resolveram se manifestar na velocidade sanguínea. Ouvi tudo o que já estou habituada há anos: tens que relaxar, deixar as coisas acontecerem, não se preocupar demais... Ahhh tão fácil de dizer, mas tão difícil de colocar em prática. Agora a preocupação é com o coração, com a dieta que terá que ser mais rigorosa do que nunca, com um personal trainer que terá que ser mais do que isso pra não me deixar desistir e com o resultado dos vestibulares que o Raul fez e que em breve começará a ser divulgado.&lt;br /&gt;Relaxar, mas como ?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-2729823458113688529?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/2729823458113688529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=2729823458113688529&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2729823458113688529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2729823458113688529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/01/o-forum-casa-os-exames-os-vestibulares.html' title='O Fórum... a casa... os exames ...os vestibulares ...'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-5174146682075764534</id><published>2009-01-14T08:05:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T08:08:01.146-08:00</updated><title type='text'>Belém: aniversariante distante</title><content type='html'>Dia 12 passado lembrei do aniversário de Belém. Acho que nunca passara um longe. Impossível esquecer, mesmo estando tão longe, afinal a sobrinha mais velha, Thaís, também faz aniversário.&lt;br /&gt;Escrevi de saudade. Sem pretensão nenhuma apenas para aliviar a perda. Essa mistura de necessidade de estar longe com a vontade de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um abraço de longe&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Queria poder te abraçar neste dia&lt;br /&gt;Sair andando sem rumo&lt;br /&gt;De São Braz a Nazaré&lt;br /&gt;Suando a bicas e esperando uma manga cair&lt;br /&gt;Visitar o Colégio Gentil, esperar os filhos na calçada&lt;br /&gt;Como antes do meu mundo ruir&lt;br /&gt;Entrar na pequena capela&lt;br /&gt;E como sempre, me emocionar&lt;br /&gt;Humildemente, aos pés da Virgem de Nazaré,&lt;br /&gt;Agradecer, pedir, rezar, chorar&lt;br /&gt;Queria estar aí e no sábado bem cedinho&lt;br /&gt;Ter como único compromisso&lt;br /&gt;Comprar fruta-pão,jambo, camarão&lt;br /&gt;Farinha torrada, jambu e peixe fresquinho&lt;br /&gt;Planejar o almoço de domingo sempre uma festa&lt;br /&gt;Tambaqui na brasa, caranguejo e feijão&lt;br /&gt;Cerpinhas na geladeira e tira-gosto de mexilhão&lt;br /&gt;Enquanto o Chico cantava na sala&lt;br /&gt;Queria beijar teu chão molhado. Tuas mangueiras ...&lt;br /&gt;Teu cheiro inconfundível, meu cheiro de tanto tempo&lt;br /&gt;Tomar sorvete na Cairu, pupunha com café&lt;br /&gt;Tapioca em Mosqueiro ou bacuri do “seu” André&lt;br /&gt;Mas não estarei em teu aniversário&lt;br /&gt;Deixei minha história pra trás&lt;br /&gt;Abandonei você porque me abandonaste antes&lt;br /&gt;Nada fará eu voltar. Nada mais.&lt;br /&gt;Quis tratar um câncer de mama. Não consegui.&lt;br /&gt;Descobri, entre tantos pacientes,&lt;br /&gt;O quanto és frágil e tive que partir&lt;br /&gt;Te abandonar significou viver&lt;br /&gt;A violência que mancha de sangue tuas pedras de liós&lt;br /&gt;Também pesou demais&lt;br /&gt;O risco nas esquinas, em casa, no carro&lt;br /&gt;Adeus Belém bucólica. Belém em paz&lt;br /&gt;Queria estar aí pra te desejar sorte&lt;br /&gt;E marcar a hora da volta&lt;br /&gt;Quem sabe um dia eu volto&lt;br /&gt;Nem que seja, em pó, depois da morte&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-5174146682075764534?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/5174146682075764534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=5174146682075764534&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5174146682075764534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5174146682075764534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/01/belm-aniversariante-distante.html' title='Belém: aniversariante distante'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-630085739253574127</id><published>2009-01-04T09:41:00.000-08:00</published><updated>2009-01-04T09:42:28.814-08:00</updated><title type='text'>Ano Novo ?? Novo Ano ???</title><content type='html'>Fiz tudo o que manda a tradição: encarando os preços exorbitantes da alta temporada fui à praia com os filhos; tomei o banho de descarrego no dia 31 e o de abre caminho no Ano Novo; pulei sete ondas; ofertei duas rosas a Iemanjá; comi lentilha, vi a beleza dos fogos iluminando o céu de Santos, mas de pouco adiantou. A alegria tem que vir de dentro e a minha está adormecida. De nada adiantou a Ivete Sangalo cantar na tenda ou o hino da Globo anunciando “Feliz Ano Novo. Adeus Ano Velho” ser entoado. Não consegui sequer ensaiar um braço levantado ou um passinho discreto de carnaval.&lt;br /&gt;Tinha quase tudo, mas me faltava quase tudo.&lt;br /&gt;Estava longe de tudo o que mais amava. Distante de todos os que fizeram a minha história. À meia-noite nós três nos abraçamos e choramos. Só nós três. Mamãe foi para Leme, ficar com o Ruy e família. Um trio forte, mas solitário.&lt;br /&gt;2008 foi de fato um ano pesado, cheio de surpresas e muitas pedras no caminho. Sim... não tinha uma pedra, mas várias) pedras no meu caminho. Pedras que quando tento entender como foi possível pelo menos erguê-las, afastá-las pedindo passagem percebo o quanto o ser humano é forte. Mesmo diante da maior adversidade ele reage, luta, briga pela vida. As catástrofes estão aí pra ratificar. É a lei da sobrevivência.&lt;br /&gt;Relembrei com saudade a passagem de 2007 para 2008 quando imaginávamos que tínhamos um enorme problema A ser enfrentado E ele era tão pequenino diante do que 2008 nos reservava. Choramos, eu, Manoel e a Sula na praia de Ajuruteua, em Bragança, temendo o que estava por vir diante da descoberta do meu câncer de mama. Nos abraçamos e silenciosamente tememos pela minha vida, pelo que me esperava na cirurgia que se aproximava. Mas não era eu que estava vivendo o último réveillon. O aparentemente saudável Manoel que tomava cerveja enquanto eu me resguardava com uma taça de vinho orgânico, comia caranguejo e mexilhão e eu peixe fresco cozido, sem fritura, tinha poucos meses de vida. Era ele quem se despedia de nós.&lt;br /&gt;Os primeiros minutos de 2009 me levaram de volta a Belém onde abracei cada um dos que deixei pra trás. Irmãos, cunhada, sobrinhos, sobrinho-neto e os amigos, muito amigos. Rezei por cada um deles. Pedi que nunca me falte a amizade que hoje sei, mais do que nunca, ser fundamental na alegria, quando queremos ver a casa cheia nos aniversários ou outras comemorações, mas são em momentos como os que vivemos em 2008 é que temos a dimensão do que é um amigo. Ele não precisa estar aqui do meu lado, basta ele existir. É suficiente ter seu telefone e poder ligar a qualquer hora, sorrindo ou chorando, mal conseguindo falar, mas sabendo que estão do outro lado da linha ou no computador, com tanto por fazer, mas ouvindo, acalentando, confortando ou rindo das bobagens que dizemos, lembramos....A existência de pessoas tão queridas, algumas que eu já tinha certeza do carinho, da solidariedade, da forte amizade e outras que se revelaram nessa trajetória de incertezas e lágrimas, tem adoçado os dias e ajudado a torná-los menos pesados.&lt;br /&gt;É verdade que há o antônimo de tudo isso. Os que acreditei durante anos e até décadas em uma amizade, um amor, um sentimento forte que de fato não existia. Ele era frágil demais para resistir a uma tempestade mais forte. Eram sentimentos movidos a alegria, sem alicerce resistente e sucumbiram. Também relacionei mentalmente os rostos de pessoas que até pouco tempo habitavam intensamente a minha vida, eram importantes (ou achava isso!). Chorei por mim, pela perda do que talvez nunca tenha existido e por eles porque talvez ignorem o que seja solidariedade, companheirismo, gratidão, proximidade, fraternidade, reciprocidade. Não perdi nada eu sei, apenas conheci de fato quem são os amigos verdadeiros, as pessoas que de fato me amam entre copos de cerveja ou entre lágrimas. As que eu posso contar em todos os sentidos. Vi seus sorrisos porque não conheci suas lágrimas. Talvez sejam fracos demais, egoístas demais para dividir. Nunca conhecerão o que só o amor ao outro é capaz de dar. Felizmente eles são poucos. Tenho um monte que posso desabafar, trocar e-mails, telefonar quantas vezes desejar como a Ieda, Erika, Dóris, Ana Laura, Rosanne, RenataS, Soraya, Robinson, .. ahh e tantos outros.... ou os que podem me ajudar na burocracia que atravanca a minha vida como a venda da casa em Belém, a compra de outra em São Carlos, a liberar documentos, a quitar contas, a ser minha procuradora e me ajudar a resolver tanta coisa na Embrapa, no Banco do Brasil, na Amazônia Celular, na Prefeitura, na farmácia, (como a incansável Consuelo), cuidar do meu parco patrimônio (como o Rulton e a Socorro). Acima de tudo me dando a certeza de que não estou só. Tem ainda os meus carinhosos e presentes eternos alunos.&lt;br /&gt;Mas agora é outro ano... Tenho que pensar assim, mesmo tendo tanto medo de 2009...&lt;br /&gt;É como se outras situações difíceis, surpresas desagradáveis estivessem à espreita me esperando em fevereiro, abril, agosto, outubro sei lá.... Em janeiro farei a primeira grande revisão de controle de câncer. Exames sofisticados que darão o rumo do tratamento para os próximos seis meses. Sei, racionalmente, que os meus prognósticos são bons, que a possibilidade de recidiva ou metástase é pequena, mas nada disso inibe o medo.&lt;br /&gt;Tento me convencer de que nada acontece por acaso, que se tiver que morrer ou sofrer em 2009 nada impedirá. Nada impediu que o Manoel morresse. Estava determinado. Deixou Belém, foi para um dos melhores hospitais em tratamento de câncer do País (quiçá da América Latina), mas se ele nasceu no dia 15 de novembro de 1957, também já havia sido decidido que morreria dia 2 de agosto de 2008. Eu vi isso, presenciei o esforço de toda a equipe e a falência lenta e irreversível dos órgãos como se fosse um painel cheio de luzes que a cada dia uma apagasse, mas a luminosidade permanecesse. Até que um dia apagaram-se todas e ele ficou ali inerte. Somos ainda, visualmente, as mesmas pessoas. Como se estivéssemos dormindo, mas sem nenhuma luz acesa. Tudo parou... desaparecemos...&lt;br /&gt;Tenho muito medo das mudanças que sei se operaram em mim. Estou mais cética, mais fria, mais decidida, mais ousada, mais corajosa e menos generosa. Reavaliando quase tudo, buscando ainda mais explicações para o que talvez seja inexplicável.&lt;br /&gt;Penso muito nos meus filhos, na enorme responsabilidade que agora é só minha. Mas ao mesmo tempo sei que tenho que pensar em mim, em buscar prazeres adormecidos, a (re)construir minha vida em diversos sentidos. Estou uma recém-nascida em quase tudo. Os amigos próximos ainda tateiam em meu íntimo, minha casa é nova, meu bairro desconhecido, meus colegas de trabalho uma incógnita. Mudei tudo: a cabeleireira, a cama e até meu estado civil. Não me vejo mais a mesma paciente de antes, a generosa de poucos anos atrás. Endureci nos sentimentos e na forma de ver a vida, a entender que ela é de fato passageira e que nada adiará essa partida definitiva.&lt;br /&gt;Assim mesmo tenho sonhos, acalanto intimamente a esperança de voltar a ser feliz. Uma felicidade que venha de dentro, que seja real, verdadeira, autêntica. Não para que os outros me vejam feliz, mas para que eu me sinta feliz e eu já fui feliz muitas vezes. Já experimentei o sabor do não ter nada pra fazer e que o único compromisso era nem levantar da cama; do rir do que nem é engraçado, mas apenas porque a vida está bela; de andar sem rumo por estradas desconhecidas se perdendo a cada rotatória e ainda comemorando pela demora em voltar pra casa. Feliz por estar bem, por estar com quem se quer, apenas vivendo.&lt;br /&gt;Preciso acreditar no que diz a música Sentimental do Chico Buarque: Geminiano este ano vai ser o seu ano.... Ahh.. eu hei de ser, terei de ser, serei feliz!!!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-630085739253574127?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/630085739253574127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=630085739253574127&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/630085739253574127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/630085739253574127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2009/01/ano-novo-novo-ano.html' title='Ano Novo ?? Novo Ano ???'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-1288124039204880364</id><published>2008-12-08T08:46:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T08:56:29.451-08:00</updated><title type='text'>Escrevendo pra Danuza Leão</title><content type='html'>A coluna da Danuza Leão de ontem, na Folha, foi simples, abordou uma temática bem pessoal, mas mexeu muito comigo tanto que resolvi, num impulso de fim de tarde de domingo, escrever pra ela este texto aí embaixo.&lt;br /&gt;E para a minha surpresa recebi hoje uma resposta. Curta, mas que me sensibilizou muito :&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ruth, o tempo, só o tempo. E se possível, muito trabalho. Um beijo carinhoso, Danuza&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha mensagem &lt;strong&gt;:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Olá Danuza !!&lt;br /&gt;Há muito não me identificava tanto com um texto como o que você escreveu hoje na Folha. Eu estou vivendo, pela primeira vez com muita intensidade, essa sensação da partida definitiva. Ainda não consigo digerir a morte do meu marido, dia 2 de agosto, de leucemia. Uma história cheia de idas-e-vindas, muitas lágrimas e surpresas. Resumidamente: descobri um câncer de mama em setembro do ano passado e surtei, afinal essa palavra nos leva ao atestado de óbito. Morava em Belém (PA) e fui para Campinas em busca de um tratamento mais digno e com maior chance de qualidade de vida (não só de tempo de vida !). Ele, que tinha 50 anos, ficou cuidando dos nossos dois filhos. Saudável, trabalhava cerca de 10 horas por dia,bom cervejeiro e grande apreciador das delícias gastronômicas da nossa terra, no dia 29 de abril teve um febre muito alta, grande indisposição e foi em busca de atendimento médico. Nunca mais saiu do leito de um hpsital. Ainda o trouxemos a Sampa, mas a leucemia já tomara conta dele e há quatro meses ele se foi.Mais do que a dor da separação – hoje tão banal entre casais – o que mais tenho dificuldade em aceitar é que nunca mais o verei, que nunca mais vou ouvir a sua voz, que jamais brigaremos ou nos abraçaremos de novo. Que aquele pai tão presente não poderá mais dividir comigo as aflições de quem cuida agora sozinha de um filho de 17 anos e de uma filha de 13 em uma cidade quase desconhecida, já que optei por deixar Belém por inúmeros motivos. Ter opção de tratamento para um câncer inicial, é o principal.&lt;br /&gt;Quando o vi morto, antes de ir para o caixão, me perguntava: por que ele não fala comigo ? Por que não reclama do incômodo dos aparelhos ? Por que não repreende ou elogia mais os filhos ? Por que ficou tão calado ? Ele estava ali, mas não era mais o meu companheiro de 18 anos.De fato seria muito mais fácil aceitar que ele resolvera ir morar em outro País (Japão, Rússia, Alasca, China tanto faz) e que nunca mais eu o veria. Pelo menos eu saberia que um telefonema agora em dezembro por ocasião das festas me permitiria pelo menos perguntar como ele está (como ele está agora ? Ou não está ?).&lt;br /&gt;Tudo que era dele permanece aqui: o óculos, as roupas, os cds, livros, fotografias, vídeos, documentos, o perfume, SÓ ele não existe mais. Não aceito, não entendo, embora saiba que a morte é a nossa única certeza.&lt;br /&gt;Não quis ser cremada junto com ele, não fiz escândalos, mas tenho chorado muito, mesmo continuando a viver e querendo ainda viver muito.&lt;br /&gt;Ainda é difícil aceitar meu atual estado civil. A imagem da viúva esquálida (estou até muito gorda !!), pálida (uso blush), cabelos brancos (vou semanalmente à cabeleireira) e infeliz (entre as lágrimas tenho sempre muitos sorrisos) nada tem a ver comigo.&lt;br /&gt;Assim como você, sei que será muito difícil meu primeiro Natal sem ele. O primeiro Natal dos meus filhos sem o pai, que coincidentemente ano passado se vestiu de Papai Noel para a alegria da criançada da periferia de Belém...&lt;br /&gt;Abraços Danuza e desculpe por aumentar a sua tristeza.&lt;br /&gt;Ruth Rendeiro(São Carlos, SP)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-1288124039204880364?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/1288124039204880364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=1288124039204880364&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1288124039204880364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1288124039204880364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/12/escrevendo-pra-danuza-leo.html' title='Escrevendo pra Danuza Leão'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-6308952577183163264</id><published>2008-12-07T03:02:00.000-08:00</published><updated>2008-12-07T03:05:38.439-08:00</updated><title type='text'>Obrigada Edgar !!!</title><content type='html'>O colega Edgar Macêdo é único. Todos os que têm o privilégio de conhecê-lo sabem de seu talento, de sua maestria em dominar as palavras e arrumá-las de uma forma que consiga traduzir tudo o que sentimos, mas nem sempre conseguimos verbalizar.&lt;br /&gt;Já homenageou muita gente, muitos lugares, já nos fez chorar várias vezes.&lt;br /&gt;O Manoel foi também homenageado pelo Edgar. Ele nos deu um dos mais belos presentes: o reconhecimento em verso por tudo o que ele fez em prosa, em vida.&lt;br /&gt;Foi mais uma forte emoção. Durante a Missa na Capelinha do Ariramba o próprio Edgar declamou o que batizou de “A VOZ DE UM SER FELIZ – in memoriam Manoel Dantas simplesmente Mano.&lt;br /&gt;Foi demais ...&lt;br /&gt;Ei-la :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa é a Vila que eu quis&lt;br /&gt;Aqui fui muito feliz&lt;br /&gt;Chapéu Virado, Prainha, Farol ...&lt;br /&gt;Porto Arthur, Marahu, Baía do Sol ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas caramba ! O Ariramba&lt;br /&gt;Sempre foi meu Paraíso&lt;br /&gt;Não preciso nem falar&lt;br /&gt;E pedi para que um dia&lt;br /&gt;Sobre as águas dessa baía&lt;br /&gt;Eu pudesse repousar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre pétalas e marés&lt;br /&gt;Pescadores e banhistas&lt;br /&gt;Barcos ao sabor do vento&lt;br /&gt;Sem ter pressa de chegar&lt;br /&gt;Já que o tempo é uma aquarela&lt;br /&gt;Cada instante nova tela&lt;br /&gt;Nós iremos contemplar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu legado é a alegria&lt;br /&gt;Música ... festas ... poesias ...&lt;br /&gt;Minha inabalável fé&lt;br /&gt;Em Deus e Nossa Senhora&lt;br /&gt;Virgem Mãe de Nazaré&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruth, quero ver no seu semblante&lt;br /&gt;O sorriso radiante&lt;br /&gt;Que sempre me iluminou&lt;br /&gt;Do Raul e da Anaterra&lt;br /&gt;quero ouvir o grito de guera&lt;br /&gt;Mamãe o papi chegou !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos parentes e ao amigos&lt;br /&gt;Peço o abrigo da oração&lt;br /&gt;E por favor, não chorem mais&lt;br /&gt;Saibam que estou em paz&lt;br /&gt;Já cumpri minha missão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-6308952577183163264?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/6308952577183163264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=6308952577183163264&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6308952577183163264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6308952577183163264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/12/obrigada-edgar.html' title='Obrigada Edgar !!!'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-1189151210244875955</id><published>2008-12-03T03:52:00.001-08:00</published><updated>2008-12-03T03:52:23.622-08:00</updated><title type='text'>Rememorando ...</title><content type='html'>Estou sem escrever no blog há alguns bons dias. Postei há pouco o que já estava escrito, meio perdido nos rascunhos...&lt;br /&gt;Há muito por fazer, resolver e como descobri, pela Isto É, que escrever dessa forma pra mim é uma terapia, devo estar bem, sem muita necessidade de extravasar, de misturar letras, costurar palavras, explicitar o que ferve internamente em mim.&lt;br /&gt;As emoções são cada vez mais intensas, muito rápidas, desconhecidas. Uma das mais marcantes aconteceu em Mosqueiro, dia 15 de novembro. Foi um presente de Deus. Precisávamos daquela cerimônia, daquela imersão nos sentimentos mais íntimos, mais nossos. Remexemos tudo que nem lembrávamos mais, imagens como as quedas da Anaterra quando aprendia a andar; as idas do Raul ao hospital para costurar o pé, a boca; o encontro com o timão, o cachorrinho esquálido, sem rabo que adotamos e que agora mora com a Ruthlene.&lt;br /&gt;A pequena e bucólica ilha faz parte da minha história desde quando ia passar férias com a tia Jorgete, ainda criança. Travessia de balsa, demorada, mas sempre repleta de alegria, de proximidade com a água, com os peixes, camarões, siris...