Quem sou eu

Belém/Ribeirão Preto, Brazil
Amazônida jornalista, belemense papa-xibé. Mãe, filha, amiga... Que escreve sobre tudo e todos há décadas. Com lid ou sem lid e que insiste em aprender mais e mais... infinitamente... Até a morte

Aos que me visitam

Sintam-se em casa. Sentem no sofá, no chão ou nessa cadeira aí. Ouçam a música que quiser, comam o que tiver e bebam o que puderem.
Entrem...
Isso aqui está se transformando em um pedaço de mim que divido com cada um de vocês.
Antes de sair me dê um abraço, um afago e me permita um beijo.

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terça-feira, 6 de maio de 2008

Mais buscas

Agora é hora de raciocinar, racionalizar, colocar o pé no chão. As emoções que afloraram com tanta intensidade, que me deixaram cega e desnorteada, cedem lugar à realiade, mesmo que as lágrimas persistam, mesmo que o cansaço não passe, mesmo que o medo exista.

Não voltarei mais a São Paulo. Farei em Belém meu tratamento merecendo um olhar agora bem diferenciado dos que dirigem o hospital Ophir Loyola. Fiz o que não queria e agiram exatamente como eu sempre condenei: usei pistolões, houve interferência de terceiros e as portas se abriram, o tratamento passou a se diferenciado. Enquanto eu era apenas uma cidadã comum, mal consegui ser atendida pela assistente social. Tive que argumentar para conseguir, junto com outras pessoas que aguardavam há horas, que ela não fosse embora e nos atendesse.

Dessa vez foi diferente:até o diretor geral encontrou alguns minutos para me explicar as dificuldades do hospital, mostrar dados e situações e ratificar o quanto essa herança é difícil. Mostrou-se otimista e acredita que em breve teremos mais um aparelho em funcionamento. Torço para que seja verdade.

Penso na minha radio, mas sei que a prioridade neste momento é o Manoel. Embora esteja reagindo muito bem ao tratamento, não apresentando nenhuma complicação, sem sinal de febre há muitos dias e muita disposição para brincar, ironizar, comer e rir, sabemos que o caso dele é grave. Precisa de cuidados especializados e Belém, de novo, se mostra limitada nessa área. Alguns exames não são feitos por nenhum laboratório da cidade. É preciso enviar o material para SP com dias de atraso, com longas horas de viagem, o que pode interferir no resultado. Por isso estamos nos mobilizando (e o pessoal da Embrapa está sendo incansável nesse aspecto) para que ele seja tratado em um hospital paulista. A limitação principal está em obter uma UTI móvel aérea, já que a médica não autoriza o transporte por avião comercial. Sei que conseguiremos.

Até mesmo o diagnóstico me parece precipitado. Tento entender, já com mais calma, o quadro como um todo e não me convenço. A conclusão do hemograma diz: medula óssea sugestiva de leucemia aguda. Sugestiva não é conclusiva. Ele tem um longo histórico de problemas hematológicos, principalmente plaquetas muito baixas e leucócitos muito altos. Nunca levou muito a sério o tratamento. Comia o que não devia, bebia o quanto podia, mesmo tomando remédio. Trabalhava demais, se estressava demais e contraiu uma dengue. Acredito que esses antecedentes devem ser mais bem avaliados, principalmente porque ele está respondendo bem demais a todas as interferências médicas. Nenhum indício de leucemia, mesmo que seja inicial. Pode ser apenas uma dúvida, uma esperança de que o diagnóstico esteja errado, mas eu preciso ter certeza. Tudo o que vivi com o meu câncer me mostra que é preciso duvidar, perguntar e nunca acreditar no primeiro médico. Eles são humanos e também podem errar.

A minha ansiedade é que me move, não desligo, não paro de pensar, de buscar na Internet explicações e casos similares. Ansiedade que se revela também no ambiente doméstico, com os filhos que acabam sendo meus escudos, os que mais recebem minhas explosões. Não queria que fosse assim, mas estou fragilizada, com medo que aconteça alguma coisa com eles e acabo exagerando na preocupação, nas cobranças, no desejo de tê-los bem perto como se isso impedisse que algo ruim os atinja. Eles também estão sofrendo. Cada um do seu jeito, mas não deve ser fácil ver o mundo cor-de-rosa de um ano atrás desmoronar. Amadurecerão mais rápido e de uma forma tão penosa. Coitado dos meus meninos !

Não dá pra parar. Não sou a mulher maravilha, estou carente, cheia de angústia e apreensões, mas há tanto a providenciar, há tanto a decidir.

Ouvirei outro hematologista à noite, tenho consulta com a psicoterapeuta hoje à tarde, preciso ir a um cartório tratar de uma procuração, pagar contas que já venceram, visitar o Manoel e tentar dormir, relaxar e me preparar para quinta-feira retornar ao Ophir Loyola e pelo menos ter a boa notícia de que começarei a radio muito em breve.

Meu tempo se esgota (ou já se esgotou ?)

3 comentários:

Unknown disse...

Ruth...querida...nao sabia metade do q vc estava passando...seu blog se encarregou de acabar de me transmitir parte do q tem sido tua caminhada.
Rutinha, é com os olhos lacrimejantes q digo estar com mta saudade de vc...estamos tão perto e ao msm tempo tão longe. Desculpe por essa distância...desculpe pela ausência...melhoras, reestabelicimento, saúde e felicidades pra vc, pro Manoel, pros meninos...espero te encontrar logo. Te devo um abraço, um bjo, um carinho...Rogério Paiva

webeatriz disse...

É isso Ruth , calma , perseverança, e muitas buscas...
A. desde o AVC , vive assim consultando, questionando , indo buscar mais informações...

Ainda hj estva me sentindo "lesa" com as últimas noticias tua, mas agora junto contigo retomo a confiança, e renovo os votos de PAZ e bençãos.
Bjs

Anônimo disse...

Minha amiga, fazia um tempo q que não entrava aqui, levei um susto com essas últimas notícias, imagino vc...
Aliás, o susto foi com as fotos do Manoel no hospital, em vez de perguntar, lógico, vim ler no seu blog e percebi o qto somos mesquinhos, omissos e até covardes, pq muitas vezes não deixamos recado pq não sabemos o q dizer. Mas hj resolvi ser sincera comigo mesma e me desculpar com vc pela ausência, que não significa, de forma alguma, falta de lembrança e de desejo de força e coragem.
Sei bem que muitas vezes, quando as pessoas concluem que somos fortes, corajosas, decididas, não percebem q é pq a vida não nos dá outra opção senão arregaçar as mangas e fazer o q tem q ser feito, muitas vezes tropeçando, chorando ou quase morrendo.
Pois eu desejo, do fundo do meu coração que essa sua luta seja o menos árdua possível e que acabe da melhor forma, ou seja, que vcs ainda possam relembrar de tudo isso, se Deus quiser, com muita saúde.
Um beijo grande,
Margarete