&lt;br /&gt;Na juventude foi local de namoros, festinhas, férias de julho em companhia de muitos amigos e na maturidade, ao lado do Manoel e dos filhos, reduto familiar,lazer. Uma casa na passagem São João corou nosso sonho. Simples, mas nossa. Nunca havíamos sonhado com tal possibilidade, mas Raul e Anaterra, durante 9 anos usufruíram do privilégio de acordar na praia, de passear cedinho no Ariramba e no final da tarde, na praça da Vila tomar sorvete, tomar tacacá, comer bolo de macaxeira ou unha de caranguejo com muito molha de pimenta no tucupi. Ou de manhã cedo ir comprar O Liberal ou Diário do Pará e peixe fresco no mercado, mas sempre parando pra uma tapioquinha feita na hora com coco ou manteiga. Nossa história está registrada nas areias da praia do Bispo onde caminhávamos quando a maré estava seca; na praia do Paraíso, onde o Raul quase se afogou e onde passamos nosso lua-de-mel; no Marahu, a nossa preferida...&lt;br /&gt;Era preciso que o Manoel ficasse lá para sempre.&lt;br /&gt;E assim foi feita a sua vontade.&lt;br /&gt;A Consuelo, novamente a amiga a quem nunca poderei retribuir tanta generosidade, organizou tudo. O padre, a missa, os detalhes com o Marquinho, o piloto do ultraleve indicado pela outra querida amiga Érika Siqueira, a encomenda das pétalas de rosa, enfim, os detalhes que fizeram daquela manhã de sábado um dia inesquecível para todos os que presenciaram a grande e merecida homenagem ao Manoel.&lt;br /&gt;Rever pessoas tão queridas que desde que deixamos Belém de forma tão atabalhoada sabíamos apenas que nos acompanhavam e torciam por nós à distância, ao mesmo tempo que elas traziam de volta lembranças adormecidas, nos confortavam. Certamente não lembrarei todos, mas ali estavam os muitos colegas que se transformaram em amigos no longo período que ele passou na Embrapa como a Noemi, Sonia Helena, Osmar, Milton, Zezé, Ana Mirtes, Gisele....Os familiares (meus e dele) tão abalados como nós, em especial o Pedro. O cunhado que nunca foi muito presente em nossas vidas, mas que nos últimos meses do Manoel foi seu anjo da guarda, seu amigo, seu irmão em toda a concepção da palavra. Os vizinhos queridos de Canudos : “seu” Dico, D. Ernestina, Sérgio (ou o Enjoado como ele chamava), Telma, os filhos deles ....A Graça, dona da creche Lar do Curumim onde Raul e Anaterra ficaram quando bebês. Alguém muito especial, amiga querida que muitas vezes participou das caranguejadas e cervejadas em nossa casa em Mosqueiro.&lt;br /&gt;Após a bela e emocionante missa na pequena capela próximo ao tradicional bar Pastel do Oliveira, todos se dirigiram para a praia do Ariramba. A chegada do ultra-leve sobrevoando nossas cabeças trouxeram de volta as lágrimas. Em minutos as águas barrentas do rio Pará se encheram de pétalas de rosas e junto com ela uma leve fuligem que todos sabíamos eras as cinzas do Manoel. Ali ele repousaria, para sempre, o velho companheiro de copo, de planos, de sonhos, de bons desejos aos nossos filhos.&lt;br /&gt;Impossível não soluçar, improvável não recordar os inúmeros momentos que passamos ali. Um filme desconexo, sem edição se misturava à imagem dos amigos nos degraus que dão acesso à praia.&lt;br /&gt;Olhei para o Raul e a Anaterra e fiquei feliz pela sorte que tive de presenteá-los com um pai como o Manoel. Nunca esquecerão que aquele homem às vezes rude, encrenqueiro, mas predominantemente alegre, brincalhão, amoroso, orgulhoso deles a cada conquista, era também muito amado pelos amigos.&lt;br /&gt;A referência de pai que eles levarão para o resto da vida é bem diferente da minha...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-1189151210244875955?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/1189151210244875955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=1189151210244875955&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1189151210244875955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/1189151210244875955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/12/rememorando.html' title='Rememorando ...'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-3702941646105887911</id><published>2008-12-03T01:56:00.000-08:00</published><updated>2008-12-03T01:57:15.830-08:00</updated><title type='text'>Enfim Belém !!</title><content type='html'>Sair de São Carlos com destino a Belém não é tão simples como inicialmente pode parecer. A mais de 200 km da capital, a viagem começa no ônibus. Felizmente bons ônibus que circulam em boas estradas. Chegar ao aeroporto de Guarulhos é outra viagem. Tudo longe para os padrões de Belém. Por isso optamos em deixar São Carlos na véspera da viagem pela Tam. Eu, Raul, Anaterra e mamãe pernoitamos próximo do aeroporto e no dia seguinte prosseguimos com os trâmites para liberação das cinzas.&lt;br /&gt;Muito cansaço, muito estresse, muita expectativa.&lt;br /&gt;Antes de chegar a Belém havia, contudo,uma longa parada em Brasília. Desmembrar a passagem significava reduzir os custos, o que possibilitou um jantar com a amiga Ana Laura e o filho Vinicius. Um afago antes do desembarque na minha cidade natal.&lt;br /&gt;Novo vôo e um atraso de mais de duas horas, finalmente pisamos de novo em solo paraense. No aeroporto Ieda, André e sua namorada nos aguardam com a caixinha com as cinzas. Tenho que pedir perdão à querida amiga pelo que fiz ela reviver, sentir. Justo ela que foi comigo, dia 10 de maio, levar o Manoel no aeroporto quando ele seguiu para o Hospital ACCamargo. Muito latente ainda para ela aquele adeus na ambulância quando apenas os exames laboratoriais indicavam a gravidade do quadro. Mas ele ainda era o mesmo menino grande, risonho, brincalhão, moleque. Seis meses depois ela carregava consigo o pó de um homem com quem tantas vezes tomou cerveja e comeu caranguejo. Perdão amiga!!!&lt;br /&gt;Chegara o momento de chegar em casa e pela primeira vez não fora o Manoel que tinha ido nos apanhar no aeroporto. Avenida Júlio César, Almirante Barroso, Primeiro de Dezembro e finalmente o bairro de Canudos... felizmente o lexotan ainda estava fazendo efeito.&lt;br /&gt;Em casa Rulton, Socorro, Marcela (dormindo) e o Leonardo (acordado por nós) e cada móvel, cada quadro, cada artesanato reluzindo o nosso passado.&lt;br /&gt;Sempre soube que seria difícil, mas no dia seguinte, ao acordar e ter a exata e lúcida noção de que estava dormindo na mesma cama que dividi com o Manoel, que o banheiro ainda era o mesmo, que o Timão e a Dudinha (os cachorros), o Pretinho, gatinha e Floquinho permaneciam como antes, só o Manoel não existia mais, foi duro de maiss.&lt;br /&gt;Felizmente a sensibilidade da minha cunhada Socorro e do Rulton diminuíram a nossa dor. Tudo o que tínhamos solicitado que fosse passado adiante não nos esperava mais. Havia pouco de pessoal do Manoel em nossa casa. Não precisamos arrumar o quarto de quem morreu, plagiando o Chico Buarque em Pedaço de Mim.&lt;br /&gt;Se as lágrimas ficaram mais contidas nesse momento, caíram livremente quando abracei a dona Ernestina, vizinha amiga que ele tanto gostava. Outros abraços viriam, outras lágrimas seriam derramadas.&lt;br /&gt;Além dos preparativos para a cerimônia da dispersão das cinzas, também precisava usar essa permanência em Belém para resolver assuntos pendentes como ir ao meu médico-guru, ter um encontro com a minha analista que há anos me acompanha, contatar com a corretora de imóvel para tentar vender a casa e assim apressar a compra de outra em São Carlos, passar na Embrapa...&lt;br /&gt;Raul e Anaterra, mesmo saudosos do pai, reagiram de outra forma. A idade favoreceu que houvesse um misto de festa também nessa viagem. Eles estavam retornando a Belém e tendo a oportunidade de abraçar os amigos que deixaram tão apressadamente. A agenda deles ficou intensa. Mal paravam em casa. Mesmo incomodada, foi gratificante ratificar o quanto são queridos, o quanto têm amigos.&lt;br /&gt;Eu também aproveitei a ocasião para rever pessoas queridas como os que acompanharam meu drama enquanto fazíamos a especialização na Unama, conversar com calma com a minha irmã Ruthlene e minha sobrinha Thaís.&lt;br /&gt;Agora era nos preparar para ir a Mosqueiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-3702941646105887911?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/3702941646105887911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=3702941646105887911&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3702941646105887911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3702941646105887911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/12/enfim-belm.html' title='Enfim Belém !!'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-854665179832758637</id><published>2008-11-21T08:55:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T08:56:43.036-08:00</updated><title type='text'>Cara a cara com o passado</title><content type='html'>De cara com a minha história&lt;br /&gt;De novo a ansiedade antecipatória tomou conta de mim. Desde que decidi ir a Belém e homenagear o Manoel no dia em que ele completaria 51 anos, os dias ficaram pesados, a sensibilidade à flor da pele.&lt;br /&gt;Fiquei horas e mais horas, durante à noite, acordada tentando imaginar como reagiria ao entrar em casa e me deparar com ele entranhado em cada canto, em cada parede, em cada prego afixado para segurar um quadro.&lt;br /&gt;Mas antes havia a burocracia me esperando que de alguma forma ajudou a afastar um pouco o foco da dor.&lt;br /&gt;De fato é preciso viver pra entender em toda a complexidade as situações mais esdrúxulas e até pouco conhecidas da rotina da vida. Ficar frente à frente com a morte nos mostra um mundo que, inteligentemente, negamos enquanto ela não se apresenta.&lt;br /&gt;A caixinha metálica, cor de cobre que durante esses últimos meses despertava em mim diferentes sentimentos e que estava em casa como que me seguindo e lembrando-me que ali dentro estava o que restou do Manoel, o pai dos meus filhos, o amigo e companheiro de todas as horas, para ser transportada via aérea precisava de várias autorizações, documentos da Polícia Civil e da Anvisa, caixa específica que inexplicavelmente não é a mesma que o crematório entregou.&lt;br /&gt;Malas pra arrumar, medo do reencontro com o passado recente e cheio de saudade e ainda as exigências legais (?) para que o pó chegasse a Belém. Só mediante a contratação de uma empresa, especializada em esfique, localizada em Guarulhos – que nunca imaginei que existisse ! – permitiu que as cinzas seguissem como carga.&lt;br /&gt;Mas havia ainda muitas etapas a serem vencidas. Quem seria tão importante para mim que se disporia a ir ao aeroporto de Val-de-Cans, na madrugada do dia 9 receber aquela carga tão indesejável ?. Pensei em muita gente. Alguns eliminei pela indisponibilidade de transporte, outros pela fragilidade nesse contato com a morte e outros porque a amizade não seria suficiente nem mesmo para eu ter a coragem de fazer o pedido. Optei pela Ieda Jucá, a incansável amiga que nesta trajetória cheia de percalços da minha vida tem sido mais do que amiga. Aquela que junto com a Consuelo Castro tem resumido em gestos tudo o que já foi escrito sobre a amizade.&lt;br /&gt;E assim foi feito...&lt;br /&gt;Na viagem as lágrimas incontroláveis do pânico do embate. Ao meu lado Raul, Anaterra e mamãe. Solidários no silêncio ou no aperto demorado no braço ou na mão. Como protagonistas dessa história também temiam pelo retorno. Iríamos rever lugares, pessoas, objetos familiares e que poderiam ainda guardar até o cheiro do Manoel. Teríamos que repetir inúmeras vezes a mesma história, reviver os momentos no hospital, relatar detalhes da doença, da cremação do corpo, da nossa opção em permanecer em São Carlos... Temia não suportar...&lt;br /&gt;Contudo, era preciso ir, mostrar-me novamente forte, reagir diante dessa situação inusitada e dilacerante.&lt;br /&gt;E fui ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-854665179832758637?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/854665179832758637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=854665179832758637&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/854665179832758637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/854665179832758637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/11/cara-cara-com-o-passado.html' title='Cara a cara com o passado'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8501890276694852809</id><published>2008-11-05T03:47:00.001-08:00</published><updated>2008-11-05T03:47:47.889-08:00</updated><title type='text'>As lembranças que chegaram de caminhão</title><content type='html'>Quando voltei do Paraná encontrei a casa, até então espaçosa, entulhada de caixas, móveis e objetos familiares.&lt;br /&gt;A mudança chegara de Belém !!&lt;br /&gt;Não tudo... impossível colocar a casa de quatro quartos, duas enormes salas, cozinha de 60 metros quadrados dentro de uma casa moderna, funcional, mas pequena. Veio o que, com a impagável ajuda do Rulton e da minha cunhada Socorro, considerei mais importante, aquilo tudo o que tenho dificuldade de dar, vender, me desfazer.&lt;br /&gt;Cada caixa aberta uma lembrança...&lt;br /&gt;As dezenas (ou quem sabe até uma, duas centenas) de Cds fizeram com que eu voltasse ao passado instantaneamente. Chico Buarque (minha grande paixão!) cantado por ele mesmo ou por tantos outros, MPB-4, Rita Lee, Milton, Caetano, João Bosco, muitos regionais (Waldemar Henrique, Nilson Chaves, Lucinha Bastos ...) e os do Manoel. Boleros, chorinhos e muitos da década de 50 me levaram às tardes de domingo quando, depois de várias latinhas de cerveja, ele se isolava pra ouvir as suas músicas preferidas. Sempre tristes, chorosas, saudosas...&lt;br /&gt;Em outras caixas fotos, muitas fotografias. Momentos inesquecíveis perenizados no papel. Nosso namoro, passeios sozinhos ou já com os filhos, o nascimento do Raul e da Anaterra, seus (e nossos) aniversários, as incontáveis reuniões com os amigos e a alegria estampada das idas aos igarapés, às praias, principalmente em Mosqueiro onde passamos muitas férias. Mas tem também em Marudá, Alter do Chão, Ajuruteua, Salinas...&lt;br /&gt;Caixas e mais caixas contendo meus inseparáveis livros. Cada um com a sua história, cada um com a sua contribuição em mim. Poesias, crônicas, romances e os incontáveis sobre Comunicação. Tenho uma compulsão a comprar livros sobre Comunicação e jornalismo. Talvez explicável pela limitação de acesso em Belém. Quase nada disponível nas livrarias. Não consegui deixa-los pra trás. Não tenho ainda um lugar adequado para alojá-los, mas agora estão aqui, do meu lado. Disponíveis. Sinto-me mais segura e acompanhada. Loucura ? Não ! os livros sempre foram para mim uma excelente companhia.&lt;br /&gt;Rever, tocar os artesanatos e enfeites foi outro momento doloroso. Meus sapos, minhas recordações de viagens (Santarém, Cuiabá, Pirinópolis, Brasília, Acre, Rondônia, Manaus, Rio de Janeiro e muitos outros de Belém) reavivaram em mim cenários que não lembrava mais e novas lágrimas foram inevitáveis.&lt;br /&gt;Roupas pessoais (algumas camisetas do Manoel), de cama, mesa, banho deixadas em Belém na esperança de que lá estariam esperando a nossa volta .&lt;br /&gt;Ahhh como tudo mudou em tão pouco espaço de tempo. São apenas três meses. Parecem três anos ... 30 anos ...O meu mundo em Belém parece-me tão distante...&lt;br /&gt;Como a vida é frágil, como as lembranças machucam, como somos tão insignificantes...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8501890276694852809?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8501890276694852809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8501890276694852809&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8501890276694852809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8501890276694852809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/11/as-lembranas-que-chegaram-de-caminho.html' title='As lembranças que chegaram de caminhão'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-5439554345685105819</id><published>2008-10-29T11:33:00.001-07:00</published><updated>2008-10-29T11:33:47.057-07:00</updated><title type='text'>Felicidade via Paraná</title><content type='html'>Viajar sempre foi para mim uma dádiva, um santo milagre para quase todos os males. Mesmo quando tinha pânico de avião. Agora que convivo amigavelmente com o barulho das turbinas, com as turbulências e decolagens, conhecer ou rever lugares tornou-se bem mais prazeroso. É assim que me sinto hoje depois de seis dias no Paraná. Duas experiências profissionais únicas aliadas ao êxtase de conhecer um pouco do Sul do País.&lt;br /&gt;Primeiro foi Maringá (dez horas de ônibus de São Carlos) onde fiz a palestra de abertura da XI SIECOM - Semana Integrada de Estudos da Comunicação falando sobre Jornalismo Ambiental. Não me considero uma especialista no assunto, mas argumentei, desde o primeiro contato essa deficiência aos organizadores, mas o professor Marcos Silva insistiu, disse que gostaria que eu fosse e assim aconteceu.&lt;br /&gt;Sempre acreditei que jornalismo ambiental é muito mais do que escrever sobre meio ambiente, é uma escolha de vida, é olhar o mundo de uma forma diferente. É ainda se indignar. Os que têm sensibilidade, os que de fato se preocupam com os outros, com o planeta podem ter até a mesma pauta que outros jornalistas, mas jamais ela será desenvolvida do mesmo jeito.&lt;br /&gt;Foi uma oportunidade rara de falar da Amazônia, de apresentar para aqueles jovens paranaenses um pouco do meu mundo paraense. Mas a ênfase maior eu dei ao trabalho do Lúcio Flávio Pinto, o jornalista que é conhecido e reconhecido em tantos outros países, mas que ainda é desconhecido por muitos colegas brasileiros e principalmente pelos futuros jornalistas. Comentei sobre a sua saga, perseguições, dificuldade para continuar vivendo do jornalismo e para o jornalismo, seu idealismo e senti que impactei os que estavam no auditório. Estava falando de alguém que conheço, admiro, que ainda vive e que talvez só se torne famoso após a sua morte.&lt;br /&gt;Ali me senti em casa, independente do nervosismo inicial. Não dei aula, não trabalhei conceitos ou teses, apenas falei da minha experiência na Embrapa em Belém, do meu ponto de vista sobre o que está acontecendo na minha região e sobretudo sobre o incômodo de constatar que para nós, amazônidas, cruzar com velhos caminhões abarrotados de toras de árvores seculares ou encontrar na praia um boto sem olho já não nos abala. Estamos nos tornando cúmplices silenciosos.&lt;br /&gt;Os olhares, as perguntas e o assédio após o bate-papo indicaram que o caminho que escolhi foi o mais adequado. Muita curiosidade entre os participantes e a deliciosa sensação de que pude, mesmo tão rápido e humildemente, provocar uma reflexão e, com certeza, aumentar as buscas no Google sobre o Lúcio Flávio, o Pará e as mazelas amazônicas.&lt;br /&gt;Depois de Maringá outra longa viagem agora para Curitiba. Na rodoviária a gentil e carinhosa Kátia Pichelli, jornalista da Embrapa Florestas, responsável por toda essa articulação. De novo um público de pesquisadores se reúne para me ouvir, para discutir mais atentamente a relação pesquisa e comunicação.&lt;br /&gt;Uma palestra similar àquela apresentada em outras regiões. Privilégio de já ter falado para os atuam na Amazônia (PA, RO e AC), no Sudeste (Rio de Janeiro e São Carlos) e agora, pela primeira vez, no Sul. Oportunidade única de conhecer Unidades da Embrapa tão diferentes, de ver in loco a grande diversidade, comparar cenários, infra-estrutura. Cresci mais um pouco como pessoa e como empregada da Embrapa.&lt;br /&gt;Trabalho extenuante, sobretudo no período pré-evento, mas também uma boa dose de lazer. Ciceroneada pela Kátia, eu e a Anaterra (que me acompanhou) pudemos conhecer recantos lindos, sabores únicos, pessoas (como a sua família) que trouxeram de volta a vontade de viver, de ser feliz, de sorrir.&lt;br /&gt;Um retrocesso nos sentimentos ruins que estavam me acompanhando mais recentemente. Ao mesmo tempo em que me defronto e me choco com pessoas insensíveis, perturbadas e egoístas, também vou descobrindo belezas visíveis e invisíveis que me equilibram e me dão novo ânimo.&lt;br /&gt;Sinto-me cansada, mas feliz. Muito feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-5439554345685105819?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/5439554345685105819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=5439554345685105819&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5439554345685105819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5439554345685105819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/10/felicidade-via-paran.html' title='Felicidade via Paraná'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-6948136736214934057</id><published>2008-10-20T04:13:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T04:14:11.363-07:00</updated><title type='text'>A dor do crescimento</title><content type='html'>Meu mundo parece estar girando com mais velocidade, intermináveis mudanças alteram meu dia-a-dia, alteram meu modo de ver a vida, mostram-me situações, reações, pessoas que não acredita pudessem existir. Além de estar aprendendo a conviver com a viuvez, a caminhar em uma cidade completamente desconhecida e a enfrentar as mudanças climáticas comuns nessa região do País, estou vivendo intensamente emoções, experiências pessoais até então inimagináveis.&lt;br /&gt;Tenho, em muitas oportunidades, me desconhecido. Já não me reprimo tanto, já não sou tão generosa, já não me perturbo com pouco e creio que, mesmo com 51 anos, descubro que posso ser egoísta, que posso olhar mais pra mim, principalmente quando o outro me ignora, me agride, me faz mal.&lt;br /&gt;Sempre fui condescendente com as pessoas, procurava entendê-las em todas as suas mais complexas e aparentemente absurdas manifestações. Era privilegiada. Tinha uma família equilibrada, próxima, querida; um emprego que me realiza, grandes amigos. Estava de bem comigo e a vida de bem comigo. Foi preciso que eu vivesse as tempestades, entrasse no olho do furacão para ter um outro olhar, para enxergar o que a minha felicidade e piedade encobriam.&lt;br /&gt;Pessoas queridas, que faziam parte da minha história, não são exatamente como eu as imaginava. Certamente me preferiam risonha, com um copo na mão, dinheiro fácil, almoço farto. Não conseguem perceber que estou vivendo a fase do rescaldo, que junto os cacos e me reergo. Estou fragilizada, agressiva, introvertida, exigente, carente e algumas vezes até mesmo impiedosa. Não quero mais piedade, não preciso mais dela. Preciso de amigos fiéis, próximos (mesmo que estejam a mais de 3mil km de distância), que entendam minhas explosões e até a minha agressividade. Que me amem também nesta fase e não somente quando sou “perfeita”, feliz, generosa, alegre.&lt;br /&gt;Certamente sou responsável por alimentar a retidão, o equilíbrio, a eterna compreensão. Sempre os outros em primeiro lugar. Agora estou me vendo, me conhecendo e reconhecendo o egoísmo nos outros.&lt;br /&gt;Minha vida mudou, eu mudei e assustada constato que muitos que estão tão próximos (ou que eu acreditava ao meu lado) nunca estiveram de fato. Rostos conhecidos, nomes familiares, mas estranhos.&lt;br /&gt;Tenho buscado explicações convincentes para entender-me, para entendê-los. Certamente não existem. Sei apenas que já não sou a mesma, que já não acredito tanto nas pessoas, que não me anularei nunca mais por ninguém, que minha vida, minha felicidade, têm que ser minha meta, minha prioridade.&lt;br /&gt;Meu sofrimento é só meu. Minha nova vida depende de mim, minhas escolhas também.&lt;br /&gt;Como dói crescer ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-6948136736214934057?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/6948136736214934057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=6948136736214934057&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6948136736214934057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6948136736214934057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/10/dor-do-crescimento.html' title='A dor do crescimento'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8855805780649943763</id><published>2008-10-09T07:36:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T07:37:08.874-07:00</updated><title type='text'>Escrita terapêutica</title><content type='html'>Esta semana a revista Isto É teve um sabor diferente pra mim. Há mais de um mês aguardava, ansiosamente, pela publicação de uma matéria que abordaria a escrita terapêutica, tendo como ganho este blog. Dei entrevistas, passei algumas horas sendo fotografada e pela primeira vez troquei o papel de articuladora de pauta para fonte, a entrevistada ansiosa que não quer reconhecer a ansiedade pela veiculação. Não sei quem indicou-me, como chegaram ao meu blog, mas como acredito que devemos usar todas as formas de nos fazer feliz e muitos podem descobrir essa que encontrei casualmente, concordei de imediato com a proposta.&lt;br /&gt;Mas como a matéria demorou a entrar na edição ...Todos os últimos sábados certamente eu era uma das primeiras a comprar a revista em São Carlos e neste finalmente lá estava eu !.Texto pequeno, mas redondinho, cumprindo o que se propôs. Para mim fundamental. Permitiu que eu tivesse uma compreensão mais exata dessa necessidade de escrever, de compartilhar o que sinto principalmente as angústias, dúvidas, aflições. Percebo que ao agir dessa forma fico menos ansiosa, durmo mais facilmente porque não necessito ficar horas buscando explicações, identificando os gargalos de situações ou me organizando mentalmente.&lt;br /&gt;Quando comecei a escrever aqui houve as mais diferentes reações dos amigos (e os nem tanto!). Alguns acharam que essa era a forma ideal de acompanhar a minha odisséia sem que eles necessitassem me visitar, telefonar. O pessoal da torcida fiel, mas silenciosa. Outros dizem com todas as letras que não gostam de ler porque se emocionam demais, porque sofrem comigo, choram. Aceito e respeito essa opção de não ver o problema como de fato ele é ou pelo menos do meu ponto de vista. Eu que estou no olho do furacão. Há, contudo, os que, mesmo sutilmente, avaliaram essa minha disposição e necessidade de escrever como um marketing pessoal, uma oportunidade para me fazer famosa, comentada... Respeito, mas não aceito e quando leio na matéria da IstoÉ a explicação do filólogo José Pereira da Silva de que “quando escreve, a pessoa precisa se fazer compreender” ou a avaliação do oncologista Daniel Herchenhorn da diferença entre tratar o assunto câncer com o médico e com pessoas que entendem o seu drama porque passaram (ou estão passando) por algo similar, constato que tenho encontrado na escrita de fato um terapia.&lt;br /&gt;Arrumar meus pensamentos, organizar a minha cabeça, priorizar ações, ficam mais fáceis quando escrevo. Embora muitos afirmem que me expresso verbalmente bem, prefiro fazê-lo usando a palavra escrita. Gosto de sentir que consegui usar as palavras adequadas para transmitir o que queria, o que estou sentindo ou de redigir um texto tendo como base informações puramente técnicas que depois de burilado passa a ser inteligível a qualquer pessoa.&lt;br /&gt;Dominar as palavras, montando o quebra-cabeça de substantivos, adjetivos, verbos,pronomes... e depois ter a exata dimensão que aquilo um dia poderá se transformar em um documento, registro de uma época, amplia a responsabilidade, dá mais credibilidade. Morrerei, mas deixarei meus escritos. Algo poético e antigo, mas que me enternece.&lt;br /&gt;Não tenho dúvida de que devo e quero usar essa ferramenta como um elo entre eu e outras pessoas (conhecidas ou não). Por que deveria escrever sorrateiramente em um quarto ou para poucas pessoas quando essa minha experiência, de alguma forma, pode levar alguma contribuição a pessoas que ao enfrentarem essas adversidades da vida se entregam, se prostram e morrem antecipadamente ?&lt;br /&gt;Eu tinha duas opções: desabar ou viver e eu escolhi viver.&lt;br /&gt;Hoje à tarde vou me inserir, com mais ênfase e compromisso, na vida. Será um marco nessa nova etapa. Chegou o dia do seminário para os empregados da Embrapa Instrumentação Agropecuária que me receberam de braços abertos. Vou tentar mostrar aos colegas que fazer Comunicação dentro da Empresa é mais simples do que inicialmente pode parecer, mas é preciso o mínimo de sistematização. Vou tentar contagiá-los com a minha crença em que é possível mudar, contribuir, dar, receber, crescer e ter prazer até trabalhando.&lt;br /&gt;Tomara que eu consiga !!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8855805780649943763?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8855805780649943763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8855805780649943763&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8855805780649943763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8855805780649943763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/10/escrita-teraputica.html' title='Escrita terapêutica'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-4748335752595087937</id><published>2008-10-01T11:38:00.000-07:00</published><updated>2008-10-02T10:23:23.341-07:00</updated><title type='text'>O recomeço</title><content type='html'>Como um filme velho, retorno ao passado, vejo-me jovem, aos 27 anos, chegando na Embrapa Amazônia Oriental, o então CPATU. Levada pelas mãos do Furlan, então chefe técnico, fui apresentada a quase todos. Nervosa, assustada e cheia de dúvidas me deixei levar por aquele que aparentemente parecia uma fera, um ditador, mas que com o passar do tempo descobri ser um dos mais generosos da Unidade. Nem sabia exatamente o que faria naquele mundo completamente novo que se abria pra mim. Uma chegada casual, motivada principalmente pelo salário atraente, indicação do colega jornalista Raimundo José Pinto. Nunca imaginei que ficaria atrás daqueles muros, desvendando os segredos amazônicos por tanto tempo e muito menos o que me aguardava. Hoje sei que metade da minha vida ficaria atrelada àquele mundo. Além do Manoel me esperando pra ser tornar o pai dos meus filhos, fiz grandes amigos que agora, mesmo distantes, continuam participando ativamente da minha vida.&lt;br /&gt;Neste momento revivo cada contato inicial como a apresentação ao Walterlino que me deixou ruborizada. Ele recordou que me conhecia desde criancinha quando eu ia pegar picolé quebrado na mercearia do “Seu” André que ficava na esquina da Conselheiro Furtado com a José Bonifácio. Ele era o balconista. Quis morrer...&lt;br /&gt;Retornam tamb[em as primeiras grandes dificuldades que quase me levaram a desistir como a revisão do primeiro livro do pesquisador Cristo do Nascimento. Muita exigência, muita cobrança, muita insegurança.&lt;br /&gt;Já não tenho mais 20 anos, mas a história se repete. Hoje oficialmente recomeço minha vida profissional. Com bem menos sonhos, mas com bem mais experiência. Esses seis dias que passei em Brasília de alguma forma fizeram parte desse novo momento. Fui pela primeira vez para a exposição Ciência para Vida como visitante, sem maiores compromissos. Estive na primeira edição, na segunda, terceira e nesta décima. Oportunidade única de rever amigos, colegas antigos e me permito ainda conhecer as novidades, ter o privilégio de ver a modernidade chegando na proposta quase infantil, meio Feira de Ciências escolar, de tantos anos atrás.&lt;br /&gt;Abracei e fui abraçada, ri e fiz rir e chorei diante do espetáculo de fogos que marcou o encerramento. Inevitável a comparação com a Transladação do ano passado quando juntos assistimos a passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré nas arquibancadas da praça Waldemar Henrique. Emoção latente, tinha descoberto há poucos dias o meu câncer e o Manoel fez sua prece silenciosa por mim. Um abraço apertado e os olhos úmidos denunciavam o que se passava em seu íntimo. Nunca poderia supor que eu, este ano estaria aqui, quase saudável e ele partiria na minha frente. Enquanto a Santa não chegava, tomava suas latinhas, comia o que queria, enquanto eu me resguardava para enfrentar o que viria pela frente. Ahhh como dói recordar...Chorei muito e tive como ombro amigo a Alethéa, colega do Sac e a pesquisadora Tatiana Sá, atualmente na diretoria. Elas compreenderam, quase sem eu falar nada, o que estava sentindo. Era a cultura misturada com a religiosidade e mescladas de muita saudade. A Tatiana disse, enquanto tentava me consolar, que ainda não conseguira ir à praça da República quando vai a Belém. Aquele lugar, segundo ela, é a “nossa cara” e ainda dói.&lt;br /&gt;Além da Embrapa pude me realimentar no carinho explícito e algumas vezes apenas sutil, mas nem por isso menos intenso, da Ana Laura, Vinicius e Renata. Muita conversa, muitos risos e a permissão para viajar no passado, falar tudo e sobre tudo sem receio, sem repressão, sem medo. Pensar alto sobre o que a vida me reserva ainda, os temores pela proximidade com a morte, a preocupação com o futuro dos filhos que agora substitui o quase pânico que tinha em Belém com a violência. Mudei a forma de ver a vida deles. Estou menos ansiosa com a chegada e mais focada no que farão quando chegar o meu momento de ir. Troquei o presente pelo futuro. O Raul chegou a me perguntar claramente: mãe tu achas que vais morrer agora ? Talvez, inconscientemente acredite que sim e por isso tenho me concentrado em atualizar documentos, regularizar pendências, prepará-los para quando eu for também.&lt;br /&gt;Brasília me propiciou ainda saídas que há meses não aconteciam, que não me permitia. Fui a um bar, tomei vários chopes em companhia do Marcus, um amigo de Belém. falei muito de mim e depois dos copos a mais, fiz confidências e no dia seguinte acordei de ressaca, preguiçosa. Uma doce e deliciosa desobediência médica.&lt;br /&gt;Agora recomeço uma nova fase, em uma nova Unidade, reaprendendo quase tudo. Entrei de manhã cedo com o pé direito, vesti verde pra dá sorte e pedi a proteção de Nossa Senhora de Nazaré para que encontre a mesma realização e prazer que marcaram meus anos na Embrapa em Belém.&lt;br /&gt;Nova Unidade... Nova vida ... A fila anda ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-4748335752595087937?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/4748335752595087937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=4748335752595087937&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/4748335752595087937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/4748335752595087937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/10/o-recomeo.html' title='O recomeço'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-4183393038854603848</id><published>2008-09-23T07:34:00.000-07:00</published><updated>2008-09-23T07:39:09.181-07:00</updated><title type='text'>Meu pequeno-grande-homem</title><content type='html'>Hoje é dia de remexer o baú das lembranças, desarrumar emoções, eviscerar momentos já distantes e outros nem tanto. O meu menino está fazendo 17 anos. Um pequeno-grande-homem, o meu único homem atualmente!&lt;br /&gt;Ávida está fazendo dele um precoce chefe de família, levando-o a assumir responsabilidades que pensávamos estivessem ainda muito distante.&lt;br /&gt;Sempre acreditei que teria filhos. Sempre quis tê-los. Próximo dos 30 anos nem levava mais em consideração o pai, queria apenas engravidar. Treinei a maternidade com o Ivan (hoje com 23anos) e com a Thaís (22). Não era a tia que apenas levava pra passear no Museu Emílio Goeldi aos domingos, mas a que limpava coco e passava horas acordadas vigiando a febre que não cedia.&lt;br /&gt;Aos 32 anos, mais insistente do que nunca no desejo de gerar um filho, amamentá-lo e vê-lo ir se tornando um cidadão, felizmente apareceu na minha vida o Manoel. Mesma idade e sem filhos. Perfeito !! A gravidez não foi planejada, mas foi muito comemorada. Fiz tudo o que o médico (o primo e amigo Allan) recomendava e continuei seguindo à risca o que os pediatras determinavam. Cresceu saudável, mesmo com um susto aos 11 anos quando teve que operar o quadril. Mas nunca foi hospitalizado por doenças infantis como os que acometem muitas crianças do tipo intestinais ou respiratórias. Ou mesmo decorrente de acidentes domésticos. Uma mãe exageradamente cuidadosa, segundo os amigos mais próximos. Pode ser...&lt;br /&gt;Hoje, no primeiro aniversário sem o Manoel, abracei um homem alto, forte bonito, mas acima de tudo um quase homem determinado, seguro, consciente e acima de tudo maduro pra idade, uma idade que todos diziam ser difícil, mas quase nunca lembro ser um adolescente com crises existenciais, dúvidas e humores em eternas mutações. Via de regra é tranqüilo, amoroso, atencioso e não apenas comigo, mas com todos com quem se relaciona. Mas se não gosta não esconde. Diz que não sabe fingir. Não faz nenhum esforço para esconder e manifestar a insatisfação com monossílabos e cara fechada.&lt;br /&gt;Exigente, gosta de tudo o que é bom. Roupas, comida, sapatos e todos os acessórios masculinos. Um lado de seu perfil que tento controlar, minimizar, mas que ao mesmo tempo não vejo como problema, mas apenas característica. Como sempre mereceu o que lhe é dado, não há problema nessa troca. Conquista pessoas e o que quer, sem alarde.&lt;br /&gt;Mal chegou em São Carlos e já tem um círculo grande de amigos , da escola ou da academia onde treina karatê. Há sempre elogios dos professores, dos coordenadores e até da senhora que cuida da disciplina. Educado e atencioso, sempre !!&lt;br /&gt;Hoje nos emocionamos muito no abraço matinal. Faltava alguém naquele grupo. Nunca pensamos que, tão cedo, passaríamos um aniversário sem que o pai o beijasse e dissesse o tradicional: eu te amo muito, meu filho !. Eu e o Manoel conversávamos muito sobre como eles agiriam em nossa velhice. Mais impaciente e egoísta do que a Anaterra, sempre o recriminávamos pela individualidade exacerbada. Temíamos não tê-lo como um companheiro quando nossas pernas estivessem fracas, nossa audição limitada e o corpo demente. O Manoel não esperou pra saber...&lt;br /&gt;Que reviravolta em nossas vidas ! O pequeno-grande-homem agora é quem vai ver se as portas estão fechadas à noite, quem carrega os pesos mais pesados, a pessoa indicada por mim para me atender em caso de um acidente. A inversão dos papéis tornando-se evidente !&lt;br /&gt;2008 marcante para todos nós. Um ano atípico. Deixou amigos de muitos anos pra trás, namoradinhas que inundam seu orkut com declarações de amor, de saudade. A sua história em Belém que embora curta já é intensa. Perdeu o pai. Acompanhou a doença, viu seu sofrimento, se despediu com muitas lágrimas no CTI, ajudou a colocá-lo no caixão, foi comigo buscar as cinzas, mas não desabou. Cheguei a me preparar para o impacto no colégio, na relação com as pessoas e de alguma forma tentar ajudá-lo. Não.. ele é que tem me ajudado. Basta me ver chorando ou um pouco mais triste pra tentar me consolar dizendo que o Manoel agora está melhor, sem dor.&lt;br /&gt;O dia de hoje está sendo muito especial, diferente dos aniversários anteriores, marcante. Será de poucas comemorações. Iremos a uma pizzaria (eu, mamãe, ele e a Anaterra) e lá, sem que ele saiba, estará nos esperando um pequeno grupo de amigos que já fez por aqui. A comemoração é íntima, simbólica. O que mais importa não está visível, fica guardado a sete chave em nossos corações. Estou me sentindo plena, serena com a descoberta de que a criança que pari há 17 anos está se tornando um homem de bem. Sempre pautamos a educação deles no estímulo. Educação a melhor que podemos oferecer, acesso à informação, bons livros, bons passeios, boas conversas, muito diálogo, limites, imposições, regras, castigos, mas muitos beijos antes de dormir, muitas explicações diante das decisões que para eles podem parecer absurdas, no respeito ao outro, na visão de que o mundo é heterogêneo, as pessoas diferentes entre si e por mais difícil que possa ser entendê-las e nos entender, temos que pelo menos exercitar pra não sofrer e não fazer sofrer. Viver bem com a diversidade é uma arte e os que conseguem são sempre mais felizes que os limitados, o que não cresceram como pessoas, os que se mantêm com o olhar fixo em um ponto sem se permitir sonhar, experimentar, renascer.&lt;br /&gt;Tento penetrar em seu mundo, massei que nunca conseguirei. O mundo dele é dele. Só dele ! Mas o que olho pela fresta me dá alegria, tranqüilidade. Além da dedicação, para mim exagerada às atividades físicas e alimentação controlada, ele está olhando pra frente e tentando aproveitar a oportunidade que a vida nos ofereceu de estarmos em um centro mais desenvolvido, com universidades mais qualificadas. Ontem eu ganhei o presente: decidiu, além do curso tradicional, freqüentar à noite o intensivão do Objetivo. Um dos mais conceituados da cidade. Será puxado. As aulas se estendem até às 23 horas, mas ele quer encarar o desafio, quer ir mais seguro para o vestibular. E se depender de mim, irá !!&lt;br /&gt;Este é o meu bebê que quase não cabe mais na minha cama, vive admirando seus músculos no espelho, cuida da aparência, mas tem uma beleza maior do que a que os olhos nos permitem ver: interiormente está em formação um homem de bem . Os mais sensíveis, os menos preconceituosos, os mais evoluídos como espécie humana conseguem vê-lo nitidamente.&lt;br /&gt;Espero que a vida continue me presenteando desse jeito e que muitos e muitos anos possa ainda dizer, dia 23 de setembro ou todos os dias, o quanto o amo e o quanto eu tenho orgulho de ser sua mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-4183393038854603848?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/4183393038854603848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=4183393038854603848&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/4183393038854603848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/4183393038854603848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/09/meu-pequeno-grande-homem.html' title='Meu pequeno-grande-homem'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-2130384243221931183</id><published>2008-09-20T15:46:00.000-07:00</published><updated>2008-09-20T15:52:26.916-07:00</updated><title type='text'>As "meninas" estão chegando</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;br /&gt;As decisões ultimamente têm sido grandiosas. Não se limitam a optar entre ir à Estação tomar um sorvete na Cairu ou passar no Líder da Doca para fazer umas comprinhas para a semana. Já não tenho que decidir se iremos no próximo final de semana tomar uma cerveja, devidamente acompanhada de uma cerveja bem gelada em Mosqueiro ou cuidar da limpeza do quintal que está feio, cheio de mato, precisando de trato. Minhas opções agora são complexas, onerosas e quase sempre solitárias. Uma das mais recentes foi a de viabilizar a ida da minha cunhada Dóris, a quem nunca poderei pagar por tanta generosidade, a Belém, Há uma semana ela seguiu de ônibus de Leme para o terminal rodoviário de São Braz, mais de 48 horas de viagem com uma missão muito especial: trazer para perto de nós a Miúcha e a Bebel, as duas cachorrinhas “cofaps” que viviam dentro de casa com a gente. As mesmas que dormiam, nas tardes  de sábado e domingo, junto com o Manoel na rede.&lt;br /&gt;Será um reencontro. Estamos ansiosos como se estivessem chegando dois bebês. Cobertores foram comprados, ração, vasilhas novas e bonitas. Tudo pronto para que elas sintam-se confortavelmente em casa, mesmo que seja uma casa diferente da que estávamos todos acostumados. Bem menor, mais impessoal. Estou me controlando para não adquirir coisas demais, pra não juntar muita coisa novamente. A nossa história, como diz um grande amigo, não pode fazer relação com o material, com o físico. As lembranças, as doces recordações estão dentro de nós e nos acompanham para onde formos, independente de termos ou não algo para contemplar, tocar.&lt;br /&gt;A Dóris também trará um “kit ver-o-peso” pra matar a saudade das nossas guloseimas. Polpa de cupuaçu, taperebá, maniva pré-cozida, tucupi, jambu, molho de pimento , bombons de cupuaçu e muito cheiro-do-pará. Mas o que eu mais queria não virá...&lt;br /&gt;Como dói essa aproximação com o nosso mundo paraense. Fica forte demais a presença do Manoel quando estamos próximos do nosso passado. Ontem a Embrapa o homenageou novamente. A imagem de Nossa Senhora de Nazaré peregrina pela primeira vez visitou a instituição. Uma procissão que percorre o centro de pesquisa e que ele participou desde os primeiros. Se envolvia, vibrava com os fogos, com a decoração da berlinda e nos últimos anos estávamos todos lá acompanhando a santinha, pedindo sua bênção. O Círio do ano passado foi muito angustiante para todos nós. Tínhamos acabado de saber do meu câncer. Emoção, emoção e mais emoção e em silêncio sem querer preocupar o outro, nos perguntávamos se este ano eu estaria aqui para ver mais um Círio. Quanta ironia, quanta perplexidade: eu estou, mas ele não. O último círio era dele, não meu...&lt;br /&gt;Não iremos este ano para Belém participar da grande procissão. Inúmeros motivos nos impedem, vão das limitações financeiras ao receio que ainda tenho do reencontro com parte da minha história. Vou entrar na casa que foi nossa, sentar na cadeira que era dele, deitar na cama que dividíamos, rever roupas, sentir cheiros, olhar fotos... aii meu Deus vai ser tão doloroso, mas será necessário muito em breve. É preciso virar essa página para que as outras não fiquem tão dependentes dela.&lt;br /&gt;Mas agora o que eu quero mesmo é que as horas passem correndo e a gente possa abraçar as “meninas”. Chegarão à base de tranqüilizantes, mas logo logo vão estar latindo de felicidade com o reencontro. Também devem estar com saudades. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-2130384243221931183?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/2130384243221931183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=2130384243221931183&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2130384243221931183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2130384243221931183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/09/as-meninas-esto-chegando.html' title='As &quot;meninas&quot; estão chegando'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-5367759494605035974</id><published>2008-09-18T14:32:00.000-07:00</published><updated>2008-09-18T14:57:23.056-07:00</updated><title type='text'>Mundos tão diferentes</title><content type='html'>Como é ruim ratificar que a minha Belém querida está tão distante do bom, da modernidade, carente de quase tudo, do básico como a saúde. Eu já sabia disso há muito tempo. Sofri, vivenciei, presenciei o quê de mais revoltante pode ser o desrespeito com o ser humano e principalmente aquele doente, fragilizado por um mal incontrolável e assustador como o câncer. Tudo detalhadamente registrado aqui neste blog, mas nem por isso deixo de me revoltar, de me sentir impotente diante de dois mundos tão diferentes, divididos pela proximidade ou distância da linha do Equador.&lt;br /&gt;Depois de quase três meses da decisão tresloucada de deixar minha terra natal e recomeçar a vidaa mais de 3 mil km, mesmo sem ter um direção mais precisa do que me aguardava, de novo volto os olhos para mim mesma. Preciso me cuidar, ficar alerta a qualquer sinal emanado do meu corpo, ler o aviso implícito em uma sutil mudança que pode ser um aviso, um alerta.&lt;br /&gt;As dores persistentes na mama esquerda, de onde foi retirado o nódulo maligno e um inesperado sangramento vaginal com fortes cólicas , surpreendente a volta da menstruação interrompida em março logo após o início do remédio contra a recidiva na mama, me assustou, trouxe de volta os mesmos medos adormecidos pelos acontecimentos mais prementes, mais urgentes.&lt;br /&gt;Voltei à clínica de Campinas onde comecei o tratamento, onde me submeti à braquiterapia em julho e de novo me deparo com o atendimento, presteza, profissionalismo inusitados para os que vivem no Pará e, intimamente, desejo em silêncio que um dia meus conterrâneos tenham direito a tudo isso.&lt;br /&gt;Não.. não é nada particular. Tudo pelo plano da Embrapa, assim como o que eu usava em Belém. Mas a diferença é gritante !&lt;br /&gt;Cheguei na clínica por volta das 13:30h. Antes de ser consultada fiz uma ultrassom da mama. Medo, angústia... Sentia um pedaço de tecido entumescido onde doía mais. Seria um novo nódulo ? Ai meu Deus, mais uma nova cirurgia? Agora não ! Logo em seguida o ginecologista/mastologista, um senhor divertido e muito experiente, me chama e diz que não devo me preocupar. Ele já estava com o laudo do mastologista na mão ! Explica que a mama fora muito agredida. Duas cirurgia e mais a braquiterapia podem ter causado todo o trauma que tanto me incomoda hoje a ponto de dificultar de dormir de bruços. Mas tinha ainda o sangramento... Semblante preocupado, afinal o câncer no endométrio pode acontecer depois do da mama, facilitado pelo remédio que tomarei durante cinco anos. Nova agradável surpresa: ele chama a atendente e diz que precisa de uma ultrassom vaginal naquele momento. Só o tempo de pedir autorização pelo telefone à Unimed e eu já estava de volta à sala de ultrassonografia. O incômodo e constrangedor exame começa a me desvendar intimamente. Mexe daqui, cutuca dali e as descobertas vão se enumerando: um cisto no ovário esquerdo e quatro miomas no útero, mas nada que seja preocupante ,segundo o médico. Confiei nele, acreditei no que disse. Preciso apenas de acompanhamento constante, avaliações que me permitam descobrir tumores em fase inicial se eles acontecerem novamente e três preciosas e difíceis recomendações: muita atividade física, alimentação moderada e uma cabeça leve, serena, tranqüila, em paz. Fácil ? Nem um pouco ! Mas nada impossível. Saí de lá com a receita para caso surgissem novas dores ou sangramentos e uma espécie de agenda para registrar quaisquer alterações menstruais. A explicação técnica é que em alguns casos a menopausa só se concretiza em muitos meses.&lt;br /&gt;Inevitável não comparar com a realidade em Belém. Quanto tempo eu aguardaria pela consulta ? E os exames ? Mais um bom tempo certamente para apanhar os resultados e nova espera para retornar ao médico. Uma semana, um mês, dois meses ? Em uma tarde fiz tudo e saí de lá tranqüila, feliz com a possibilidade de viver os próximos meses sem o fantasma do câncer me perseguindo, me seguindo.&lt;br /&gt;Em novembro uma nova avaliação em Campinas. Mastologista e oncologista vão me vasculhar com mais detalhes e, desde agora, rezo pra que nada seja encontrado.&lt;br /&gt;Prossigo na academia, irei a um nutricionista nos próximos dias e tentarei buscar as diferentes maneiras de me manter distante da depressão, da tristeza. Nem sempre é possível, mas com determinação vou buscando prazeres antigos, novos e oportunidades para me fazer feliz.&lt;br /&gt;Brasília me espera. Os amigos estão me acarinhando e sei que me fará bem essa viagem. Ou melhor : só idealizá-la já está fazendo !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-5367759494605035974?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/5367759494605035974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=5367759494605035974&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5367759494605035974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5367759494605035974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/09/mundos-to-diferentes.html' title='Mundos tão diferentes'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-2788210707069549169</id><published>2008-09-12T04:44:00.000-07:00</published><updated>2008-09-12T04:45:28.357-07:00</updated><title type='text'>Viúva eu ?!!</title><content type='html'>A tomada de consciência de que meu mundo mudou parece mais assustador do que quando eu estava no olho do furacão. Aos poucos vou me reconhecendo como uma mulher só, uma viúva. Não uma viúva do início do século passado, de roupas pretas que encobriam todo o corpo, mas nem por isso ausente de luto. A vida está se mostrando como uma paisagem turva em que minha visão pouco consegue vislumbrar. Não distingo o vermelho do roxo; o azul do preto. Uma névoa recobre meu futuro.&lt;br /&gt;A certeza da ausência incomoda demais e bate à porta a cada lembrança, a cada necessidade da presença. Não tenho mais a pessoa que me entendia com um simples olhar, com quem brigava sem limites e no final dizia “quando você estiver mais calma a gente volta a conversar”, o homem que quase enlouqueceu quando descobrimos meu câncer, mas que ironicamente a vida dele é que corria perigo. Bem mais perigo. Era ele que está sendo dizimado por essas células infames, aterrorizantes, traiçoeiras.&lt;br /&gt; Não tenho mais a presença daquele companheiro para conversar sobre os filhos antes de dormir, para ligar no meio da manhã ou da tarde desesperada com a demora inexplicável ou apenas para comentar as novidades, as conquistas de cada um. Sinto falta até do homem-faz-tudo que pendurava os quadros na parede ou me acompanhava ao supermercado. Que ia comigo ao médico ou ao mercado do Ver-o-Peso quase todos os sábados em busca de peixe fresco e frutas regionais.&lt;br /&gt;A fragilidade da vida me enfraquece. Tenho buscado, em tudo o que vislumbro como uma saída para arejar a cabeça, concentrar-me mais e mais e não ficar editando lembranças desconexas ou tão nítidas e recentes.Ou outras recordações mais remotas que vão lá atrás, nos nossos primeiros contatos embrapianos ou as que marcaram a nossa despedida no hospital, ele já inconsciente. Imagens que se confundem, se entrelaçam, que vão e voltam e me torturam.&lt;br /&gt;Sei que tenho que me reerguer. Sinto-me cansada, estressada, aborrecendo-me por pouca coisa com os meninos e justamente com eles que também estão sofrendo com essa partida. Tento imaginar a cabeça de cada um, os sentimentos desconhecidos que dominam seus corações diante de um carro antigo que passa na rua ou de um grito mais descontrolado que emito, mesmo que me arrependa depois. A figura paterna tão presente não existe mais e desapareceu tão rapidamente que ainda não conseguimos digerir essa partida. Sei que nunca poderei substituí-lo por mais que tente. O Manoel não foi um pai qualquer. Não era aquele pai ausente, autoritário ou que simplesmente vem pra casa dormir. Não ... talvez fosse o pai que todo filho sonhara. Tento convencê-los que o importante é que eles tiveram esse pai, mesmo que tenha ido tão cedo, mas o privilégio da convivência é que tem que ser comemorado. Tantos gostariam de tê-lo por um, dois anos, eles tiveram por mais de dez ! Mas será que eu acredito nisso ?&lt;br /&gt; Amo demais meus filhos, mas sei também que eles são o meu pára-choque, é com eles que eu surto, é com eles que extravaso o que nos outros ambientes eu consigo reprimir, manter a calma aparente. Mas nesse momento tão delicado para todos nós, não posso agir dessa forma. Preciso de um tempo longe deles, sair desse ambiente fúnebre, onde possa ver a vida e brindar a ela, voltar a acreditar que poderei viver novamente, sorrir, gargalhar. A possibilidade de ir para Brasília ainda este mês e rever amigos queridos, aprofundar meu conhecimento sobre a Embrapa tem enchido meus dias, me dado-me um sopro de novo, de prazer. É apenas uma possibilidade, mas que tem me servido de companhia antes de dormir. Cinco dias em contato com o mundo que deixei lá fora há quase um ano quando o carcinoma ductual invasivo foi constato em minha mama e que se prolongou com a enfermidade do Manoel, que detonou com a morte dele. Um mundo que sempre me atraiu: de novidades, superações, inovações, competição saudável (ou às vezes nem tanto!), criatividade, ousadia. Tudo farei para ir a Brasília. Uma despesa não prevista, mas que trará melhor resultado do que consultas com psiquiatra e várias doses de remédios tarja preta. Voltarei mais leve, menos tensa, mais saudosa dos meninos, mais feliz por ver a felicidade dos (nos) outros. Na capital federal, além de pessoas queridas que a Embrapa me deu de presente como a Marita, Beth, Robinson, Rosângela, Ana Laura que estão em Brasília, tenho ainda “irmãos” como a Renata e Carlos Honorato. Uma boa oportunidade para ser acarinhada, paparicada e de alguma forma sentir que ainda estou viva, mesmo com a alma tão ferida. Preciso de abraços sinceros.&lt;br /&gt;Mas antes preciso retornar ao médico, avaliar algumas manifestações em meu corpo que têm me preocupado, me assustado demais. Depois da descoberta do câncer, tudo parece que se relaciona a ele. Não teremos mais uma gripe, mas câncer na garganta; não há mais infecção intestinal, mas tumores no estômago ou esôfago e eu não sou diferente. Entro em paranóia e sofro por antecipação ao imaginar o retorno das células se multiplicando desordenadamente, que retornaram agora com muita força. Depois de seis meses sem menstruar, ao começar o tamoxifeno que ficarei depende durante cinco anos, de repente começo a sangrar com muitas cólicas e forte indisposição. Sinto-me inchada e temo uma rejeição ao remédio o que poderá ter a indicação de retirada dos ovários e útero com prevenção de câncer nesses órgãos já que meu tumor é receptivo a hormônios, se alimenta deles. Felizmente já tenho consulta marcada para a próxima segunda-feira em Campinas com o mastologista e ele decidirá qual o melhor procedimento, enquanto isso, além da força interna para não sofrer mais do que o necessário, tentando entender cada etapa do luto, preciso agora de uma dose extra de força física também.&lt;br /&gt;Será que eu agüento ?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-2788210707069549169?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/2788210707069549169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=2788210707069549169&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2788210707069549169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2788210707069549169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/09/viva-eu.html' title='Viúva eu ?!!'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-5218329766701850579</id><published>2008-09-09T11:15:00.000-07:00</published><updated>2008-09-09T11:16:25.938-07:00</updated><title type='text'>Monólogos</title><content type='html'>Talvez nunca tenha ficado tanto em companhia de mim mesma como agora. Os pensamentos têm sido meus companheiros contantes que me perturbam e me confortam. Estou introvertida como nunca fora antes. Mesmo que ria e brinque, na Embrapa ou na academia, não sou mais a mesma. Minha alma está triste.&lt;br /&gt;Mina caminhada é tortuosa, repleta de desvios e quando penso que encontrei o rumo, tudo desaba novamente. Navego em águas turvas, às vezes violentas que me derrubam, outras tranqüilas demais que me dão sonolência.&lt;br /&gt;E aí converso, converso novamente comigo ou com quem não pode me responder. Monólogos sem respostas, de pura reflexão com meus fantasmas, mocinhos e bandidos. O Manoel também é meu silencioso ouvinte.&lt;br /&gt;Converso, peço ajuda e chego mesmo a brigar com ele. Se ele não pode mais ir apanhar o Raul à noite como fazia há tão pouco tempo, rogo que ele olhe por ele lá de cima e o proteja, cuidando de nosso filho para que nada de ruim aconteça. Se ele não pode mais chamar a atenção quando a voz adolescente se altera, que ele me dê paciência para não me estressas demais e conseguir conversar e não gritar.&lt;br /&gt;Muitas vezes brigo, questiono a falta de cuidado que teve com a vida. Deu pouca atenção aos avisos, brigou pouco pelo direito de viver mais e saudavelmente. Exames antigos só agora encontrados indicam que desde 2001, quando ele teve problemas sérios de saúde, seu corpo já vinha indicando que algo grave estava acontecendo. Leucopenia, plaquetas baixas demais e para ele tudo muito normal. Nada sentia, era disposto, tinha muito pique por que então se preocupar ? Poderia ter ouvido e estar aqui agora dividindo comigo essa cruz tão pesada.&lt;br /&gt;Ontem foi um dia em que desabei. Chorei demais e perguntei a ele porque resolveu ir embora tão cedo e me deixar com essas duplas, triplas atribuições de cuidar de mim, procurar me prevenir de um novo câncer e ainda estar atenta a dois jovens em formação ? Não contive a raiva pelo abandono prematuro. Não uma separação de casal, mas de almas.&lt;br /&gt;Como conversar com o Raul ou Anaterra sobre seguros, dívidas, venda de casa, ansiedade pelo novo trabalho ? Como explicar a eles que a mãe, sempre tão forte, agora sente-se tão fragilizada e tão só ? Minha mãe está fazendo tudo para nos ajudar, sua presença tem sido um bálsamo em nossa vida, mas também não entende o que acontece. Só percebe minhas lágrimas, ouve meus soluços ou vê meu rosto inchado.&lt;br /&gt;Não tenho certeza se ele me ouve, mas preciso desabafar minha ansiedade, o medo pela demora do Raul ou por não conseguir prosseguir cuidando deles. Preciso voltar ao mastologista em Campinas, mas é tudo tão complicado. Minha carteira da Unimed terá que ser refeita, preciso aguardar; o hospital onde o Manoel fez o tratamento está cobrando mais de 170 mil do convênio, que, caso se negue a pagar, será repassada a cobrança à família. Como ?&lt;br /&gt;Tenho tentado não desabar, a olhar o sol da manhã como uma benção que chega para aquecer a todos. Rezo, acendo velas, vou a missa, aceito os convites dos colegas da Embrapa (domingo passado almoçamos na casa da Joana, a jornalista da Unidade onde ficarei, em companhia de um outro colega jornalista, Jorge Reti da outra Unidade da Embrapa de São Carlos), mas como se estivesse atolada em uma lama movediça apenas me movimento levemente, mas não consigo me libertar.&lt;br /&gt;Sorrio, mas logo perco-me em decisões tão complexas que afundo novamente.&lt;br /&gt;Felizmente tenho ainda planos. Viagens que em breve começarão e uma grande receptividade ao meu trabalho . Estímulo que têm amenizado tanto desconforto. Confiança e expectativa de todos os lados e um seminário em outubro para marcar a minha chegada. Um temor de prazer que tem preenchido parte dos meus dias. Dias que vão se passando sem emoção, sem alegria, em música e com pouco interesse pela leitura. De pouca conversa e de um pouco de frio das frentes frias que o Sul nos manda.&lt;br /&gt;Dias longos que sei, preciso de paciência para enfrentá-los e não sucumbir. Mas até quando ?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-5218329766701850579?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/5218329766701850579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=5218329766701850579&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5218329766701850579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5218329766701850579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/09/monlogos.html' title='Monólogos'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-6658457702201336206</id><published>2008-09-01T04:08:00.001-07:00</published><updated>2008-09-01T04:08:44.206-07:00</updated><title type='text'>A vida dentro de uma caixinha</title><content type='html'>Os mistérios da morte há muito intrigam os homens. Filósofos em um passado muito remoto buscaram explicações que até hoje alimentam nossa alma para que a tosca compreensão não nos angustie mais do que a partida definitiva. Mas, nada do que se disser, não do que eu venha a ler, nem toda a minha crença será capaz de atenuar o vazio que tem tomado conta de mim ao conviver, pela primeira vez, com a morte ao meu lado.&lt;br /&gt;Já perdi muitos entes queridos amigos maravilhosos que fazem parte da minha história, mas nenhum esteve na minha vida durante 18 anos de dia e de noite, participando ativamente de minha rotina, dividindo cada plano, discordando ou concordando com cada decisão. Essa deve ser a diferença básica. De repente, como num passe de mágica, não há mais a voz do Manoel ao telefone, mesmo aquela voz do final da vida, cansada, vagarosa, já sofrida. Nossa parceria que envolvia dividir o mesmo carro, a mesma cama, os mesmos filhos, a mesma casa, os mesmos amigos, os mesmos planos, está desfeita.&lt;br /&gt;Tento entender como um processo lógico e natural que todos morrerão um dia, que esta é a certeza da vida. Entretanto, fico perplexa com as descobertas que nos transformam, da noite para o dia, em apenas lembranças. A incerteza da perenidade encoberta pelo silêncio de quem parte, aumenta minha aflição nessa busca por explicações convincentes inexistentes. Não será possível apenas passarmos por aqui e como num passe de mágica deixarmos de existir. Sei que podemos nos transformamos em uma energia, estarmos em um outro plano, sermos um espírito que está em fase de transição ou estarmos aguardando, como aprendi na Igreja Católica, o juízo final. Tudo faz sentido, mas como não ter mais nenhum contato, como aceitar que a partir do momento que o coração silencia nós nunca mais nos manifestaremos ? Como ?&lt;br /&gt;Relembro momentos, perco-me em lembranças, palavras, gestos, cheiros e sinto uma inutilidade enorme pela construção do que não resiste. As roupas, livros, documentos, fotografias tudo permanece, mas você não !! A certeza da efemeridade, da passagem sem volta me assusta e me conduz a muitas reflexões. Acredito que toda essa angústia faz parte do luto, da necessidade de racionalizar o que nenhum homem foi capaz de justificar, mas apenas crer. É mais fácil, é mais reconfortante.&lt;br /&gt;A partida se materializou e agora preciso conviver com o novo momento. Tão absurdo como nunca mais vê-lo. O Manoel, aquele amigo amado, pai amoroso me foi “devolvido” em uma caixinha de metal que agora está encima de uma pequena estante na casa ainda em montagem em São Carlo. Dia 2 de agosto entregamos um corpo, com o rosto que conhecíamos tão bem e no sábado, dia 30, recebemos um amontoado de pó, símbolo de que ele existiu. Uma pequena urna lacrada que me arrepia e me proporciona emoções antagônicas. Ele está ali, mas não está.&lt;br /&gt;A caixa está me incomodando. Olhá-la e imaginar que ali dentro estão os restos do pai dos meus filhos, do marido que tanto me ajudou, que foi o maior de todos os companheiros em minha vida me assusta e até me revolta. Se ele agora é uma luz, uma energia, por que preciso tê-lo simbolicamente preso dentro daquela caixa de metal ?&lt;br /&gt;Tudo é estranho. Tudo é muito novo. Talvez eu devesse, para o meu próprio bem, encarar a morte com mais naturalidade, ignorar a caixa, só olhar pra frente, pra vida que me espera. Mas não faz parte da minha natureza. Sempre quis compreender o que nem sempre pode ser compreendido, pensar e vagar em pensamentos são passatempos que alimento desde a infância quando me perdia em sonhos com os personagens das fotonovelas. Agora não seria diferente.&lt;br /&gt;A cerimônia que antecede a cremação reúne todos os ingredientes para que seja marcante, símbolo da despedida. Bonita, amena, emocionante. Uma saudade dolorosa ao sairmos do local especialmente preparado para que seu ente querido não seja enterrado, não seja consumido pelos vermes do solo. A entrega das cinzas, porém, é mecânica, fria, como se fossemos apenas buscar uma encomenda. Uma mesa e duas cadeiras no meio de um salão rodeadas de pessoas chorosas que aguardam pela cerimônia de despedida, está um jovem a quem se entrega o canhoto que autoriza a retirada e pronto. Alguns minutos e ele retorna, cheio de sacolas como se estivesse chegado de compras em um shopping. Chama pelo nome de quem foi apanhar a caixa e sem nenhuma palavra ou gesto especial faz a entrega do que sobrou de alguém que um dia você dividiu tudo.&lt;br /&gt;Precisava vivenciar essa experiência e crescer como ser humano. Valorizar mais o que antes parecia tão insignificante e renegar muito do que um dia considerei vital.&lt;br /&gt;Hoje a caixinha com as cinzas está em casa. Uma casa que o Manoel sequer conheceu. Ele estará, de algum lugar, vendo tudo isso ? Converso com ele, peço que me mostre um caminho que me tranqüilize diante desse inconveniente desconhecido, que continue protegendo e guiando nossos filhos e que me permita viver mais do que ele e deixá-los mais maduros. Sonho com ele, mas com vida, em Belém e enquanto o tempo suficiente para a absorção da morte dele não transcorre, prossigo na busca pelo meu eu confuso, exigente, intransigente e talvez doente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-6658457702201336206?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/6658457702201336206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=6658457702201336206&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6658457702201336206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6658457702201336206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/09/vida-dentro-de-uma-caixinha.html' title='A vida dentro de uma caixinha'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-6083463828595395828</id><published>2008-08-26T05:14:00.000-07:00</published><updated>2008-08-26T05:23:47.287-07:00</updated><title type='text'>Sentimentos contraditórios</title><content type='html'>Ainda estou cheia de dúvidas. E das mais diversas possíveis e o que é pior: hoje tenho poucas pessoas para dividir tanta angústia e insegurança. Não que as pessoas em São Carlos não estejam dispostas a me ouvir. Tenho esbarrado em algumas especiais, mas não entenderão o que passo, não acompanharam meu passado, ainda não fazem parte da minha história. Apenas ouvirão, comentarão superficialmente, mas não mergulharão nas minhas emoções e talvez nem compreendam os reais motivos desses sentimentos contraditórios que me perseguem noite e dia.&lt;br /&gt;Os dias mais recentes têm me reservado oportunidades únicas para pensar, avaliar e pesar o que pretendo daqui pra frente, como imagino meu futuro. Minha prioridade neste momento são meus filhos. A partida do Manoel aumentou a minha responsabilidade. Já não tenho com quem conversar sobre eles usando o verbo na primeira pessoa do plural. Agora eles são “meus” filhos. Uma decisão mais difícil, uma ponderação ou uma repreensão mais firme será única e exclusivamente tomada e assumida por mim. Nem tenho com quem comentar que percebi isso ou aquilo, que estou preocupada com esta frase ou feliz com a descoberta de que eles são mais maduros do que imaginávamos.&lt;br /&gt;Preciso ser doce, afável, carinhosa, amiga, mãe devotada e presente, mas ao mesmo tempo rígida, segura, cobradora, incentivadora e observadora em uma cidade onde não conheço quase ninguém, onde as ruas ainda são uma incógnita e me levam a caminhos tortuosos, onde as pessoas começam a ser desvendadas e os novos amigos deles, que estão entrando devagar na vida de cada um, despertam em mim, na mesma proporção, boas e más sensações, medos e alegria, tranqüilidade e perplexidade.&lt;br /&gt;Minhas perguntas estão quase todas sem respostas. Nem minha terapeuta, de tantos anos, está aqui. Sinto falta dela. Alguém que, mesmo já tendo ultrapassado a relação paciente-profissional, ainda é a que consegue captar com lucidez que me sinto fragilizada diante deste novo mundo, mesmo que aparentemente esteja forte, sorridente, tentando cuidar de mim mais do que nunca, freqüentando academia, controlando a alimentação, indo ao cabeleireiro com regularidade, mantendo-me cheia de planos. Sinto falta da hora semanal em que podia ouvir e ser ouvida e ao final ter algumas frases para refletir e assim entender melhor minhas emoções, ações e reações. Poderia procurar outro profissional em São Carlos, certamente há excelentes, mas de novo sentirei falta do passado, do fazer parte da minha história. Ele, assim como a maioria das pessoas que tomam conhecimento do que tem acontecido com nossas vidas nesse passado recente, certamente ficará impressionado e ao final dirá que estamos no caminho certo, que sou lúcida, forte e coerente. Não sou !!! Tenho tantas dúvidas...&lt;br /&gt;Misturo a certeza de que aqui é o melhor para o Raul e Anaterra e a saudade de Belém; a leveza de estar em uma cidade limpa, segura, tranqüila com a vontade de rever lugares, reencontrar meu povo, minhas origens; a vontade de experimentar o novo com o enorme vazio que o velho me dá; a experiência de estar “perto” do mundo podendo sair para qualquer lugar sem problema e a custos menores com a ausência dos amigos, com as ruas conhecidas e rostos familiares. Sinto-me em uma encruzilhada.&lt;br /&gt;A efemeridade da vida me assusta. Ao mesmo tempo em que tenho vontade de viver intensamente, de sair em busca de tudo aquilo que eu acredito ser a felicidade, pergunto-me se não estou sendo irresponsável. Ela pode estar aqui, enquanto vejo meus filhos crescerem e de forma surpreendentemente amadurecida entendendo o que se passa, freando seus impulsos, buscando uma compreensão que poucos, nessa idade, demonstram. Ou muito distante, bem mais longe do que a marioria imagina. Quando saber ? Como agir ?&lt;br /&gt;Quanto tempo viverei ainda ? Nem eu nem ninguém nunca saberemos ! Mas saber que posso produzir células cancerígenas, que periodicamente serei submetida a uma bateria de exames que caçarão novos cânceres e que existe a probabilidade de um novo surgir, aumenta ainda mais o gosto ruim de que tudo é passageiro, que o amanhã não nos pertence, que não podemos ir além do que está predestinado a nós.&lt;br /&gt;Tento tirar o máximo de proveito dessa experiência com a partida do Manoel. Analiso tudo com enfoques diferentes, busco explicações que me permitam compreender como é possível acabar tudo tão rapidamente. Na próxima sexta-feira, eu e Raul iremos a São Paulo e entre as atribuições está retirar as cinzas do crematório da Vila Alpina.&lt;br /&gt;Desde já estou angustiada. De novo se manifesta a patologia há tanto diagnosticada: ansiedade antecipatória. Vou receber, em uma caixinha, o que antes era uma pessoa que passou 18 anos dividindo a mesma cama comigo, que me deu dois filhos maravilhosos, que está na minha história para sempre. Como é possível ser tão efêmero ? Há quatro meses o Manoel estava ao nosso lado, fazendo planos para assumir a coordenação de obras na Embrapa, um sonho antigo que começava a se realizar: enfim atuar como engenheiro. Participando da vida dos filhos, se orgulhando do desempenho do Raul no colégio, com a transformação da Anaterra em uma mulher, visível no corpo, mas ainda ausente na cabeça infantil. Este homem que deixou tantos amigos, que causou comoção em Belém com a sua morte, que tem desencadeado incontáveis manifestações agora nos será devolvido como um pó.&lt;br /&gt;Não consigo entender !! Não consigo aceitar !&lt;br /&gt;Talvez essa proximidade com o momento que eu queria tanto adiar esteja me deixando tão reflexiva, tão abalda, tão carente de pessoas que me conhecem bem, que entenderiam essa necessidade de ir atrás de um sonho, de buscar momentos intensos que de fato me dêem a certeza de que vale a pena viver, que estou viva, independente de quanto tempo.&lt;br /&gt;Constatar que o mundo não sofre quaisquer mudanças com a sua morte, que mesmo os filhos, esposa, amigos, familiares prosseguem suas caminhadas também me perturba. O dia amanhecerá sempre, independente de você estar vivo ou morto . A ausência aos poucos se tornará uma doce lembrança como se em um sonho tivéssemos construindo uma casa com a nossa cara, discutido sobre tantas coisas insignificantes ou não, idealizado o futuro de nossos filhos preocupados em lhes oferecer mais do que a vida nos deu.&lt;br /&gt;Estou tão confusa ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-6083463828595395828?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/6083463828595395828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=6083463828595395828&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6083463828595395828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/6083463828595395828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/08/sentimentos-contraditrios.html' title='Sentimentos contraditórios'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7350050688187313253</id><published>2008-08-19T12:07:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T12:14:46.243-07:00</updated><title type='text'>Longe de Belém...Em São Carlos</title><content type='html'>Há exatamente dois meses deixei Belém sem direção definida, sem ter a mínima noção do que me aguardava. Apenas 60 dias, mas que parecem um século. Olho pra trás e não compreendo e busco explicações que antecipadamente sei que só o tempo me dará.&lt;br /&gt;Já não moro mais em uma ampla casa, reformada para as nossas necessidades, que tinha a nossa cara, que permitia as nossas valiosas reuniões com os amigos quase semanalmente, com cada quadro comprado ou presenteado com carinho, com cada móvel com a sua história. Os meus queridos vizinhos ficaram no passado. Agora tenho ao meu lado pessoas que nunca vi, que não sei o nome, o quê fazem, com quem não posso trocar quitutes aos domingos por cima do muro. Grande parte dos meus livros e cds permanece na estante quase fantasma que ficou em Belém. Saudades das manhãs em que o único compromisso era comprar meia dúzia de cerpinhas, temperar o tambaqui e escolher os cds que ouviria enquanto cozinhava e aguardava os que viriam naquele dia. Sinto falta até do estresse da vida corrida dividida entre a Embrapa e as aulas na Faz mesclada de providências no supermercado, compras nos shoppings ou discussões com o Manoel pelo atraso.&lt;br /&gt;Estou em um outro mundo. Renascendo aos 51 anos em quase tudo. A casa é diferente, o clima completamente oposto (aqui não se sua), o bairro nada lembra Canudos, os vizinhos, a cidade, a unidade da Embrapa onde estou vindo, ainda sem compromisso, pela manhã, nada lembra Belém. Ainda não sei se melhor ou pior, por enquanto apenas muito diferente. Procuro, até para não desabar em comparações que só levarão ao sofrimento, identificar o que constato de bom e há muito a ser valorizado.&lt;br /&gt;São Carlos tem cara de cidade de interior (e o é. Está a mais de 300 km da capital), mas nada que lembre as cidades interioranas da Amazônia. São dois universos antagônicos. Aqui é evidente que as pessoas têm outra qualidade de vida, que estão no Estado mais desenvolvido do País, da América do Sul. Tudo (ou quase tudo!) funciona. Os ônibus passam nas paradas exatamente na hora pré-determinada. Uma das diferenças mais marcantes. Dez para as horas ou horas e vinte ou qualquer hora a mais ou a menos. É assim que se apanha o ônibus em São Carlos. Cada linha tem um horário em cada parada. É chegar e apanhar. Se perder, só daqui a uma hora. Ainda não conseguimos dominar todos, mas Raul e Anaterra já se movimentam com desenvoltura do colégio para casa e eu de casa para o centro. A tranqüilidade é outro grande atrativo da cidade. O que para nós de Belém parece inadmissível nos dias atuais e só vivenciados pelos mais antigos, ainda predomina em São Carlos. Casas sem grades na janela, carros com o vidro aberto enquanto o proprietário vai ao banco, jovens caminhando à noite conversando no celular ou andando de ônibus depois das 22 horas. A cidade tem cara de um grande campus universitário. Jovens estudantes ou senhores professores são os predominantes nos supermercados, restaurantes ou paradas de ônibus. Gosto de observá-los. Nos carrinhos de compras muito embutido, leite em caixa, sucos em garrafa, iogurtes, biscoitos, refrigerantes. Nada de arroz, feijão, carne fresca ou frutas que precisem de algum tipo de processamento. Vestem-se despojadamente. Jeans, mochilas nas costas, camiseta e um agasalho que começa o dia no corpo, vira cinto na cintura no meio e volta a ser peça de vestuário quando a noite se aproxima e volta a esfriar.&lt;br /&gt;Esse novo ambiente tem me permitido um dos exercícios mais sofridos pra mim: deixar que Raul e Anaterra tornem-se mais independentes, menos apegados a mim. Um processo doloroso, mas necessário. A partida rápida do Manoel, que ainda estamos nos adaptando, tem me levado a muitas reflexões, tem me deixado horas e mais horas de olhos abertos de madrugada tentando entender a efemeridade da vida, ao que deixamos como legado, o que levamos e que só a nós pertence e sobretudo como somos perfeitamente substituíveis, mesmo quanto tão amados, mesmo quando acreditamos ser tão essenciais. Os meninos perderam o pai e precisam agora começar a viver menos dependentes de mim. Sofro porque gosto de tê-los sempre por perto, de mostrar o mundo pra eles. Mas esse mundo é o meu, visto sob a minha ótica, a partir da minha experiência, da minha história, das pessoas que por ela passaram. O deles ainda precisa ser descoberto e o máximo que posso fazer é abrir a janela para que o sol entre e eles possam ter uma visão nítida, clara e objetiva, mas a compreensão, percepção e avaliação do certo e do errado será exclusivamente deles. Eles farão a sua escolha, eles vão optar pelo que mais possa atrai-los. Errar, acertar, retomar o rumo, assim como eu fiz diversas vezes. Assim como estou fazendo agora. Ou pelo menos tentando.&lt;br /&gt;Um dos compromissos que assumi comigo foi a de buscar a felicidade onde ela estiver. Em uma boa leitura, um bom papo, um novo lugar, um (re)encontro, os olhos brilhantes do filhos, a felicidade deles... Estar no Sudeste me propiciará mais ter acesso a viagens, a me deslocar com mais facilidade e no último sábado eu e a Anaterra iniciamos justamente por um dos meus mais antigos sonhos: a Bienal do Livro. Mais de quatro horas andando entre estandes e prateleiras e um enorme dilema sobre o que levar. Alguns para mim, outros escolhidos por ela e os mais caros, os mais raros, para o Raul : musculação, nutrição para quem pratica exercícios de força e uma sutil declaração de amor da Anaterra para ele: um daqueles livrinhos com frases curtas resumindo afetos, amores intitulado para o meu irmão. No dia anterior fora obrigada a percorrer novamente o hospital ACCamargo, rever pessoas, ir em busca de documentos que a burocracia exige e foi muito doloroso. Um filme passou na cabeça e as lágrimas desceram incontroláveis. Vi e revi o Manoel naqueles quartos, subindo e descendo para os exames e depois já morto, mudo, pálido, imóvel. Sei que os dias serão assim durante muito tempo: alternância entre dor e alegria, sofrimento e felicidade. Idas e vindas de uma vida que se renova, de alguém que reaprende a caminhar e que experimenta, pela primeira vez, a dor da partida definitiva, aquela que não permitirá reencontros materializados e que, mesmo assim, ainda crê, que quer viver, que acredita na felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7350050688187313253?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7350050688187313253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7350050688187313253&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7350050688187313253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7350050688187313253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/08/longe-de-belmem-so-carlos.html' title='Longe de Belém...Em São Carlos'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-2130424710309445009</id><published>2008-08-14T11:07:00.000-07:00</published><updated>2008-08-14T11:19:25.714-07:00</updated><title type='text'>Permissão para (re) viver</title><content type='html'>Com certeza a marca registrada do Manoel foi e sempre será o de pai. Pai dos filhos que teve comigo e dos sobrinhos (dele e meus), talvez por isso tenha sido tão difícil este primeiro Dia dos Pais sem a presença dele.&lt;br /&gt;No sábado, mamãe, eu, Anaterra, Raul, Ruy, Dóris, Ana Júlia e Sula fomos à missa em intenção a ele. Uma missa rotineira na igreja de Santo Expedito nos fez desabar na saudade, nas lágrimas, no sentimento de perda enorme. O Padre, um negro jovem e simpático, nos identificou como a família da pessoa que tinha apenas sete dias de falecido. Certamente nosso semblante denunciava a dor. Várias vezes, durante a cerimônia religiosa, ele se dirigiu a nós, pediu que tivéssemos paciência e muita fé e disse que fé é algo que não se vê e não se explica, apenas se sente. Falou da perda do pai dele e na saudade que ainda sente. A missa era para os Pais e os pais presentes foram homenageados com uma bela canção entoada pelos jovens da paróquia. Que dor ouvir aquelas palavras, saber que nunca mais meus filhos abraçarão o pai deles, que nunca mais o Dia dos Pais terá o significado que tinha até o ano passado.&lt;br /&gt;Sempre gostamos de festas e essas datas eram para nós mais do que simbolismo comercial. Eram momentos para nos reunir com a família, os sobrinhos aparecerem para um abraço e participarem do farto almoço. Motivo para implícita e carinhosamente dizerem a ele que era um pai também de todos nessa família onde a presença feminina sempre foi muito acentuada. Muitos presentes, muitos abraços ,muito barulho... Bem diferente deste domingo em que as lágrimas cederam lugar aos sorrisos, em que arrumar a mala que veio do hospital com tantas dolorosas lembranças substituiu o desfazer dos pacotes coloridos. Os óculos, as cuecas largas e as roupas e sapatos nunca usados. Quando arrumei a mala em Belém fiz questão de incluir peças de roupa que imaginava ele iria usar em São Carlos ou num passeio em Sampa. Nunca me detivera na possibilidade de que elas iriam vesti-lo depois de morto. A Doris ajudou na seleção e o Ruy, sem problemas, aceitou ficar com algumas. Ele não se incomodará. Era generoso.&lt;br /&gt;Agora quero permissão pra viver, para retomar meu rumo, para olhar de novo pra mim. Não esquecerei nunca o Manoel. Foram 18 anos de convivência diária, pacífica, carinhosa, respeitosa, mas não posso ficar atrelada à saudade, mesmo que ela chegue sem pedir licença, mesmo que as lembranças me invadam só de ver um carro antigo como ele sonhava ter, passar diante de mim ou de nunca aprender como furar uma parede ou apertar um parafuso.&lt;br /&gt;Não aceitarei as pressões dos que, hipocritamente, insinuam uma viuvez do século retrasado. Minha saudade e minha dor são minhas e só eu sei como as sinto, onde dói, quando dói e porque dói.&lt;br /&gt;Hora de olhar o mundo à frente e de frente, viver os dias (que espero sejam muitos anos!) que ainda me restam.&lt;br /&gt;Voltar ao ambiente da Embrapa foi um marco neste recomeço. A Área de Comunicação Empresarial e Negócios da Embrapa Instrumentação Agropecuária de repente se transformou em um porto seguro que me indica que um novo navio aportará. Na chegada, segunda-feira, uma recepção que me surpreendeu e me emocionou.&lt;br /&gt;Um grande banner na parede e o texto&lt;br /&gt;“Ruth Rendeiro                         &lt;br /&gt;Seja bem-vinda à Embrapa Instrumentação Agropecuária. Ainda que extra-oficialmente, mas já estamos felizes por saber que teremos a oportunidade de dividir com você o mesmo espaço, de conhecer e ouvir um pouquinho das suas histórias e estórias, partilhar do seu conhecimento, desse jeitinho simples de ser mulher. Siga em frente e caminhe segura. Você não está sozinha, ainda mais agora que descobrimos sua paixão pelo Chico”.&lt;br /&gt;Estava de novo em casa. As raízes com a Embrapa Amazônia Oriental são eternas. Ali entrei ainda jovem, ingênua, cheia de sonhos e quase nenhum plano. Ali cresci, conheci o Manoel que se tornaria pai do Raul e da Anaterra, fiz grandes e eternos amigos (relacioná-los seria cometer injustiça) e durante esses meses de enfermidade do Manoel, a constatação de que o que plantamos foi bem adubado, regado e floresceu. Apoio, ajuda e demonstrações de carinho amenizaram a perda.&lt;br /&gt;Agora estão do meu lado, dividindo a mesma sala,  a Joana (jornalista generosa que no primeiro contato, ainda de Belém, abriu as portas pra mim), a Beth (que já me permiti uma empatia que ao longe denota uma amizade bonita e forte), o Valentim (que já conhecia das exposições Ciência para Vida) e o Carlos, Sandra, Fabiana e Valéria que acabam de entrar em minha vida. Uma mesa, um aparelho telefônico com ramal e um computador já me aguardavam. Agora é prosseguir com a monografia e mesmo antes de voltar oficialmente (o que só acontecerá em outubro) me envolver em atividades que gosto, que me realizem, que me ocupem, que me façam bem.&lt;br /&gt;Volto a me estressar com os meninos, sinal de vida, de vitalidade. Muito difícil para eles, entenderem tantas mudanças bruscas em tão pouco tempo. O vazio da ausência do Manoel os perturba. Não podem mais se locomover como antes, não têm mais o pai para intermediar quando o conflito comigo parecia inegociável; já não têm mais pai... Algumas vezes sinto que exijo demais deles. Não os preparamos para essa nova fase da vida. Desarrumam demais a casa e agora já não temos também a dona Lúcia que durante 14 anos esteve à disposição limpando, lavando, cozinhando, varrendo,  guardando o que deixavam espalhado pela casa. Minha mãe não veio para ser doméstica. Precisa da ajuda de todos. Levará algum tempo para que uma rotina de casa sob nova direção se imponha.&lt;br /&gt;Agora tento agora olhar mais pra mim. A primeira consulta com o mastologista de Campinas, indicado pelo oncologista, me agradou bastante. Experiente, seguro e profissional. Um exame minucioso, o primeiro para conhecer meu corpo, entender minha vida e avaliar-me sob diferentes aspectos. Duas recomendações básicas: diminuir os quilos e fugir do estresse. Prometi tentar as duas coisas. Vou a busca de ajuda de um nutricionista, de um professor de educação física e de algo que possa conter minha ansiedade, minha necessidade de estar ocupada, de estar sempre na ativa. Preciso aprender a não fazer nada, a ler mais e mais, a ouvir minha respiração, a olhar calmamente os passarinhos que visitam nosso pátio, a ficar comigo em silêncio.&lt;br /&gt;A proximidade com a morte me deu a certeza de que vale a pena viver e viver são momentos, dias, horas, segundos e intensamente, sem medo, sem muitos freios e temores. Podemos estar sendo devorados silenciosamente ou com um acidente marcado em nossas agendas sem aviso prévio.&lt;br /&gt;Quero permissão pra chorar, mas só quando tiver vontade e não para impressionar alguém que precise me ver triste para acreditar que de fato estou sofrendo&lt;br /&gt;Quero permissão para sentir a minha dor sem que necessite estar de preto, com o rosto sem maquiagem ou com o cabelo desalinhado.&lt;br /&gt;Não sou tão forte como querem me fazer acreditar, como muitos têm ressaltado. Acredito que estou apenas reagindo às situações adversas que a vida me impôs.&lt;br /&gt;Sofro, choro, me lamento, me pergunto e não encontro respostas e tento viver.&lt;br /&gt;Fico depressiva, reajo. Fico indignada, levanto. Fico desnorteada, revejo-me.&lt;br /&gt;E luto, luto, provavelmente uma luta pela sobrevivência como qualquer animal acuado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-2130424710309445009?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/2130424710309445009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=2130424710309445009&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2130424710309445009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2130424710309445009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/08/permisso-para-re-viver.html' title='Permissão para (re) viver'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-5177842633624711650</id><published>2008-08-08T09:40:00.001-07:00</published><updated>2008-08-08T09:40:24.252-07:00</updated><title type='text'>Buscando o novo rumo</title><content type='html'>Às vezes penso que estou tentando me iludir, que não estou vivendo esses momentos. Meu olhar é de uma estranha acompanhando pari passu o desenrolar de uma situação que nunca passaria pela minha cabeça viver.&lt;br /&gt;Não sou eu...Essa não é a minha história.&lt;br /&gt;Na calada da noite, enquanto o sono foge e todos dormem tento recompor os cenários que absurdamente passei a ser a protagonista. Primeiro meu nódulo e o medo do desconhecido, da morte, da partida antecipada. Todos morreremos, mas nunca acreditamos nisso. A efemeridade faz parte da vida, mas adiamos até em pensamentos. Vi meu mundo cair. Temi não ver a Anaterra crescer, não acompanhar o Raul até a maturidade ou minha mãe até o fim de sua vida. Sempre acreditamos que eles irão antes. Naqueles dias de grande angústia, sentia-me mais fortalecida porque o Manoel estaria cuidando deles no caso de eu ter que ir antes. Ele sempre fora um pai presente. Desses que dão os primeiros banhos nos filhos, que participam ativamente das reuniões na escola, que conhecem os amigos dos filhos, que apanha aqui e deixa ali. Nunca concordou que contratássemos transporte escolar. Poderia ir mais tranqüila, ele ficaria tomando conta dos meninos.&lt;br /&gt;Como somos presunçosos ... Imaginamos que temos esse poder de decidir, de planejar e executar todos os planos. O que estava reservado para nós era justamente o inverso.&lt;br /&gt;No reveion, em Ajuruteua, uma bela praia paraense no Salgado, choramos pela minha doença, pelo medo dela voltar, de haver recidiva, metástase. Não comentávamos abertamente sobre a probabilidade de durante a nova cirurgia o quadro se agravar, de ser pior do que queríamos.&lt;br /&gt;Como poderíamos cogitar que sete meses depois ele é que nos deixaria ? Justo ele: o forte, o saudável, o que dormia pouco, o que não adoecia, o que não tinha ressaca. A doente sempre fui eu. Motivo para discussões sobre a necessidade dele se cuidar mais, ser mais responsável com a saúde. Desnecessário, segundo ele, pela sua performance.&lt;br /&gt;Uma dengue, um exame de sangue e o diagnóstico. Meu câncer passou a ser insignificante diante da leucemia, quase sempre fatal. Bastou eu entrar na Internet, antes mesmo de retornar para Belém para ter noção da gravidade. As chances de cura em adultos são mínimas, mas isso não era impedimento para desistir. Onde era possível brigar pela vida ? Em São Paulo ? Então vamos lá. Nem dei tempo para que ele pensasse. Procurei os médicos, o hospital e o apoio da Embrapa e uma semana depois ele já estava em tratamento e eu solicitando minha transferência para São Carlos.&lt;br /&gt;Precisava montar uma casa, encontrar uma escola para os meninos, decidir o que levar de Belém pra São Carlos, trazer a mamãe, obter mais um prolongamento do prazo para finalizar a monografia e ainda cuidar dele. Conseguiria ? Nem pensei !! Fiz.&lt;br /&gt;Hoje olho pra trás e me surpreendo. Fiz mesmo ?&lt;br /&gt;Vivo outros momentos agora com a calma começando a reinar, já temos uma rotina. Pouco depois das 6 horas da manhã, estranhando o frio, Raul e Anaterra acordam. Eu e mamãe preparamos a mesa do café e depois saem para o colégio. Já andam sozinhos de ônibus pela cidade e aos poucos vão se enturmando.&lt;br /&gt;Enquanto ficam refazendo suas amizades, eu “brinco” de casinha. Nunca tive muito tempo (nem muita afinidade) com os serviços domésticos, à exceção da cozinha, meu lugar preferido. Mas sei fazer tudo e isso é que está me salvando agora nesse período de transição, de conhecimento da cidade e seus serviços. Ainda sem máquina de lavar tenho ido para o tanque diariamente, o que já deve estar trazendo problemas para o meu braço esquerdo operado em janeiro. O esforço tem causado algumas dores.&lt;br /&gt;Limpeza de banheiro, almoço, jantar e arrumações que não acabam tudo. É preciso encontrar lugar pra tudo.&lt;br /&gt;Não me queixo. Não lamento, apenas constato a diferença.&lt;br /&gt;Sou agora mãe em tempo integral. Nunca imaginei também que um dia seria !!&lt;br /&gt;Mas devo permanecer por muito tempo.&lt;br /&gt;Trabalho desde os 17 anos. Poucas vezes fiquei sem uma atividade profissional que me envolvesse e já sinto falta. Segunda-feira vou ter o primeiro contato com a Embrapa Instrumentação Agropecuária, uma das Unidades localizadas em São Carlos. As boas-vindas dos colegas da área de comunicação me deixam menos apreensiva. Acho que vai dar certo.&lt;br /&gt;Um convite para participar, final de agosto de um evento da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental em São Paulo e outro para estar no Paraná, em outubro, me revigoram, me dão a certeza de que estou viva, que vou superar, com a ajuda do trabalho, esses momentos de dor e de saudade que vão e voltam e machucam e dilaceram.&lt;br /&gt;Na segunda-feira passada eu, Raul e Anaterra fomos ao centro comprar coisinhas que faltam em nosso novo lar. Ao passarmos na frente de uma loja a música do Ed Motta, “Manoel foi pro céu. Manoeeeelllll “ nos sufocou. Rimos emocionados.&lt;br /&gt;Na vitrine, logo adiante, uma recomendação de presente para o papai: uma camisa preta e branca, listrada, exatamente como uma que ele tem.&lt;br /&gt;Mais tarde, em busca de um táxi, o único disponível era o pequeno Fiesta Street, como o que tínhamos até maio. Entramos e sentimos de novo o desconforto de sermos tão grandes e termos que nos apertar nele, como fazíamos com o Manoel ao volante. Mais lembranças ...O motorista, falante e simpático, quis saber de onde éramos. O sotaque nos denunciava. Aos poucos fomos comentando nossa odisséia e ele sensibilizado se colocou à disposição para qualquer coisa. Deixou seu cartão com a recomendação de o procurarmos. O nome ? Manoel !!!&lt;br /&gt;O comentário do Raul resumiu: ele está fazendo tudo para que a gente não o esqueça. Isso será possível ? Não acredito !!&lt;br /&gt;Espero que a dor amenize, que essa sensação de vazio e os momentos em que penso que voltaremos para São Paulo em breve e que o encontraremos tentando sorrir, mesmo que o olhar seja de tristeza ou que um dia venha a dividir esse espaço conosco, dê lugar a uma doce lembrança, que predominem os bons momentos que agora passam como um filme já distante em minha mente.&lt;br /&gt;Hoje à noite o Ruy, Doris, Ana Julia e Sula chegam a São Carlos. Vamos nos reunir amanhã em uma missa na Igreja de Santo Expedito (o santo de devoção do Manoel) e no domingo, um almoço especial marcará o dia dos pais. O Ruy o substituirá nos abraços, mas este será sempre o dia dele, afinal um pai como ele pode existir sim, mas melhor, duvido !!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-5177842633624711650?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/5177842633624711650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=5177842633624711650&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5177842633624711650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/5177842633624711650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/08/buscando-o-novo-rumo.html' title='Buscando o novo rumo'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-7995099223691915833</id><published>2008-08-05T07:49:00.000-07:00</published><updated>2008-08-06T14:23:19.080-07:00</updated><title type='text'>A partida definitiva</title><content type='html'>Difícil escrever sobre a morte, uma despedida que todos enfrentaremos, mas que não queremos sequer cogitar. Impossível viver sem ela. A partida definitiva da matéria que nos acompanhou e nos envolveu. Se as partidas nos aeroportos, rodoviárias e portos causam tantas lágrimas, mesmo diante da hipótese do reencontro, não poder mais tocar, ouvir a voz ou apenas ver à distância parece em alguns momentos insuportável.&lt;br /&gt;Vivo agora essa dor. Nego-me a acreditar que nunca mais verei o Manoel, meu colega de Embrapa que numa festinha de São João tornou-se, em menos de seis meses, o pai do filho há tanto sonhado. Brincalhão, meninão, amigo, prestativo, solidário, responsável, ético, bom caráter, profissional ilibado e acima de tudo o melhor de todos os pais.&lt;br /&gt;Difícil aceitar que não ouvirei mais sua voz reclamando da minha rigidez nos horários ou cobrando melhores notas dos filhos na escola. Ou simplesmente saudando os vizinhos com o inconfundível “e aí seu menino ?”.&lt;br /&gt;As lembranças se formam como um filme e não param de se avolumar. Recordações do nascimento dos filhos, os aniversários, as caranguejadas, as idas ao Ver-o-Peso, as cervejas sempre geladas à disposição dos que nos visitavam, a intransigência quando decidia fazer algum serviço na casa. Sempre o mais complicado, sempre o mais perfeito. Choque constante com a minha velocidade, praticidade e pouca rigidez.&lt;br /&gt;Há outras lembranças, porém. As mais recentes, as que têm nos ajudado a entender e a aceitar esse momento. O sofrimento não combinava com ele, mas mesmo assim se manteve forte, otimista e nunca se entregou. Sabíamos, mesmo diante da melhora temporária, que era só uma questão de tempo. A infecção que o levou à morte não conseguia ser debelada e o pulmão atingido estava paralisando. Precisava de máscara para respirar, de fisioterapia pulmonar e de muitos medicamentos que protegiam e o debilitavam ao mesmo tempo. O sangue, sem plaquetas, não mais coagulava e um simples cateter com oxigênio no nariz era motivo para um sangramento intermitente que ele bravamente limpava como se fosse secreção de um resfriado.Minimizando o quadro grave e incômodo.&lt;br /&gt;O Manoel naquela cama, não era mais o Manoel de Belém. Os que têm apenas a lembrança do homem forte e bom camarada devem estar mais impactados com a morte dele do que nós que não queríamos que esse sofrimento se prolongasse. Ele estava morrendo um pouco a cada dia, com dignidade, sem se revoltar, mas com muita dor, limitações.&lt;br /&gt;Sofria ao ser tantas vezes furado em busca de uma veia mais resistente. Com a falta de apetite, com o cansaço quase insuportável pelo mínimo esforço de ir ao banheiro, pela força para tomar um banho, mas precisava mostrar-se bem, se convencer, nos convencer. Os remédios via oral amargos, o café sem açúcar, a comida quase sem sal e a proibição de nem abrir a janela. Um mundo que totalmente incompatível com a sua alegria.&lt;br /&gt;Sofria também por nós. Tinha consciência do quando estávamos fazendo por ele, o quanto mexemos em nossa vida. Não comentávamos, mas sabia do quanto sofríamos em silêncio. Como um acordo tácito, tentávamos transformar cada ínfima melhora na cura, cada simplória conquista na vitória final. Percebia que sofríamos por ele, por não estar vivenciando conosco esse momento de mudança, de novos planos. Por saber que estávamos vivendo em função dele. Horas e mais horas na estrada, malas e mais malas sendo arrumadas e desarrumadas, hotéis no lugar de uma casa e a falsa alegria de reencontrá-lo cada dia mais debilitado.&lt;br /&gt;Sofria por mim. Por saber que tinha relegado a segundo plano meu tratamento, por estar agindo sozinha em tantas coisas que sempre fora responsabilidade dele, por estar administrando com muito zelo o nosso dinheiro e ele ali, preso às máquinas, aos frascos de remédios que só o intoxicavam numa tentativa desesperada de salvá-lo.&lt;br /&gt;Quando nos despedimos dele na quarta-feira estava com a grande máscara que tentava fazer o pulmão captar mais oxigênio. Brincávamos que parecia um pitbull passeando na praça. A última lembrança dele consciente foi um gesto de repreensão a Anaterra para que fosse mais obediente, menos malcriada. O dedo em riste sem palavras...&lt;br /&gt;Deixamos o hospital lastimando a partida. Mas acreditávamos que voltaríamos logo e ele já estaria melhor para comemorar com os meninos o Dia dos Pais. Mesmo a internação no CTI parecia fazer parte do tratamento. A frase dita pelo médico de que “só os que têm chance vão para o CTI” de alguma forma me confortava. Sábado nos encontraríamos e logo logo ele estaria no quarto. Mas até quando, eu me perguntava ? Não queria ser a pessimista, mas no meu choro silencioso e solitário sabia que muito em breve a despedida definitiva aconteceria. A referência do hospital, a competência dos médicos não podiam ser desconsideradas. Certamente já viram inúmeras vezes o mesmo quadro e sabiam que estavam lutando contra o quase impossível. Não queria ver, não queria acreditar, por isso nossos planos se mantiveram e fomos para São Carlos. Lá matriculei Raul e Anaterra na nova escola, tentei transformar a casa em algo que pudesse nos receber com o mínimo de conforto, como ter uma cama digna que tirasse os meninos dos colchonetes no chão. Mas não tinha agenda, nem planos para receber os móveis. Não podia me organizar, nem mesmo comprar um vasinho de planta ou algo mais perecível que permanecesse na geladeira. Onde estaria no dia seguinte ? Quanto tempo ficaríamos fora ? A plantinha resistiria ? A comida não estragaria ?&lt;br /&gt;Sábado deixamos São Carlos. Eu com o propósito de passar a semana inteira em São Paulo. Tudo organizado para que os filhos ficassem com a mamãe. Muitas recomendações, muita saudade antecipada deles. Mas o Manoel precisava de mim.Ou pelo menos eu achava isso ...&lt;br /&gt;O que nos esperava era o que já imaginávamos estar preparados, mas que nunca estaremos. Ouvir do médico que ele tinha poucas horas de vida. Os órgãos vitais já estavam entrando em falência e a infecção avançava descontroladamente. Apenas aparelhos e fortes medicações o mantinham vivo. Uma dor dilacerante e uma grande impotência tomou conta de mim. Lá embaixo aguardavam Raul, Anaterra, mamãe e a Doris. Como me controlar e apenas comunicar que o nosso Manoel estava se despedindo deste mundo ? Eu e o Pedro nos abraçamos e choramos antes de levar a mais triste notícia que já dei.&lt;br /&gt;Passados alguns minutos, fomos os três ao CTI nos despedir. De mãos dadas, eu, Raul e Anaterra dissemos adeus àquele que tanto marcou as nossas vidas. Lágrimas, palavras e um forte abraço selou o último contato com ele. Não sabemos se nos percebeu, mas acreditamos que sim. Sentiu a nossa dor, ouviu nossos soluços e certamente chorou por ter que nos deixar. Agora era esperar pela notícia e ela chegou logo depois das 23 horas desse mesmo dia (2 de agosto).&lt;br /&gt;Outros momentos nunca vividos por mim, pelo Raul, pela Anaterra e pela mamãe nos aguardavam. Ao nosso lado, dando apoio incondicional a incansável Doris, Sula, Ivan e o Pedro. Os representantes de sua família distante e dos incontáveis amigos. As providências são dolorosas, mas necessárias. Funerária, documentos, cheques, decisões. Optamos por uma cerimônia simples e rápida que culminasse com a cremação do corpo. Seu desejo. Nosso desejo. E assim foi feito e no final do ano ficará eternamente na praia do Ariramba, na ilha de Mosqueiro como pediu.&lt;br /&gt;Antes porém, era preciso colocá-lo em um caixão e nos despedir mais uma vez. Mais dor ...Aquele corpo inerte não nos via mais. Ele não falaria mais conosco... Ahh como é difícil acreditar !&lt;br /&gt;Rezamos de mãos dadas no necrotério do Hospital ACCamargo. Por ele, por nós... Falei do privilégio de ter tido o Manoel como companheiro, como pai dos meus filhos, como amigo, incentivador, admirador. Depois, a longa viagem até a Vila Alpina, onde fica o crematório. Outra cerimônia bonita, com música, serena, calma onde predominava o som vindo dos soluços da Anaterra. Tão jovem a minha filha e já vivenciando uma perda tão grande.&lt;br /&gt;Tenho procurado, porém, mostrar a eles que mais do que a dor da partida prematura, temos que celebrar ter convivido com ele, aprendido com ele, crescido com ele. Pouco ou quase nada adiantaria ter um pai com 70, 80 anos que em nada lembrasse o Manoel. Ele foi cedo (faria 51 anos em novembro), mas viveu mais de 100 em intensidade. Era esse o tempo que Deus tinha reservado para ele ao nosso lado.&lt;br /&gt;Ficamos cheios de saudade, com lágrimas que brotam a cada telefonema dos amigos e familiares de Belém, a cada objeto encontrado na sacola que veio do hospital ainda com o seu cheiro, sua marca, mas estamos em paz. Tudo foi feito para tentar salvá-lo, para devolver sua saúde. Não havia mais chance. A doença traiçoeira já lhe fizera refém. Tê-lo a qualquer custo seria egoísmo e sofrimento para todos. Vê-lo morrer lentamente de dor e de tristeza nos mataria também.&lt;br /&gt;Agora queremos apenas deixá-lo vivo em nós, em nossas lembranças, em nossos corações. Nunca o esqueceremos, nunca a nossa vida será a mesma sem a presença dele, mas precisamos continuar vivendo e sei que assim que ele queria. É assim que espera que eu aja.&lt;br /&gt;Preciso retomar meu tratamento, cuidar mais de mim e tentar, de todas as formas, driblar uma recidiva, uma metástase. Tudo farei para que o câncer também não me leve tão rapidamente. Por isso ficarei em São Carlos. São Paulo me permitirá ter acesso a um acompanhamento digno e eficiente e um tratamento (se for o caso) que me permitirá lutar. Belém é a minha cidade do coração, o lugar que nasci, que amo, mas agora preciso aprender a viver longe dela, longe dos amigos. Por mim, pelos meus filhos.&lt;br /&gt;Chego a acreditar que a doença do Manoel foi o instrumento para essa mudança. Talvez não houvesse outra forma de nos trazer pra cá, de permitir que nossos filhos pudessem ter uma qualidade de vida melhor, mais oportunidades profissionais, de usufruírem o que não nos foi permitido.&lt;br /&gt;Nossa vida agora recomeça. Está mais triste, mais vazia, mas aprendemos muito com tudo isso, crescemos como família, como pessoas. Estamos mais unidos, mais conscientes do nosso papel nesse mundo, valorizando cada palavra que chega pelo telefone ou por e-mail, cada abraço apertado mesmo que seja virtual.&lt;br /&gt;Sei que ele continuará me ajudando. Só que de outra forma.&lt;br /&gt;Onde estiver estará guiando nossos filhos, protegendo-os e me apoiando nas decisões, nas loucuras que cometia e que ele apenas endossava, às vezes assustado com a minha impetuosidade, ousadia e até irresponsabilidade.&lt;br /&gt;Nossa dor é só nossa. Cada um sente a sua, manifesta seu pesar do seu jeito. O meu será homenageá-lo sempre, preservar sua memória junto aos filhos e viver. Olhar pra frente e ser feliz mesmo que a saudade perdure para sempre.&lt;br /&gt;Essa saudade que me traz agora lágrimas enquanto escrevo, que me acompanha quando deito, mas que também me dá a certeza de que só a sinto porque vivi, porque ele esteve ao meu lado.&lt;br /&gt;Um abraço Manoel e até outro dia....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-7995099223691915833?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/7995099223691915833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=7995099223691915833&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7995099223691915833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/7995099223691915833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/08/partida-definitiva.html' title='A partida definitiva'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-2033324025055489934</id><published>2008-07-29T11:05:00.001-07:00</published><updated>2008-07-29T11:05:44.112-07:00</updated><title type='text'>A retomada da vida</title><content type='html'>Não sei exatamente há quantos dias os médicos sentenciaram o Manoel, deram um prazo para que a vida dele se esvaísse lentamente. A vida retornou, contudo. O que parecia só piorar, melhorou substancialmente e novos planos começam a ser feitos. Sabemos que as chances de uma cura ainda são remotas, mas o quadro evoluiu tão bem que a equipe já recomeça a cogitar a terceira quimioterapia.&lt;br /&gt;Insisti para que o setor de psicologia também entrasse no tratamento.Sou defensora fervorosa desses profissionais e da forte e às vezes vital interferência que têm no âmbito geral. Ele estava depressivo, fica muitas horas calado, pensativo, uma característica que sempre me incomodou durante esses anos de convivência, talvez porque verbalize tudo com muita facilidade. Explodo por pouco, choro por muito e rio com intensidade. Não guardo nada !! Ele não !!&lt;br /&gt;A grande movimentação no quarto nos últimos meses ajudou no tratamento. Mamãe e Rulton chegaram. Nova emoção. Nova certeza de que não está só, que conquistou definitivamente toda a família. Rimos juntos, lembramos passagens homéricas vividas ao longo desses anos e várias vezes nos entristecemos também. A saudade é grande e a distância só agrava essa carência que se manifesta em rostos, corpos, cores, cheiros, sabores.&lt;br /&gt;Os amigos da Embrapa, os vizinhos de Canudos, os parentes, nossa casa, nossa cozinha e guloseimas regionais, os pequeninos Leonardo e Thomas, tudo parece ter uma dimensão enorme demais. As lembranças são tão fortes.&lt;br /&gt;Eu, mamãe, Rulton, Anaterra e Raul, que já parecia um grupo grande demais, aumentou com a chegada do Ruy, Dóris e Ana Júlia que vieram de Leme passar o domingo conosco. Uma comemoração meio atrasada pelo aniversário do Ruy e Dóris transcorrido na semana passada.&lt;br /&gt;Mais alegria para o Manoel ...&lt;br /&gt;Um domingo que incluiu, além do hospital, um pouco de culturas boliviana e japonesa. Começamos indo de metrô para feira Kantuta que reúne a culinária e o artesanato da Bolívia. Saboreamos alguns pratos exóticos e depois seguimos para a praça da Liberdade para degustar outras delícias, agora japonesas e aprender um pouco mais sobre essa rica cultura. Rimos, brincamos, andamos demais e por alguns momentos tínhamos a ilusória impressão que estávamos em férias, fazendo turismo em São Paulo. Um passeio que nunca aconteceu antes e que certamente não existiria se tudo estivesse transcorrendo dentro da normalidade. As intercorrências vieram sem que pedíssemos, mas temos tentado tirar dela o que de positivo pode nos dar e um dos maiores ganhos tem sido a oportunidade de nos aproximar, de perceber o quanto dependemos emocionalmente um do outro.&lt;br /&gt;Quando estamos próximos e sem problemas, o egoísmo predomina e o tempo fica escasso até mesmo para um telefonema. A tragédia beneficia a priorização das emoções, a solidariedade aflora e os compromissos antes inadiáveis agora podem esperar. Imprescindível neste momento é acalentar, acarinhar e esperar pelas boas novas que certamente virão.&lt;br /&gt;Outras mudanças se aproximam e outros testes de resistência vão nos mover mais uma vez. Depois da partida do Ruy em que as lágrimas surgiram naturalmente no abraço forte e fraterno entre ele e o Rulton e o regresso dele para Belém, amanhã vamos enfim para São Carlos. As aulas dos meninos já começaram. Em princípio imaginamos que isso só aconteceria em agosto e precisamos correr. Eles não podem ser prejudicados. Têm a vida inteira pela frente e precisam estar o melhor preparados possível para enfrentar esse mundo de adulto.&lt;br /&gt;Temo pelo Manoel. Hoje estamos todos aqui, fazendo barulho, brigando, falando alto, sempre tendo novidades. Belém era longe demais e São Carlos parecia assim tão próximo. Uma inverdade quando a hora de partir se aproxima. Sinto-o mais introspectivo que nunca, pensamento distante e certamente uma saudade antecipada que dilacera. Este é o mundo dele agora. Um mundo limitado a quatro paredes, um aparelho de TV, um frigobar e muita gente de branco. Um mundo pequeno e sem graça justo na mágica São Paulo, a que não dorme, a que surpreende, a que emociona, a que evolui.&lt;br /&gt;Não gostaria de estar vivendo tudo isso. Provavelmente estaria revoltada em constatar mais uma vez que a nossa vida é só nossa. A ninguém mais pertence. Voltarei a ter uma rotina que embora inclua médicos periodicamente (ontem estive em Campinas para as primeiras consultar pós braquiterapia com o oncologista e radioterapeuta e depois virão ainda o mastologista, nutricionista e a psicooncológica) terão muitos atrativos. Voltarei a ter contato com meu mundo profissional, conhecerei novas pessoas, novos lugares, uma casa que está me esperando pra receber meu toque e muitos planos que incluem viagens, cursos (ministrando ou sendo aluna), os filhos que me estressam e me fazem feliz na mesma proporção. Mas e ele ? Não posso esmorecer, entristecer, demonstrar que também sentiremos demais esse afastamento. Estamos vendo ele diariamente, acompanhando cada evolução, uma interrupção que se estenderá até o domingo Dia dos Pais. Precisamos pensar em um presente mais simbólico do que nunca. Não está usando quase nenhuma roupa, nenhum sapato ou perfume ...Muita criatividade para marcar a data.&lt;br /&gt;Agora é hora de refazer de novo as malas e sonhar com o cantinho novo. Uma mistura de saudade com o prazer de recomeçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-2033324025055489934?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/2033324025055489934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=2033324025055489934&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2033324025055489934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2033324025055489934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/07/retomada-da-vida.html' title='A retomada da vida'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-2956858138290393148</id><published>2008-07-23T15:08:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T15:22:15.737-07:00</updated><title type='text'>Domingo quase feliz</title><content type='html'>Junto com o diagnóstico da leucemia recebemos os conselhos dos que conhecem essa doença de perto de que acima de tudo deveríamos ter fé e paciência. Mas é preciso viver pra entender o que queriam dizer. Ninguém vive pelo outro, ninguém conhece a dor de ninguém. Ela é única, individualizada, totalmente pessoal. Agora lembro com exatidão dessas palavras. Cada dia tem sido um dia diferente desde que passamos a ter esse cotidiano de hospital com o Manoel. Pequenas vitórias são comemoradas efusivamente logo seguidas de prostração, de falta de ar, de sonolência angustiante e tosse com sangue que amedronta.&lt;br /&gt;Felizmente desde segunda-feira temos presenciado grandes melhoras. O retorno da alimentação mereceu muitos aplausos e vivas. São apenas uma sopa líquida, mingau, leite, chá, sucos e biscoitos maisena. Sabia que era um teste. A alimentação intravenosa poderia se tornar de novo única se algo saísse errado, felizmente isso não aconteceu. Como mães de recém-nascidos acompanhamos ansiosamente cada fezes que chegam. Avaliamos a cor, textura e, principalmente, se há algum vestígio de sangue. Tudo o que não queremos.&lt;br /&gt;Sei que o quadro ainda é muito grave. Enquanto a equipe se esmera para debelar o fungo no pulmão, que o leva a usar constantemente o cateter condutor de oxigênio e a fazer exercícios para fortalecer os pulmões, os blastos se multiplicam em sua medula e nada se pode fazer neste momento para tentar conter esse avanço. Tenho conversado muito com a equipe médica e eles não escondem a gravidade, o risco do quadro se tornar irreversível, mas ao mesmo tempo não desistem. Tratam o Manoel como se ele estivesse apenas com uma forte gripe. Cada novidade é comunicada com entusiasmo. O pessoal da enfermagem é atencioso, paciente e muito preparado para lidar com pacientes nesse estágio. Felizmente ele é um bom paciente. Obediente, educado e bem humorado. Raras vezes fica pra baixo, sorumbático ou demonstra estar entregando os pontos. Embora bem mais tranqüila, sei que ainda não podemos comemorar.&lt;br /&gt;Pergunto-me quanto tempo teremos que viver nesses corredores, entre médicos e enfermeiros. Antecipo-me em tentar imaginar como ele ficará quando tivermos que ir para São Carlos. QUando estávamos em Belém achávamos São Carlos tão perto, mas agora, diante da proximidade da partida, os 300 km parecem os memos 3 mil que nos separavam quando estávamos em Belém.&lt;br /&gt;Certamente sentirá o que senti quando descobri meu câncer e ficava sozinha em casa enquanto o Manoel ia trabalhar, o Raul e Anaterra para a escola, mamãe saia e a solidão tomava conta de mim. Descobri naqueles dias que não têm quase nenhuma similaridade com o que o Manoel vive neste momento cheio de remédios pendurados ao seu lado como uma grande árvore de natal, que somos sozinhos, que nosso mundo é só nosso, mesmo que os que nos amem se esforcem para entrar nele, participar dessa dor. Só nós sabemos exatamente o que sentimos.&lt;br /&gt;Mesmo com todos esses poréns, mesmo com o medo que toma conta de mim todas as vezes que tomo consciência de que essa melhora não é a definitiva, estou bem. Tenho vivido uma rotina bem diferente de tudo o que marcou meus anos de maturidade: sendo uma doméstica que vai à feira, cozinha, lava pratos e roupas e à tarde/noite vira uma enfermeira que auxilia na hora de urinar, de comer ou de tossir. Que passa hidratante no corpo agora magro  e repleto de hematomas e busca na Internet assuntos que possam distraí-lo.&lt;br /&gt;Amanhã nossa rotina mudará com a chegada da mamãe e do Rulton. Imagino a ansiedade dos dois. Dizem que sou louca, que mexo com a vida de todo mundo, que não vejo limite para o que faço. Pode ser, mas sempre acreditei que não devemos ter ponto final. No máximo ponto em seguida.&lt;br /&gt;Saí de Belém, aluguei uma casinha em São Carlos que aos poucos vai se tornando um lar, estou agora com os dois filhos em um pequeno flat no bairro da Liberdade, economizando como nunca fiz em toda a minha vida (levo água mineral do hospital para o hotel e trago torradas e manteiga do hotel para o hospital), mas nada há de me desanimar.&lt;br /&gt;Amanhã estaremos de novo todos juntos. A família que a doença afastou se reunirá. Coincidentemente amanhã a Doris faz aniversário e depois de amanhã o Ruy. Estamos nos organizando para ter um domingo quase feliz. Um almoço que só não terá a presença física da Ruthlene, mas que comemorará a vida, a esperança, a alegria de estamos unidos.&lt;br /&gt;Uma quase felicidade...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-2956858138290393148?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/2956858138290393148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=2956858138290393148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2956858138290393148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/2956858138290393148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/07/domingo-quase-feliz.html' title='Domingo quase feliz'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8800205350529675336</id><published>2008-07-20T14:54:00.000-07:00</published><updated>2008-07-20T15:01:41.763-07:00</updated><title type='text'>Uma casa de faz-de-conta</title><content type='html'>Não é uma casa, mas um hotel. Não escolhi os móveis. São todos padronizados. Não tem uma foto na parede ou um porta-retrato. Nem um vasinho com flores ou mesmo uma cortina florida. Mas está sendo nosso lar nesses dias. Um quarto comprido com quatro camas (usamos três), um pequeno sofá-cama, um pequeno banheiro e uma mínima cozinha com um fogão sem forno, um frigobar e um minúsculo armário. As meias, cuecas, calcinhas e até blusas estão sendo lavadas na pia do banheiro, mas tenho tentado ver esse espaço impessoal como se neste momento fosse o mais belo de todos os lares. Estamos juntos, próximos ao Manoel. Tenho cozinhado para nós (bife de carne bovina ou filé de frango), arroz integral, salada (eu e a Anaterra comemos bem), ovos cozidos, miojo, atum, salsichas de peru e uma farofa comprada pronta têm sido nossas refeições (não tudo de uma vez, é claro) complementada com sucos, leite, cereais e muitas frutas. Aos poucos vamos tendo uma rotina. Nessas últimas noites o Raul tem dormido no hospital. Dormido não, cochilado ao lado do pai. Mais uma experiência para o enorme rol que tem marcado a vida ainda tão curta do meu filho. É calmo, sereno e otimista. Uma folga necessária ao Pedro, o irmão que tem estado ao lado do Manoel desde que veio de Belém.&lt;br /&gt;Nem mesmo diante de um quadro tão preocupante como ontem, o Raul se abalou. Viu o pai passando mal, ofegante, indisposto, quase sem falar, irritado, nervoso e chorando por qualquer motivo. Nem conseguiu falar com a tia Jorgete que estava em nossa casa abraçando a mamãe pela passagem dos seus 73 anos. Ontem eu vi a morte rondando o quarto 430. Cheguei a pedir que fosse dado um calmante para ele e assim pudesse dormir mais tranqüilamente. Deixei o hospital muito mal, sentindo muito medo de no dia seguinte encontrá-lo pior. Um quarto enorme esperaca eu e a Anaterra. Só nós duas. Sozinhas. Eu mais ainda em meus pensamentos, em meus temores sem ter com quem dividir. Este tem sido um dos maiores desafios. Calar, chorar em silêncio na madrugada, temer e não extravasar. Embora os meninos saibam de tudo, não quero que sofram na mesma proporção que eu. Tenho mais referenciais para comparar, mais informações para visualizar o que não é tão bom. Meus medos são maduros, vivenciados por alguém. O espelho dos 51 anos que me mostra um mundo de muita dor, de falência lenta e gradual, de morte sem acidente, sem gritos, silenciosa, calma.&lt;br /&gt;Sei que não estamos sós. As demonstrações de solidariedade, amizade, carinho, generosidade têm vindo de tantos lugares, de tantas pessoas diferentes. Dos antigos e velhos amigos como os jornalistas que acompanham a minha vida desde muito jovem e os da Embrapa de Belém que nos conhecem há tantos anos, aos vizinhos carinhosos de Canudos que telefonam, que mandam mensagens aos ex-alunos e amigos virtuais (alguns nem tão virtuais assim). Rulton e Ruthlene têm sido incansáveis. Além de estarem cuidando do nosso pequeno, mas valoroso patrimônio que incluiu nos cachorros e gatos, têm se desdobrado pra vender a rifa do notebook e assim minimizar as despesas que não param nunca. Tinha tudo organizado, inclusive as finanças. Fiz tudo muito bem planejado, bem pensado, mas não imaginava que necessitaria ficar tanto tempo em São Paulo. Não cogitei que o Manoel fosse ficar tão debilitado clínica e emocionalmente e que a nossa presença fosse ser vital para ele nesse momento. Despesas com hotel, passagens e alimentação que fugiram do controle e aí entram os amigos, os parentes. As cunhadas Socorro e Dóris têm demonstrado que além dos irmãos, também nos amam muito. A doce Thaís que chama o Manoel de “nosso pai”, tanta gente que seria injusto citar mais algum e certamente cometer erros.&lt;br /&gt;Tem ainda a mamãe, uma tímida e silenciosa guerreira que novamente quer estar ao nosso lado para nos ajudar. Temos sido, nos últimos 16 anos, sua família mais próxima. Está ao lado do Raul desde que ele tinha 1 ano, viu a Anaterra nascer e elegeu o Manoel seu quinto filho. Chora e sofre por ele e por nós. Sabe o quanto é fundamental para nosso equilíbrio. Tê-la ao nosso lado significará um porto seguro que retorna, é a certeza de que poderei chorar no ombro de alguém, comer um bole fofinho e tomar um café de coador. Por isso estamos fazendo tudo para que ela venha o mais breve possível. Se Deus quiser, na próxima semana o Rulton a trará pra junto de nós. Um alívio para todos.&lt;br /&gt;Assim tenho conseguido seguir em frente, pensando sempre nos dias que virão. Neste momento o que mais me incomoda é ter que ficar tanto tempo nesse ambiente de hospital e o com um agravante: um hospital especializado em câncer. Aqui encontro pessoas amputadas, sem mama; cabeças sem cabelos; pele amarelada e corpo esquálido. Tudo o que não quero que aconteça comigo. Um lugar onde a morte é a presença mais freqüente. Hoje algo de grave aconteceu no quarto ao lado. Muita gente, muitos abraços, muitas lágrimas. Não quero ver isso, não quero imaginar que posso viver essas cenas como protagonista.&lt;br /&gt;Daqui a pouco retornarei ao hotel. Mais uma noite. Felizmente hoje o Manoel está mais disposto, menos emotivo, mais confiante e essa confiança nos contagia. Sorri, participa das conversas, interage com o que vê na TV, conversa com os filhos e se interessa pelo que escrevo, pelas mensagens que recebo na Net. Atender ao telefone e conversar com os amigos que o procuram, é sinal de vida, é a certeza de que quer viver, que a vida lateja e pede passagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8800205350529675336?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8800205350529675336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8800205350529675336&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8800205350529675336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8800205350529675336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/07/uma-casa-de-faz-de-conta.html' title='Uma casa de faz-de-conta'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-8144341417315116176</id><published>2008-07-17T14:41:00.001-07:00</published><updated>2008-07-17T14:41:44.820-07:00</updated><title type='text'>Esperança renovada</title><content type='html'>Os dias agora parecem ter 48 horas ou apenas 12. Passam tão rápido, mas ao mesmo tempo registram tantos acontecimentos que me sinto muitas vezes incapaz de acompanhar cada momento, lembrar de cada fato, registrar cada minuto.&lt;br /&gt;Não escrevo aqui faz alguns dias e parecem séculos. A vida está intensa demais, nem sei o que priorizar. Tenho que pensar na casa sendo montada, na transferência de escola dos meninos, no Manoel no hospital, nas despesas que agora são só minhas, na minha saúde. Eu tive um câncer e preciso monitorar cada órgão para impedir que ele volte. Uma qualidade de vida melhor, menos estressada, com alimentação mais saudável e muitos anos pela frente. Não dá pra relacionar e me deter em apenas um. Todos são prioritários, todos são tão urgentes ...&lt;br /&gt;Pelo menos em São Carlos está tudo bem. Uma etapa vencida ! A casa aos poucos toma jeito de lar. Já tem cama, geladeira, fogão, televisão, mesa e quatro cadeiras (novos!) e um guarda-roupa usado. Dormimos duas noites. As primeiras de centenas. Nem sei definir o que senti. Ao mesmo tempo em que comemorei ter agora um endereço fixo, senti muito falta das minhas coisinhas de Belém, do meu cantinho com a minha cara.&lt;br /&gt;Sempre gostei de juntar tralha, de ter lembrancinhas de lugares, de amigos, de pessoas queridas. Preservei quase tudo que tinha uma história: uma cartinha, um jornal velho, um bonequinho ou uma peça de cerâmica compunham a minha casa, meu retrato de vida. Tantos presentes, tantas recordações dos lugares por onde passei que um dia o Euclides Chembra Bandeira ao visitar meu pequeno cantinho no edifício EL Dourado disse que ele lembrava a velha Casa Salomão, em frente ao Museu Emílio Goeldi: “a gente olha, olha, olha e saí com a impressão de que não viu tudo”. Maior ficou na Roso Danin !&lt;br /&gt;Agora não tenho essas lembranças. Elas ficaram para trás, tornaram-se secundárias. Preciso apenas de um lugar pra dormir, uma mesa pra tomar café e uma geladeira pra guardar os alimentos perecíveis. O que me move agora é a esperança que ansiosamente espero se reflita nos próximos exames do Manoel.&lt;br /&gt;Chegamos hoje a São Paulo e aqui ficaremos até início de agosto. Esse momento é crucial. Se por um lado ele está respondendo muito bem à medicação, respirando sem nenhum auxílio, melhorando a performance dos exercícios respiratórios, reduzindo drasticamente o sangramento nas fezes e com o corpo já totalmente desinchado, por outro sei que isso não é tudo. Embora seja muito, muito mesmo !&lt;br /&gt;Ele terá ainda muitas etapas que o colocarão diversas vezes frente à frente com a morte. O quadro continua grave, mas a sua aparência é excelente, sua disposição comovedora, contagiante. Quer saber tudo, acompanhar cada passo do que já avançamos na nova morada. Tem consciência da gravidade, mas não pensa nela, não é seu foco neste momento. Queria ser assim...&lt;br /&gt;Estou muito dividida. Ao mesmo tempo em que me encho de esperança, em que me apego cada dia mais a Nossa Senhora de Nazaré que tantas vezes já ouviu minhas preces, me entrego às palavras dos médicos, ao veredicto que não me sai da cabeça.&lt;br /&gt;E se de fato ele tiver tão pouco tempo de vida como eles dizem ? Quando será o momento que esse quadro se agravará ? Como terei forças para reagir diante da morte de um pessoa tão especial, tão importante na minha história de vida ? E meus filhos como vou ajudá-los a superar essa partida definitiva?&lt;br /&gt;Cada dia mais ratifico a importância deles na minha vida. Sempre soube disso, mas agora mais do que nunca constato o quanto eles são meu mundo.&lt;br /&gt;Não tive um pai presente. Na verdade a minha referência de pai é a pior possível. Uma pessoa fraca, mentirosa, injusta e que não mediu as conseqüências quando abandonou a mulher com três crianças nascidas e uma em gestação. Lembro-me bem dele, mas não são lembranças saudosas, paternais, felizes. Isso talvez explique o esforço desmesurado que incontrolavelmente faço para que meus filhos tenham seu pai perto e possam usufruir dele. mesmo um pai debilitado em uma cama de hospital. Não me importa o tempo que eles ficarão conosco, o que vale mesmo é a qualidade desse tempo, o que deixaremos de contribuição para o desenvolvimento de cada um, para que de fato sejam cidadãos no sentido mais amplo e belo dessa palavra. Pessoas de bem que valorizem o bem, que cresçam até mesmo com essas experiências tão dramáticas, tão dolorosas que estão sendo obrigados a viver.&lt;br /&gt;Não quero pensar no fim, não quero acalentar a morte, não vou me permitir sofrer mais ainda do que a minha terapeuta um dia diagnosticou com muita precisão: a tal ansiedade antecipatória. Quero apenas viver esses dias, independente de quantos serão, de quantos teremos pela frente. Quero que o Manoel tenha certeza de que sou sua companheira, sua amiga e que ficarei ao lado dele o tempo que for necessário. Minha forma de agradecer por tantos anos de convivência harmoniosa, mesmo com os percalços que marcam a maioria dos casamentos.&lt;br /&gt;Ficaremos 15 dias diretos ao lado dele. Uma decisão difícil e cara, mas que valerá o sacrifício. Precisamos dele e ele mais ainda de nós. Queremos ver a sua evolução, queremos acompanhar pari passu a sua reversão e estar ao lado dele quando as maiores vitórias acontecerem.&lt;br /&gt;Comemorando ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-8144341417315116176?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/8144341417315116176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=8144341417315116176&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8144341417315116176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/8144341417315116176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/07/esperana-renovada.html' title='Esperança renovada'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-3189841251684337162</id><published>2008-07-12T11:45:00.001-07:00</published><updated>2008-07-12T11:45:56.634-07:00</updated><title type='text'>Desnorteada</title><content type='html'>Eu tenho tentado escrever nesses últimos dias até porque escrever, ler e assistir os noticiários de TV são para mim quase um vício. Dependo disso pra viver. Mas o tempo tem sido escasso, a concentração quase inexistente. Só agora apareceu a oportunidade de eu me doar às palavras e através dela arrumar as emoções, tentar entender o mundo desconhecido que se estampa à minha frente.&lt;br /&gt;Nem sei por onde começar. Talvez pela visita a São Carlos, a cidade que em breve se tornará nosso endereço definitivo, nosso lar, meu trabalho, a escola dos meus filhos. Lá tentarei refazer nossas vidas. Uma cidade com características que apaixonam: organizada, desenvolvida e ao mesmo tempo pequena. A pouco mais de 300 km de São Paulo, próximo a Araraquara, rumando em direção a Ribeirão Preto, um canto que respira conhecimento, estudos, tecnologia. Gostei do ambiente e uma casa confortável e pequena deve ser formalmente alugada nesta próxima segunda-feira e com a inestimável ajuda da Dóris na terça começaremos a arrumá-la.&lt;br /&gt;Na quarta quero estar de volta pra SP. Precisamos ficar perto do Manoel. Mais do que nunca! A conversa franca e objetiva que tive com os médicos esses dias me deixou arrasada, sem chão, sem saber onde me apoiar, como agir. Segundo eles, o quadro é muito grave. A infecção que estava no pulmão alcançou o intestino o que os obrigou a suspender qualquer alimentação via oral. Toda alimentação agora é por via intravenosa. Um emaranhado de cateteres se mistura em seu pescoço. Um conduzindo a alimentação, outro os antibióticos, outro a plaqueta quando necessária. Para a equipe médica há pouco por fazer. Um mês, dois meses talvez seja o prazo máximo. A doença é incontrolável.&lt;br /&gt;Nunca pensei que viveria algo semelhante. Ele está aqui ao meu lado, rindo, vendo TV, chamando a atenção dos filhos, fazendo planos para a nossa casa em São Carlos, procurando detalhes sobre a distância SP/São Carlos ou já se programando para passar as datas festivas com o meu irmão Ruy em Leme. É quase impossível segurar as lágrimas ao ouvi-lo dizer que quando estivermos de volta a Belém ou quando a minha mãe chegar com as cachorras que ele tanto gosta. Apenas uma vez me descontrolei, chorei abraçada a ele e porque o vi chorando primeiro. Ele disse que não era nada em especial, não estava triste ou pensando na morte, mas apenas sentiu uma vontade incontrolável de desabafar. Também desabafei, também dei vazão a esse turbilhão de novas emoções. Nossos filhos nos olhando e as lágrimas correndo, inundando nossas almas.&lt;br /&gt;Tento não pensar demais, mas como fugir das palavras dos médicos ? Como esquecer que eles chegam a dizer que ele nem irá para o cti simplesmente porque para lá vão as pessoas que têm alguma chance ?&lt;br /&gt;Meus filhos estão comigo, aqui perto, participam, acompanham, sofrem, amadurecem, mas sem desespero, num nível de compreensão que me surpreende, me orgulha e me dá a certeza de que como pais agimos certo. Temos dois jovens amigos solidários e que não se desestruturam, mesmo diante de tantas mudanças. O novo está em todo canto.&lt;br /&gt;Tento, não sei se inutilmente, de um jeito mais sutil, mais leve, prepará-los para o que não queremos, mas que é uma hipótese e irreversível para a Ciência.&lt;br /&gt;O Raul já tem conhecimento suficiente para entender. Sabe o que é uma septicemia, uma parada respiratória, uma paralisação dos órgãos vitais. Não quer acreditar. Prefere ver tudo isso como uma fase, um momento necessário para a retomada ao tratamento definitivo e o transplante que trará a cura.&lt;br /&gt;Dizer à minha filha de apenas 12 anos que o pai dela em poucos dias pode vir a falecer, dói muito. Mas eu disse. É preciso. Não usei os mesmos termos que os médicos, tentei uma metáfora com as plantas, principalmente neste momento em que ele aparenta estar tão bem. Está lúcido, consciente. Lê, entra na internet, mas como uma frágil plantinha está em uma estufa sendo preservado. As medicações são todas para lhe fortalecer. Não recebe vento, gotas de uma chuva forte ou excesso de sol. Tudo monitorado para que esteja bem. Até quando ? E quando voltar ao seu habitat ? E quando as células desobedientes avançarem ? É um tratamento paliativo que ameniza o sofrimento, prolonga a vida, mas não a preserva.&lt;br /&gt;Os médicos se surpreendem com a força que ele tem de viver, com a esperança inabalável que demonstra em cada ação. Os exames refletem um paciente terminal, mas aqui no quarto tem um homem que, embora visivelmente esteja fraco, careca, pele enrugada, seca, pernas inchadas, hematomas nos braços, está vivo e inserido em nossas vidas, participando ativamente das decisões, sugerindo soluções que variam do desconhecimento com a grande cidade às questões financeiras que têm sido amenizadas pela boa vontade dos amigos que se unem em Belém para passar uma rifa e levantar um dinheiro que amenizará os gastos com passagens e hospedagens.&lt;br /&gt;Quero crer que essa imagem de um homem doente, mas cheio de vida que apenas enfrenta uma etapa difícil de um complexo tratamento, em breve será ratificado nos novos exames. Os exames precisam retratar esse quadro !&lt;br /&gt;Ontem passei na frente da bela igreja de Santo Agostinho, às proximidades do hospital. Entrei e com fé, muita fé, rezei, pedi, agradeci. Coloquei nas mãos de Deus, orei silenciosamente ao pés da cruz de Jesus pelo Manoel, por nós, pelos médicos. Fragilizada roguei que um milagre aconteça e que a infecção desapareça, que ele volte a comer normalmente, que se recupere para receber a nova quimio e dessa forma possamos sonhar com o transplante.&lt;br /&gt;Não quero me entregar à tristeza, mas basta chegar a noite para que minha aparente força se esvaia. Fecho os olhos e revejo momentos importantes de nossas vidas em comum, sobretudo o nascimento dos filhos e sinto-me impotente diante da doença. Não tenho mais o que fazer. Só esperar, rezar, torcer e dar a ele essa companhia. Nós quatro dentro desse quarto de hospital. Na TV os programas que assistíamos em Belém num sábado qualquer, de um ano qualquer. Tanta mudança em tão pouco tempo.&lt;br /&gt;Não consigo controlar minha mente. Ela parece que vai estourar ao misturar o passado, esse presente e um futuro que me parece agora mais sombrio do que imaginei quando fiz tudo para trazê-lo para este hospital. Cenas de nossos peixes assados ou caranguejadas em casa ao lado dos amigos e parentes cedem lugar a entrada e saída de enfermeiras. Elas saberão da gravidade ? O que fazem é só paliativo ? Na cama o amigão de tantos anos está débil, dependente, sonolento, envelhecido. O nariz sangra e a toalha manchada de sangue denota que ainda há dificuldade de coagulação. Vou ao futuro e vejo nossa casa sem ele, nossos filhos sem o pai.&lt;br /&gt;Há alguns dias conversei com o Raul sobre isso. Disse-lhe que se esse for o momento da partida do Manoel, será dolorido, mas antes de tudo precisamos ver o quanto fomos privilegiados por ter convivido com ele. Não teriam um pai melhor. Quero apenas que tenha uma morte digna, sem dor, com os filhos ao lado. Se este for o momento, irá com a certeza do dever cumprido. Foi bom filho, bom irmão, bom marido, bom amigo, bom genro, bom cunhado, bom vizinho, bom colega e principalmente bom pai.&lt;br /&gt;Ainda é cedo para despedidas, mas sinto que me preparo para a hora do adeus. Com lágrimas que escondo, com imagens que me perseguem, com lembranças que nunca se apagarão. Não quero que se vá, mas não tenho o poder de impedir.&lt;br /&gt;Em outros momentos sinto-me uma gigante da fé que acredita no milagre, que espera por ele, que sabe que os médicos sabem muito, mas apenas Deus PODE TUDO !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/470427119634807682-3189841251684337162?l=eubelmemuitashistrias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/feeds/3189841251684337162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=470427119634807682&amp;postID=3189841251684337162&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3189841251684337162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/470427119634807682/posts/default/3189841251684337162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eubelmemuitashistrias.blogspot.com/2008/07/desnorteada.html' title='Desnorteada'/><author><name>Ruth Rendeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08558296570214111514</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-470427119634807682.post-878669340812974402</id><published>2008-07-06T16:30:00.001-07:00</published><updated>2008-07-06T16:30:48.796-07:00</updated><title type='text'>Enfim uma casa, um lar</title><content type='html'>A última semana foi uma experiência intensa e muito diferente. Novamente eu não pensei muito antes de agir, apenas fiz, fui, acreditei e felizmente tudo saiu bem ao final. Seis dias como uma família de camioneiros. Um dia em cada cidade, uma noite em cada hotel e muitas horas na estrada. Agora, finalmente, em uma casa, a casa do meu irmão em Leme.&lt;br /&gt;Tudo tão diferente... tudo tão mais acolhedor.&lt;br /&gt;Tantos acontecimentos, emoções, lágrimas, esperas, medos, alegrias, alívios que começaram na segunda-feira quando tive a informação de que deveria estar, na terça, bem cedo, na clínica de Campinas para começar o tratamento. A braquiterapia não é uma técnica muito usual, apenas alguns tipos de câncer fazem uso dela e por isso poucos conhecem como ela acontece e eu não fugi à regra. Não tive tempo de pesquisar na Net ou conversar com alguém que conhecesse esse tipo de radioterapia. Fui às escuras. A primeira surpresa foi a anestesia geral. A ignorância me levou a deduzir que seria algo bem mais simples, uma anestesia rápida, local para colocação de um cateter igualmente simples. Na clínica atendimento perfeito, hospitalidade, atenção, explicações e um anestesista bem jovem, bonito que disse que eu ficaria em torno de 40 minutos na sala de cirurgia para receber os "tubinhos" que dariam acesso à radiação concentrada em parte da mama. Anaterra e Doris estavam comigo. Fui calma, tranqüila e já acordei na sala de recuperação, uma hora e meia mais tarde, sem nenhuma indisposição. Só muita fome. Na mama esquerda um quadro assustador: ao contrário dos cateteres que já conhecia (a Rosanne, "amiga do peito" e o Manoel implantaram para facilitar a quimio), tinha nove "canudinhos" verdes que atravessavam minha mama de um lado a outro. Um cenário que me apavorou muito mais pela cena do que pelo incômodo. Do lado próximo à axila, umas espécies de torneirinhas que me ligavam a uma máquina barulhenta duas vezes ao dias, durante 12 minutos, cinco dias seguidos.Até sábado teria que estar, por duas vezes ao dia, na clínica de Campinas. Não podia racionalizar demais ou encontraria todos os obstáculos possíveis para de novo desistir. Era a quarta vez que tentava. A primeira em Belém, a segunda nessa mesma clínica, mas que tive que interromper para retornar urgente a Belém. Depois de novo o Ophir Loyola e a farsa da radioterapia que hoje sei, serve apenas como placebo. Não cura ninguém, não serve pra nada. Ajuda apenas psicologicamente os portadores de câncer. Precisava acreditarque dessa vez daria certo. A Anaterra em São Paulo; o Manoel hospitalizado e o Raul chegando na quinta-feira. Como ir e voltar tantas vezes ? Não importava. Iria fazer, lutaria. Eu e a Anaterra ficamos em Campinas de terça para quarta-feira. Chegamos na rodoviária do Tietê já tarde da noite. Onde escondi meu medo ? Que fim eu dei naquele temor de andar sozinha à noite ? Nem percebi que estava na maior cidade da América Latina, na maior rodoviária da região. Automaticamente fiz o que tinha que ser feito. Um táxi e já estávamos no hotel, dormindo cedo pra acordar no dia seguinte e ir esperar pelo Raul no aeroporto de Guarulhos. Não fui visitar o Manoel. Os "canudinhos" poderiam ser uma entrada de infecção e mais do que nunca preciso me preservar, ficar longe de doenças oportunistas. Os contatos foram só por telefone.&lt;br /&gt;Madrugada de quinta-feira, dia 3, em breve a família se reuniria de novo. Agora em São Paulo. Pela primeira vez o Raul viajando sozinho. Mais de três horas de vôo direto. Também me mantive tranqüila, acreditando sempre que tudo sairia bem. Um mundo tão novo, tão profundo, tão intenso que só depois que acontece tomo consciência que de fato vivi.&lt;br /&gt;Minha vida tem uma outra dimensão, tem uma paisagem que vai além do que vejo, do material, concreto. Muitas pessoas queridas talvez não se vejam nessa paisagem sombria, conturbada, insegura. São emergências, urgências que têm me levado a agir muito rapidamente, quase como um robô. Não esqueci ninguém, não alijei ninguém da minha vida, principalmente os que me são caros, os que de fato amo, os que tanto quero bem e que às vezes cobro colo, carinho, atenção, afeto mais do que aqueles que apenas passam na minha estrada, mas que não fizeram parada, que deixarão poucas lembranças, poucas marcas. O que de fato eu preciso é dividir esses momentos, compartilhar com os que realmente me querem bem esse turbilhão de novos sentimentos, novo lar, novos dias. Preciso demais daqueles que um gesto simples tem uma conotação gigantesca, me fazem feliz ou muito triste com um simples aceno ou falta dele. Uma frase, um abraço, uma mensagem, um telefonema e meu dia passa a ter um outro significado. Estou carente, sensível e frágil, mesmo quando pareço tão forte. Brigo e digo o que não devo (ou não queria dizer dessa forma), mas continuo amando, querendo bem, apenas demonstrando de forma diferente e às vezes incompreensível. Aos que tentam me poupar e não comentam seus problemas, uma aviso: eu quero permanecer na vida de vocês, só assim terei certeza da minha relevância. Esconder de mim o que por acaso possa estar acontecendo de ruim, não me preserva, apenas me distancia e sinto-me bem em continuar sendo solidária, amiga, companheira, mesmo que com um tempo tão escasso.&lt;br /&gt;Os dias têm se atropelado, o tempo é curto para tanto a fazer, resolver. A semana mal começou e já terminou. Estou confusa com datas e situações. Às vezes me perco nas lembranças e tento identificar determinada situação sem saber exatamente se estava em São Paulo ou Campinas; se foi na quarta ou na quinta-feira. Tenho certeza apenas que na última quinta-feira bati todos os meus recordes. Depois de receber o Raul, mal o dia nascia em Guarulhos, fomos para São Paulo descansar um pouco. Às 10h os deixava na porta do ACCamargo para passar o dia com o pai. Muita emoção nesse encontro. Lágrimas dos dois. A incerteza de um reencontro certamente se desfez no abraço apertado. Como uma autêntica paulistana, segui do hospital para o metrô. Deixei a estação de Vergueiro rumo ao Tietê e de lá um ônibus para Campinas onde fiz, às 13 horas, a primeira aplicação. Um sono quase incontrolável. Entendi as pessoas que dormem em qualquer lugar, basta se encostar para cochilar. Telefonei para a Vera, colega da Embrapa que já me hospedara antes 
